Os descontos da verdade

A desconfiança se amplia de forma assustadora. Não se pode dar conta das ambiguidades crescentes na divulgação das notícias. As instituições fraquejam, a situação se enche de escândalos diários que não conseguem ser esclarecidos.É claro que há estratégias. Moro possui habilidades, os filhos de Jair não se cansam de provocar, a corda fica bamba. A sociedade multiplica mentiras ou verdades monopolizadas e escondidas. As milícias parecem celebrar seus poderes, pois o governo não se mostra interessado em desvendar nada. O império é escuro e assimétrico.

A memória não se apaga com facilidade. Não se esqueça das épocas de torturas, dos serviços de corrupção ativa, das inseguranças de uma modernização reprodutora de desigualdades. As relações sociais são construídas historicamente. Há lutas, concentração de violências, denúncias. A sociedade vive instabilidades que não são novas.As ditaduras consagraram censuras, inibiram reformas, disfarçaram atitudes com máscaras de nacionalismos e ameaça de reações militaristas. Atravessaram décadas estimulando fantasias nada egocêntricas. Há quem se emocione.

Temos um passado que grita e precisa ser ouvido. Tudo significa um jogo de interesses ou uma sacudida em expectativas mesquinhas. Nada se mostra transparente. Nas redes sociais se assanham declarações estratégicas e programadas para violentar e confundir. Eduardo, Flavio e Carlos são astuciosos ou fogem do cinismo para se refletirem nas vitrines? Quem sabe o que realmente querem? Conhecem os danos do fascismo? O que leram? Dialogam com alguém mais esperto? São educados pelas ambições do pai? Questionam-se?

A perplexidade deixa as oposições encolhidas. Há respostas, mas faltam projetos mais definidos. Lula é o alvo dos afetos de muitos, porém sofre acusações e sente que a barra pesa com indecisões e manipulações das leis e de seus supremos intérpretes. As polêmicas não se vão.Muitas intrigas, preconceitos permanentes, amizades desfeitas, medos de conflitos mais radicais. A história se fragmenta com espantos crescentes. Ninguém tem controle sobre o calendário dos acontecimentos. As bipolaridades se espalham adoecendo os corações e aumentando a histeria. É preciso duvidar do salvacionismo e cultivar autonomia.

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1 Comment »

 
  • Daniel Silva disse:

    É verdade, professor: há uma grande estratégia por trás de cada maldade ou bozarrice feita e dita. Vivemos um novo estímulo cada dia, estímulo que nos dá nojo mas não nos mobiliza. “Eles parecem ser suas próprias oposições”, mas, isto é orquestrado. há que se encontrar uma coalizão possível, num primeiro momento, porém, também, há que se pensar em como evitar extremismos.

 

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