O mundo se salva ou engana?

Sempre li os sofistas com atenção, desde dos tempos que gostei de passear pela filosofia grega. Sei que Aristóteles é sábio, encanta o ocidente, inventou reflexões. No entanto, prefiro entender que o homem é a medida  de todas as coisas. Passo horas pensando na relatividade e na magia. Sinto que os sofistas eram companheiros da indefinição. Viajo com as fantasias, tenho admiração pelos mitos e pelas tragédias. Criam-se regras, mudam-se comportamentos. O que vale é a rebeldia, as palavras soltas, o desejo de estar sempre ausente, como um espião malicioso.

Os sofistas sofreram perseguições. Sacudiram com verdades e se especializaram na extensão das palavras com significados sempre fluentes. As mentiras e as verdades entram em negociações. O mundo não mudou quase nada. Muitas invenções, novidades valiosas, mas as dúvidas trazem inquietações. Conversamos, discordamos, mas conhecemos pouco do território que pisamos. Olhamos as estrelas, querendo uma salvação, mas cada um tem a sua medida, seu corpo e sua amargura.

Não nego que é bom imaginar. Sou daqueles que visualizam instabilidades constantes. Acredito que os mistérios são eternos. Não me preocupo com saberes que prometem descobrir o tamanho da estrada que possa levar ao paraíso. Há uma mistura grande de teoria, muitas arrogâncias inúteis. Buscamos na razão certezas. Porém, os enganos brotam em cada tempo e adivinham que o caos não adormece. Portanto, não costumo celebrar a exatidão. O que mais observo são os escorregões. Para que insinuar soberanias que não existem?

Tenho medidas escondidas que me fazem resistir. Sei que é preciso conta histórias, olhando para dentro e para fora. Se as coisas se confundam, não adianta apostar no juízo final para consertar o mundo. Não há pausas e talvez não haja fins. O mundo gira, o eterno retorno não é uma loucura. O deus que dança ameniza a onipotência. Temos as cores para lembrar as diferenças e o perfume dos corpos para debater sobre o animal que somos. O importante é não se envolver com o mando da salvação. Pense nas astúcias de Ulisses e no manto de Penélope.

 

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