Os mitos encontram-se na contemporaneidade

 

A sociedade não vive sem narrativas. Elas buscam fazer uma leitura do que acontece. Há muitas leituras, muitas interpretações, muita complexidade. A história permanece dependendo da ilusão e se amarra nas aventuras do tempo. Não vamos traçar um linha reta e se deitar no berço esplêndido. Existem mais curvas do que esquinas. A cultura inventa mitos para se aproximar dos mistérios. Há o inexplicável acompanhando cada minuto, ocupado o vazio, soltando-se dos ritmos antigos. Querem o novo como salvação, nem notam que ele pode representar o descartável. Estamos longe das revoluções e das estratégias fascinantes. Mas a possibilidade de dividir as riquezas puxa movimento políticos, assanha inquietações, espalham dúvidas.

A sociedade não foge das lutas políticas. Não há como sufocá-las. Os espaços são múltiplos. Elas podem parecer uma emboscada, um desespero de quem se acha marginalizado, uma sentença jurídica que traduz crimes e disfarça ousadias. A brigas dos mitos mostram que não há sossego. Leia sobre a travessia de Ulisses, as violências de Zeus, as tramas de Sísifo, as luzes de Apolo. Tudo isso se foi ou ganhou outros nomes? O que Moro fala para seus admiradores? O que Temer promete para 2017? Quem é mesmo Fernando Henrique? Por que Lula é alvo de tantas denúncias? São perguntas que possuem respostas que assustam os mais fanáticos. Há quem precise de amparos, de seduções, de crenças.Há psicopatas que atuam nas vitrines sociais.

A história traça suas ressurreições. São desenhos, às vezes, estranhos e escandalosos. Há uma sensação de retorno, quando os desapegos acontecem e subtraem as esperanças. O mundo árabe se despedaça, as favelas cariocas queimam, os governos assaltam, as crianças são estrupadas. É difícil nomear destinos. A história é construída por relações sociais heterogêneas. Lembre-se do feudalismo, do poder dos papas. Observe as corporações atuais. Os milhões circulam e são multinacionais. Os estados sucumbem, porque perdem a credibilidade. Especula-se que o terrorismo está se armando para afundar o mundo. Prometeu ainda está acorrentado, distante dos tribunais, desafiando a eternidade.

Se as permanências no assustam, o que dizer das novidades, das formas contemporâneas de produzir lixo? Portanto, a indefinição do tempo é a grande esfinge. Chame o profeta Tirésias para decifrar o que nos espera. Escute a conversa que teve com Ulisses no inferno. O que mudou? Os esconderijos são mais sofisticados, a maior parte da população sofre agonias e as utopias são trituradas pela arrogância. A inquietação das vozes, porém, institui rebeldias. As reflexões aparecem como monopólios. Não se pensa em uma saída coletiva. Olha-se para os ruídos da bolsa de valores e grita-se, amém. Quem fundará  a última religião e praticará o suicídio anônimo dos deuses? Quem se senta na cadeira do poder no momento do deboche e do pesadelo?

 

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