O meu silêncio é o meu ruído?

 

A indiferença é sempre um disfarce. Queremos fugir de certas controvérsias, mas a neutralidade não existe. O muro não está firme e balançamos. Somos artistas do acaso. Alguns sofisticados buscam teorias para justificar seus malabarismos e seus talentos. É um território repleto de vaidades, onde a felicidade se torna uma fantasia permanente. Não adianta afirmar que estamos na pior época da história. Há desajustes inegáveis. Basta um breve mergulho no passado para nos lembrarmos da bomba atômica, da fome nos países pobres, das disputas comerciais, das espionagens constantes, das manipulações das guerras religiosas, do eurocentrismo marcante. As permanências mostram que as angústias não cedem e se misturam com celebrações datadas.

A pergunta não é nova: como reagir? Anuncia-se a intriga política que envolve o  poder de negócios obscuros. É uma epidemia, com vacinação vencida. Escondem-se interesses e sonegam-se informações. Quem possui a identidade ética? Parece que as respostas sugerem uma perplexidade contínua. A crise de valores, tão comentada por Nietzsche, segue se aprofundando. É difícil acreditar, juntar-se para firmar solidariedades. Muitas religiões apelam para práticas envolvidas com o capitalismo. Inventam salvações que custam investimentos, convencem os mais ingênuos.É o cerco de uma sociedade que não sabe sair da ilusão do descartável e se transporta para página de classificados.

O silêncio de alguns é intrigante. São  ressentimentos ou fatalismos? Os ruídos de outros buscam, apenas, a manchete da mídia. Vale a vitrine, a ambição ganha corpo, ou o paraíso está mesmo perdido? As linguagens se multiplicam entrelaçando códigos e difundido leituras do mundo estranhas. As gramáticas se renovam nas falas cotidianas, porém os poderes são disputados com cinismos que defendem discursos comuns. Onde fica a diferença? Uns querem retrocessos, apelam para o sagrado, outros são seguidores de Tio Patinhas. Entram no fundamentalismo que protege a grana e a vontade divina de se aliar aos mais ricos. O individualismo é agressivo e mas também protege suas simulações.

Fugir  do cansaço que as histórias cotidianas nos aprisionam é um sinal de resistência. Não basta interpretar. É preciso compreender que os destinos são a negação da possibilidade. As histórias se articulam com o  sinuoso, atiçam surpresas. Talvez, as dúvidas sejam movimentos que afirmem que nada está definido. As perguntas estão no mundo e as invenções tecnológicas trarão complexidades maiores. O meu silêncio é apenas o desejo de escutar melhor o mundo e meu ruído significa um desespero de um náufrago longe da sua embarcação. Se tudo é uma brincadeira para sofisticar as culpas , a história é jogo de regras que se vestem com as eternidades de deuses fabricados.

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