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A série B em questão: as ameaças e as tensões constantes

Mitificar a elite, esconde e minimiza dificuldades. O futebol está em toda parte. As disputas se acirram, quando as classificações ameaçam o rebaixamento. Cair para série C é um desastre incomensurável. Vejam o caso do tricolor do Arruda. Enfrenta batalhas contínuas. Os outros clubes de Pernambuco ficam de olho, com medo que a epidemia se alastre.

O  impressionante é a trilha do Náutico. Como se cultiva a instabilidade no timbu! Dispara no início, faz partidas elogiadas. Dá a impressão de que o sucesso está garantido. De repente, se desmantela. O descrédito desmonta as esperanças anteriores. A perplexidade altera vaidades e humores.

Ocorrem contusões em jogadores importantes. Contratações são desanimadoras. Intrigas internas transparecerem e as estratégias de Gallo não superam as decepções contínuas. Fala-se na vinda de outro treinador, como se fosse a saída indiscutível. Surgem  boatos de dispensas.  Nem toda torcida não suporta explicações. Quer resultados. Agita-se.

A questão dos salários repercute.  As versões são muitas, para problemas permanentes. O timbu ressuscita adversários que estavam em situação precária. Seus artilheiros se machucam com facilidade.  O ataque frágil sobrecarrega a defesa. Mais ainda: as expulsões, os cartões amarelos, o desencontro de informações. Uma tempestade se anuncia em pleno final de inverno.

O campeonato não está terminando. Mas pode se formar uma energia negativa que precisa ser expurgda. O Figueirense está aí segurando a posição de líder. Perdia de 2×0, não esmoreceu e consolidou um empate. A Ponte abriu espaço para a vitória. Avança, depois de um início desanimador. O Duque de Caxias ensaia uma reação. Não se intimidou com o São Caetano. Conquistou mais uma vitória.

A reação desses times é uma ameça, para os que  se sentem em desarrumação. A Portuguesa vacila, lembra o Náutico,  em alguns momentos. Tem desencontrado-se na hora do pique decisivo.  O Coritiba mantém sua subida. Sacudiu três gols no ICASA. Está em segundo lugar, na frente da Ponte e do Bahia.

O Sport busca modificar-se. Geninho trouxe boa vontade. Sua experiência é valiosa. Venceu o América de Minas por 1×0. Não estabeleceu, ainda, uma trilha tranquila, como prometeu. No sábado, Sport empatou, depois de estar ganhando de 2×0. Acumulou mais uma frustração. As impaciências se somam.

Essas oscilações tiram a confiança. Os clubes pensam no imediato. Aprisionam-se nas promessas de empresários. Desprezam os jogadores feitos em casa. Não se tocam, com o exemplo do Santos. Preferem arriscar, trazendo desconhecidos ou desmotivados. Todos sonham em se agregar, magicamente, à famosa elite. Não é tão maravilhosa assim. Possuem suas contradições, pouco efêmeras.

Nada de um trabalho mais profundo, pacientemente tecido. Os times de sucesso de Pernambuco foram feitos com valores da base.Quem não se recorda do hexa do Náutico ou do penta do Santa?  No momento, Ciro tem posição de destaque na artilharia. Os exemplos são muitos, porém o mundo do pragmantismo contamina e corrói. Os dirigentes atropelam-se numa bola que nunca será de cristal. Resta, para eles, o consolo de usar manobras, fortalecendo o clientelismo.

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A bola de plástico e a lama: o jogo é de todos?

Tudo se entrelaça? Parece . Nada está solto no ar. Há uma comunicação múltipla que prestigia o cosmo. No cotidiano, desenham-se vestígios. A sociedade tem conflitos, ternuras,violências, paixões e desacertos. Nem tudo merece lixo, nem tudo é luxo. Mesmo que a aldeia global fale a linguagem forte do consumo, podemos refletir sobre muita coisa. Ainda…

O futebol traz complexidades. Ela se entretece com a vida cultural. Mexe com tudo. Assanha emoções, agita investimentos, promove diversões. Não precisa ir aos estádios. O  jogo é onipresente. Há espaços, para ele , em toda cidade. Até nos corredores dos prédios, o barulho da bola é identificado. Assusta os mais tensos. Como em um pequeno lugar pode existir tanta vibração?

