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A corrida para conquistar o Brasileirão: disparadas e decepções

A disputa , por ponto corridos, deu outra vida ao Brasileirão. Muita gente é contra, mas as partidas são mais valorizadas e a torcida se sente contemplada de forma mais justa. Recentemente, tivemos uma parada, na competição, que trouxe expectativas. Clubes que estavam, lá atrás, se acederam com a possibilidade de novas contratações e construir a reviravolta.

Falta muito para a decisão. O Fluminense, porém, deu uma disparada boa. Formou um elenco respeitável, conta com a liderança de Muricy e segue equilibrado nas suas atuações. Distanciou-se até do segundo lugar, deixando os corintianos chateados. Eles perderam para o Avaí, apesar da luta nos minutos finais e ajudaram o Flu a se fixar na liderança.

Há equipes que estão afastadas, dos primeiros, e surpreendem pelo futebol de baixo nível. Um exemplo é o Grêmio. Talvez, Renato possa levantar a esperança, com seu discurso do afeto e do compromisso. Ganhou do Goiás que também se encontra numa situação difícil. Leão que o diga. Junto, com o Atlético de Luxemburgo, buscam sair do naufrágio total.

Quem se animou, com as últimas vitórias, foi o Botafogo. Seu ataque é veloz, possui reservas motivados e pode chegar na ponta da tabela. O mesmo não ocorre com o Flamengo. Vive uma instabilidade incrível. Suas vitórias são sofridas e parece que esqueceu que foi campeão em 2009. Os escândalos mexeram com a alma do time da Gávea. Não é brincadeira.

O vaivém do futebol é veloz. O Santos pousava como a maravilha do mundo, deslumbrando e andando de sapato alto. No entanto, embriagou-se demais. Seus jogadores ficaram atônitos com tanto sucesso. Manobram para jogar na Europa. É um sonho avassalador. Controlar os meninos da Vila é tarefa ingrata e educativa.

Os desencontros merecem especial escuta. Felipão voltou, falando grosso, como redentor do Palmeiras. Prometia diluir o presente, tão cheio de derrotas, e crescer retomando as glórias do passado. Não aconteceu como esperava. Precisa de um elenco mais hábil. Reconhece as dificuldades, mas se mostra irritado.

Cada um com suas tormentas. O São Paulo tem feitiço, pois não deslancha. Iniciou, domingo passado, marcando gol contra o Cruzeiro. Não sustentou o placar. Para seu consolo deu empate de 2×2. Para onde vai o tricolor depois de tantos investimentos? Que bruxa anda pelo Morumbi?

A grande surpresa é o Avaí. Não se atemoriza com os chamados grandes e faz  a festa. O Ceará estava numa boa jornada, mas se contamina, negativamente, com a ausência de um time, com elenco consistente, e as mudanças de técnico. Os clubes impacientam-se diante de qualquer fracasso. Querem milagres e culpam os treinadores. Uma história repetitiva e um grave sinal de incompetência.

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Os ídolos buscam espaços e a redenção na vitória

A situação do Santa Cruz não agrada a ninguém. Mesmo seus opositores pernambucanos ficam na torcida, para reverter os resultados. Há quase um desespero. O Náutico segue fazendo uma boa campanha e o Sport busca retomar os tempos de glórias. Podem representar o futebol da terra, com mais fôlego e dignidade.

No meio dos sofrimentos tricolores, alguns jogadores resolveram balançar o contexto e reforçar as promessas de vitória. Brasão, muito querido pela torcida, é esperto. Distribuiu ingressos, falou da sua paixão pelo time e comoveu muitos. Além disso, ganhou um espaço na mídia nacional. Foi notícia durante dias. Quem não conhece Brasão e suas ideias?

Não deixa de ser interessante toda essa movimentação. Traz novidades, consegue emoções e coloca fogo no noticiário da imprensa. Está presente, no cotidiano do futebol, a existência de ídolos. Eles são estímulos para aumentar o público dos estádios. Criam, também, uma quebra na frieza do profissionalismo.

