Os julgamentos agitam valores, hábitos e pesadelos

Não é estranho que se julguem as pessoas. Existem tribunais, juízes, regras. Na sociedade moderna, há instituições poderosas que ajudam os governos a manter a ordem vencedora. Nem tudo acontece dentro de uma programação inviolável. Mesmo quem vence e se coloca na crista do poder, não está longe das decepções. São as chamadas reviravoltas. Não precisa ir à outra esquina. Na sua vida, os desencontros ensinam que a instabilidade é parceira de muita coisa. Na construção da política, o vaivém é veloz e assustador. Há lugares para  perdões, disfarces, ressentimentos, dubiedades. A história tem ritmos que atravessam tempos e aventuras. Há verdade que se encolhem e desaparecem.

Portanto, não é necessário esforço para observar que a cultura não vive sem valores. Eles ocupam espaços, sacodem apatias. Lembrem-se das reflexões de Nietzsche ou dos teóricos que anunciavam, já no século XIX, crises extensas na civilização ocidental. Não é novidade que os abalos tragam perplexidade. A sociedade moderna possui muitas ambiguidades. Tudo isso assanha julgamentos constantes, até dos pequenos atos e dos equívocos de amores, aparentemente, inquestionáveis. Quando condenamos ou absolvemos estamos retomando hábitos e. às vezes. querendo mudanças. Há também desejos flutuantes que voam em busca de alguma verdade.

A aldeia global está repleta de informações. Elas não sossegam. As opiniões estampam energias inquietas, opções democráticas, derrotas sentimentais. Não há transparências absolutas, porém uma multiplicidade que nos entontece. Sem princípios a sociedade não consegue construir suas ordens. Por isso, a luta política, as divergências, as tentativas de diálogo, os cinismos voluntários. As invenções tecnológicas contribuem para que a cultura desenhe seu tempo e quebre linearidades e tradições seculares.Não há unanimidade. É quase impossível. Quando surgem consensos geralmente ganham as vestes do efêmero.

No entanto, há julgamentos que expressam a vontade da maioria. Merecem celebrações amplas. Mesmo assim as dúvidas teimam em amargurar alguns. Nada acontece sem que haja barulhos na ordem. Os grandes julgamentos anunciam a possibilidade de transformações. Exigem outros comportamentos. Há quem escape, esconda seus malabarismos espertos, mas as insatisfações se mostram. Há na sociedade  quem espere consertos e governos coerentes. Esquenta seus sonhos, sobrevive, mesmo olhando as desconfianças e os medos. Para a política, sem o pragmatismo  e sem o joga da grana, é importante que os valores sejam definidos e as punições rascunhem expectativas, embora existam os que conseguem mascarar seus comprometimentos.

As controvérsias sempre estão presentes. Os totalitarismos desmancham dignidades e fermentam preconceitos. Quando a sociedade julga, ela também se redefine. Fiscaliza seus escorregões. Eles são muitos. A história não cessa de se movimentar, de visualizar confrontos e rebeliões. As sociabilidades se balançam, contudo é fundamental que se escute o outro. Quando se rompe com as ordens, os abalos não são poucos. Não custa esquecer que há armadilhas, nem sempre imediatas, que o tempo é companheiro da incompletude. O pior é abandonar os ruídos da utopia, mesmo quando a travessia compartilha paradoxos e desprezos. Não se deve cultivar privilégios, para quem a democracia respire com vontade.

 

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