O lúdico possui suas atrações. Desperdiçá-las é despertencer ao humano. Ando pelas ruas e vejo as crianças brincando. Os carros passam com suas buzinas ameaçadoras. Querem tomar conta de tudo. A bola circula, apesar dos perigos. A esfera tem poderes que a própria razão desconhece. Sua geometria é mágica. Pode ser plástico ou couro, Nike ou Adidas.

E aquelas famosas bolas de meia, de linha, as caixas de papelão ? Qualquer objeto redondo distrai. Faz o tempo vadiar. A geometria se desinventa e uma cartografia astuciosa ensina a ousadia à imaginação. O movimento é o que fascina, como o abraço sensual de dançarinos de tango. O ritmo desinforma os mais sérios.

As cidades se encheram de gente e de construções. Muito cimento armado, vidros, elevadores panorâmicos. As suas ruínas ficam escondidas, para que haja a exaltação ao esplendor. A ordem não consegue, porém, derrubar todas as transgressões. A convivência com o futebol alimenta disciplinas, mas também rebeldias.

As torcidas mostram as contradições. Multidões, gritos, discórdias, batucadas, solidariedades. As ambiguidades são instituintes. Não significam a consagração do caos. O capitalismo as incentiva. Ele sobrevive como pode.  Seus infernos e paraísos não possuem fronteiras nítidas. Os seus anjos não se olham no espelho.

No mundo, todos jogam. Há uns de sorte majestosa. Evitam encruzilhadas. Enfrentam desafios. Contemplam  mitos da sorte. Outros não encaram riscos. Sentem-se desconfortáveis. Lastimam. Confundem azar com falta de sensibilidade.  Submersos na  mediocridade, só suportam  a manchete mínima da página de jornal.  Desconhecem que o gol é o jogo no seu agora divino.

As desigualdades dão resistência aos desmantelos da exploração. Muitos não ligam. Desfazem as cores ou as profecias da derrota. O que é legítimo é a luta. Já vi reviravoltas inconcebíveis. Na vida e no jogo, há moradia de linhas estranhas e  quartos sombrios . Se há a exaltação para o primeiro, há os que, também, se contentam em competir.

A lama suja os pés, o plástico arranha a pele, a dor revela e aquieta abandonos. Os ruídos desadormecem  preguiças. A guerra se estende pelas urbes. Sutis ou agressivas. São astúcias do animal homem. Nas avenidas, se mascaram os rostos com as pinturas da barbárie. Na travessia da palavras, encomenda-se o amém da oração profana, no perdão do ponto final. O vencedor é o dono do jogo ou o artesão da bola?

 

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O jogo das contratações: as desigualdades e os azares

 

Não há espaço homogêneo, onde a igualdade se definisse como a maior bandeira. As disputas estão, sempre, presentes. A solidariedade é rara, mas existe , evitando que a sociedade se demorone de vez. A competição atinge todas as relações, sobretudo quando se busca a vitrine e o sucesso. Está tudo dominado por um individualismo atuante e sedento.

No futebol, o mercado da bola não cessa de movimentar-se. Depois das polêmicas sobre a transferência de Neymar, continua o jogo das contratações e das dispensas. O Santos marcou um tento, garantindo sua estrela, contudo muita coisa rola. Os técnicos são alvos prediletos do vaivém. Leão caiu fora do Goiás. Seu trabalho fracassou. Mais um supense, sem muito espanto.

Cultivemos a proximidade. O Sport busca renovar seu time. Quer subir de posição. Trouxe Geninho e Marcelinho Paraíba, para firmar um ânimo mais consistente. No entanto, nem tudo está resolvido. Há carências, o time não ganha o lugar que a torcida quer. Nas mudanças, outros partem. Lá se foram Eduardo Ramos, Leandrão e Pedro Júnior. Reclamações esquentam o ambiente. O dinheiro se esvai, sem retorno.

