No reino dos esportes e dos malabarismos inusitados

Fim de semana agitado. Muitos jogos de futebol, o vôlei envolvido com a busca de novos títulos e as torcidas naquele entusiasmo de sempre. O sol segue na sua rota de vacilações. Quando aparece , tudo brilha. Muitas cores, desejos soltos e consumos programados para um desfile nos shoppings. As TVs mantêm seus impérios. A movimentação esportiva garante audiências. Quem não gosta de uma boa diversão e fugir um pouco daquela sequência das chamadas atrações dominicais?Ela faz diminuir a dose dos concursos de Faustão e aumentar as acrobacias inesperadas de atletas fabulosos. A seleção brasileira na tela, com Neymar e seus malabarismos, e um jogo de tênis de colocar a emoção lá nas alturas. Portanto, as moradias se enchem de espectadores e a magia das imagens causa deslumbramentos. O sentimento mira a ousadia. com encantamentos e delírios.Não custar saber que o mundo se desloca. Não só de guerras e corrupções vivem a sociedade. A miséria, ainda, é preocupante e a violência ganha espaços de requintes sofisticados.

Não há sossego para curtir, sem sustos, um equilíbrio contínuo, contemplar uma obra de Miró e perder-se nas páginas sedutoras de Mia Couto. As instabilidades são frequentes. É impossível vê-las longe do cotidiano, pois a complexidade social é cada vez maior. No Oriente Médio, continuam as chacinas. As drogas se reinventam destruindo vidas e trabalhadores reivindicam atenção. As lacunas estão presentes e conectam-se com relações do passado. Os espelhos se quebram, porém deixam rostos retidos nos seus vidros partidos. As revoluções não redefiniram, radicalmente, o mundo, apenas construíram outras expectativas.Nem tudo é travessia desmantelada. Ninguém suportaria desatinos permanentes. Há tempos de pausas, mesmo que rápidas, para que os corpos sonhem e desmanchem na preguiça dos divãs. O espetáculo traz a dimensão de que a diversidade é companheira da cultura.

Não é preciso armar análises científicas, nem viagens antropológicas. Basta escutar as batidas dos corações, suas variações de acordes, para observar como as mudanças rondam os instantes. Por vezes, queremos dançar um bolero, com muita intimidade, ou nos concentramos na leitura de um tratado sobre a ética de Spinoza. Exemplos mínimos, para não esgotar a imaginação.O Brasil enfrentou a Holanda. Lembranças amargas daquela derrota que derrubou Dunga. A conversa, agora, é outra.Espera-se que haja troca de modelos e que a força bruta desapareça. Surgem craques diferentes.Recebem milhões, mas cuidam de cultivar o espetáculo e seu fascínio. Mesmo considerando os desfalques dos holandeses, a vitória brasileira mereceria comemorações, porque o futebol precisa de ânimo. Prevaleceram o empate e a decepção.

Enquanto no tênis, a disputa entre Nadal e Federer não dispensou a arte. Nadal assegurou sua boa fase de vitórias. Não tem pactos com a mediocridade. Conviveu-se com horas de idas e vindas, de bolinhas velozes e astuciosas. É um esporte de singularidades. Antes,  eu não decifrava nada, navegava nos seus deslocamentos, sem compreender certos silêncios soberanos.Falam do elitismo dos negócios do tênis, de um público com regalias impensáveis no futebol. Hoje, tudo está alterado. As transmissões das TVs reafirmaram o poder da globalização. A emoção se acende em múltiplos espaços, mas o mundo parece caber no sofá da sala.

You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

9 Comments »

 
  • Gleidson Lins disse:

    Os esportes fascinam e intrigam. O futebol da seleção brasileira continua mostrando-se medíocre, por enquanto incapaz de sair do previsível, sem arte. É um esporte coletivo que depende da capacidade individual. Toda partida de tênis entre Nadal e Federer é uma aula. Golpes inusitados, bolas colocadas no limite do impesável, arte com raquetes. É um esporte individual, mas que com estes dois tenintas às vezes parece haver mais de um em cada lado. Multiplicidade. O voleibol brasileiro dispensa comentários. Trata-se de um trabalho planejado e calculado, talhado para vencer.
    Mais uma vez, apoiando-se no que que eles dizem ser proteção da soberania, Israel disparou contra manifestantes palestinos nas colinas de Golã (território sírio ocupado por Israel desde 1967). Ultrajante.
    Como dito no texto, a globalização está a toda…

    Abs,
    Gleidson Lins

  • Gleidson

    O mundo se estreita com a comunicação. Culturas se entrelaçam. Isso ajuda, mas também fermenta as ambições do mercado.
    abs
    antonio paulo

  • […] Leia mais: No reino dos esportes e dos malabarismos inusitados @ A astúcia de … […]

  • Pedro Paulo Assis disse:

    Engraçado como essa globalização mudou a relação com o futebol. Hoje se acompanha e estima, as vezes até mais, o futebol europeu. Esperamos ansiosamente nossos jogadores irem pros Barcelona e Real Madrid da vida … futebol de primeiro mundo, graminha perfeita, estádios perfeitos, cadeiras confortáveis, salários milionários… o futebol tá cada vez mais profissional e menos ‘emocional’.

  • Pedro

    Na sociedade do espetáculo, o cuidado é grande. É preciso mover a grana e ter retorno. Os tempos mudam.
    abs
    antonio paulo

  • Pedro

    A globalização deu uma reviravolta no mundo. Reinventou muita coisa.
    abs
    antonio paulo

  • wellinson disse:

    Por mais comercializado que possa estar os esporte ,não deixa de encantar, ele desencadeia um sentimento de unidade uma utopia na qual todos os brasileiros senten-se representados.Por breves momentos que sejam ,esquecemos as maselas que assolam nosso povo e o país e nos transformamos em um só corpo nacional.Na quadra Brasil x EUA ,não existem barreiras economicas ou imposições politicas ,ali podemos vencel-los ,lá não lhe somos subservientes ,isto aumenta de serto modo a autoestima do país ,não só os jagadores da seleção se sentem capazes mas sim todo o povo brasileiro que acha que com cada gesto ,grito ou surperstição se acha um pouco senhor da vitoria e senti profundamente a derrota.

  • wellinson vaz disse:

    A pesar de sua mercantilização,o esporte ainda é um dos únicos fenômenos ,capazes de produzir a utopia da unidade .
    Ao ver entrar em campo a seleção ,seja lá qual esporte for ,os brasileiros tem a sensação de compartilhar de todas emoções sentidas na arena do espetáculo esportivo.
    Brasil x EUA ,no jogo de vôlei, é como se a única barreira existente fosse a que fica entre os dois times,todas as outras são desfeitas, por aqueles breves instantes não se está diante de uma grande economia ou de uma potência militar, e quando se vence é como se uma onda de entusiasmo invadisse a todos que se unem na mesma emoção e ao perder-se ,alguns seja por um momento tomam-se de uma breve melancolia ,o sonho passou.
    Ao mesmo tempo que encanta o esporte entorpece e serve para maquiar graves problemas enfrentados no país.

  • Wellinson
    O futebol tem fascínio e merece destaque. Quem não gosta?
    abs
    antonio paulo

 

Deixe uma resposta

XHTML: You can use these tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>