Os olhares dos mil silêncios e espantos

Quem sistematiza a história como um conjunto de fatos perde dimensões incríveis. É preciso  observar os contrastes e não apenas os grande generais e as fortunas opressoras. Há repetições Muitos não se soltam das máximas de Aristóteles, se envolvem com as mesmices em busca de quietude. Esquecem que já houve tantas reviravoltas. Não se pode desprezar as ousadias dos senhores burgueses. A sociedade viveu escravidões terríveis e ainda alimentas desigualdades.As fantasias são fundamentais. Na solidão sonhamos que há enigmas, que a morte dialoga com o acaso, que as paixões aceleram os minutos, que as culturas ressurgem mesmo quando parecem desaparecidas. Faça, fique, desmitifique pacientemente o eu glorificado.

Hoje, as invenções modernas dominam o cotidiano. Estamos ligados. Muitas máquinas e impressionantes previsões que se diluem como uma nuvem carregada. A maioria não dispensa celulares, curtem amizades virtuais e navegam nos computadores audazes. Contam uma vida diferente . Dialogam em busca de uma sorriso. Não sabem o que significa um abraço e divulgam mensagem estranhas. Querem ser escutados, mesmo adormecidos no vazio. As vozes dizem que o outro está atento, também se inquieta. Enfim, existe uma humanidade, confusa e agitada que sacode a inquietação para vender o espetáculo da fortuna. Minorias audazes, no entanto com rosto de esculturas armadas.

Quem anda pelas ruas não cruza olhares. A propaganda e a vitrine possuem fascínio. Sentir o outro é um desafio. Talvez, tenha sido assim. Pensamos, planejamos, mas as instituições terminam consagrando um amontoado de regras. Sempre me pergunto qual é o valor da acumulação. A multidão movimenta-se, porém a energia é muda. Nem todos admiram uma conversa, não toleram um cumprimento.Procuram horizontes, dispersos, com se o mundo fosse um inevitável deserto. Pisam no asfalto com medos dos ruídos das motos. Os sinais revelam desconfianças, cores que desbotam com o tempo, nostalgias da poeira que sujava os vestidos novos, mas não anulava a alegria..

As sociabilidade vão se formando. Mora-se numa casa, num conjunto habitacional, no banco de uma praça. A droga alivia e antecipa a morte, cria geometrias que muitos necessitam para não sucumbir ao acordar  sintonizado. No ônibus os sons se apegam aos ouvidos, os olhos parecem quadro mortos e alguém lembra que a vida corre soltando um imenso palavrão.Assusto-me, acho-me pequeno. Como crescer, decifrar s esfinges e acreditar nos deuses? Nunca arquitetei fórmulas, sou partidário do acaso, sofro quando a solidariedade se fragiliza. Escrevo para um outro mundo que pertence ao sonho incompleto e por um triz atormentado.

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