Os ídolos e os super-heróis dos tempos do consumo

Não precisa de mostrar talento. É estratégica a forma de se apresentar. Não pode ser muito exótica, para não confundir. A perplexidade existe, mas a obscuridade distancia. Lembre-se de Neymar. Suas atitudes são discutíveis ou exemplares. Seu riso é fácil. Vive num paraíso particular. No entanto, não vamos abusar dos conceitos, nem exagerar nos modelos. Neymar é artista, merece vitrine, é objeto de desejo internacional. Está nos padrões da sociedade de consumo, com nota alta. É uma exceção. Há outros que o imitam e ambicionam lugares especiais. Primam pelo brilho das chuteiras e pelo corte de cabelo. Consideram-se ídolos, porém moram numa ilha onde há escassez de talento.

Figuras que surgem como um inabalável cometa. Depois, sucumbem, deixando admiradores dessassistidos. Faz parte da magia. Com certeza, alguém saiu ganhando. Há quem termine nas páginas policiais. Desastre total, mas a sociedade os substitui. Neymar mantém-se, os milhões não derrubaram suas astúcias. Surpreende, pois não  foi curtir os combalidos euros. Aliás, a crise econômica cria estradas sinuosas. Investimentos no futebol serão suspensos? Por onde andam os ricos apaixonados pela bola? As dúvidas esquentam as conversas. O tempo é outro, as corporações não são inocentes. Lutaram para assegurar suas fortunas e o capitalismo estenderá, mais ainda, a monopolização.

Não só de futebol vive a sociedade do lazer. Há figuras que despontam do mundo da imaginação e encantam públicos. Não estão insentas de controvérsias. Possuem críticos irônicos. Batman é uma delas. O famoso homem-morcego arrasta multidões para as salas de cinema. Explora a velha dualidade. O bom moço que combate a criminalidade, com ares freudianos. Sofre com traumas de infância que conturbaram sua formação afetiva. Ele e seu companheiro, Robin, enfrentam bandidos inteligentes. A questão da invenção se faz atuante. Batman não esconde a coragem, mas convive com desfazeres existenciais. Será que tem parentesco com o Superman?

Pense nos mega-shows. Um território de escolhidos que envolve uma sofisticada produção. As especializações dominam cada pedaço: som, cenário, viagem, segurança, hospedagem. Os Beatles apareceram no meio do rebuliço da idolatria. Contam que eles se cansaram, desistiram de ouvir ruídos que os impediam de executar a música. Renunciaram à farsa. Mas isso foram os anos 1960. A tecnologia não regrediu. Vieram Pink Floyd, Rolling Stone, Michael Jackson, Madona.  Sobram exemplos. Não esqueça do Brasil. Os conjuntos de rocky, as polêmicas de Cazuza, o ritmo esfuziante da Bahia, a consagração do Olodum, de Cláudia Leite, Ivete Sangalo. A rotatividade é imensa, embriaga os cartesianos.

Os mitos do Monte Olimpo pertencem a outros valores sociais, encenaram tragédias fundantes para a construção do mundo ocidental. Hoje, o mergulho é no consumo, na sedução do efêmero. Nada de muitas perguntas, pois rola uma química que atrai com a força de uma gigantesca rede de informações. Os nacionalismos passam por dificuldades. Não morreram, apenas alimentam um interminável debate sobre a identidade. Stuart Hall gosta de embarcar nessas histórias. Na sociedade de consumo, o descartável dita ordens, limpa as aparências, ensaia as soluções, mas mulitplica especulações. Quem consegue segurar as plateias? A dignidade sobreviveu? Qual é fórmula?

You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

2 Comments »

 
  • DIÓGENES disse:

    Professor hoje soube de Levi a sua licensa, espero que esteja tudo bem com o senhor, foi um semestre de muito aprendizado e descobertas, estarei sempre aqui presente no blog fazendo as leituras e postando quando necessário. Abraços e melhoras! Até mais nos corredores desse centro!

    DIÓGENES.

  • Diógenes

    Está tudo bem . Tive a famosa virose e preciso repouso, pois toca na voz. De resto, grato a todos pela atenção. Dia 5 de 12 estaremos por aí, mas retorno na próxima segunda na tese que convidei vocês.
    abraço e saudades
    antonio

 

Deixe uma resposta

XHTML: You can use these tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>