As Olimpíadas e as acrobacias da aldeia global

Estamos muito próximos, apesar das diferenças. É isso que os meios de comunicação anunciam nas notícias gerais que circulam no cotidiano. Nos tempos de Olimpíadas, o espetáculo garante uma ilusão de sossego e de confraternização singular. Não deixa de ser emocionante, tanta gente disputando jogos, mostrando múltiplas práticas culturais. Gosto de curtir os esportes e observar a movimentação. Prestigio, quando posso, as transmissões. Existem os exageros. É difícil não cometê-los. Não se trata de um simpósio acadêmico. É um momento único, segundo proclamam as TVs. Ninguém é inocente. Há os bastidores, as denúncias, os conflitos diplomáticos, as interferências dos poderosos. No entanto, há, também, as aventuras, as superações, a oportunidade de contemplar gestos de solidariedade.

A aldeia global celebra suas festas com exaustivos discursos e gastos exorbitantes. Os apelos são muitos, com destaque para chamada magia tecnológica. A fantasia estende-se, surpreende, cativa. É, assim, a história, com suas mudança e permanências, cenário do ambíguo, do instável, do faz de conta. As violências, as greves, os acidentes continuam, pois o mundo não cessa de se deslocar e a política de atiçar vaidades e riquezas. Tudo se mistura, porém, quando o espetáculo espalha-se. A sociedade suspira, idealiza sonhos, espreguiça-se nos divãs. Freud explica. A conversa na vizinhança também.

Não faltam argumentos para justificar fracassos e vitórias. As expectativas tumultuam as avaliações e falam do emocional com propriedades de terapeuta. O saber percorre suas trilhas internacionais. As estratégias de sedução são espertas. Casam-se com a dominação sutil que atrai um público imenso. É um disfarce com garantia de sucesso. As manobras estão em toda parte, não poderiam ficar ausentes de acontecimentos extensos. Convencer é um dos mandamentos do vaivém capitalista. Apenas, a repressão e a censura causariam desconfortos e antipatias. Pão e circo funcionam. Não é de hoje que a sociedade se diverte.

A cultura é uma construção complexa e as Olimpíadas ganham espaços amplos na arquiteturas dos eventos promocionais. A Europa vive crises profundas, mas nem tudo é lamentação. Ninguém adota uma vida plena de penitências. É exaltar o masoquismo, a doença, a insatisfação. É importante, porém, observar como cada tempo planejar controlar suas contradições. Elas não se ausentam do mundo, tocam na economia e nos sentimentos. Sem referência positivas, o caos se instala de vez. Não dá para curtir o efêmero, sem olhar o futuro e apostar em mudanças. Os pertencimentos não são fixos. Caminham.

A aldeia respira, descansa, se distrai com técnicas e manifestações coletivas de lazer. O pesadelo não é constante. Assusta e desmancha-se. O mundo de dentro dialoga com o mundo de fora. Adotamos cores, acreditamos nas astúcias dos humanos. A história produz utopias porque o sonho é indispensável e alimenta.A questão da certeza e da verdade impacienta os mais compulsivos. Não custa, porém, compreender que as sociedades não se fecham em hábitos definitivos. O passado não está na lata do lixo. Mora pertinho do presente e anima desejos.Os jogos possuem singularidades e pedagogias. Ajudam a desenhar as formas dos tempos, pois a vida dança com espantos e acrobacias.

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