O jogo inquieto da verdade: lembranças nietzscheanas

 

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Nietzsche foi um crítico feroz das tradições ocidentais. Hoje, ocupa lugar de destaque nas tramas do pensamento atual. Um mergulho, nas obras de Deleuze e Foucault,  nos traz ecos das inquietações tão presentes nas últimas décadas do século XIX. Vemos permanências.Os argumentos de Nietzsche são retomados, numa reinvenção que surpreende os saberes contemporâneos.  A questão da verdade merece atenção especial. As dominações políticas não vivem sem  elaborar armadilhas. Nietzsche denunciou as manobras do cristianismo e não admitia que a razão fosse o centro de tudo. Não tolerava o idealismo platônico. Mostrou como a sociedade desenhava sua lógica para enfraquecer o ser humano. As complexidades dos desenganos, porém, são muitas e o mito do progresso  ainda permanece.

Chegou a época da pós-verdade? A mídia manipula notícias,  explora ambiguidades, viaja por boatos, provoca e não sai de cena. As dubiedades vendem, atraem, enchem telas e mentes atordoadas. Observe as estratégias de Trump e acompanhe o messias Jair. Os dois são figuras que parecem delirar com suas invenções. A verdade vai e volta, dizem alguns. Há teóricos especializados em manter o reino do pragmatismo, consolidar os espaços do capital e que pouco ligam para desigualdade. A formação do ministério de Jair possui quadros que buscam minar projetos sociais. Como está sendo construída a sociabilidade? Quem a defende e nutre seus olhares?

Os problemas se globalizam com as imigrações e a violência. Não há como afastá-las com a concentração de riqueza  e as articulações do mercado. A importância  das máscaras seguram poderes e atiçam esperanças perturbadas dos desesperados. O famoso discurso da servidão voluntária ajuda a uma infantilização crescente. Procure analisar o número de suicídios numa sociedade que exalta a felicidade.  Portanto, a repressão se fixa e preconceitos anulam desejos de mudanças. O campo das especulações aumenta, pois se formam ídolos salvadores. Quem irá prevalecer na equipe de Bolsonaro? Moro está aliado aos considerados justos e imparciais? E Guedes conseguirá transformar a economia com vantagens para quem? Há golpe no ar ou o circo se desmancha?

A dimensão trágica da vida é coberta pela vaidade do consumo. Nietzsche ficaria perplexo com as relações do mundo que vivemos. As religiões são parceiras de políticas perversas. A Igreja Católica teve contatos estreitos com os fascismos, sem deixar de ressaltar toda a pregação da teologia da prosperidade feita pelos evangélicos. Aquele princípio da amar ao próximo encobre apoios à expansão de muitos governos opressivos  e políticas monopolistas. Por que negar as contradições?  Por que o estigma do pecado original? Nietzsche sacudiu seu tempo. assanhou o cinismo que existia em muitas utopias. As guerras chocaram, mas fortaleceram tecnologias que rendem milhões. As máquinas são altares de contemplação da maioria. A sinfonia dos celulares celebra alienações e alimenta a mediocridade. Compra-se o riso e nem se analisa para ruínas.

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1 Comment »

 
  • Rivelynno Lins disse:

    …para aqueles que olham o movimento da história como um processo linear progressista, temos o uso da tecnologia para mostrar a sua descontinuidade, o presidente eleito é medíocre. Ele produziu mentiras contra seus adversários, mas nunca fingiu ser o homem grosseiro, ignorante e violento que é, uma parte significativa das pessoas escolheu a ele como opção, em detrimento do outro tido como mais educado, mais preparado, contudo acusado de pertencer a um partido corrupto. A escolha do outro na minha opinião, vem da escolha pela legitimidade da violência, da negação da alteridade, da tentativa de enterrar de vez a ideia da diversidade e do respeito a diferença. A escolha se deu pelo atraso e não pelo progresso de construir uma sociedade mais igualitária e fraterna para todos, a seleção dos ministros escolhidos pelo novo presidente assusta e os rumos da nação se tornam cada vez mais incertos…

 

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