Choques e disfarces: jogo tenso da violência e da política

É difícil caminhar sossegado pelas ruas. Os ruídos do carnaval estão salientes. As multidões se preparam para folia e as cervejas mostram-se dispostas a aliciar foliões. A festa se aproxima como uma homenagem a um belo delírio fugaz. A sociedade está mesmo tensa. A violência é veloz e visita o mundo. Assaltos cotidianos aos ônibus, roubos de automóveis, manobras golpistas, fogo nas penitenciárias. Como classificar a multiplicidade de emboscadas que assustam e intimidam? Em Paris, o medo também sobrevive. Há um monitoramento de pessoas suspeitas de terrorismo que coloca a cidade em agonia. A Europa parece pedir perdão pelas colonizações agressivas do passado. Qual é a saída? Os preconceitos se renovam e não adianta celebrar descobertas científicas. Pior é o desamparo frequente.

As conversas tornam-se terapias. Cada um conta sua aventura nada agradável. Os brasileiros estão temerosos. Trump promete varrer os clandestinos. Miami não é mais um sonho. Ninguém compreender o que se passa. Talvez, uma transformação na exploração capitalista. A China está de olhos abertos. Putin joga duro. Portanto, a insegurança e a instabilidade unem-se para empurrar os cidadãos para o inferno. Há ambiguidade profundas. Muita gente negocia com ódios. Distribui ofensas, canta mortes, desprezam os outros em nome de hierarquias. O interesse tira a máscara e  mostra as hipocrisias sofisticadas. Os cargos atraem e as consultoria se somam ao som das moedas. O homem cordial vestiu-se com a roupa do ódio gratuito e traiçoeiro e com máscara do capeta.

Por aqui, a política não deixa de ferver. As turbulências se formam rapidamente. A morte de Marisa foi tema de discussões. Assustei-me com a ferocidade de alguns. Lula reviu ex-aliados, recebeu cumprimentos, fez discurso, retomou lutas e memórias. As agitações não cessam, pois as delações ameaçam, afugentam. Quem pagará por tanta devassidão e esperteza? Maia e Eunício dirigirão o Congresso. Temer não consegue se firmar. Faltam o carisma , a confiança e um projeto que convença. É uma atmosfera tenebrosa, com greves, de policiais, assustadoras. Há pessoas que comparam Marisa a Ruth. Querem desqualificar por motivos acadêmicos a trajetória de Marisa. Apresentam-se julgamentos que revelam angústias e insônias, revelam que os sentimentos abrem e fecham portas. A culpa aparece ornamentada.

Nas ruínas, estão pedaços de corpos e corações dilacerados. A salvação é um desejo. Mas observe quem a promete? O território da política possui minas assassinas. A violência não se amplia à toa. Quem governa pensa no coletivo ou se infiltra nos cofres públicos? Há desculpas para tudo. Fala-se na crise econômica como réu primeiro. Quando havia grana quem se apossava dela? Fico perplexo com a indignidade. Os valores se amesquinham. O autoritarismo ataca. Freud tinha razão. As lacunas são muitas, as intrigas superam os afetos, a prazer é um espetáculo que traz perigos e drogas. O mal estar se instalou. A telecomunicação não supera as distâncias, porém inventa outras. O medo de andar nas ruas é expressivo. Como é possível dialogar? O luxo vai para o lixo, mas a tensão permanece e a distopia também. A justiça adora as liminares aprendizes de cabeças redondas.

 

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1 Comment »

 
  • Nogueira Netto disse:

    Fantasias são expostas
    Buscando fugas reais
    Ao mostrar lados ocultos
    As máscaras nos carnavais
    Escondem mas não maquiam
    Os disfarces sociais

 

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