Os mitos circulam na história

Não pense que a história está escrita e nós somos seus atores privilegiados. É bom viajar na imaginação. Talvez, haja outros seres circulando num universo tão repleto de complexidades. As explicações , apenas, amenizam as dúvidas mais radicais. Tudo termina ficando na corda bamba, mesmo que os acadêmicos estimulem verdades e pretensões. Andar pelas travessias sinuosas é uma alternativa. Quando terminam os limites é uma pergunta sem resposta. O excesso não apaga mesquinhez e transforma o pragmatismo num discurso da salvação. Os desenganos acenam com a nudez da dor, porém há também malabarismos que mascaram os sofrimentos e os pesadelos.

Édipo sofreu envolvido num destino maldito. Falava-se de mitos poderosos e deuses que competiam com os homens. Nunca deixou de haver a ameaça do castigo, nem tampouco o desprezo pelo poder. As hierarquias estão presentes, não se foram, mudam de vestimentas. É difícil buscar significações que tragam futuros pacificados. Os apocalipses inventam medos, o fogo do inferno, crenças tenebrosas e as religiões não se cansam de firmar lugares na política. Saber e poder fazem parcerias nada recomendáveis para quem arquiteta paraísos.

O jogo tem muitas regras, mas a desordem também respira. O equilíbrio é desejo ou disfarce dos sentimentos tardios. Somos anônimos, nos escondemos, esperamos amores, porém não adianta se desfazer das despreocupações. A vida se envolve com linhas finas e não consegue segurar o acaso. A mitologia grega mergulhava em fantasias que, ainda, apaixonam. Hoje, temos tecnologias que fabricam passividades e drogas. Ficamos tontos diante de uma diversidade que promete expulsar o comum, porém não sedimenta felicidades. As palavras se assumem como mercadorias e inventam histórias que assustam e intimidam.

Há teorias que existem para especular. Estamos no barco das abstrações, porque não podemos dispensar as  possibilidades invisíveis. Conversar desenha  sociabilidade, toca nas diferenças, nos leva para o inesperado. O mundo globalizado não é perpétuo, nem diminui o lugar dos perdões. Se as diferenças se mantêm, os conflitos parecem fixar opressões e desmanchar as astúcias do diálogo. Os mitos contemporâneos se vestem de banalidades. Querem espelhos e vaidades. Consolidam e ornamentam o vazio. Estão longe das histórias de Scherezade, d’ As mil e uma noites.

Contamos nos dedos as verdades que podem sobreviver. Dobramos as esquinas desconfiados e apostando no medo. O sentimento aprisiona o ritmo dos tempos, pois querer sintetizar perdas e ganhos, em datas especiais, é um escorregão que não tem fim. A vida se vai, o corpo se cansa, a lágrima é também sinal de hipocrisia, não há como definir uma escritura sossegada. Seu mito, muitas vezes, se olha nos espelhos dos seus olhos. Distrai-se com identidades plastificadas. Morder a maçã trouxe uma história que se livra da violência, nem da culpabilidade.

You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

Deixe uma resposta

XHTML: You can use these tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>