Os artilheiros de ontem: a fama e o esquecimento

No futebol brasileiro, é difícil selecionar quem foram os melhores atacantes. Há uma galeria de grandes artilheiros, sobretudo, na época, em que o jogo visava o ataque. O gol é a festa. Quem gosta de fazê-lo, se veste de astúcia e atenção. Sabe o valor da força da torcida comemorando. Escrevo, aqui, algumas coisas das lembranças.  Não vou falar sobre Pelé. O lugar dele é muito especial.

Recordo-me de Vavá. Ainda era muito pequeno e ouvia os jogos pelo rádio. Na Copa de 1958, o Peito de Aço mostrou sua força. A sua coragem na área era ressaltada. Surgiu no Sport, jogou no Vasco, Palmeiras e passou um período na Espanha. Não se destacava pela sua habilidade, mesmo atuando pela seleção, junto de tantos craques. Na Copa de 1962, voltou a deixar sua marca.Fez gols nas finais que participou e ajudou o Brasil a conquistar títulos. Morreu 2002,  não sendo um artilheiro muito lembrado.

Outro que surpreendeu foi Amarildo. Teve a missão de substituir Pelé em 1962. Causou grande expectativa. Temia-se que não enfrentasse a difícil tarefa. Mas o Possesso, como era chamado, não vacilou. Ao lado de Garrincha, deu agilidade ao ataque brasileiro. Nada de arrepiar e se esconder. Faturou gols importantes e comemorou o bi com muita honra. Também, não está muito presente na memória dos torcedores.

Já Roberto Dinamite é o grande ídolo do Vasco da Gama. Montou sua carreira política com o prestígio que conseguiu no campo.Colocava-se na área, como poucos, e chutava com uma pontaria que assustava os arqueiros. Chegou a jogar no Barcelona, sem muito sucesso. Terminou sua carreira na Portuguesa. Não brilhou na seleção brasileira, como se cogitava. Hoje, é presidente do Vasco e procura retomar as glórias do seu  time do coração.

Romário traz a polêmica em suas ações. Nasceu em 1966. Baixinho, não conseguiu o físico que tanto auxilia nas jogadas decisivas. Isso não o atrapalhou. Temperamento aceso, não suportava crítica, nem muitas ordens dos clubes. Foi do Vasco, Flamengo e Fluminense,  alardeando promessas e mexendo com seus admiradores. Não é à toa que foi autor de mais de mil gols.

Na passagem pelo futebol europeu, afirmou sua categoria na arte de fazer gols. Seus desempenhos na Holanda, PSV Eindhovem, e na Espanha, Barcelona registraram histórias de atuações fantásticas. Consagrou-se como craque internacional, elogiado e festejado pela imprensa. Mesmo cercado de controvérsias, encantou, no Mundial de 1984, fazendo dupla com Bebeto. Atualmente, lançou-se na política , em campanha no Rio de Janeiro.

São pequenas imagens do passado, com lacunas visíveis. A memória é conversa vadia entre o esquecer e o lembrar. O que vale é a ousadia maior do futebol: a busca das redes. Os amigos da retranca nem se  tocam com os ataques arrasadores que tiveram Santos, Cruzeiro, Botafogo nos tempos de Coutinho, Pelé, Tostão, Quarentinha, Dirceu Lopes, Pepe e tantos outros. Os goleadores estão em recesso. Há carências na criação e na leveza. Consagrar a alegria e a emoção, tão parceiras do futebol, tornou-se um ato raro, diante da obrigação de garantir os resultados.

You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

2 Comments »

 
  • Rafael disse:

    Sou amante do futebol, entretanto muito novo para ter visto Garrincha ou Dinamite jogarem. Contudo, posso afirmar que vi jogar três grandes craques: Zidane(três vezes o melhor do mundo), Ronaldo Fenômeno(três vezes o melhor do mundo) e Romário(o melhor de todos na pequena área). Ou seja, muitos dos milionários jogadores mundo a fora, não amarram a chuteira desses três. Abraços

  • Rafael

    Com certeza, a categoria dos citados é indiscutível. Meu objetivo era lembrar de figuras que terminam sendo desprezadas. É importante manter esse diálogo com o passado, para não sepultar a memória e sempre avivar o conhecimento. A mídia é terrível e , às vezes, deixa de lado memórias significativas. A grana vira a cabeça dos jogadores e da sociedade. A vida é muita mais do que o ruído das moedas.
    Grato e abraços
    antonio paulo

 

Deixe uma resposta

XHTML: You can use these tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>