No mercado da bola, os jogadores mudam de clubes com uma rapidez incrível. Terminam conhecendo lugares do mundo, nunca imaginados por eles. Passam anos, em países ricos, buscando juntar dinheiro para assegurar um futuro tranquilo. Nem se tocam para outras dificuldades. A grana tem uma atração indiscutível.

Convivem com diferenças nos costumes, idiomas, regras, religiões que cercam suas vidas, mas não se intimidam. Muitos voltam, para o Brasil, só para curtir as férias e contar vantagens. É claro que o êxito não é geral. Há obstáculos, desmantelos, decepções. Mas a esperança faz o coração se agitar e enfrentar as tormentas.

A odisséia de Brasão não é tão espetacular. Não estamos nos referindo a um craque consagrado e celebrado pelos euros feiticeiros. Fez sua fama, como era possível, e não se  acanha com os limites. Viu a chance de alargar seu prestígio. O Santa é um clube popular. Sua torcida, em grande parte, carece do básico para morar, divertir-se, comer…

A vitória do Santa, na partida do domingo, trouxe uma renovação nos ares, arrancou a pesada caveira de burro que atrasava a redenção do time. A cobrinha precisava fumar, como dizem os mais antigos. Brasão não errou na montagem da sua cartografia de ação. Ele é um dos goleadores da equipe, porém falhou na cobrança de um pênalti.

Com a vitória consolidada, o tricolor segue com cores vivas para reta da decisão. O Confiança não se deu bem contra o CSA. O Santa Cruz fica mais solto. No próximo domingo, voltará a novela. É preciso não relaxar e concretizar a ascensão. Chega de alimentar o azar e a tristeza. Que o sol permaneça firme, iluminando, sobretudo, os atacantes corais ! É muito gol perdido.

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A grana cara-pálida: o assédio, o Chelsea e Neymar

Os escândalos sexuais dominavam as páginas de jornais especializados em movimentar fofocas. Nomes de artistas, princesas, reis, políticos famosos faziam o delírio do noticiário. O assédio tinha outros tons e objetivos. O corpo era o alvo. A nudez ganhava espaço em imagens clandestinas e comentadas até a exaustão.

Mas os tempos mudam. A grana  prossegue  nas mãos de uma minoria. Vive-se um império dissimulado em eleições democráticas, onde a propaganda possui lugar de destaque. O mundo gira em torno de patrocínios, de charmes programados, de discursos da euforia vazia, de poderosos como Abramovich, dono do Chelsea. O futebol não está ausente da agitação geral.

O mercado não cessa de procurar bons negócios. Com a riqueza concentrada, a pobreza ainda globalizada, o valor de troca expande-se sem medida. O jogador de futebol vale milhões, quando se visualiza sua excelência na condução da bola e sua capacidade de ser diferente. Não importa a sua idade. Os euros não têm preconceitos. O assédio faz parte do negócio.

Tornou-se um grande investimento adquirir os direitos sobre um craque. Há interesses que se associam para aprofundar a circulação das mercadorias. As pessoas são configuradas em dinheiro e fascinadas pela oportunidade de construir fortunas. O apelo é sedutor. No mundo do capital, quem não quer uma mansão, um carro esportivo vermelho, uma cobertura no edifício mais badalado ?

Os desejos não sossegam. O Santos passa por momentos exemplares. Revelou vários jogadores que merecem elogios e exibem arte valiosa. Os milhões parecem sedentos, pressionando para não perder as chances. Os clubes de futebol ricos são comandados por indivíduos prestigiados, pela facilidade com que promovem a circulação da grana. Não se questionam, com profundidade, as origens de tanta especulação. 

Hoje, Neymar vive a situação de avistar um oceano de moedas, na sua frente, e ser cercado por negociadores com argumentos espertos . Deve ficar com o ego repleto de sonhos. Nem pensa que, um dia, a fonte pode secar, que  nem tudo é para sempre. A pouca experiência de vida estimula, mais ainda, a fantasia.

