Os amores desenham histórias

Conviver é uma busca de afeto. Nem todos conseguem parceiros que garantam solidariedade. A sociedade se multiplica rapidamente. Não faltam instituições confusas e tecnologias renovadoras.Mas nada consolida, para sempre, proximidades que provoquem alegrias e tragam generosidade. Nem tudo está cinza. Não se deve apagar as marcas da memória. Há lacunas imensas que inquietam. A história vai e vem, promete e nos agita. É uma convivência de tempos que surpreendem e atiçam a imaginação.

Quem ama se integra. O amor não é efêmero. Ele pede sossego, intimidade, luz. Reforça as possibilidades de sair para o mundo, distrai, encanta. Há dissonâncias. A homogeneidade não é absoluta. As invenções surgem para que o afeto se solte e não se aprisione. Amar é abrir gaiolas, sentir o cheiro da natureza, não ritmar o medonho, nem curtir egolatrias. Existem culturas diversas, ambições, narcisismos, pois o capitalismo caminha espalhando explorações. Porém, é sufocado por polêmicas, se envolve com crises e cinismos. A geometria possui avessos e contrapontos.

O amor se desintegra, quando se transforma em mercadoria.Tudo é presente, tudo é compra, tudo é vaidade. Não é fácil riscar os desconfortos daqueles que estimulam intrigas. O poder atrai, corrói os sentimentos. Nada se eterniza.As figuras dos deuses enchem templos, exigem crenças, porém não firmam tempos inatacáveis. Conviver é narrar histórias e aprender com elas. A fantasia espanta o pessimismo e o afeto tatua o azul que visita o horizonte.O planeta terra não cessa de girar, suspeitando da linha reta.

Se as histórias tentam a completude, mas falham, não se assuste. Não há como fixar a perfeição. O mito do pecado original está relacionado com a culpa. Freud analisou com profundidade nossas pulsões. As guerras nos fragilizam, as pandemias massacram a esperança, a respiração é fundamental para esticar as transcendências. As mentiras circulam, os amores desenham verdades, possuem lágrimas, descansam para desfiar os descasos dos tormentos. Não fique apático.Olhe a janela aberta e o sol banhando seu desejo.

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3 Comments »

 
  • Marcília Gama disse:

    Belíssimas e sábias palavras, Antônio Paulo!
    Sempre quis alcançar o cerne de Suas palavras ao longo dos cursos que tive o prazer de ouvi-lo é sempre me vinha a estrofe de uma música de Djavan que eu amo “Pétala” – que diz: “Por ser exato o amor não cabe em si, por ser encantado o amor revela-se , por ser amor invade e fim… Seu texto, seus pensamentos Antônio, traduz isso Extrapola e não cabe em si, continue querido professor a nos brindar com essas Pétalas, perólas e nos faça transbordar!!!
    Obrigada!!!!

  • Marcília Gama disse:

    Belíssimas e sábias palavras, Antônio Paulo!
    Sempre quis alcançar o cerne de Suas palavras ao longo dos cursos que tive o prazer de ouvi-lo e sempre me vinha a mente, ao ouvi-lo falar de amor… a estrofe de uma música de Djavan que eu amo “Pétala” – que diz: “Por ser exato o amor não cabe em si, por ser encantado o amor revela-se , por ser amor invade e fim… Seu texto, seus pensamentos Antônio, traduz isso… Extrapola e não cabe em si, continue querido professor, a nos brindar com essas Pétalas, pérolas e nos faça transbordar!!!
    Obrigada!!!!

  • Marcília

    Que bom encontrá-la. Energias conjuntas ajudam a mudar o mundo.
    um abraço
    antonio paulo

 

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