Sustos, políticas,divisões: os caminhos de Lula e Moro

 

A sociedade se enfeitiça com os espetáculos. Ela não nega sua vocação para consagrar a mídia. Os boatos, as cenas, os gritos, as cores criam expectativas imensas. Tudo se inventa. A política se mistura com a religião. Há atos de fé, salvações desejadas, deuses enebriados pelas falas sedutoras. Vivemos uma semana de agitação constante. Não faltaram profecias. A luta do bem contra o mal fixou seu lugar de sempre. Ela personaliza, atrai, supre a solidão dos desconfiados. E aqueles que se fazem de ingênuos, que garantem estar em cima do muro? É a sociedade dançando sua dissonância, usando as vitrines do facebook, curtindo hipocrisias, jurando crenças., compartilhando o dualismo.

Lula e Moro são alvos de opiniões. A intriga gera emoções. Muitos tremem, outros usam vinganças. O desencontro é grande. Não sabemos o que anda escondido. Muita confusão, a justiça submersa, as esfinges querendo espaço, os corruptos buscando armadilhas. O que poderia ser algo formal, viralizou, se espalhou pelas redes sociais. O Brasil num embate com vários estardalhaços, as pessoas aflitas, a espera por jogos sem bolas, mas com maldades indescritíveis. A quarta-feira foi inquieta. Os descaminhos cruzam as esquinas e as avenidas.O labirinto da história não é homogêneo, enfeita-se com máscaras satânicas.

Lula possui uma vida surpreendente. Não se descola da política, não é inimigo do risco. Segue adiante, construindo sua trajetória, ouvindo e respondendo.  Tornou-se, para muitos, um Messias. Moro é esperto, se mexe com muitas articulações, se coloca como guardião da higiene jurídica. Possui adeptos e adeptas apaixonados. É uma aventura ou tudo está programado? Surgem os julgamentos. Há especialistas, notas, medidas, sensacionalismo. Quem conhece o dia de amanhã? Todos se entrelaçam. A perplexidade traz vestígios de novelas antigas. Os sinais têm formas místicas e profanas. Os intelectuais escrevem teses, as instituições não se renovam, o instituinte se desgarrou. Fantasmas assustam os medrosos.

Não pesquiso sobre provas jurídicas. Fico extático quando alguém descreve os fatos com segurança.  Lembram-se do pecado original? Imagino as incertezas que abalam cada um. Sei que elas são múltiplas. O campo da subjetividade se veste de fantasias. Lula atravessa caminhos, Moro não se cansa de animar querelas. Conseguem mobilizar. Multidões se aglomeram esperando o juízo final. As controvérsias gostam de ressentimentos. Estamos num buraco. Atira-se sem observar o objeto. Difícil desenhar o futuro. A sociedade se sacode no meio de sombras e luzes, de coragens e covardias. As interrogações não se vão. O sangue ferve.

O Brasil desconhece a convivência com o socialismo e a democracia. Há, porém, sonhos majestosos. Mas quem pode negar as frustrações? Não esqueçamos as outras sociedades. Quem sofreu com o fascismo, franquismo, terrorismo, stalinismo, guerras, preconceitos raciais, imperialismos? O mundo globalizado expõe os obstáculos de se montar a divisão do poder, das riquezas, da cultura. Valem os interesses das armas e das drogas. As minorias tomam conta dos valores de forma cínica. Estamos cercados de mercadorias . Não é à-toa que já inventaram a pós-verdade, o pós-humano, a pós-história. Os anjos e demônios sentem agonias inusitadas. É proibido dizer amém?

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2 Comments »

 
  • Vera Lúcia de Albuquerque Pessoa disse:

    Estamos atónitos…há saídas? Esse labirinto não estava prescrito em nossa história ou estava? Parabéns pela belíssima narativa.

  • Vero

    A situação parece interminável. Muito mistério. No Brasil, o governo fica sujeito aos grupos minoritário. O de Lula também viveu essa pressão. Não sei com sair disso tudo. Grato pela leitura.
    abs
    antonio

 

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