O poder que não se cansa e incomoda

          

Nos mínimos detalhes, a sociedade mostra suas relações contaminadas pelas voracidades dos poderes. Nem sempre, anuncia perdas ou desastres permanentes. As ordens estão presentes, incomodam e representam autoritarismo de décadas ou de séculos. O olhar sobre o fluir da vida requer cuidado. Apagar todos os núcleos de poder ? Criticá-los na sua violência mais visível ? São perguntas que promovem desconfortos. Difícil pensar a inexistência de poder. Como ele estaria ausente, se a economia se move na exploração e a cultura não consegue se desfazer de tantos preconceitos?

Dominados e dominantes. Democracia e totalitarismo. O mundo se mexe em busca de saídas. Conceber uma história sem sustos, traz equívocos perigosos. Não vamos prever juízos finais ou ressuscitar apocalipses. Muitos acontecimentos recentes assinalam que o inesperado invade o tempo burocrático e desfia crenças de eternidade. O exemplo do mundo árabe acede debates, porque há uma ansiedade para compreender as origens de tudo. Ficamos atônitos, quando se forjam explicações. Adoramos causas e efeitos, raciocínios passageiros que não dão conta das muitas lacunas das construções cotidianas.

O poder morde, escandaliza, surpreende, engana. Quem não conhece Ricardo Teixeira ? Aquele que comanda o futebol brasileiro, com uma força, dita imbatível? Suas atitudes dizem da sua pouca simpatia com a socialização de qualquer coisa. Quer destaque e acumular desmandos, apresentando-se, como sensato e juíz de todas sentenças. Novamente, assume seu lugar nas manchetes. Resolveu tocar naquela velha questão do título do Sport. Cedeu ao Flamengo direitos que pareciam sepultados. Que manobra se esconde nesse escorregadio território dos jogos ?  As intrigas assanham argumentos e traça agitações. Os tribunais se movem, confusos.

Desmoronam-se anos de expectativas. Agudizam-se comportamentos políticos de interesses dos mais enfronhados com as autoridades espertas? O futebol expressa muito da nossa pouca liberdade democrática, dos impasses para aprofundá-la. Ele está numa sociedade que tem suas práticas de intimidação. Não poderia ser arcanjo puro e carinhoso.Por isso, observar, nunca é demais, porque nos chama para esclarecer os entrelaçamentos. Basta acompanhar o noticiário?

As divisões sociais alimentam o fôlego do poder. Justificam referências de valores e estimulam discórdias vazias. Não esqueçam dos machismos, dos desprezos pelas mulheres, da saga sofrida dos colonizados. Isso faz parte da história e seus ruídos não desapareceram. Há lutas que continuam e tradições que sustentam conservadorismos, num mundo de tecnologias minuciosas. O diálogo entre a transformação e as regras seculares é forte, não possui uma direção definida. O poder se balança, mas respira e sacode o chicote e a sedução, sem cerimônia.

É importante sair do lugar comum. Permite a crítica e conecta o ritmo do coração com a inquietude. Se o espelho reproduz a mesma imagem, a sociedade se desacostuma a lidar com a diferença. Na época em que as fantasias, concretamente, se espalham, é um bom exercício imaginar o que elas não revelam. Muita luz não significa a chegada da verdade e a ascensão da virtude. Tudo está por um triz. Nos quartos e nos becos escuros, também, se cogitam ferir mandamentos de submissão. Quem sabe o que nos reserva o passar dos minutos ?

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