A navegação é longa, porque Neymar representa, apenas, um segundo dessa quase eternidade especulativa. A sociedade montou-se para fabricar máquinas e transformar as pessoas em máquinas. O sentimento atrapalha, a trilha da objetividade acena com sucesso e conforto. Mesmo em plena adolescência, a fama firma-se e invade territórios.

As mansões e os iates esperam os afortunados. Depois de poucos anos, a acumulação de bens se concretiza. Se não houver desperdício ou descontrole emocional, só resta estabelecer-se como ídolo festejado nos recantos da aldeia global.

A reflexão fica para outras ocasiões. O paraíso é uma celebração, não existe para todos. É melhor sentir-se um escolhido. O futuro está distante e talvez nem aconteça. O assédio é feito para desfazer todas as resistências. O olhar crítico morre diante da força do cara-pálida.

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O futebol e o vazio da fama: as queixas de Andrade

O homem é um animal social. A sociabilidade exige ritos, ordens, regras, festas, afetividades. Viver é conviver, já disse o poeta Drummond. Não longe dos conflitos, da troca de favores, dos prazeres extasiantes, das antipatias mal resolvidas. Perdemos. Ganhamos. As mudanças nem acontecem como queremos.

O capitalismo acirra as disputas e incentiva a competição. Há um individualismo marcante nos desejos da contemporaneidade. A necessidade de exibir-se faz parte frequente do cotidiano. Não se cultiva a solidariedade, mas a desigualdade e os sonhos materiais.

Discussões existem, com os mais variados e estranhos argumentos, sobre os amores e os desequilíbrios da humanidade. Isso não basta. Aumentam as incertezas e consolidam a incompletude. No entanto, a complexidade do social não é sinal de redenção, nem de um desespero sem fim.

O  inesperado nos ajuda a conviver com a invenção. É importante não sermos parceiros da superficialidade. A mesmice  impera, atrai, inferniza. As contradições são muitas, em todos os lugares, na tristeza e na alegria.

Interessam-me as opiniões das pessoas e os registros das histórias. Nesta semana, assisti a um programa de esportes, apresentando uma entrevista que me deixou perplexo. A figura, em foco, era Andrade, ex-técnico e jogador do Flamengo. Fiquei concentrado na sua fala de lamentações. As razões eram muitas. Não parecia irritado, mas preocupado.

Ele não entendia certas dificuldades que estava atravessando. O tom era dramático. Conseguiu ser campeão brasileiro,  articulou o controvertido elenco do Flamengo e, agora, enfrentava o ostracismo. Queria voltar a trabalhar, mas não encontrava onde. Caminho sem volta?

Os desencontros de Andrade fazem parte do mundo do  futebol. A fama é fugaz, ilude. Seu feito não o consagrou como planejava. Dirigiu uma equipe cheia de intrigas e ciúmes. Lá estavam Bruno, Vagner Love, Adriano e tantos outros. O sucesso foi visível, sua habilidade impressionante. Tudo passou, porém, com uma velocidade incrível.

Andrade é uma pessoa simples, não mostra arrogância e, sim, vontade de continuar sua carreira. Jogou muito futebol, junto com outros craques do passado. Está ligado ao clube da Gávea e aberto a retornar às jornadas anteriores. Encontra-se isolado.

Percebe-se o vazio que o angustia. É vítima dos êxitos, sem profundidade, tão comuns no futebol. Não é um exemplo raro. Ele tem coragem de denunciar e se expor. Muitos se escondem ou morrem de vergonha. São escravos da fama e embriagam-se com o perfume das manchetes.

Não compreendem a dimensão ilusória que encobre tanto as astúcias do mundo dos interesses. Quem não se entrega aos seus dramas? A convivência possui múltiplos ritmos. Um bom maestro a conduz com harmonia. Escapa das dissonâncias e busca sons impossíveis, com as cores das borboletas soltas num jardim de rosas vermelhas.

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O cotidiano do futebol e a fogueira das vaidades: o mercado cruel

As brilhantes vitórias do Brasil e do Internacional animam as expectativas de quem gosta de um futebol com técnica e sagacidade. Mas o mundo gira. As notícias são muitas e não podemos ficar nas comemorações. O fazer cotidiano nos alerta. O tempo come a vida, como disse Baudelaire.

