O mundo agitado, a insegurança e os mercados

Não pense que todos estão conformados, assistindo às turbulências  passivamente. Os protestos existem, assumem formas diversas e mostram que há inquietações visíveis. Na famosa Londres, o bairro de Tottenhan  manifesta-se contra ações policiais. O tumulto é grande, deixando muita coisa quebrada e relembrou outras rebeldias. A morte de Mark Dungan motivou londrinos a requerem justiça. Em Buenos Aires, montam-se piquetes para perturbar o trânsito e chamar a atenção dos poderes públicos. A cidade fica paralisada e a imprensa noticia. Era tudo que os organizadores desejam. Há muitas reclamações, os desgovernos e a vida continuam. Portanto, silenciar contra os desmantelos não é prática comum. O Estado não é o senhor do mundo. Necessita de agir, com mais eficácia, e socializar os benefícios.

A violência se espalha, mau sinal para quem ver, em tudo, o crescimento da democracia. Esquecem que ela é um projeto de divisão de poder e de riquezas e não, apenas, disputas eleitorais episódicas. Muitos políticos brasileiros sepultam ideais, em troca de cargos e propinas. A confusão se estende. Há demissões constantes, denúncias cotidianas, desentendimentos no Congresso Nacional. Poucos se comovem com a insegurança geral e lutam para garantir seus espaços, não avaliando princípios, porém se divertindo no balcão de negócios. A diluição da autonomia e da ética é uma ameaça a qualquer projeto de democracia. Sem limites, não se administra com decência e respeito à vontade da maioria. Se o autoritarismo inibe a cultura e a cidadania, o cinismo enfraquece a sociabilidade e fortalece o império da grana.

Nem tudo se resume a manobras astuciosas. A manutenção do controle das sociedades atinge os extremos da violência. Observe a Síria. O presidente Bashar al-Assad não poupa os civis. Ele intimida seus opositores com repressão desmedida. Mortes se sucedem. Pouco adiantam as pressões internacionais. Considera-se superior e digno da sua função. Os tanques do Exército desfilam, pela ruas, com disposição, porém as insatisfações prosseguem. A democracia, lá, é uma utopia distante, sepultada pela arrogância da minoria e o fogo dos militares. É impressionante como a modernidade firmou mudanças científicas, desfez tradições e possui uma dificuldade radical de aprofundar a liberdade e a igualdade.

A crise atual do capitalismo traz o desequilíbrio, para o foco das discussões. A instabilidade dos mercados e as agonias de Obama, e dos seus aliados europeus, avisam que a recessão não é uma ameaça fictícia. Acumulou-se, contudo não parece ser essa solução. Aprender a dividir é uma arte que requer paciência. A pedagogia do capitalismo gosta de contas concentradas. Fecha os olhos para as misérias. Procura enganar com pão e circo. A história não recusa repetições. Por isso, a crítica, a leitura dos desfazeres do passado, as reinvenções de práticas animam os grupos, que temem o caos, com suas lições. Sacudir fora as experiências, achar que o passado é um fantasma e o futuro, uma especulação vazia, favorece a massificação. O mundo não deve se transformar num conjunto de máquinas e as pessoas em parafusos de armários burocráticos. A história é abismo ou trilha?

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6 Comments »

 
  • Geovanni Cabral disse:

