O refazer da política, o fluir do desejo

                 

Fail Shell, LulzSec, Anonymous são nomes estranhos, porém com eficácia nas travessuras da internet. Fazem ataques aos sites dos governos e das multinacionais, provocando transtornos e revelando sigilos. Surpreendem. Seguem estratégias inteligentes, colocam poderosos na defensiva e agem acompanhando as trilhas da globalização. Causam suspenses. Deixam esquemas de corrupção tensos e ameaçam, sempre, os que censuram e cortam liberdade no mundo virtual. Suas atuações ocupam o noticiário com destaque e perplexidade. Esquecem, os distraídos, que as invenções humanas podem multiplicar seus efeitos em várias direções. Não há como numerá-las e diluí-las, consagrando a eternidade, nem decretar as certezas dos  julgamentos.

Enquanto a política partidária se fragiliza, caindo num descrédito avassalador, outras formas de protestos se organizam e se apresentam renovando a sociedade. Não estamos abraçados, definitivamente, com o passado. A cultura é inquieta. Há releituras constantes, com aroma de liberdade e autonomia. Tudo não se resume a força bruta de canhões,bombas e armas atômicas. As habilidades mudam. As tecnologias se expandem. A velocidade exige comportamentos diferentes. O Iluminismo sofre ressacas e o Socialismo busca rever suas ofensivas. Se as redes sociais criam espaços de encontros e fofocas, elas também desafiam autoritarismos, implantam boatos desestruturadores. A luta continua, como se diz nos bastidores.

É um erro decretar o fim da política e não atentar para suas metamorfoses. É preciso conhecer seus caminhos históricos. Há teóricos, com ideias conflitantes, que marcaram épocas. Cultivavam objetivos de reformas ou mesmo mantinham olhares conservadores. Lê-los ajuda a penetrar nas contradições contemporâneas. Mergulhe nas páginas das obras de Platão, Marx, Kant, Rosa Luxemburgo, Maquiavel, Rousseau… Cada um traduz insatisfações e planos de momentos distintos. Alguns dão relevâncias ao diálogo, outros exaltam a violência. O que não cessa é a disputa pelo poder, nos mais diversos fazeres sociais, religiosos, afetivos, econômicos…

A palavra liberdade não adormece. Muda de leito, mas sua insônia não se extingue. Existem governos centralizadores, máquinas sindicais e partidárias ágeis, com finalidades pouco transparentes. O mundo possui hábitos e cotidianos abrangentes. Neles, se formam relações de poder, dominados e dominantes, vencidos e vencedores, interesses e desigualdades que assanham resistências e desconfortos. Quebram-se preconceitos, reafirmam-se tradições. Não prevalece um único ritmo. Veja o exemplo da Inglaterra. Lá a nobreza convive com costumes que , antes, assustavam seus princípios.Nas ruas, há inúmeras passeatas de evangélicos, gays, defensores da maconha, professores mal pagos, motoristas descontentes… Os motivos tocam na política, na ética, se misturam ou se chocam.

Os desejos fluem. Os desenhos das cartografias reprogramam futuros.A estabilidade não é uma garantia para sociedade estender seus compromissos e se livrar das turbulências. A negociação é contínua, pode ressuscitar passados, mas não silencia. As dúvidas são frequentes, mesmo que as acomodações brilhem nas colunas sociais. O crescimento das populações é pesadelo, pois atiça incertezas. Lembre-se de Hannah Arendt. A ação humana não está limitada a destinos preguiçosos. O bem e o mal carecem de definições que sosseguem e acordem harmonias. Os computadores estão, aí, empolgando consumidores,  reconstruindo reflexões. A sociedade não vive sem armadilhas. Seu anoitecer já é dia.

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2 Comments »

 
  • Gleidson Lins disse:

    A disputa pelo poder: eis aí algo enraigado profundamente no âmago humano. As insatisfações estão sempre ligadas à luta pelo poder, seja ela de palavras ou de violências.

    Abs,
    Gleidson Lins

  • Gleidson

    O poder é o fantasma sempre atiçando as vaidades.
    abs
    antonio paulo

 

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