Os perigos das conexões internacionais vacilantes

Estamos todos muito próximos. Pode não haver afetos contribuindo para melhorar as relações sociais, nem a solidariedade encontre caminho para seguir seus projetos. Os valores são outros, pois a sociedade abraça o pragmatismo e a maioria não se toca com os sentimentos. A história é uma construção difícil e contraditória. Os vencedores articulam seus favorecimentos, procurando firmar privilégios na política e na economia. As desigualdades acompanham a concentração de riquezas e a tensões nos alertam para os desequilíbrios que ameaçam a atualidade.

Comenta-se que os Estados Unidos não conseguiram remendar suas vestes, como deviam. Olham o abismo e, ainda, tremem. O esperado acordo entre democratas e republicanos não promete certezas, mais perenes, e as condições permanecem precárias. As armadilhas não se extinguem. Evita-se uma desarmonia nacional profunda. Respira-se o desafogo por um tempo. As práticas conflituosas e discórdias são constantes. Há preconceitos morais, pouca reflexão sobre as possibilidades de superar o individualismo e redefinir a força do coletivo. Uma militância cega, repleta de crenças, esquecida da ética, toma conta das relações de poder, apesar da resistência e da lucidez de grupos renovadores. Há quem radicalize discursos liberais extremistas, apagando da memória os danos trazidos pela crise de 1929(foto).

Obama sofre com situações limites incessantes. Anda na corda bamba. Lembro-me das peças teatrais de Sartre e uma afirmação marcante: O inferno são os outros. A luta , para superar os impasses, passa por negociações urgentes. Restam muitas questões, tudo pode acontecer, não temos futuro aprisionado, apenas especulamos dentro das instabilidades. Com certeza, não estamos na época de euforias generalizadas. A sociedade internacional renega utopias, pisa em solos pantanosos com cuidado cotidiano. O utilitarismo crescente choca-se com o sonho e a generosidade. Quem se habituou com o conforto e pensa em renunciar suas conquistas e socializar os bens culturais ? Como jogar fora os cartões de créditos e as promoções sensacionais dos shoppings?

O Brasil apresenta-se otimista . Conta vitórias anteriores. Não dá para visualizar que estamos isolados, cercados de consumo por todos os lados. As notícias acendem dúvidas, sinalizam perigos, analisam descontroles financeiros. Saímos de alguns desmantelos e mergulhamos em outros. Os planos de derrotar a miséria estão presentes nos pronunciamentos de Dilma. Agitam as ações dos governos, porém os obstáculos existem na gestão da máquina dos ministérios, burocratizada em excesso, e ausência de responsabilidade administrativa. Os buracos na educação e na saúde são imensos. Não dá para fixar enganos.

As crises são instituintes. Trazem perdas profundas e atmosferas sombrias. Contudo, nunca anula todas as saídas e redefine entradas. As ambiguidades não  desaparecem. Quem pode viver a cultura sem a reinvenção? Existem os que ganham e enchem suas sacolas com os prejuízos do outros. O desgaste não é só financeiro, nem quantitativo. Debate-se sobre os preços das moedas e das mercadorias. Cria-se o devaneio de que a economia é soberana e dominante. Contudo, a vida não se resume a contabilidades. Não é á toa que droga e a violência se espalham. Os ruídos persistentes não cansam de avisar que as carências são complexas e visitam os reinos do coração.

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