O Brasil e o mundo: turbilhão na política

A vida é construída, nunca de forma linear. Há diferenças, cansaços, desenganos. A coletividade se choca com concepções de mundo, diverge, abandona-se. Uns exigem transformações urgentes, outros criticam as renovações. Não há como anular as inquietudes. Elas tomam dimensões e se estendem, sobretudo com a tecnologia e a mídia ditando ordens. Olhar o passado faz parte da reflexão, mas os medos não se foram e as ambições mostram que o poder e a grana possuem uma sedução permanente. Se a ética se fragiliza, se tudo vira negócio, a política se fragmenta, a crítica torna-se o espelho do infortúnio. Quem vive, contudo, sem movimento e desmontagens?

Estamos numa crise radical. As dissonâncias se aprofundam, tocam em referências fundamentais. A situação não é fácil. Houve esvaziamentos que quebraram ilusões e produziram expectativas negativas. As panelas batem, as manchetes trazem desconfortos, porém o caminho da saída, do diálogo não é apontado. Os julgamentos cotidianos são seguidos de boatos, denúncias de corrupções, debates. Portanto, a divisão está clara e a agressividade ganha força nas redes sociais. Preconceitos são lembrados, incertezas colocadas de forma confusa. A tensão é ampla e opressora.

Já, no século XIX, se refletia sobre os valores e a “decadência” da civilização ocidental. Registravam-se hipocrisias, os imperialismos colonizavam violentamente. Depois, as guerras mundiais destroçaram, com barbárie, tradições e utopias. A sociedade firmou a globalização e o mundo das mercadorias se consolidou. O Brasil conviveu e convive com autoritarismos. Tivemos séculos de escravidão. A história está em sintonia com a memória, não adianta criar esquecimentos anônimos. Há sempre quem levante questões e assinale o crescimento das ruínas.Atualmente, as crises se localizam, sem medidas, em toda aldeia global e faltam sonhos que adivinhem possibilidades de paraíso.

Existem pesadelos que se multiplicam, não só nas vacilações locais, mas que visitam o mundo. No caso do Brasil, as intrigas não sossegam. As desigualdades econômicas não se foram e os ressentimentos são visíveis. Buscam-se culpados. A mídia publica pesquisas diárias, fortalecendo insatisfações. Qual é o tamanho da armadilha e das pedras que atrapalham o desejo de superar o momento? É perigoso especular. A vitrine da política tem rachaduras e está com desenhos cheios de exclamações. Quem escuta, quem provoca, quem estimula a lucidez? Todos dizem celebrar a democracia. O que é, contudo, democracia numa sociedade onde a mora a exploração?

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