O mundo não sossega, a afetividade não se alarga

Buscar serenidade parece difícil. É bom que haja transgressões para que a apatia não se estabeleça. Contudo, nem tudo caminha no sentido de efetivar-se mudanças e alterar os tantos infortúnios que transitam pelo mundo. Os conflitos são violentos. Desanimam quem acredita no mínimo de solidariedade. A globalização não nos aproximou afetivamente. Trouxe maior entrelaçamento entre os mercados, não assustou os etnocentrismos, acirrou os contrastes sociais. Nem pense que os meios de comunicação descortinaram passagens para conviver com as diferenças, sem desejos de vingança ou inveja incessante. Não precisa  festejar revoluções como indicativo de rupturas, mas há sinalizações que apontam aberturas para os outros e não o narcisismo sempre presente nas vitrines da vida.

Quando se imaginava o Oriente Médio vestido de discussões democráticas, as reviravoltas nas articulações causam suspenses. Muitos interesses, muita gente de fora querendo fechar negociações e crenças religiosas causando tensões. O santo nome da democracia é lembrado, porém as lutas continuam, o cerco das armas vence  o cerco do diálogo. Quando as práticas se rendem à obscuridade complica cogitar-se no fluir das conversas ou na eficácia dos órgãos internacionais. A ONU não consegue mostrar força nem para resolver a fome que destrói a Somália ou os desmantelos que rondam a pobreza em tantos países do mundo.

Não adianta argumentar que o colonialismo morreu, que a tecnologia pode  redefinir alternativas. A Ciência nunca foi neutra e a razão instrumental inutiliza as intenções de construir um conhecimento de olho no coletivo. Ela entra nas armadilhas do mercado, aprimora violências, serve a senhores poderosos. O saber não viaja pelo mundo das inocências. Possui compromissos. Observe o vaivém dos encontros sobre a Líbia, como se comportam os antigos amigos de Kadafi. O estranhamento é grande, porque prevalece o que é útil  e a transparência se dilui com o perfume do petróleo. Portanto, estamos muito longe da utopias iluministas. O desconcerto das relações nos torna inseguros e desconfiados. Não é à toa que a sociedade submerge em ondas de desânimos, nunca definitivas, pois também há quem se insurja e procure soluções.

Os estudantes consolidam uma nova afirmação no cenário político. No Chile, seus protestos, suas passeatas cativaram outros grupos sociais que pressionaram o presidente Piñera. Houve negociações, depois de muita resistência e choques com a polícia. As sociedades nunca adormeceram em leitos sem espinhos. Há épocas com promessas de tranquilidade, mas elas terminam não acontecendo. No caso chileno, a revolta é contra o sistema de ensino e as medidas neoliberais do seu governante. A economia aperta o cotidiano e alarga a pobreza, num país com uma história  de lutas marcantes. A memória da morte de Allende não se apaga, com facilidade, e o militarismo de Pinochet impressionou pelas torturas e pela quantidade de vítimas, o cinismo dos seus argumentos e o apoio que recebeu de potências como os Estados Unidos. Prever um tempo de calmaria, com as desigualdades jogadas para passado é sonho. No entanto, afastar-se do que julgamos impossível não é sinal de realismo saudável. Mais amargo  seria considerar que somos  espelhos de um mundo sem saída.

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5 Comments »

 
  • Emanoel Cunha disse:

    Uma breve síntese sobre a humanidade e suas relações sociais….
    Somos seres sociais e como tais, acreditamos que quando estabelecemos relações entre as várias sociedades conviveremos em um mundo mais civilizado. Entretanto, dos tempos modernos para a comtemporaneidade entramos numa complexa teia de comportamentos e interesses. O egocêntrismo ainda permanece entrelaçado entre desejo de ter e possuir, ao mesmo tempo que cresce: desaponta e corroi as relações humanas, desenvolvendo-se no seu leito os impecilhos estabelecidos nas ditas sociedades democratícas.
    É ilusório acreditar que vive-se numa democracia, pois somos posicionados a obdecer e esquecer a essência dos verdadeiros direitos que possuímos. O progresso toma conta de nosso tempo, porém só de fachada por que há diferentes constrastes socias entre os países desenvolvidos e subdesenvolvidos, que por cima são bastantes problemáticos e que a humanidade não solucinou. A fome e a revoltas pela democracia são exemplos claros desse fato. O problema da primeira se encontra na enorme quantidade de alimentos que possuímos, mas que, no entanto, existe milhares de indivíduos que morrem de fome por dia no mundo. A segunda consiste nos conflitos pela liberdade que ainda são existentes sociedades totalitárias, onde o direito é uma ordem usufruidas por quem está no poder.
    Os descasos que são inseridos no cotidiano da globalização afeta nao só o desevolvimento humano como também a suas relações. Chame-se “civilização”, “humanização” ou “progresso” que é agora a marca distintiva da modernidade, é perceptível que com esses conceitos o construto da Igorância veio configurar os quadros das relações humanas.
    Não obstante, questinando isso simplismente, sem louvar ou censurar e utilizando um termo político, de movimento democrático, por trás de todos esses fenômenos morais e políticos expressos na atualidade, observa-se o desenvolvimento de um tremendo processo fisiológico que não pará de ganhar amplitude. As revoluções implodidas no Orinte Médio, na América é um reflexo dessa imersão de busca de uma sociedade justa, igualitária onde os direitos sejam distribuídos com uma justiça tanto eqüitativa,quantitativa como qualitativa para todo indivíduo inseridos em sua sociedade.
    Esse texto professor, nos faz refletir sobre a grande discurssão que gira em torno dos ideais de liberdade e de como as dissenções políticas estão atreladas ao comportamento da humanidade.
    Ótimo texto professor, como sempre o senhor nos supreende pela grande faculdade da reflexão que permeia os paradigmas que vivenciamos no percursso da construção de nossa” civilização moderna”.
    Emanoel Cunha

