Tempos:os extremos nos cercam

 

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Muitos não observam que a tensão  está no cotidiano. Um mundo com tantas misérias não poderia ter sossego. Não se trata apenas do uso de armas. As   relações  sociais estão  contaminadas por disputas. As intrigas fervem, atiçadas por preconceitos. Portanto, os racismos se acirram sem  cerimônia. Deixaram as máscaras. Agora,  há quem se sinta honrado em ser fascista. Preparam-se discursos nada otimistas. O que vale é concentrar poderes, promover escândalos e empurrar a maioria para o abismo. Os genocídios procuram justificativas, atacam os refugiados, fazem apologia de quem é branco e expandem o ódio.

Sempre lembro que a calmaria nunca ocupou absolutamente o mar da  história. É impossível quantificar os números de guerras, as astúcias criminosas dos governantes, os desesperos de chefes religiosos arruinados. Mas a história segue, nem tudo pode ser aceito com o coração aberto. Nem todos se acostumam com as turbulências, outros buscam se dar bem. Não há querer absoluto, uma sociedade homogênea, solidária. Desde o paraíso que os horrores se mostram. Não esqueçam que Caim matou Abel e existiram deuses vingativos.São mitos permanentes  no imaginário social.  Negá-los é fechar cortinas  de palcos  importantes e eleger generosidades inexistentes.

As relações sociais se vestem de muitas cores. As clarezas nem sempre persistem e a aridez quebra sonhos rapidamente. Tenho receio da aceleração do tempo.Tudo é fugaz de forma  radical.Não há  como aprofundar, localizar os pontos  principais, soltar-se . As ficções  tentam adivinhar o futuro, mas termino visitando o passado. Quanta imaginação nos saberes do século XIX ! Recordem-se das utopias, do iluminismo freudiano, das críticas de Marx, das aventuras e  das criatividades românticas. Já falavam em decadência, ruínas estavam presentes  como os ataques colonialistas violentos. Portanto, a diversidade se fixava, com ideologias cercadas pelo progresso e manobras capitalistas assombrando o planeta.

Se a história não consegue marcar sua data final, desencontros se armam com tecnologias sofisticadas. a paz é reclamada, porém cresce o desamparo no meio de multidões enganadas por espetáculos ambíguos. Quanto vale o divertimento? O sorriso  tem um preço, a dor chega cedo, o sono não foge do pesadelo. A escrita não registra  detalhes perversos, apenas especula. É uma forma  de ressuscitar diálogos, reinventar brechas, não sucumbir diante da melancolia. Ninguém destroça  memórias sem acumular culpas. Os salvacionismos iludem.Trazem fantoches. a sociedade, contudo pede crenças e ainda acredita nas orações sagradas. Há um voo cego e torto  que desalenta.

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1 Comment »

 
  • Rivelynno Lins disse:

    …a utopia, o sonho de uma vida melhor é capitalizado pela religião. O momento bom daquele que crer no seu pregador chegará numa nova vida, numa outra existência. As igrejas evangélicas se multiplicaram nas periferias e colonizam almas e mentes, fortalecendo o seu plano de poder e dominação. Seus principais líderes estão no congresso. A utopia e o sonho de uma vida melhor aqui na terra se esvai e com ela as forças sociais que poderiam impulsionar as mudanças de um mundo mais justo e igual para todos mostram-se inoperantes. O projeto de poder das igrejas evangélicas está aí e se fortalece a cada dia…

 

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