Padura:as estratégias das violências assassinas

Continuo assustado com a leitura que fiz de Padura. Trata-se de uma obra notável. Uma denúncia que assombra e mostra a incompletude humana. A sensibilidade do escritor entusiasma, mas as manobras autoritárias  presentea na história amargam. Cada época tem seus lixos, suas escravidões, suas permanências. Isso nos traz dificuldades imensas. Quando me lembro das tragédia gregas, minhas dúvidas permanecem. A violência caminha produzindo opressões. Padura não disfarça: como o autoritarismo é contínuo, como os poderes se parecem, como as revoluções que fantasiam memória, inventam redenções supérfluas.

As histórias de Trostki e Stalin tocam pontos comuns. Há distâncias, mas ambições se entrelaçam de forma radical.O narcisismo é perigoso, cria mitos persistentes. Quantos morreram envolvidos por crenças políticas? Existem descontinuidade no cotidiano, porém as vinganças se espalham, até mesmo nas práticas religiosas.É preciso ficar atento aos movimentos gerais. Stalin foi cruel, Trosti também militou de forma agressiva. Padura nos coloca na esquina do labirinto. Quem acredita numa saída, na inocência, no desejo de pular o cerco e redimir a sociedade? Os assassinos rodam a política de forma profunda.

Ninguém nega que a cultura está aí, com os bons escritos de Mia Couto, Graciliano, Agualusa. Ninguém nega, contudo, que a história caminha no meio de fantasmas, que há justificativas que silenciam generosidades e afirmam a dureza de impor regras. As utopias fogem. A fragilidade mora no sentimento. Os monopólios são massacrante e cínicos. Nada com um grande livro para desnudar as hipocrisias. O tempo passa com vestígios de sangue, sem expulsar o medo do mapa do mundo, acumulando ruína e exilados, queimando transformações, arquivando horrores. O mapa do medo planeja a expansão das ordens opressoras.

Não sei definir o que sobra para o historiador contar. Insisto que  ele está no meio de situações confusas e, muitas vezes, não percebe as repetições. Busca ajuda dos poetas, inutilmente. Os acontecimentos ganham significados diferentes e podem reinterpretar sofrimento e vitória. O Carnaval se despede porém volta. Os mosquitos agitam e as doença anunciam novas epidemias. As operações policiais intimidam muita gente. As investigações assumem as páginas dos jornais. Não dá para jogar fora tanta incerteza e reformar os julgamentos. O abismo é escuro e consagra a fatalidade. Não possui localização definida. Os refugiados moram nas cidades, mendigam.

Sei que o historiador faz a leitura do mundo. Acompanha travessias. Alguns se chocam, outros garantem  que defendem a verdade. Como somos desiguais! As palavras descrevem ações, pertencem ao coletivo, não se livram dos abismos dos enganos. Não consigo abandonar a tristeza, quando avisto desmantelos profundo. Os humanos são incríveis e não desprezam as brincadeira. Há quem sinta solidões e amarguras. Padura não consegue se inserir nas idas e vindas dos sentimentos. O poder é instável. É importante  que se revele suas medidas. O homem que amava cachorros não se olhava no espelho. Morria, pensando em ser herói, vampiro condecorado. O homem ou os homens? O espelho ou os espelhos?

 

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