O maio do sonho: 1968

 

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Reclamamos das disputas infernais. O mundo não tem sossego. Não aprendeu com tantos séculos de cultura. A burocracia toma conta da vida privada. Uma prisão, cheia de labirintos construídos, com muito sadismo, alimenta solicitações opressoras. Os prédios verticalizam a moradia, ora são abandonados, ora são demolidos. Tudo se passa numa velocidade estúpida. Não dá para olhar o calendário e firmar planos. As surpresas enchem a sociedade de incertezas e as manchetes de jornais trazem assassinatos, misérias, guerras. Há teorias reformistas, intelectuais arrogantes, sábios esquisitos.

Pensou-se que a tecnologia poderia aliviar dores agudas e promover o encantamentos. As revoluções anunciaram novidades, derrubadas de preconceitos, solidariedades extensas. Mas o século XXI vive desacertos incríveis. Há maravilhas arquitetônicas, junto com desastres ecológicos. O futuro é uma esfinge atormentada. Não faltam utopias. A coragem para consolidá-las é causa de frustrações. O comunismo se confunde com violências políticas e o Manifesto de Marx e Engels parece que não é lido. Há fanatismos soltos e pantanosos, deuses, em templos, cultuados como senhores do universo.

Maio de 1968, uma rebelião se mirou em sonhos. Paris ficou tensa, pois se queria transformar a monotonia, colocar as poesias na rua. O objetivo era redefinir a convivência, evitar os totalitarismos, imaginar e efetivar um poder longe dos consumos capitalista. Era vez dos jovens puxaram os movimentos, seduzir o resto da população, arrancar o pesadelo de governos incapazes e centralizadores. O mundo se abalou. Muitas cidades também se impacientaram. Era preciso uma estéticas que apagasse as aberrações das avenidas apáticas. A fumaça é uma tatuagem se desenha nos nossos corpos de forma doentia.

A repressão respondeu. Os estudantes espalharam seus sonhos, uma grande greve parou a França. Não esqueça que a década de 1960 ferveu, demoliu tradições nada saudáveis. Os Estados Unidos perderam uma guerra para o Vietnã. No Brasil, porém, a ditadura punia e censurava. O mundo das mercadoria fascinava os concentradores de riqueza. Quem espera por uma primavera cheia de beija-flores vermelhas namorando com flores coloridas nem sempre consegue soltar o sorriso. Os limites seguem envolvendo nossas incompletudes. Dizia-se, em maio de 1968, que era proibido proibir. Desejo difícil, porém não custa buscar a invenção e andar pelas calçadas multiplicando as identidades,

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3 Comments »

 
  • Rivelynno disse:

    …a literatura e a história traz o sonho daquilo que não se viveu ou que se gostaria de se viver, diante de um futuro incerto e de rumos indisciplinados, caminhamos sem saber onde está o horizonte. Acho que o momento do agora é muito amargo e os sonhos ainda são alimentados pelas leituras da literatura e da história que sempre nos mostram que os momento felizes também estiveram presente e foram registrados, assim como os outros momentos não tão felizes assim…

  • Grato, pela reflexão
    abs
    antonio

  • anuska salsa disse:

    maravilhoso texto , Antonio Paulo. Rivelynno, que leitura maravilhosa o seu comentário. amei!!!!

 

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