O peso do tempo indefinido

As preocupações com o tempo e suas travessias sempre existiram.Há dificuldades de se imaginar quem o inventou. Pouco se sabe, muito se especula. As religiões procuram torná-lo propriedade divina. Abusam de seus poderes e arquitetam paraísos e infernos. Muitos se miram no passado, consolidam suas crenças e adotam uma expectativa conservadora.Traçam um caminho linear, pois temem suspenses e aventuras. Desconhecem a história e embarcam nos destinos. Louvam os dogmas, disfarçam as ansiedades, proclamam que necessitam do próximo. A religiões não vivem sem anúncios e os templos milionários se espalham na riqueza dos profetas espertos. O capitalismo assume o sagrado, investe na infantilização e expande seus lucros.

Quem se rebela, sacode a memória das revoluções. Elas passaram. Atiçaram ideias, destronaram reis, levaram o autoritarismo para os abismos. Tudo foi efêmero. O fascismo estragou desejos democráticos, Hitler destroçou culturas e Pinochet traumatizou o Chile. As utopias assanharam lutas, derrubaram o Muro de Berlim e o socialismo entrou na UTI. Não faltaram ditaduras na América Latina. Torturas, populismos assassinos, explorações norte-americanas. As frustrações apagavam sonhos e o tempo parecia repetir desgovernos do passado. A morte das esperanças ou o retrato da violência como parteira da história?

As controvérsias continuam acesas. O presente pergunta pelos acontecimentos, se angustiam com as disputas que alimentam a desigualdade, porém há quem se congratule com a manutenção de privilégios. As servidões não se foram. Será que há um congelamento das ousadias do tempo? Santo Agostinho refletiu e se centrou na força do presente. Pensou na simultaneidade. O diálogo é base para decifrar os mistérios da convivência. Não há permanências eternas e as complexidades desafiam a montagem de certezas. As ciências também vacilam e se mancham com a política.

A sociedade não se afasta das perplexidades. A luta para firmar narrativas é imensa. As imagens se articulam com as palavras e os discursos circulam ensinando saídas e ou enganando quem se sente desamparado. Cada um constrói seu tempo. Não podemos esquecer a subjetividade. Ha pesadelos e momentos desiguais que anulam as inquietações. Eles deprimem e nos colocam em quartos escuros. A história não esgota as suas idas e vindas. O tempo desenha definições e corre em busca de luzes.Há pressas e desencantos. Os espelhos não negam as marcas das agonias. Possuem geometrias múltiplas e, às vezes, pavorosas.

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