Ressentimentos: a política descosturada e narcísica

Usar a agressividade faz parte da convivência. Há, porém, extremos. Quando o diálogo morre, as palavras se perdem, cegam-se os olhos.  As ruínas continuam insistindo que a política não é uma harmonia. Cria-se um sonho que declina e termina assustando. Pode transformar-se numa violência estéril, anônima, em busca de inventar um medo que paralisa e destrói a confiança. As discórdias puxam o poder, centralizam, dramatizam, colocam-se como labirintos. Há muitos enganos que mostram a ausência da sociabilidade.Portanto, inventam-se fantasmas que, apenas, desfazem caminhos e destroçam utopias. Confundir é um lema, suspeitar é uma ordem, alargar pântanos é uma construção. O medonho ganha rosto, em cada cartaz, em cada imagem.A falta de valores, que apontem outro renascimento, é visível.

O mundo gira movimentando espantos, com discursos salvacionistas perigosos. Não acredite em quem resolve tudo com uma magia ou se resume a uma oração de santos materialistas. O capitalismo ornamenta seus  altares com astúcias venenosas. Muitos o condenam, porém adotam sua lógica, vestem-se de autoritarismos, assumem a mesmice. Tudo isso tem se globalizado. Atinge a prática de cada um , esconde armadilhas, valorizam máscaras. O desmantelamento se dá na celebração de rituais que assanham e justificam vinganças. Não há reflexões, nem perguntas, mas há delírios. Se tudo está descoordenado é preciso encontrar as saídas. Deteriorar o afeto fragmenta, dilui.Volta-se a se desenhar a atmosfera de desencanto. Os gurus oportunistas procuram se manter nas vitrines, com risos de hienas.

Mudam-se as cores, no entanto os ódios e os totalitarismos se estendem.  A mídia não alivia, quer o escândalo. As ciências agitaram preconceitos, prometeram liberdade e razões soberanas. Não esqueçam que as bombas e as armas militares funcionam com eficiência. Há cientistas que estão submetidos aos grandes monopólios. Não há neutralidade. O jogo de interesses flui e oprime. A política não é parque de diversões. Tudo é uma fantasia num mundo povoado de mercadorias ? Os espelhos estão riscados, a mente dispersa, a inquietação circulando como um aviso de uma redenção tonta, mas é a grana que domina e destroça. Isso aumenta as tensões, redefine culpas, rasga corações. É fundamental que se aviste os entrelaçamentos dos tempos. A mente ocupada com devaneios solitários murcha.

Nem sempre, cada dia é um outro dia. Os pesadelos perturbam sonos, sinalizam com tropeços e amarguras. Somos animais sociais que se aventuram sem certezas. A escassez é uma companheira que tentamos desmanchar. As máquinas, muitas vezes, afirmam esquizofrenias. Reclamamos que nos sentimos sós no meio do bando e da multidão. O desamparo mora em cada banco de praça. Somos pedras ou corpos? Perplexos, vemos que o abismo se aprofunda, como se houvesse ódios soltos. O cais está turbulento e as embarcações se chocam. Existe um mar que nunca foi navegado, uma veste que nunca foi costurada Somos diferentes, não duvido e a distância pode se tornar aridez sem rumo, escuta sem voz. Lembro-me de Nietzsche, não para  incendiar raivas e delírios, mas para não esquecer que o homem é um animal que julga e que a verdade é curva.

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