O Santa Cruz, por sua vez, sente a fraqueza do elenco e teme fracassar na série D. Suas dificuldades são visíveis. Tentou contratar aqueles que saíram do Sport. Nada feito. O tricolor não tem caixa alta. Se perder as próximas partidas encerra, precocemente, seu ano de atividades. Os jogadores desconfiam da situação precária. Preferem não arriscar. O desemprego mete medo em todos.

As diferenças entre os clubes são notáveis.  Não há paraíso. Não se pode, porém, comparar a força do futebol paulista, com os poderes financeiros do futebol pernambucano. A luta é árdua. Salários atrasados, dirigentes reclamando, treinadores exigindo reforços. O jogo clama por resultados positivos. Quando as derrotas se sucedem, a desmontagem avança, sem perdão.

Os clubes não são empresas tradicionais. Mesmo os mais conhecidos passam por atropelos. Vejam o que acontece, agora, com o São Paulo e  o Atlético de Minas Gerais. A fama reverte contextos, mas traz problemas. Ronaldo sofre críticas pela demora em voltar à forma pretendida.  A cobrança é imediata. Isso faz gerar controvérsias e mágoas. Ele reclama da pressa. Exalta seu passado.

A coisificação é algo inegável. O mercado não é só o da bola. Ele é astucioso e gigantesco. Desfaz fronteiras. Penetra nas nossas moradias, manda emails cativantes, explora as descobertas com patrocínios milionários. A massificação é galopante. Há quem se choque com a insistência do consumo. No mundo da desigualdade visível, o dinheiro serve de instrumento para ascensões sociais.

 As fortunas repentinas são, muitas vezes, a porta aberta para deconforto inesperado. Os exemplos se multiplicam. Nem todos se tocam. Não é estranho, portanto, que os trabalhadores da bola se intimidem. Não querem o deserto, mas um boa sombra para assegurar o futuro. Tornam-se migrantes forçados a mudar de ares, quando nem começaram a respirar.

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Os resultados do Brasileirão: profecias sem juízo final

 

A torcida do Fluminense vive empolgada com a trajetória do seu time. O comando de Muricy está surtindo efeito. O time organiza-se, com poucas vacilações. Está na liderança. Seu treinador mudou a forma de encarar as estratégias. Não só cruzamento para área, mas também articulações nos passes e ataques rápidos. Ontem, empatou com o São Paulo.

Alguns times continuam passando uma fase assombrosa. O Goiás, o Grêmio e o Atlético Mineiro estão na berlinda. A tensão é grande. A vitória não aparece. O Palmeiras virou em cima do Galo. O Verdão fez dois gols e Scolari salvou-se.  Mais uma vez, a torcida do time de Luxemburgo saiu aborrecida, sem entender a razão de tanto desgoverno.

Ronaldo voltou e sua equipe se firmou perto da ponta da tabela. Não é o primeiro, porém se encontra em segundo lugar, com 34 pontos. Pelo menos não é vítima da instabilidade de outros, como o Cruzeiro que não segura o barco. Não dá a vibração de que poderá ser o campeão. Empatou com o Vasco. PC Gusmão criou uma fórmula defensiva, aparentemente, imbatível. Festeja sua invencibilidade. Sorte ou competência?

O Internacional deixou o Botafogo, na saudade, e avança na tabela, depois do título da Libertadores. Está com 27 pontos, junto com o Santos que não deu moleza. Ganhou de 2×0 do Goiás. Quer ser o destaque de 2010. Sofreu  impacto com a contusão de Ganso. Não está, no entanto, atravessando a agonia do Flamengo. O Mengão contratou Silas e perdeu para o Guarani em Campinas, nos últimos minutos do jogo.

A vantagem do Fluminense e do Corinthians é alentadora. Num campeonato de pontos corridos, há, contudo, mudanças inesperadas. O São Paulo, que vive um inferno astral, já chegou em rodadas finais aprontando surpresas. As quedas acontecem, porque os clubes dependem de muita coisa. A corda é bamba e balança. Contusões, táticas de treinador, diálogos incertos entre dirigentes, finanças travadas tumultuam e revertem as esperanças.

