O mercado da bola ganha espaços e máscaras

 

A corrida é grande. Haja fôlego e grana. Depois que tudo está ficando nas mãos de intermediários, os negócios se tornaram assuntos de importância dária. Ninguém sabe quais são os sinais de verdade ou se tudo não se trata de ilusões. O mundo dos interesses é forte. Comunica emoções e manipula profecias. Escolhe o momento de assanhar as expectativas. Gosta de brincar,  sacudindo mentiras para todos os lados.

Sabe que as torcidas disputam lugares privilegiados. Isso depende muito do poder dos negócios, para formar times com craques. Ganhar é desejo permanente. Final de ano, as férias serenam os esforços físicos, mas não cala os investidores. Afinal, o comércio dispara nas vendas, as ruas cheias de objetos de todas procedências. O mercado da bola não iria se esconder. O dinheiro não dorme. Possui uma insônia secular. Seus olhos são abertos e nunca necessitam de  colírios.

A sociedade está também agitada. Comprar é um verbo, conjugado como uma melodia graciosa. Então, não custa misturar as trocas, mitificar os valores e fazer a moeda dançar. Por isso, as notícias surgem e desaparecem, como o saco vermelho de Papai Noel, numa época em que as chaminés são ruínas. Se há resultados a comunicar, para que desespero. Página em branco é coisa do passado remoto. Nada como visualizar as possibilidades e balançar o otimismo dos ingênuoa. Não falta assunto, sobra imaginação.

Ronaldinho está lá e cá. É uma pedra preciosa para salvar clubes. Há sempre uma esperança de que ele volte a fazer brotar seu lado mágico. Não é possível que as baladas tenham rifado o seu talento. O ponto das transações se reativa. Até o Grêmio resolveu promover a volta do filho pródigo. Mas há o Flamengo tentando firmar suas intenções. De onde vem a grana, não se sabe. os patrocinadores são convocados e os esquemas são montados. Uma agilidade incrível. A bolsa de valores inveja tanta ciência para vencer o tempo e acumular o lucro.

Não dá para esquecer que estamos na era do espetáculo. O futebol está pobre de artistas. Precisa de um sopro forte, de alguém que retome as acrobacias. Ronaldinho não sai da memória, apesar de todas as suas instabilidades. Seu início profissional foi fulminante. Fermentou delírios. Os elogios o colocaram no alto das montanhas. Finalmente, um artista, ante que se aproxime o juízo final. As vitrines vendem também pessoas, modos de viver, não é apenas dormitórios de produtos industrializados.

Tudo isso distrai a sociedade. Entre um consumo e outro, uma olhada nas notícias. Esse é o deslocamento dos mortais que invadem suas poupanças, como crianças mastigando chocolates. A maioria ouve, apenas, os ruídos dos sinos e dos prédios repletos de luzes. Como tudo se veste de forma diferente ! Trata-se de um rito de passagem, mas que seja eterno enquanto dure. Vivemos de datas e temos que desburocratizá-las. Existem fantasias que se renovam. O carnaval vem por aí. Talvez, Ronaldinho volte para o Brasil e deixe suas máscaras na Itália. Tudo passa, até o delírio das festas.

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