Os farrapos da verdade e as máscaras ativadas: ” A Era Trump?”

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A política tem  frequentemente inquietado. O século XXI se apresenta com surpresas. A perplexidade traz desconsolo para muitos. No entanto, não custa buscar um olhar histórico e observar como as relações vão se constituindo. Trump não surgiu do nada, nem atende apenas aos delírios dos mais cínicos. Construiu uma figura que atende lacunas que se formaram nos Estados Unidos. Parece estar se divertindo. Não está. Responde a interesses. Seu país passou por dificuldades que minaram valores e encheram os corações de desperanças. A política ganhou outras expectativas e o deboche assumiu um lugar especial. Há quem escute Trump, o elogie, mesmo fora dos Estados Unidos. Quem se lembra das frustrações norte-americanas passadas? A guerra do Vietnã registrou perdas profundas. Os debates sobre o pós-modernismo sacudiram as universidades, transforam as elaborações culturais, criaram instabilidades. Os ruídos da subjetividade ampliaram seus territórios e as lutas promovem violências.

No Brasil, a onda antipetista pegou e a imprensa tocou fogo. Houve descuidos nas administrações e as mudanças se anunciaram para desmontar os  esquemas antigos. Ninguém esquece das tensões, das passeatas, do indefinível. Jair venceu. Seu discuso agressivo repercutiu, teve ajuda de quem se assusta com um socialismo que nunca existiu. O inesperado fechou seu campo, muita gente abraçou o liberalismo, embora haja confusões ideológicas e misturas emocionais. Falam-se de desencantos, as armas mostram-se, o salvacionismo atrai. Trump e Jair possuem semelhanças. É preciso, porém, assinalar que moram em nações diferentes, com poderes internacionais nada iguais. Valem os estímulos aos preconceitos e o jogo nas redes sociais. Outras linguagens se formam nu mundo da política.

A Europa vive também suas contradições. A Inglaterra não sabe o que escolher e o refugiados ocupam cidades. As vacilações são muitas. Na França, rebeldias indicam insatisfações. Qual o projeto social que consegue se consolidar? As dúvidas se expandem, pois as antigas utopias se sentem marginalizadas. As revoluções desistiram de insistir com seus contrapontos? Volta o racismo, condena-se a liberdade sexual, as religiões disputam mídias. Os ideais iluministas convivem com as ruínas e objetividade se ressente das desconfianças com a ciência. Não vamos fixar saudades dos tempos da neutralidade. Eles não existiram. Não dá para fazer a história escondido num labirinto sem saída. Há manipulações. As arrogâncias se mascaram, compram novas versões, se adaptam ao mercado das ilusões contemporâneas. As carências povoam velhos sonhos.

O capitalismo se reinventa, não tem pudores e gosta do tilintar da grana. Conseguiu fãs e desmontou mentes. Não é sem razão que surgem teorias reforçadas com análise lacanianas. Como decifrar tanta agonia e delírio?Há misturas, ecletismos, obscuras reflexões para os admiradores da dialética tão presente em outros tempos. O consumismo é gigante. A revolução industrial pertenceu a outras épocas. O capitalismo globalizado não perdoa. A Rússia firma estratégias de dominação e a China investe no futebol de forma avassaladoras. A solidariedade continua escassa, mas as milicias atuam e o crime organizado se especializa. Nem tudo são flores, pois há depressões, os bens materiais não representam garantias de felicidade. As lamas também ocupam os asfaltos e as intrigas estão na ordem do dia. Quem era progressista se incomoda. Não escutou que a compulsão a repetição não é uma ficção vazia. Os retornos acontecem com outras cores.

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