A lembrança de que o futebol é um jogo compõe a metafísica. Por isso, não causa estranheza consagrá-la. O lúdico tem dimensões incontroláveis. Quem persegue o linear comete enganos ou se assusta com qualquer fantasma. Desconhece as tramas da  fantasia. A cultura  responde à incompletude, de formas variadas. O lúdico faz parte dela, com todo seu verniz de gratuidade.

Há muita estrada e muitas pedras no meio do caminho. Não custa especular, ser profeta. É divertido, perigoso. Já pensou se o Ceará retomar sua forma inicial ou o Avaí procurar festejar gols com frequência? E se o Cruzeiro abandonar as hesitações ou o Fogão entrosar, mais ainda, o seu ataque? O juízo final não tem data marcada, portanto o título do Brasileirão, da série A, permanece em disputa.

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O Brasileirão e a festa do gol: a animação de sempre

O gol salva, encanta, aquece. Como disse, Paulo Mendes Campos,  o gol é necessário. Quando uma partida se arrasta e surge um gol, quebra-se a monotonia. A torcida até esquece suas lamúrias. O gol bem trabalhado faz a festa e provoca comentários gerais, sem distinção de cores. Ele tem sua estética e faz do futebol também uma arte, com sua pecualiaridade sedutora.

A foto de Pelé, acima, é inesquecível. A posição do corpo e a precisão dos movimentos balançam qualquer olhar. Pelé gostava de surpreender. Não é, sem razão, que fez mais de mil gols . Parecia escolhido pelos deuses: um arcanjo para enfeitiçar os corações de quem admira o bom jogo.

Outros merecem citação: Sócrates, Didi, Leivinha, Vavá, Maradona, Amarildo, Quarentinha, Romário, Roberto Dinamite, Rivelino tinham uma paixão pelo gol sempre viva. Há uma enorme quantidade de amantes da bola e das suas celebrações mais duradouras. O espaço é curto. Ficam as lacunas, mas  as imagens estão na memória.

Lembro-me  dos muitos momentos de alegria que vivi no Arrudão e estádios pernambucanos. Quem pode apagar na recordação os piques de Ramon, os chutes de Bita, as cabeçadas de Nino, as faltas de Luciano, as astúcias de Djalma, a habilidade de Fernando Santana? Não havia retrancas que ressistisse à vontade de atacar, sem passes presos ou chutões para área. Valia o talento. O gol compunha o espetáculo, com toda sua elegância.

Trata-se de uma homenagem às aventuras vividas com prazer. O Brasileirão, série A, está chegando no eixo da sua trajetória. Os resultados, desse final de semana, apontarão certos caminhos. Mas o gol é o tema. Nada de deixar escapá-lo. Nos jogos disputados, até sábado, chega-se próximo dos  400 tentos. 

Faltam artilheiros que encantem com mais decisão. Os gols de Bruno César foram importantes para o Corinthians. Mostraram agilidade, bons passes, tabelas articuladas. Os chutes de Elias, do Timão, foram beijar a rede do combalido São Paulo, duas vezes. Notam-se rapidez, contra-ataques articulados, menos bolas recuadas. Tardelli, Roberto, Neymar, Washington, Wellington Paulista, Emerson são outros que seguem trilhas vitoriosas.

No passado, assistir a um jogo do Santos de Pelé, Coutinho e Pepe era quase uma garantia de que o placar não ficaria mudo. O Cruzeiro de Tostão e Dirceu Lopes tinha uma sutileza na armação de jogadas incrível. O Palmeiras de Ademir da Guia, o Flamengo de Zico, o São Paulo de Careca e o Botafogo de Garrincha formam uma pequena síntese de um futebol extasiante.

Não há como negar que todos desejam rever o ímpeto para o gol retomado de forma radical. A ausência dos craques maravilhosos de antes,  a grana feiticeira atrapalhando profissionais vacilantes e professores ensinando a não passar do meio-de-campo são fatos e ações que intimidam a leveza de inventar.

