Os espelhos poderosos da história

O movimento das notícias faz a história trazer perplexidades contínuas. Um mundo cheio de culturas diferentes, com choques constantes e ambições crescentes, traz reflexões que se superam rapidamente. A marca da instabilidade compõe o tempo contemporâneo. Imagine os comportamentos sociais espalhados por vastos territórios. Não existe uniformidade. Quem são os franceses, os brasileiros, os italianos? Há dúvidas sobre o sentido que a humanidade procura. Há dúvidas se existe o sentido ou se não estamos mergulhando em acasos.

Os acontecimento repetem certos conteúdos que pareciam ultrapassados. Há quem diga que a história ensina e que no passado as lições são construídas para evitar futuros desenganos. Mas as contradições continuam, as explorações não se escondem, o novo se apresenta, muitas vezes, como problema complexo. Sobram teorias e intelectuais que buscam decifrar sociabilidades. Não há soluções definitivas, porém flutuações, momentos de preguiça e de sonhos de sossego.O que foi vivido não morreu. O futuro promete salvações. Não custa insistir que os tempos se misturam.

Há comportamentos que lembram antigas reações. Não há como negar que a transparência é sugerida, mas as inconsistências desenham sombras que não se afastam da história. Os lugares dos paraísos ocupam nossas imaginações. Ninguém suporta angústias permanentes. Sem fôlego o corpo se entrega, a história se desfigura. Como lidar com o que está sempre incompleto é um incômodo sempre presente. Desconhecemos os mistérios fundamentais, As inquietudes do tempo mantêm o movimento da história nos feudos das incertezas.

Não podemos viver sem espelhos. Olhamos os outros, lemos romances, conversamos com os vizinhos, frequentamos escolas, curtimos as invenções da arte. Tudo isso provoca suspenses, algumas certezas passageiras. A solidão ajuda, às vezes, a organizar pensamentos e não se agoniar com pressas desnecessárias. Lá fora, a tecnologia atiça desejos, o assanhamento é geral. Como assegurar autonomia numa convivência que mobiliza tantas energias?

Há terapias das mais diferentes origens. Ocidente e Oriente se confundem. As academias cultivam a necessidade de cuidar da saúde. O hábito das caminhadas invadiu o espaço urbano. Será que se espera uma milagre que amenize os muitos descontroles do cotidiano? Além disso, não há remédios que garantam o domínio sobre as dores e o alívio de um sono sem perturbações. A quantidade de saídas é tão grande que problematiza as justificativas para definir uma forma de viver paciente e solta. Existe uma coletivo anônimo que balança os poderes concentrados e mesquinhos?

As cidades não cessam de receber multidões em suas ruas, acompanhadas pela especulação imobiliária e máquinas que parecem projeções de inteligências ambiciosas. Cada dia oferece descobertas e ansiedades. Como se localizar na história se os espelhos estão em todos os lugares ? As regras não deixam de impor os limites. No entanto, o inesperado não descansa e o mundo das mercadorias sacode saberes que, rapidamente, tornam-se pequenos diante de tantos malabarismos. Montamos nosso circo, sem a certeza que o espetáculo se consolidará. Quem segurará a rede que salvará o último voo desencantado do trapezista?

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