Holmes:o massacre no cenário das diversões

O inesperado faz parte da história. Ela não é um samba de uma nota só. Muitas informações do passado nos chegam, pesquisas geram polêmicas, mas terminamos entrelaçando notícias e comparando acontecimentos. A simultaneidade nos atiça a especular e observar que a sociedade não foge da perplexidade. Cria seus significados contemporâneos, porém se defronta com tradições e comportamentos que expõem repetições e descontroles. Nos Estados Unidos, novamente, cenas de violência assustam a população e provocam expectativas negativas. James Holmes, 24 anos, matou doze pessoas durante a pré-estreia do filme de Batman, figura de ampla circulação nos sentimentos e nos heroísmos pós-modernos.

Os assassinatos coletivos têm sido frequentes. Aconteceram já no Brasil, revelam ódios, descompassos afetivos, lutas políticas, desmanche de esperanças. Não são novidades, contudo causam desencontros nos valores, na gestão pública, na pedagogia das famílias e das escolas. Por isso,  certo pânico se estende e a imprensa busca detalhes e explicações. Holmes tinha um arsenal de explosivos. Nem a polícia acreditou no que viu. A astúcia do criminoso  mostrou como articulou suas ações, com detalhes, sem medo da força da violência. Provocou suspense geral no condomínio que morava. O projeto dele teve tempo de maturação, estratégias e imaginação persistentes.

Morreram doze pessoas, porém a história não termina aí. Existem mais de cinquenta pessoas, de idades variadas, em estado crítico. O cinema tornou-se um vulcão. As atitudes de Holmes assanham debates sobre a venda de armas, as questões psicológicas, a liberdade de ir e vir num mundo tão repleto de tensões.. Há manifestações religiosas, pronunciamento de Obama e o medo espelhado pelo impacto que enfraquece sociabilidades e coloca dúvidas nas relações que se fabricam no cotidiano. Até as diversões tornaram-se lugares de confrontos, de perdas, de falência de limites. O futuro assombra, porque o presente não conserta seus desequilíbrios.

Temos enfatizado, aqui, a complexidade dos centros urbanos, a pouca agilidade da  política, o desmantelo geral que dilui a solidariedade. Se o coletivo ganhasse importância, com valores mais agregadores, a sociedade não padeceria de tantas violências. O pior é que não dá para avaliar se estamos vivendo o ocaso dos conflitos e se existem harmonias preparadas para apaziguar os descontroles. Há desigualdades radicais, misérias, mas os acontecimentos de brutalidade se sucedem nas  ditas culturas que se acham portadoras dos privilégios do bem-estar. A questão não se resume à falta de uma melhor distribuição de riquezas. As armadilhas do narcisismo aprontam com cinismos sofisticados.

Portanto, não há como se fincar em análises econômicas, como condutoras das verdades. Cansa, às vezes, cair nas repetições, num mundo tão ansioso. No entanto, essa ansiedade ajuda ao esquecimento. Há o choque, as controvérsias atuam de forma globalizada, contudo a quantidade de informações é  avassaladora. A sociedade renova suas notícias, interrompe suas reflexões, não aprofunda sua amargura. O gesto de Holmes se perde. A história possui esse vaivém que não é, apenas, do nosso tempo. Bastam que as vestes mudem de cores para que os comentários sigam outros caminhos. O sucesso do justiceiro Batman trará novas sensações.

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