Os sentimentos dão ritmos ao tempo

Quem observa a história não  se negar a olhar seus movimentos surpreendentes. Há repetições, muitos lutam pelas permanências e outros buscam as novidades. Difícil é conhecer como se formam as referências, qual o caminho a seguir, já que as diferenças são muitas. Portanto, os lugares dos tempos são moradias de ambivalências. Não adianta somar transparências, porque as sombras não abandonam as histórias. A instabilidade é um sinal de insatisfação, mas também de complexidade. O saber e o poder assanham vontade políticas, mudam planejamentos, mostram que as hierarquias mantêm as desigualdades. Mesmo que as utopias sobrevivam e ajudem a celebrar certas esperança, não há como firmar futuros, nem tampouco interpretar o passado como uma cartilha.

As ciências firmaram-se contra crenças seculares. Trouxeram esclarecimentos, porém não fugiram das vaidades e nem se afastaram das disputas. O capitalismo sobreviveu, exaltou a democracia e continua explorando. Não se cansa de provocar escândalos globalizados. Historiadores inventam metodologias para compreender os discursos que  misturam passado com possibilidade de modernizações. Ninguém nega que as saudades giram, derrubam expectativas e desconfiam do descartável. Ela move o tempo, desfia a linearidade, fala de amor em mundo de vitrines brilhantes e mercadorias sofisticadas.

Talvez, os sentimentos tenham sido subestimados. A razão ganhou soberania com a ciência. Esperavam-se iluminações que refizessem ousadias e animassem diálogos. Não houve um silêncio sobre as virtudes, contudo o exibicionismo é ponto de partida para consolidar privilégios. Não se foram as disputas e o conhecimento se articula com as armadilhas. A idealização procura amenizar os desencontros.  Há sempre aquela imagem de um tempo onde as generosidades negavam a violência. Não faltam fantasias para esconder a crueldade. A violência não tem a chave da porta, é parceira do obscuro.

O tempo é uma sinfonia com ritmos que desagradam ou formam encantamentos. Ele abraça as idas e vindas dos amores, sem esquecer que os significados se transformam. Contar a história juntando sequências e elogiando características e identidades é escorregadio. É preciso assumir que as lacunas não abandonam a convivência. A história é feita de ausências que os sentimentos tentam justificar. O tempo, portanto, dança com o fôlego que pode retomar certas memórias ou arruinar afetos. Quem conta histórias se confunde, quando pensa que a verdade possui lugar fixo e o mundo não reconhece finitudes e mergulha no mito.

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