Em Pernambuco, as disputas políticas ganham espaço. Não falo das eleições para governador. Estou destacando as relações conflitantes que habitam o cotidiano do Leão da Ilha. Querem derrubar o seu presidente. Além dos problemas com jogadores, alguns conselheiros do clube colocam mais lenha na fogueira.

É muita coisa. Cerezo saiu, no meio de versões diferentes e confusas. Chega Geninho, para melhorar a situação. Consegue um boa vitória e empolga a torcida. O Sport contrata Marcelinho Paraíba, com celebrações e discursos de alegria. Há ruídos no elenco, ciumeiras e notícias sobre as andanças de Eduardo Ramos. Está difícil segurar a estabilidade.

No futebol, não faltam boatos e vaidades soltas. O Náutico não foge do contexto. Seu técnico, Gallo, não se entende com a imprensa. Sente-se ofendido, com as perguntas, e exige respeito. A imprensa tem suas falhas, mas precisa de movimento, não pode silenciar diante dos problemas.

E o tricolor do Arruda? Deseja livrar-se do sufoco. Cada semana é uma aventura. Rezas, treinos, entrevistas otimistas, falatórios de Brasão, tristeza da torcida. O Santa Cruz necessita de uma vitória que derrube as desconfianças. No próximo domingo, uma goleada, sobre o Potiguar, seria ótima, para salvar a esperança.

Se o Santa fracassar, mais uma vez, não há como convencer seus admiradores a construir qualquer recuperação. Todo ano a conversa se repete. Chegam jogadores de toda parte, prometendo aliviar a angústia de permanecer na série D. A torcida vai ao estádio com garra, bandeiras e sonhos.Paciência tem limite.

Os times precisam mudar suas estratégias. Investir nas divisões de base. Formar craques, no sentido amplo do termo. Há uma mercado perigoso, dominado por empresários com interesses bem definidos. Querem grana, rapidez nas negociações. O caso dos meninos da Vila é um exemplo.São muitos euros que atiçam Neymar e Ganso.

Como mantê-los diante de tanta fortuna? A instabilidade é grande. Os times organizam-se, revelam jogadores, mas terminam se desmanchando, devido ao assédio do mercado. O Brasil é uma exportador de jogadores, não só de café e açúcar. Os tempos são outros. No capitalismo, tudo é mercadoria. A escravidão veste seus disfarces, sem puniçõe, com ajuda de poderosos.

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O feitiço da Libertadores e a virada do Internacional

Na Libertadores, há feitiço que atormenta os clubes brasileiros. Quem conhece bem essa história é o São Paulo. Não deixou de ganhar seus títulos, mas todo ano se prepara de maneira especial para ser campeão. Contrata craques famosos, reformula o elenco, movimenta sua torcida e não consegue seguir adiante, como projetava.

Sua moradia cavilosa foi a semifinal. Dessa vez, perdeu a vaga para o Internacional. O pior é que, às vezes, cai fora por detalhes. Fica a crise, as lamentações são imensas e  aposta  na disputa do Brasileirão. O tricolor do Morumbi precisa refazer seus planos, não permanecer tão focado numa só competição.

A Copa Libertadores começou em 1960. Hoje, tem o patrocínio milionário do Banco Santander. O vencedor é contemplado com prêmio que compensa os investimentos. Além disso, valoriza-se  e vai em busca do título do Mundial. Quem levou a última Copa foi o Estudiantes, numa disputa em que o Cruzeiro aparecia como favorito.

A  final de 2010 traz o duelo entre o Internacional e o Chivas Guadalajara. Esperava-se que a Universidad do Chile estivesse  na ponta, mas surpresas são comuns,  nesses confrontos, e uma parte da crônica esportiva falhou nos prognósticos. Estamos, sempre, esquecendo que o futebol é  jogo.