  • Emanoel Cunha disse:

    Uma breve síntese sobre a humanidade e suas relações sociais….
    Somos seres sociais e como tais, acreditamos que quando estabelecemos relações entre as várias sociedades conviveremos em um mundo mais civilizado. Entretanto, dos tempos modernos para a comtemporaneidade entramos numa complexa teia de comportamentos e interesses. O egocêntrismo ainda permanece entrelaçado entre desejo de ter e possuir, ao mesmo tempo que cresce: desaponta e corroi as relações humanas, desenvolvendo-se no seu leito os impecilhos estabelecidos nas ditas sociedades democratícas.
    É ilusório acreditar que vive-se numa democracia, pois somos posicionados a obdecer e esquecer a essência dos verdadeiros direitos que possuímos. O progresso toma conta de nosso tempo, porém só de fachada por que há diferentes constrastes socias entre os países desenvolvidos e subdesenvolvidos, que por cima são bastantes problemáticos e que a humanidade não solucinou. A fome e a revoltas pela democracia são exemplos claros desse fato. O problema da primeira se encontra na enorme quantidade de alimentos que possuímos, mas que, no entanto, existe milhares de indivíduos que morrem de fome por dia no mundo. A segunda consiste nos conflitos pela liberdade que ainda são existentes sociedades totalitárias, onde o direito é uma ordem usufruidas por quem está no poder.
    Os descasos que são inseridos no cotidiano da globalização afeta nao só o desevolvimento humano como também a suas relações. Chame-se “civilização”, “humanização” ou “progresso” que é agora a marca distintiva da modernidade, é perceptível que com esses conceitos o construto da Igorância veio configurar os quadros das relações humanas.
    Decerto, questinando isso simplismente, sem louvar ou censurar e utilizando um termo político, de movimento democrático, por trás de todos esses fenômenos morais e políticos expressos na atualidade, observa-se o desenvolvimento de um tremendo processo fisiológico que não pará de ganhar amplitude. As revoluções implodidas no Orinte Médio, na América é um reflexo dessa imersão de busca de uma sociedade justa, igualitária onde os direitos sejam distribuídos com uma justiça tanto eqüitativa,quantitativa como qualitativa para todo indivíduo inseridos em sua sociedade.
    Esse texto professor, nos faz refletir sobre a grande discurssão que gira em torno dos ideais de liberdade e de como as dissenções políticas estão atreladas ao comportamento da humanidade.
    Ótimo texto professor, como sempre o senhor nos supreende pela grande faculdade da reflexão que permeia os paradigmas que vivenciamos no percursso da construção de nossa” civilização moderna”.
    Emanoel Cunha

  • Emanoel

    Grato pela sua explanação sobre as coisas do mundo.Faz parte de uma reflexão coletiva importante.
    abs
    antonio

  • Filipe Machado disse:

    Os interesses comerciais são, infelizmente, e como sempre, colocados decisivamente, suplantando os reais interesses democráticos. E, diga-se de passagem, como o senhor já citou varias vezes em sala, a democracia real não existe. Assim, o aconteceu com os países do Oriente Médio pode ser visto como uma reação popular ou como uma jogada de interesses. Como justificar o fato de que é a Europa, o principal mercado do petróleo Líbio, é também o responsável pelo suporte bélico para os rebeldes. Quanto a ONU, continua, sem forças para intervir contra qualquer posição de algum dos membros permanentes de seu conselho. O que continua valendo é o interesse, modificou-se apenas o fato de que as antigas nações deu lugar as grandes corporações.

  • Filipe

    Não há projetos que cuidem das coisas mais básicas. O interesse da grana subverte os desejos.
    abs
    antonio

 

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