O futebol é uma diversão e não um lugar de tensões covardes. A emoção importa, mas o medo de perder quando se torna uma doença, destrói os espaços criativos da vida. A multidão gosta do momento precioso de ver a bola se dirigindo para o véu da noiva. Que ele se multiplique !

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Barcelona abraça Ronaldinho: o afeto não se esconde

O futebol não é disputa seca, onde a competição domina, amplamente,  e se faz soberana. Na  sua trama, há espaço para  afetos e contemplações. As violências, as misérias, as guerras  estão no mundo, mas não resumem as possibilidades humanas. A capacidade de inventar corre e desafia. A vibração do encanto não está, sempre, adormecida.

Como os belos quadros de Miró no universo da arte, Ronaldinho trouxe para o mundo do futebol deslumbramentos e seduções. Havia saudades de passes diferentes que enganassem os adversários, de faltas que mudassem a trajetória da bola com magia e da vontade de fazer gol fugindo do lugar comum. Quando ele surgiu tudo lembrava  um craque excepcional. A alegria atravessava  os corações de quem apreciava o futebol.

 Ainda muito jovem, nasceu em 1980,  desenha suas firulas, no esporte bretão, com a leveza de um Carlitos. Desfilava, em campo, como um dançarino, senhor de segredos e articulador de surpresas. Cedo saiu do Grêmio , não sem controvérsias. Seu objetivo era fugir da mesmice, conseguir espaço para ter fama internacional.

Prometia práticas diferentes. Não fazia parte das suas jogadas  a preguiça dos medíocres. Rumou para o Paris de Saint-Germain, em 2001, consagrado pela imprensa como uma revelação. Durante a Copa Libertadores de 1998, havia mostrado uma categoria especial. Deixou saudades em Porto Alegre.

O Grêmio não teve forças para segurá-lo, mas Luxemburgo o convocou para seleção, atitude mantida, por Felipão, para o Mundial de 2002.Na Copa, Ronaldinho não despontou como se esperava. O Brasil foi campeão, mas o talento do gaúcho não brilhou com intensidade. Transferiu-se, para o Barcelona, em 2003. Lá fez sucesso, ganhou títulos.

Eleito o melhor jogador do planeta, valorizou-se. A grana acumulou-se em suas mãos. A torcida o idolatrava, porém ele não permaneceu na forma que antes encantava. Vacilou. Muitos boatos sobre a sua vida particular circularam. O ambiente no Barça ficou pesado. Em 2008,Ronaldinho terminou indo para o Milan, em busca de novos tempos.

Na seleção brasileira, também desandou. Sofreu com isso. Dunga desconfiou do seu empenho. Não acompanhou o time que foi a África do Sul . As especulações se ampliaram. O que estava sucedendo? De onde vinha o descontrole? Ele voltaria para o Brasil? 

Resistiu  e não abandonou o Milan. A onda de instabilidade  não foi, porém, quebrada. Aquele sorriso , tão presente nos seus lábios, desapareceu. Não se configurava aquela soltura anterior. Tudo isso, não impediu os movimentos da memória. Numa partida recente, entre Barcelona e Milan, recebeu uma homenagem  admirável. Barcelona não havia esquecido o talento. 

Foi uma bela festa. Não à toa que ela aconteceu, justamente, na Espanha de Joan Miró, notável pintor da vanguarda europeia. Nos seus quadros expressa formas  e cores singulares. Possui um lugar insquecível no modernismo do século passado. Sua vasta obra concentra uma ternura infantil indescritível.

Morreu em 1983, quando Ronaldinho começava sua travessia . Sua arte é incomum, como futebol de um craque que busca retomar antigos ares. Quem sabe se o abraço que recebeu, de uma multidão entusiasmada, não lhe revele o caminho que os euros escondem e mascaram? Quando o ser-mercadoria domina, o labirinto sufoca e desarruma.

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O futebol e a globalização: o voo da massificação e das novidades

Já se foram os tempos de colecionar imagens de partidas registradas nos jornais. Os recursos são outros. A tecnologia produz suas diretrizes. O computador oferece alternativas surpreendentes. A renovação não tem parada, só se houver uma catástrofe universal. A sociedade demanda mercadorias, quer testar seu poder de comprar e divertir-se.