O Internacional já  foi campeão uma vez. Esquematizou-se para rever o título e tem um time articulado, com opções para fazer sucesso e alargar sua fama. Pretende terminar o ano consagrado, aumentar seu número de sócios e dá exemplo de ser, praticamente, uma empresa. Não sacode dinheiro fora à toa.

Os argentinos se dão bem na Libertadores. O Independientes possui, por exemplo, sete conquistas. Aparecem e incomodam os clubes brasileiros. Nesse ano, houve quarenta participantes.  Os portenhos não despontaram. Quem se firmou foi o México. Com o interesse das grandes empresas, a Libertadores tornou-se valiosa e ambicionada.

A primeira partida é emoção pura, porque define certas expectativas. Quem a vence, garante conforto, às vezes, efêmero, para a segunda. O Internacional foi brilhante. Não se intimidou. Repetiu um futebol que prestigia o ataque, mas terminou perdendo a fase inicial por 1×0.

Não desanimou. Seu time era muito superior ao Chivas. A vitória, merecida, aconteceu. Com tentos de Giuliano e Bolívar, a virada dos gaúchos mostrou que tinha bons valores e técnica para assegurar a sua superioridade. O título está próximo. O importante é evitar hesitações e não achar que tudo se resolveu. O Chivas é perigoso.

As atuações da seleção, na terça-feira, e do Internacional, ontem, são bons sinais. Fica evidente que se pode ganhar com excelência nos passes e malabarismos inteligentes. Nada da truculência e da falta de criatividade, como saída para alcançar os títulos. A beleza tem feitiço maior, seduz até os adversários e  o gol é o caminho da redenção.

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A política, o futebol e o Superman: os entrelaçamentos

O ano de 2010 foi anunciado com muitas ansiedades. Era o ano da Copa de 2010 e das eleições para presidente do Brasil, só para lembrar algumas coisas. Lula continuava sua trajetória, mas as mudanças estavam por suceder. Restava esperar e a vida prometia, com suas andanças múltiplas.

Veio a Copa. A seleção manteve-se nas mãos de Dunga. Poucas surpresas na convocação. Brigas, teimosias, decepções. A equipe brasileira não chegou perto do título. Configuram-se transformações. Nada de querer o imediato. O planejamento se estrutura, longe das contradições anteriores, mas a seleção já ganhou o primeiro jogo, causando boa imprensão.

A perda da Copa mexe, sempre, com o público que gosta de futebol. Mas o Brasileirão traz outras histórias. Termina o passado sendo repensado. Teremos que nos preparar para 2014. A conquista não saiu da agenda e não desaprendemos a jogar.

O futebol está aprisionado pelas artimanhas do capitalismo. Tornou-se um investimento de muitos milhões. Os clubes ficam, sem campo de ação, para cuidar de seus elencos. Acabam sendo atiçados pelo mercado. Há jogadores que seguem, ainda, adolescentes para fazer sua formação na Europa.

Com todas as dificuldades, surgem novos craques e a emoção não desaparece. O futebol possui um espaço destacado na cultura, por isso deve ser melhor cuidado. Há os que o consideram uma alienação que distorce os fazeres da cidadania. Não podemos silenciar os insatisfeitos. Vale o debate.

A política e o futebol dialogam. Muitos clubes faliram por serem mal dirigidos. Houve interesses claros de fazê-los uma fábrica de votos. O clientelismo desmancha a autonomia das pessoas. Nos anos eleitorais, a  política não se cansa de fazer menção ao futebol e atrair seus seguidores.

Exemplos desfilam por aí. Romário tenta sua vaga na política partidária. Ninguém desconfia da sua popularidade. Será que vai realizar o seu sonho? Pode ser, porém as eleições são também um jogo. A zebra corre solta nos seus territórios.

Problemas sérios afetam a maioria da população. Ela se diverte, trabalha, protege suas famílias, sofre com os desajustes das gestões públicas. A situação poderia ser outra, se mais investimentos garantissem educação e saúde, com qualidade.

O voto é disputado. Os candidatos não se afastam das promessas. O atual presidente goza de prestígio, sem igual, junto aos cidadãos. Cabe lutar para que a política ganhe força e anime o país. A lucidez e compromisso compõem esta luta.

