Os ídolos buscam espaços e a redenção na vitória

A situação do Santa Cruz não agrada a ninguém. Mesmo seus opositores pernambucanos ficam na torcida, para reverter os resultados. Há quase um desespero. O Náutico segue fazendo uma boa campanha e o Sport busca retomar os tempos de glórias. Podem representar o futebol da terra, com mais fôlego e dignidade.

No meio dos sofrimentos tricolores, alguns jogadores resolveram balançar o contexto e reforçar as promessas de vitória. Brasão, muito querido pela torcida, é esperto. Distribuiu ingressos, falou da sua paixão pelo time e comoveu muitos. Além disso, ganhou um espaço na mídia nacional. Foi notícia durante dias. Quem não conhece Brasão e suas ideias?

Não deixa de ser interessante toda essa movimentação. Traz novidades, consegue emoções e coloca fogo no noticiário da imprensa. Está presente, no cotidiano do futebol, a existência de ídolos. Eles são estímulos para aumentar o público dos estádios. Criam, também, uma quebra na frieza do profissionalismo.

No mercado da bola, os jogadores mudam de clubes com uma rapidez incrível. Terminam conhecendo lugares do mundo, nunca imaginados por eles. Passam anos, em países ricos, buscando juntar dinheiro para assegurar um futuro tranquilo. Nem se tocam para outras dificuldades. A grana tem uma atração indiscutível.

Convivem com diferenças nos costumes, idiomas, regras, religiões que cercam suas vidas, mas não se intimidam. Muitos voltam, para o Brasil, só para curtir as férias e contar vantagens. É claro que o êxito não é geral. Há obstáculos, desmantelos, decepções. Mas a esperança faz o coração se agitar e enfrentar as tormentas.

A odisséia de Brasão não é tão espetacular. Não estamos nos referindo a um craque consagrado e celebrado pelos euros feiticeiros. Fez sua fama, como era possível, e não se  acanha com os limites. Viu a chance de alargar seu prestígio. O Santa é um clube popular. Sua torcida, em grande parte, carece do básico para morar, divertir-se, comer…

A vitória do Santa, na partida do domingo, trouxe uma renovação nos ares, arrancou a pesada caveira de burro que atrasava a redenção do time. A cobrinha precisava fumar, como dizem os mais antigos. Brasão não errou na montagem da sua cartografia de ação. Ele é um dos goleadores da equipe, porém falhou na cobrança de um pênalti.

Com a vitória consolidada, o tricolor segue com cores vivas para reta da decisão. O Confiança não se deu bem contra o CSA. O Santa Cruz fica mais solto. No próximo domingo, voltará a novela. É preciso não relaxar e concretizar a ascensão. Chega de alimentar o azar e a tristeza. Que o sol permaneça firme, iluminando, sobretudo, os atacantes corais ! É muito gol perdido.

You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

2 Comments »

 
  • marcio lucena disse:

    Antonio,

    Parabéns pelo blog e pela perspicácia de revelar alguns sentidos que gravitam em torno da ‘paixão nacional’…futebol é paixão e fenômeno social e merece a atenção do historiador…

    Parabéns também pela vitoria do seu querido santa, próspero nos últimos anos em tristezas e promessas de superação…

    marcio lucena

  • Márcio

    Grato pelo incentivo e vamos adiante. A reflexão nos ajuda a viver e entrelaçar o humano com suas afetividades tão esquecidas.

 

Deixe uma resposta

XHTML: You can use these tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>