O mundo das exclusões cotidianas

Conviver traz controvérsias. A diversidade nos visita. Os estranhamentos são comuns. Há sociabilidades que facilitam afetos, mas há também muita disputa e fascismos ocultos em generosidades disfarçadas. Buscar anular as diferenças é negar a cultura. Com toda a massificação não há como firmar homogeneidades e unir desejos. O jogo é amplo e as ilusões existem para que as frustrações não se calem. Somos contraditórios, conhecemos exílios, abraçamos a solidão, lutamos como rebeldes infantis. De tudo há um pouco. O espaço da invenção é imenso, no entanto não significa a consolidação da autonomia. As fragmentações movimentam incertezas contínuas.

O mito do progresso ainda persiste. Faz parte de planejamentos políticos, justifica guerras, argumenta em defesa de escolhas e etnocentrismos. Quem pensava que a história seguia a linearidades, avançava em linha reta, construindo solidariedade se equivocou. É difícil compreendê-la. Suas permanências desafiam discursos de renovação. Transformar possui magia, atrai, cria utopias. Não há contudo linhas retas. As sinuosidades habitam o cotidiano, o passado vive misturado com o presente e o futuro anuncia profecias obscuras. Há agressividades que reforçam fanatismos e destroem tentativas de diálogos.

Já se foi a época em que a ideia de revolução provocava otimismos. Ela não conseguiu destruir desigualdades, trouxe concentração de poderes, fermentou burocracias poderosas. A violência ganhou formas sutis, continuou-se  com dificuldades de socializar as riquezas. Os jornais estão cheios de manchetes de crimes com tramas surpreendentes. Elimina-se o outro com sofisticação ou com atos de delírio. Parece haver um esquizofrenia geral ou conservamos hábitos seculares que derrubam possibilidades de harmonia? Contamos o que vivemos, registramos as instabilidades, desconfiamos de que há transtornos escondidos, marcamos as histórias para acender uma loucura absoluta?

As políticas de inclusão esquecem que a sociedade não se larga da exploração. Exclui em todos os sentidos. As campanhas filantrópicas prometem arrumar uma vitrine para uma pobreza decente. Os cinismos contam com caminhos de fuga. Tanta gente junta nas grandes metrópoles é sinal de tensão. As celebrações são feitas par diminuir as competições. As tragédias lembram que a fragilidade não escapou da história. As ciências espalharam conhecimentos, mas há um preço. O terror não se extinguiu e ele tem apoio de fórmulas pensadas como armadilhas. Quem se desenha em destinos privilegiados nunca se olhou no espelho. A história está além de qualquer quebra-cabeça comum. É uma curva ou círculo colorido?

 

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