O pragmatismo fere a ética e elege o resultado

A hegemonia do capitalismo não é apenas econômica. Ela traz comportamentos e projetos culturais que se firmam. Como não existe capitalismo sem exploração, fica até inconcebível certas generosidades anunciadas pelos seus governos. Não se pode negar a força da tecnologia: muitas novidades na produção do conhecimento, agilidades incríveis nos meio de comunicação. Tudo tem um preço, para quem vive no mundo das mercadorias. As suspeitas rondam, portanto, os atos humanos e consolidam interesses pouco solidários.

A polêmica derrota do vôlei brasileiro, para a Bulgária, suscitou questões sobre o valor da ética, na sociedade contemporânea. As regras do campeonato mundial dão espaço para combinações de resultados, fragilizando as disputas e colocando, em dúvida, as articulações dos envolvidos. O Brasil perdeu, mas se beneficiou. Outros também podiam usufruir desse caminho. A seleção cumpriu o pragmatismo, não sem culpas. Acostumada a vencer, jogou constrangida e sem alma.

A transferência dos técnicos movem, também, opiniões e discórdias. Paulo César Carpegiani cumpria contrato com o Atlético do Paraná. Fazia uma boa campanha. No entanto, o São Paulo lhe ofertou uma grana atraente.Carpegiani mudou-se para o tricolor. Na sua entrevista, tocou na ferida. Disse que não houve falta de compromisso. Salientou que isso acontece em todas as profissões. Realmente, é o que vemos. Os acordos são rompidos em nome de mais salário e status. As regras morais se escondem  das negociações ou o mundo está noutro ritmo?

Não anunciou o fim dos tempos, porém configurou como andam as relações sociais num mundo fascinado pelos resultados. Essa discussão volta , sempre, o que mostra que há incômodos. Talvez, uma minoria sinta o desconcerto e perceba que a ausência de limites oferece perigos. Estamos nos transformando, em objetos, num mercado global complexo e astucioso. O trabalho tem custo variável, dependendo, muitas vezes, do sucesso e da divulgação da mídia. Trilhas cheias de escorregões e pedras, porém presentes nas andanças de cada um.

Na política, não é diferente. As coligações são feitas, numa imensa confusão de princípios.Pronunciar o nome ética, nessas transações, é cometer um desatino. O sistema partidário esvazia-se, pois só pensa no valor do voto. Perplexos assistimos às composições eleitorais . O peso da balança é ambicioso, vale empréstimos, acúmulos, e os valores nem são lembrados. Quem atina para os fundamentos, leva o título de ingênuo ou deslocado das necessidades modernas. Assegurar a vantagem é a glória. Amém…

Nesse segundo turno, a bola vai rolar, como diriam os locutores. Os dois candidatos desejam o apoio da Marina Silva, a ecológica. Os telefones não param de tocar. Esquecem que Marina não é aquela cantada por Dorival, o baiano das músicas belas. O jogo esquenta as conversas dúbias. Dilma e Serra sentem os corações nas mãos. A esperteza comanda cada passo. É difícil prever os acordos finais, porém não custa ressaltar que, quando esmagamos a ética, abalamos a sociabilidade. A eleição do resultado, como bem supremo, descortina  um futuro nebuloso. Quem viver, verá.

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