O Timbu inquieta os Aflitos e o Leão ruge na Ilha

O futebol não deixa tempo para muitas lamúrias. Acelera o ritmo da vida, em competições que atraem as atenções da galera. Jogos se sucedem. A resistência  emocional é um desafio para os fanáticos. Ele possui semelhanças com a política e a religião. É quase uma crença. Suas discussões acaloradas são constantes. As torcidas entram em diputas, cegamente , movidas por paixões. Quem disse que o ser humano é razão?

A série B do Brasileirão é campo de entusiasmo e decepções repetinas. Seus jogos não trazem muita técnica. Não faltam chutões, passes esquisitos, falhas infantis nas cobranças de laterais, enfim a valentia sobra para resolver os  limites. A flutuação é grande. Há times que começam perdendo e são logo condenados pelos críticos. Depois, ressurgem e disparam. Quebram a lógica. O futebol é terra do lúdico. Muitos esquecem desse mandamento.

O importante, entre tantas relações, é que a multidão não cessa de gastar suas energias. Brinca e renova as esperanças numa conversa na esquina. O futebol agrega solitários Não é, apenas, cenário de violência e arrastões. No domingo, mais de cinquenta mil pessoas estavam no Arruda. Na Ilha, terça-feira, mais de trinta mil. Não é de arrepiar? Não se pode desmerecer encontros tão repletos de detalhes e de desejos.

No culto às instabilidades, o Náutico parece desconhecer como fazer as pazes com uma campanha sem tantos atropelos. O Timbu oscila, naufraga, recupera-se. Distanciou-se da ponta da tabela, quando teve um bom  desempenho, logo no início do Brasileirão. Contratou jogadores de todos os cantos. Sua defesa não oferece segurança e seu meio-campo é um transtorno no trato com a bola.

Ocupa a sétima posição, com um saldo negativo de seis gols. Sofreu sete derrotas. Não cessa  de procurar  jogadores. Projeta salvar o setor ofensivo. É difícil saber o que se passa com o Timbu. Resta visualizar um futuro menos aflito, mais sorte na escolhas dos contratados. As confusões ou as misturas de interesses atiçam incertezas. 

O Leão resolveu sair do território perigoso em que habitava. Teve, recentemente, uma fase de glórias. Viu a equipe desandar com as insatisfações de Nelsinho. Ele se foi, reclamando de ingratidão, e o brilho do elenco desmontou-se. O Sport entrou em queda livre, apagou sonhos e avivou desesperos.

Entrou na série B, sem conseguir afastar os azares. A vinda de Geninho fermentou expectativas. Há uma certa afinidade dele com o clube. O Leão se empolgou. Depois de tantas dispensas, arrumou novas contratações e acertou na mosca. O time sobe na tabela. Não se desfez da invencibilidade.

Estamos no meio da travessia. Com os oceanos sempre rebeldes, fica impossível adivinhar para onde rumam as embarcações. Quem garante que os clubes de Pernambuco vão passar para série A ? Por enquanto, o Figueirense, de Santa Catarina, não está vacilando. Firma-se na liderança No entanto, vamos acompanhar as andanças do Timbu e do Leão. Há muita diversão, em tudo isso, e, não somente, uma balança para pesar as emoções.

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9 Comments »

 
  • patricia beltrao disse:

    Espero que a nau rubro-negra continue a sua trajetória de crescimento…
    marcio lucena

  • marcio lucema disse:

    Espero que a nau rubro-negra continue a sua trajetória de crescimento…
    marcio lucena

  • Márcio

    Espero que todos possam ir para série A. Seria bom e tirava o sufoco de sempre.
    abs antonio paulo

  • Rafael disse:

    Assim como na vida, o futebol tem seus altos e baixos. Mas é preciso o Náutico aprender com os erros e lutar sempre. Até a primeira times Pernambucanos!!!

  • Rafael

    É a instabilidade que pega também o emocional.Mas tudo pode se refazer.
    abs
    antonio

  • Daniel Silva disse:

    O problema que vejo é que com a estadia em divisões menos remuneradas, nosso clubes se desestruturam mais e mais… e com a pífia competência dos dirigentes… prato cheio para a falência…
    e, a partir daí, prato cheio pras emissoras de tv venderem as imagens de outros clubes que não podemos visitar, cotidianamente, no estádio…
    pois, para mim, ir ao estádio é algo mágico…

  • Helder Remigio disse:

    Gosto de comparar Náutico e Sport com o símbolo chinês “tai chi”. Dificilmente esses dois clubes se encontram juntos em situações favoráveis. O momento atual do Náutico significa o yin (negativo, sombrio, frio, maleável) que pertencia há pouco tempo ao rival, enquanto que o Sport encontra-se no princípio yang (ativo, positivo, o céu). Os papéis se inverteram e o sonhado acesso dos dois clubes a primeira divisão se torna cada vez mais distante. Um abraço, parabéns pelo blog.

  • Helder

    Grato pela leitura. Realmente, as rivalidades alimentam o ânimo e o futebol ganha com isso. Ter cuidado para não adotar a violência.
    abs
    antonio paulo

  • Daniel

    A situação é difícil ser mantida. A desigualdade é grande e merece atenção. Mas o caos é geral.
    abs e grato pela visita
    antonio paulo

 

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