Os valores de uma trilha sem rumo

Abro a janela, para animar e vejo o dia com um azul meio esquisito. Parece um desenho do que acontece por aí. Dizem que estamos numa época de grandes transformações de valores. Por isso que as drogas circulam com uma rapidez incrível Estamos perdidos, pois temos que inventar cartografias éticas. Complicado ou sofisticado? O que percebo é muita inquietude. Olho para dentro dos meus segredos buscando respostas. Difícil. Lembro-me de Édipo angustiado pela culpa. Aquelas tragédia gregas são preciosas. Quem sabe nos ensine a sair da tanto buraco? Quem sabe somos cultivadores de buracos? Será que a racionalidade é uma invenção de filósofos?

Não posso negar que o mundo tem uma multiplicidade espantosa. Brinco um pouco. Cito alguns nomes contemporâneos que ocupam manchetes. A perplexidade diante de formas tão distantes: Messi, Ivete Sangalo. Dilma, José Serra, Chico Buarque, Eduardo Cunha. Mia Couto, Lula, Federer e assim vai… É impossível dar conta de tudo. A arquitetura da sociedade não permite linhas retas fixas e tranquilas. Ela vive sinuosidades e ousadias, sem conhecer o colo do sossego. Curte o fanatismo e não abandona as modas milionárias. Pede um beijo, porque é Carnaval, mas a covardia é a mesma.

No final do século XIX,  estimula-se a teoria da decadência. Suspeito. Nietzsche criticava com radicalidade. Poucos o entendem, embora atualmente seja astro na academia. Está tudo muito misturado. É o tempo da moda. Há assassinatos com marcas religiosas. Há políticos que acumulam milhões. Os compromissos com o coletivo foram sepultados? Nem tudo é ruína, porém os sinais de destruição assustam. Como as teorias se chocam elas expandem violências. Os diálogos são curtos e os estranhamentos permanentes. As pipocas são vendidas em sacos plásticos.

Prometeu desafiou os deuses, pois conhecia o futuro. Virou um símbolo. Hoje, as identidades sobram. Observo-me, nem sei se um dia vou reconhecer-me. Se tudo começou com a argila, se Deus atrapalhou-se com sua criação, talvez fique dúvidas e o mundo se arraste. As culturas soltas classificam sujeitos, ainda exploram a escravidão, celebram espetáculos exóticos. As janelas fechadas não escondem a complexidade do viver. Dentro de nós as palavras se casam com as cores. Os mosquitos agitam-se e se divertem com as epidemias. A ciência é cigana,ler o mundo com muitos segredos corporativos.

Os arrependimentos e as culpas balançam os pecadores que detestam confissão. Cada curva tem um fantasma, cada romance mostra as travessuras dos sentimento. Sentir, pensar, desmontar, arruinar… Os verbos não dão conta do que corre pela aldeia. Quem suspende as questões e espera o milagre sossega? A história não se envolve com os perdões. Ela periodiza pensando que o tempo tem lugar definitivo. Os enganos continuam para que a vida não se feche. Há assassinos obstinados( Stálin) e bondade bem programadas( as filantropias). Que mundo! Dentro do corpo ele gira e se aproxima do simultâneo.

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