A barbárie refinada do mercado veloz da bola

O futebol brasileiro é barulhento. Seu destaque no noticiário é visível. Há dias que as suas manchentes dominam a primeira página dos jornais. Não se pode negar que se formata uma vitrine, para encaminhar e trocar valores. O mundo da especulação não se resume às histérias das bolsas de valores. Tudo está contaminado pela volúpia dos lucros. Ser empresário da própria vida se tornou um desafio cotidiano.

Depois da vitória da Copa de 1958, o Brasil ganhou espaços internacionais, sempre ampliados. Era uma geração de craques admirável. Dizia-se que Deus estaria comprometido com  o parto de tantos talentos, numa terra só. Não havia, ainda, os milhões soltos da atualidade. Formava-se um mercado, sem muita pressa. Muitos jogadores não se interessavam em mudar de clube. Basta observar a trajetória de Pelé. Poucos ousavam ir para o exterior. A grana não tinha um feitiço tão avassalador.

Mas o tempo não quer descanso. A globalização faz parte das aventuras do capitalismo. Mundo ficou pequeno, com as tecnologias que planejam lucros imediatos. O valor de troca garante sua soberania. Tudo pode ser um negócio. O futebol caminhou para o centro do vulcão. O famoso mercado da bola estrutorou-se, com seus especialistas e escritórios multinacionais. O dinheiro está em todo lugar. De onde vem, é outra história. A clareza não casa bem com as ambições e as armadilhas empresariais.

Logo cedo, os jogadores se deslumbram, com as possibilidades de fazer fortuna. Messi foi para o Barcelona e levou a família. É o craque mais badalado do momento. No Brasil, a ida para a Europa enlouquece e tumultua sonhos de riqueza. Há um esvaziamento dos campeonatos nacionais. O Brasileirão carece de boas partidas. Tudo indica que o argentino Conca será o craque do ano em curso. Quem poderia imaginar tal façanha na terra do futebol ? Faz parte da sagacidade do capital. Os costumes são atravessados pela ansiedade de juntar moedas.

O paraíso tem seus demônios. A pressa, em acumular, nem sempre é bem- sucedida. Muitos vão cedo, desconhecidos, vagar pelo planeta. As chances variam. Portugal, Espanha, Turquia, países árabes, França, Inglaterra. Não faltam comércio e oportunidades. Os que alcançam o pico maior não são muitos. Analisem as trilhas de Romário, Ronaldo, Ronaldinho, Raí, Robinho, Kaká e vejam as sinuosidades, tratando-se aqui de alguns mais conhecidos. Reflexões interessantes, para quem curte as sutilezas.

Os milhões rodam, mas são poucos os que fazem fortunas. Muita gente se engana e não vê o outro lado do barbárie refinada, com suas misérias e desesperos precoces. Nesse ano, o caso da instabilidade de Ciro merece atenção. Ele recebia a denominação de o Imperador e pensava na sua transferência para um clube que lhe desse mais fama. O que tinha, no Sport, era pouco. Hoje, Ciro desvaloriza-se e incomoda seus fãs. É um exemplo próximo. O importante seria se preocupar com a formação das pessoas. Especular sobre os talentos, como objetos descartáveis, descontrola  a criatividade. Coisificar é um ato de violência.

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2 Comments »

 
  • betinha disse:

    Pois é o esporte passou a ser quase que somente um negocio, os atletas são meros fantoches nas mãos dos seus clubes, não há investimento no jogdor como ser humano, sujeitos a erros, reviravoltas, emoções e fragildades. Tudo é rápido e descartavel como se fossem mercadorias e não pessoas que precisam tempo para assimilar as mudanças, ninguém perdoa, ate o torcedor, este endeusa e desendeusa num piscar de olhos. Onde esta o equilibrio de todos, não consigo entender a inversão dos valores é muito triste apreciar tudo sem nada poder fazer, que sociedade doente.

  • Betinha

    Os negócios são o motor das competições.Perdeu-se
    a arte.
    bjo
    antonio paulo

 

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