A globalização é inegável.Ela traz toda uma transformação múltipla e dissonante. Torna-se mais uma das peripécias do capitalismo. Não aconteceu de repente. É uma construção histórica, envolvida com Renascimento, Expansão Marítima Europeía, Reforma Protestante e um sinuoso processo de consolidação da modernidade. Novas sensibilidades, novas concepções de mundo, novas façanhas científicas.

Mudam-se os hábitos. Os esportes ganham espaço incrível com a modernização da sociedade. Basta olhar o que sucedeu nas primeiras décadas dos século XX. A  moda do cuidado com o corpo é grande.Influencia até na maneira de vestir. Observe os uniformes dos anos 1920 e compare com os dos século XXI. Analise a polêmica  que está ocorrendo, agora, na natação. Cielo mostra  as competições, com suas sutilezas e artimanhas.

O espaço do blog é pequeno para tão longo voo.Não é difícil notar que a roda-gigante não se cansa de girar. Em cada aventura, um horizonte com uma quantidade de mercadorias incomensurável. O futebol não se ausenta de tantas travessuras. Participa da globalização e se entrelaça com a tecnologia, no que for possível. Daí, as propagandas das marcas poderosas e os contratos milionários, com os jogadores mais em evidência.

A modificação faz andar o mundo, porém não deve ser vista de maneira uniforme. Não se pode negar que o modo de produção capitalista incentiva o aparecer ter e fermenta o desejo de ser olhado como um sujeito especial. A febre da produção não é uma epidemia exclusiva das máquinas. É muito frequente nas pessoas, na utilização de dotes monetários, na acumulação de bens, na procura de se diferenciar pelas coisas que possui.

Quando mergulhamos nos acenos das negociações esportivas, sobretudo no terrritório do futebol, a visibilidade da massificação aumenta. As torcidas vestem-se quase como os jogadores. Compram-se camisas do  Real Madrid, Flamengo, Avaí , Portuguesa, Central dependendo da fase e do êxito. Isso não desfaz a paixão, no entanto aquece interesses. Há cidades que festejam clubes que não têm tradição na sua história, com um entusiasmo sufocante.

Já se foi o tempo do linear, do louvor à autenticidade e às raízes. A globalização nos alerta para simultaneidade, para as encruzilhadas, para as virtualidades. As cores são outras, os sons são ruídos, os sentimentos se apropriam de datas. Para cada dia um cenário, um ator, uma apresentação… Ainda bem que  o coração não perdeu, totalmente, suas censuras.

Viver, apenas, o  descartável é desencontrar-se. Nem todos se fascinam com o olhar absoluto da globalização. O lixo ou o luxo? Fico com a noite que adormece o voo e com o sol que desafia as linhas dos sentidos. Há uma imagem inquieta de Prometeu que passeia pelo mundo. Ela cativa e fortalece. Permanece no espelho, como um aviso inesquecível.

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A Estrela Solitária: as travessias do tempo e da bola

Ruy Castro escreveu biografias memoráveis. Ganhou projeção por tecer, com  maestria, tramas e dramas cotidianos. Uma delas fez um sucesso imenso e, ao mesmo tempo, agitou  polêmicas e censuras.Estrela Solitária: um brasileiro chamado Garrincha trouxe divergências e conflitos. A família do jogador foi contra a publicação. Sentiu-se abalada na sua auto-estima.

Ruy sofreu ataques. Tornou-se, para muitos, um vilão. Quiseram culpá-lo por revelar momentos da vida de Garrincha. Duvidaram da sua boa vontade. Transformaram o  livro, numa peça de acusação. Perderam o senso de equilíbrio, esqueceram-se das obras do autor e da sua presença marcante na divulgação da contemporaneidade. Criou-se  atmosfera de inquisição.

Não se pode negar que Garrincha foi um gênio. Seus dribles deixavam seus marcadores sem eixo. Era um espanto geral. Parecia inapto, fisicamente, para o futebol, mas fazia coisas singulares. Não dava para imitar suas artes. Brilhou no Botafogo e na seleção brasileia. Em 1962, com a contusão de Pelé, desfez esquemas defensivos e trouxe a Copa para o Brasil.

