O moderno e o pós-moderno: a história dividida

 

As histórias se parecem e se espalham com suas versões, retomando memória e redefinindo valores. As semelhanças provocam discussões, remetem a divergências sobre a continuidade e a transformação. Existem teorias que são consagrados por autores com  diferentes reflexões. Todas possuem seus adeptos. Alguns pensadores se tornam mitos, ganham espaços na salvação do mundo. É inegável arquitetar contrapontos e  multiplicidade. Ajuda a animar o debate e contribui para esticar a sensibilidade e desfiar a mesmice.

Foucault, Marx, Nietzsche, Castoriadis, Platão, Deleuze, Gramsci estão sempre circulando. São exemplos, sem negar que academia vive fermentando outras leituras, apesar das apatias que, por vezes, assaltam suas salas. Uma sociedade uniforme tende a se fragilizar e a não favorecer ao aprofundamento da crítica. Os totalitarismos incomodam e limitam com sua violência centralizadora. Portanto, a história só conduzida pela informação superficial deve ser combatida.

Não podemos esquecer que há lugares e tempos. Os sofistas defendiam o relativismo. Será que hoje, o relativismo ainda inquieta, radicalmente, e traz desconfiança sobre certas verdade e tradições? A pergunta é , apenas, ilustrativa. As perplexidades de nossa época são imensas. Difícil é se amparar numa teoria e divulgar verdade definidas. As massificações impedem que os debates alarguem seus caminhos e fortalecem manipulações.

Conhecer a história exige olhar atento sobre suas mudanças e permanências. Não é à toa que existem divisões, a predominância de certos critérios que expressam concepções de mundo. Já houve uma exaltação ao progresso que empolgou multidões. A sociedade do consumo enche-se de espetáculos e de objetos. Há estímulos diversos que atingem crenças e orações.

A construção da modernidade incentivou a derrubada de muitos paradigmas. A razão firmou-se, nas obras de muitos autores, o trabalho assalariado mexeu com a economia, os sonhos de utopias balançaram sentimentos. Nem por isso, as desigualdades desapareceram. Especialista planejaram convivência. As tecnologia mudaram hábitos, porém o século XX deu respostas desanimadoras. Duas grande guerras mundiais, preconceitos gerando violências e a concentração de riqueza aumentando poder de uma minora.

Muitos apontaram o fim dos ideais de modernidade. A razão, que se dizia libertadora. passou a justificar cinismo. A bomba atômica deixou um medo que não se foi. Não seria, no entanto, um exagero afirmar que a modernidade sucumbiu e que tudo está fatalmente fragmentado? A desesperança é geral? Não há lutas, insatisfações, desejo de desfazer os descontroles do capitalismo? As questões se misturam e o debate não cessa. As divisões, em períodos, é comum. É fundamental observar como o que foi vivido dialoga com o aqui e o agora.

Não estamos mais nas euforias do progresso, como alguns continuam a pregar. Quando se acena para o pós-moderno não se deve esquecer o passado, nem tampouco vê-lo sepultado, inutilizado e vazio. Vivemos numa sociedade que desafia pedindo outras alternativas que aliviem tantos desencontros. Não é um equívoco anunciar outros comportamentos e localizar outras inseguranças.Isso não significa o fim da história.  O utilitarismo celebra a novidade descartável, mas a complexidade exige mergulho nas experiências, astúcias que entrelacem saberes.

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