O medo acompanha a história?

As novidades são constantes e ousadas. A ansiedade contemporânea não permite descanso. Renova os desejos com rapidez indisfarçável. Quando nada existe de concreto que assombre com sua tecnologia, surgem os boatos políticos e a mídia investe nas novelas dramáticas e comportamentos “exóticos”. É preciso que haja muitos espelhos, pois a vaidade veste o Narciso que mora nas ambições individualistas. Não é  à toa  que a confusão de valores é imensa. Como teorizar sobre as crises se os desacertos mudam e espantam sem cerimônia?

O medo faz parte da vida, mas ele não poder ser algo que entre absolutamente no cotidiano. Temos que respirar, não submergir em pesadelos que parecem inesgotáveis. Os negócios exigem lucros. O poder de invenção é fonte de deslumbramento, acrescenta disputas, traz luxo para as vitrines, multiplica o exibicionismo. Verdades e mentiras são conceitos que se estragam, transformam seus significados, desenham labirintos, desfazem mapas, ultrapassam os momentos com rituais virtualizados.

Não faltam boatos ou notícias que alimentem expectativas. Guerras, assassinatos, epidemias, explorações, desmantelos gerais. O incomum se torna corriqueiro, portanto a arte de criar suspenses invade os meios de comunicação. A atmosfera poluída pede contrapontos. O jogo da vida coletiva configura complexidades. Quem se satisfaz? Quem sonha? Quem faz do consumo seu alívio?  O que é a droga? Qual a necessidade de usar máscaras? Por que perguntas sem respostas imagináveis?

Há uma encenação, com atores e atrizes anônimos. Eles se apresentam lendo textos que os surpreende, buscando identidades líquidas. É difícil escolher o limite, formular as regras. A ilusão se insere nas sociabilidades com força e apoiada por técnicas justificadas pelas ciências. Não é raro entrelaçar o sagrado com o profano. A embriaguez das imagens ressignifica mitos e o retorno aos encantos da memória produz idealizações permanentes. Tropeçamos em pedras pequenas, soltas nas esquinas escuras.

O medo de não ter controle sobre tantas coisas fabrica desamparos. Surgem alternativas de fuga vendidas como mercadorias. Quais as diferenças entre os objetos? A história acolhe o tempo simultâneo, o novo é um simulacro do velho. As velocidades do olhar e do sentir ocupam espaços que destroem proximidades e distâncias. Na vastidão de cartografias fragmentadas, os circos escondem seus palhaços e espalham acrobacias estranhas. Acordam o que se perdeu no sonho do tapete mágico.

 

You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

3 Comments »

 
 

Deixe uma resposta

XHTML: You can use these tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>