Os políticos inquietam-se, Dilma movimenta-se

As denúncias de corrupção trazem assanhamentos gerais. Suspeitas tumultuam a atmosfera do Congresso Nacional. Nem parece que a coletividade respira ares republicanos. É preciso verificar até onde  existe base material nas suposições. Não há desmantelos, apenas, no Brasil. A inocência não habita os negócios entranhados no mundo capitalista. Os  desacertos variam, mas contaminam as culturas e pressionam princípios morais. Nem todos conseguem segurar a máscara. As narrativas de cada um enchem páginas de jornais. As dúvidas atiçam especulações. Os ministros renunciam ou mudam de estratégia. Dilma tenta acalmar as relações, oferecer saídas, sem deixar de aprofundar projetos de faxina.

A complexidade da situação agita a busca de saídas. Cochichos e conchavos ocupam espaços e amedrontam parlamentares. Outros não se cansam de apelar para instalação de uma CPI. O desentendimento marca o instante, facilita as desconfianças. Portanto, o cuidado ajuda a não fazer das divergências um lugar de descontroles. A política possui regras. Joga e se estende pela sociedade. Não circula, exclusivamente, nos prédios de Brasília. Dilma quer diminuir os escândalos, limpar territórios contaminados pela propina. Sabe  que é difícil romper com certas bases aliadas. Os governos convivem, com instabilidades, não é incomum ações para resolvê-las.

O culto à falta de compromissos, com a gestão pública, espalha-se de forma ruidosa. As máfias sofisticam seus ataques, infiltrando-se nas burocracias, intimidando e oferecendo vantagens. São eficazes e organizadas. A globalização deu mais fôlego as suas investidas. Elas desfilam sua força pelas mais respeitáveis democracias. A  agilidade é contagiante, pois o sistema de dominação se envolve com a velocidade. O  objetivo é concentrar privilégios e manter a maioria fora de estruturas fundamentais. É claro que os disfarces não são poucos. Vestem-se até com as roupas da generosidade.

Os sorrisos nos lábios não expressam, necessariamente, alegria. Os cenários de cinismo têm palcos de luxos reservados. Muitos apostam na sedução e desprezam a manobras agressivas. Essas práticas diluem sociabilidades que lutam para consolidar limites e dignidades. Há resistências, nem tudo é vaidade. Quem está na política não se retrai com os escorregões, nem se incomoda com os silêncios das madrugadas. No Brasil, as alianças feitas possuem uma heterogeneidade ampla. Imagine uma reunião de debates entre Sarney, Lula, Inocêncio de Oliveira, Romero Jucá, Sérgio Cabral, Mercandante, Aldo Rabelo… Histórias de vida que, talvez,  se choquem, porém que se balançam e animam o contexto atual.

Os assuntos retornam, porque a fiscalização não deve  ficar só com os poderes instituídos. O paternalismo enfraquece as reações. A mobilização é decisiva. Muitos recuam. Abandonar a crítica é entregar tudo para que os governantes, solitariamente, fechem suas posições. O peso da opinião pública é instituinte, salva , muitas vezes, a democracia de impasses profundos. É importante não restringir, não minimizar. Governar é entrelaçar-se com relações, saber seus caminhos e analisar seus descompassos. Se os espertos choram lágrimas, proclamando inocência, resta construir provas e estabelecer debates. Nem todos são sujeitos das acusações que lhes fazem. A política pode se constituir de riscos, de gangorras enferrujadas, mas todos querem sair na fotografia. Dilma sabe disso e conversa com figuras do PSDB. Alguns petistas se incomodam.

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