    Bom dia, amigo. Insegurança e agitação palavras de ordem do dia. Bolsas de valores como ondas de um um ocenano enfurecido, negócios se liquefazendo aos poucos entre olhares e lágrimas. A economia diante de uma turbulência. Os donos do poder esquecem que a história também serve de alerta para erros cometidos. A velocidade da globalização aos poucos entra em uma UTI, e não se sabe como será a sua saída. Esses abalos financeiros vem como ventos do norte e sempre estão gerando novas tempestades. Lembro da defininção de memória de Paul Auster “memória é o espçao em que uma coisa acontece pela segunda vez”. Será que esses políticos, reis e governantes não aprendem nada com o passado? Ao meu ver existem certos sepultamentos em alguns olhares e atitudes. Soma-se a isso como mencionas Antonio a violência, a agitação, o caos. Protestos, tirania, mortes, violência tornar-se algo do cotidiano. As cidades vivem outros tempos. Fico me perguntando e as vezes até deprimido em trabalhar essa profussão em sala de aula com jovens que vêem tudo isso como normal. Perda de controle ou negligência somado a falta de ética e humanidade? Quantos doláres são embolsados e desviados em nome do social? Quantos políticos brasileiros fazem licitações para suas fazendas e empresas? Enquanto isso a metrópole agoniza. Jovens londrinos vãos as ruas, multidões avançam na Síria e no Brasil onde estão as manifestações? É o país perfeito? Nada acontece? Vivemos também caos na segurança, nos grandes centros, mortes de jovens por drogas e policiais mau preparados, em fim temos muito que lutar. Mas a sombra do individualismo, o germe do consumismo e a força da globalização imepdem ações e gritos. Os que são ouvidos também são silenciados. A democracia se confudem com o poder, a pobreza e a desigualdade. O capitalismo mergulha em suas próprias contradições, colhem inesperados frutos, espalham suas sementes. Prefiro acreditar que a história ainda é uma trilha, do contrário perderemos o que nos movem nesse mundo: o amor.

  • Giovanni

    Seu texto deu conta das inúmeras contradições que nos atingem. Mas sempre há caminhos animados e sem violências.
    abs
    antonio

  • Geovanni Cabral disse:

    Bom dia, amigo. Insegurança e agitação palavras de ordem do dia. Bolsas de valores como ondas de um oceano enfurecido, negócios se liquefazendo aos poucos entre olhares e lágrimas. A economia diante de uma turbulência. Os donos do poder esquecem que a história também serve de alerta para erros cometidos. A velocidade da globalização aos poucos entra em uma UTI, e não se sabe como será a sua saída. Esses abalos financeiros vem como ventos do norte e sempre estão gerando novas tempestades. Lembro da defininção de memória de Paul Auster “memória é o espçao em que uma coisa acontece pela segunda vez”. Será que esses políticos, reis e governantes não aprendem nada com o passado? Ao meu ver existem certos sepultamentos em alguns olhares e atitudes. Soma-se a isso, como mencionas Antonio, a violência, a agitação, o caos. Protestos, tirania, mortes, violência tornar-se algo do cotidiano. As cidades vivem outros tempos. Fico me perguntando e as vezes até deprimido em trabalhar essa profussão em sala de aula com jovens que vêem tudo isso como normal. Perda de controle ou negligência somado a falta de ética e humanidade? Quantos doláres são embolsados e desviados em nome do social? Quantos políticos brasileiros fazem licitações para suas fazendas e empresas? Enquanto isso a metrópole agoniza. Jovens londrinos vãos as ruas, multidões avançam na Síria e no Brasil onde estão as manifestações? É o país perfeito? Nada acontece? Vivemos também caos na segurança, nos grandes centros, mortes de jovens por drogas e policiais despreparados, em fim temos muito que lutar. Mas a sombra do individualismo, o germe do consumismo e a força da globalização impedem ações e gritos. Os que são ouvidos também são silenciados. A democracia se confudem com o poder, a pobreza e a desigualdade. O capitalismo mergulha em suas próprias contradições, colhem inesperados frutos, espalham suas sementes. Prefiro acreditar que a história ainda é uma trilha, do contrário perderemos o que nos movem nesse mundo: o amor.

  • Geovanni Cabral disse:

    Amigo desconsidere o primeiro erros cometidos na grafia. Abraço

  • Geovanni

    Certo, não se preocupe, a velocidade da máquina faz isso.
    abs
    antonio

  • Geovanni

    OK. Não se preocupe.
    abs
    antonio

 

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