Não é tarefa para nenhum Superman modificar o cotidiano das desigualdades. A solidariedade firma os entrelaçamentos das virtudes. A vida não se resume às aventuras dos ídolos fabulosos. A política cresce, quando dá resposta à vontade coletiva e refaz a dignidade  social.

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A seleção recomeça: novas estrelas, novas luzes

Mano Menezes inicia seu trabalho com um jogo nos Estados Unidos. Escalou uma equipe jovem, diferente do time de Dunga. Criam-se expectativas, mas é preciso paciência. Não vamos desejar sucesso rápido e estrelas brilhando já no começo dessa trajetória.

As mudanças são saudáveis. Não dava para manter aqueles compromissos anteriores, aquela teimosia negativa e a ausência de diálogo com os torcedores. A seleção é nacional, tem seu técnico titular, porém não é propriedade privada de ninguém. Não custa ouvir e debater, sem histerismo.

Os famosos meninos da Vila terão sua oportunidade. É uma travessia. Lá, estão Neymar e Ganso buscando êxito. Não podemos esquecer que Robinho foi convocado. Um trio que, jogando com responsabilidade, trará bons resultados. Essa é a nossa torcida.

Mano procura assegurar a calma e não encher a imprensa de promessas. Sabe do labirinto que está metido. Há saídas, com cuidado e com empenho. Não falta elenco. As opções não são poucas. A questão é evitar os endeusamentos, consagrar a medida do equilíbrio.

No futebol, aparecem brihos imediatos, horizontes luminosos, mas também desmantelos inesperados e fracassos obscuros. As armadilhas são muitas, pois as intrigas atrapalham e tumultuam. Infelizmente, muita gente fica do lado da negatividade, maldizendo qualquer atropelo. Por isso, o cargo de Mano é cheio de sinuosidades.

A inveja contamina esperanças e provoca polêmicas vazias. Há aqueles que negam os méritos da seleção, só para compensar a sua vaidade mal resolvida. Fazem parte dos ofícios humanos, as lutas, as glórias, os azares e os desamores.

A seleção sonhada deve partir para o ataque, tratar a bola com carinho e não se esquecer das artes do futebol. Encher o campo de passes laterais, de apatias, de jogadas defensivas, não é o desejo que nos alimenta. Há lembranças de times fabulosos, com o feitiço da alegria.

Não vamos repetir aquelas táticas que se desenharam nos traços do  pragmatismo e da força física. A luz coletiva traz  a descoberta de novas trilhas. Experimentá-las é melhor do que reviver a Copa de 2010. Mas é, sempre, precioso recordar que luz, em excesso, cega.

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Os tricolores balançam-se nos trapézios, mas nem tudo é festa.

Hoje, é dia de falar dos tricolores. Não de todos, pois seria impossível. Mas há algo em comum, para animar o texto. São três tricolores, veja que sinfonia vocabular. Escolhi o Fluminense, o São Paulo e o Santa Cruz.

Cada um vivendo fases diferentes, lutando em campeonatos decisivos, querendo encontrar a boa sorte no domingo, 8 de agosto. Todos em busca de reafirmar posições e  abrir trilhas vitoriosas. Eles sabem os perigos que correm num mundo de tantas cores e de tantas formas.

O Fluminense organiza-se para conquistar o título do brasileiro. Está com Muricy no comando e tem feito contratações para fortalecer o elenco. Não dorme em berço esplêndido, deseja muito mais. Apresenta-se com disposição, sem igual, e sonha com suas tradições mais sedutoras.

O São Paulo não cumpriu as promessas tão divulgadas pelos seus dirigentes. O time naufragou, de forma melancólica, nas semifinais da Libertadores. Houve choro, Ricardo Gomes saiu e se  desenha uma reviravolta. Agora, o olhar se lança para outros espelhos. Não falta elenco.

