Os ruídos frequentes das corrupções

A sociedade está sempre estabelecendo regras. Surgem novos comportamentos, há mudanças nas organizações políticas, protestos ganham ruas reclamando dos descontroles, continuam desigualdades seculares. É quase impossível conceber harmonias, os conflitos se espalham e as rivalidades não cessam. As regras buscam manter ordens. As disputas mostram que os poderes estão acesos. Não faltam acusações e as democracias se envolvem com instabilidades frequentes. Suspeitas e desconfianças deixam ressentimentos nada saudáveis.

Nas últimas eleições, o tema da corrupção não perdeu fôlego. Há variados escândalos que brotam e surpreendem. Outros fazem parte do cotidiano. As regras existem, mas as desobediências também. Há quem goste de levar vantagem, de cometer os chamados pequenos delitos. Os privilégios encantam e produzem subterrâneos. A sociedade vive epidemias de falta de ética e muitos se mascaram para evitar que sejam descobertos. Fabricam-se ingenuidades que infantilizam e conservam disfarces surrealistas.

Não significa que a corrupção invada todas as moradias. No entanto, ela se alarga, traz prejuízos de milhões, derruba planos , concentra riquezas. Ela está na aldeia global, internacionaliza-se, seduz. As notícias se multiplicam. Não  prevalece a exclusividade. A Fifa, a Petrobras, as máfias das drogas, os políticos espertos, os negociadores das grande corporações, tudo  mostra que as manipulações se sofisticam. Poucas instituições se  salvam dos golpes e a justiça cai também em abismos inesperados.

Não há alternativas de combate aos desmandos? Como funcionam as leis, as punições, os inquéritos, as investigações? Não podemos negar a confusão geral que abate transparências. Muitos observam as falcatruas dos outros e obscurecem as que  estão próximas de suas práticas. Sobram figuras de aparentes comportamentos elogiáveis. O tempo se encarrega de desvendar as trilhas dos labirintos. Os santos terminam como demônios, as fronteiras são frágeis, os cinismos se propõem a sossegar turbulências.

Uma sociedade sem limites não sobrevive. Quando eles são radicalmente desrespeitados o perigo se anuncia. É importante que os limites sejam divulgados, discutidos, ultrapassem estratégias de grupos dominantes. É cansativo dizer certas coisas ou não esquecer que o mundo da competição nos cerca. Isso contribui para que as corrupções desenhem seus espaços de fuga. A solidariedade e a fraternidade permanecem como ideais. Há inconformismos, mas também quem exerça controle e se proteja com argumentos ditos especializados. A modernidade lançou paradigmas que desmitificavam  verdades seculares, nem por isso os desgovernos se foram.

As revoluções trouxeram ânimos que se debilitaram. Uma imensa burocracia inibe que o coletivo firme sua voz. A forma de fazer política não consegue superar os impasses que viajam pela sociedade capitalista. Vivemos violências visíveis acompanhadas de manobras sutis de poderes escondidos e ágeis. Muitos afirmam que se trata de problema de gestão. Naturalizam comportamentos e consagram minorias. Não é à toa que as divergências perdurem e as acusações permaneçam. O discurso da servidão voluntária não se desfaz e remodelou seus espelhos. Neles cabem narcisismos e hipocrisias.

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