O Santa Cruz tem, nos úlitmos anos, uma história de fracassos frequentes. Possui uma torcida apaixonada, renasce das cinzas, porém não derruba a parede do insucesso. Quando se julga salvo, voltam as quedas e as decepções. Amarga as dificuldades da série D e sofre com as gozações dos adversários.

Nas trilhas das disputas, o empenho do Fluminense se manteve. Pegou um adversário difícil, o Grêmio, e ganhou. Está na liderança do campeonato, perseguido pelo Corinthians. O tricolor do Rio tem enfrentado bem os jogos fora de casa. Isso é um bom sinal. Muricy mostra seu trabalho, depois da passagem negativa no Palmeiras.

O Santa Cruz não saiu do empate. Começou fazendo um gol, acedendo o fogo de uma disparada na classificação, mas, no segundo tempo, o Confiança empatou. Não fugiu, portanto, dos seus desequilíbrios. Nem tudo é desespero. Ficam mais dúvidas e expectativas. A cobra coral não escapou das tensões.

O São Paulo tinha uma partida fora do seu estádio. Era fundamental uma vitória , para espantar os desacertos do passado  recente. Mais uma vez, o time não superou suas dificuldades. Tomou um sufoco do Atlético do Paraná. Rogério fez defesas magistrais. Garantiu o 1×1.

 O resultado se tornou uma dádiva. Diminuiu um pouco  a pressão, porém a  ausência de confiança no tricolor do Morumbi, antes tão festejado,  continua atormentando a torcida. A paciência é uma necessidade no futebol. Há certos mistérios e incômodos, mas tudo passa.

Não foi um domingo muito feliz. Apenas, o Fluminense honrou as três cores. Está na ponta da tabela, pelos menos por um tempo. O espetáculo prossegue. Quem sabe o cenário mude e os tricolores tristes animem-se diante de outras possibilidades ? O jogo e o circo são diversões. Nelas, há lugar para encantos e frustrações.

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O futebol em Pernambuco: sobra rivalidade, falta dinheiro

A coisa não está fácil. Anúncios de atrasos salariais ocuparam a imprensa e causaram polêmicas pouco esclarecidas. O treinador do Náutico foi áspero na sua entrevista e  Givanildo, do Santa, mostrava-se perplexo com as dificuldades encontradas. Há complicações que perturbam o desempenho dos times em campo.

O Sport busca melhorar seu elenco, porém não consegue realizar suas contratações desejadas. Ninguém sabe direito o que está acontecendo e aparecem jogadores vindos dos mais diferentes lugares. As torcidas permanecem desconfiadas e insatisfeitas com o desempenho das equipes.

As rivalidades não diminuem e dão fogo às partidas. O Santa movimenta muita gente, apesar das frustrações constantes. A falta de planejamento se faz presente na organização do investimento. Não se sente firmeza nas escolhas dos contratados, pois não há garantia financeira. Todos vivem um risco mal calculado. A instabilidade é permanente.

O timbu e  o leão enfrentaram-se ontem. Havia muitas dúvidas sobre o resultado. O Náutico encontra-se numa situação mais tranquila, mas não há esperança de que o privilégio esteja garantido. O clássico tem, sempre, a marca da disputa indefinida.

Acontecem desfechos que surpreendem.As equipes atuais oscilam e desfilam na corda bamba. Continua a ausência de craques, de jogadas inesperadas. Há a velocidade, o empenho de alguns jogadores mais motivados. Há também a apatia de outros que desamina os otimistas. Os ídolos estão de férias.

O Náutico foi mais ativo, atuou procurando o gol,  no clássico de um sábado chuvoso.O jogo terminou empatado. O Sport teve sorte. O leão sofreu com a expulsão de  um jogador e lutou para evitar mais uma derrota. Vamos ver o que sucederá  na sequência dos encontros restantes.

Será que o Náutico se firmará na frente da tabela ?  O leão voltará a rugir? No futebol, as decisões são acompanhadas pelas armadilhas do tempo. O empate de 1×1 deixou mais dúvidas para curtir, num domingo de agosto, longe daqueles dias quentes do verão, mas com o sol dando o ar de sua graça.

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