Sua vida não foi fácil. Escrever sobre ela, requer sensibilidade e competência. Ruy construiu um texto com ritmo contagiante. Lembro-me que acordava, nas madrugadas, para continuar a leitura, envolvido e curioso, torcendo como se estivesse dentro das histórias. O livro saiu, em 1995, publicado pela Companhia da Letras, depois do sucesso de uma outra biografia sobre Nelson Rodrigues.

Traçar as aventuras de um idolo não é tarefa comum. A instabilidade visitou várias fases da vida de Mané. Não houve linearidade nas suas travessias. Conviveu com muitos craques (Didi, Pelé, Zito, Nílton Santos…), tinha, no seu auge, admiradores apaixonados e recebia elogios cotidianos da imprensa. Merecia crônicas especiais pelos espetáculos que aprontava no Maracanã, seu templo predileto.

Sua fama era grande. Quem presenciou suas atuações não esquece a capacidade de improvisão e a amizade com a bola. Não teve, porém, prosseguimento no seu êxito. Garrincha não seguia os mandamentos de um atleta que cultivava  forma física. Tinha seus excessos, revelados por Ruy. Bebia, divertia-se na noite, não se colocava certos limites. Isso provocava o declínio do seu futebol.

Terminou se desencantando, apesar dos esforços de muitos dos seus amigos. A magia partiu.Suas finanças abaladas também traziam dissabores. O futebol não premiava os jogadores como devia. Não havia uma organização profissional como nos nossos dias. Alguns mantinham a situação sobre controle, outros se desligavam das obrigações ou eram vítimas dos desacertos do clubes.

Os tempos mudam, pois a sociedade se renova. A busca faz parte dos inquietos. Se hoje os milhões embriagam os ambiciosos, no passado os caminhos traçados tinham outras geometrias. Existiam os que valorizavam os bons negócios ou mesmo não desperdiçavam suas reservas, sabendo dos perigos de carreira curta.

Garrincha fez outras trilhas, nem por isso se apagou na memória. É inesquecível. Não é justo desprezar o livro de Ruy Castro, no embalo de invejas mal resolvidas. Ele nos ensina a entender que as contradições não desmacham feitos que engrandecem o futebol. Não maldigo as noites de leitura e minha perplexidade. Fui um aprendiz.

 

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Santa, Sport, Náutico: quais são os caminhos?

Não falta futebol. Não poderia ser diferente. O assunto é de uma diversidade imensa. É uma pena que  restem  preconceitos. Há pessoas que fazem profissão de fé contra o futebol. Espero que mudem. Não vou receitar penitências, nem orações. Mas um bom jogo, com disputas articuladas, desmonta os contestadores. E como andamos nos campeonatos?

A cobra coral voltou a fumar, sem exagero. Cria intervalos, para não ficar sufocada. Ganhou fora, depois de sufocos contínuos. A torcida foi lá, em Maceió, colaborou com sua paixão e coragem. A série D é uma epopéia. Poderíamos ter o auxílio dos deuses e mitos gregos. Ajudariam a superar os obstáculos. Já pensou se Apolo, Prometeu, Aquiles resolvessem reforçar o Santa Cruz ?

As sugestões são outras, pois os mitos são fantasias belas, mas não jogam. Cuidam de outras aventuras. Fala-se em trazer Carlinhos Bala. Não há consenso, nem dentro do elenco. Brasão deu seu testemunho, não muito simpático. Bala provoca polêmicas. Pode tumultuar e tirar o sossego conquistado. Não se discute sua vontade dentro de campo.As questões são de relacionamento e  de entraves nos negócios.

O leão empolgou-se com a chegada de Marcelinho Paraíba. Atleta experiente, com muitas horas de profissão e boa intimidade com a bola. Possui carisma. Chega junto dos seus admiradores, motiva o elenco e mexe com a energia geral. O importante é manter o ânimo. Muitos aparecem e  mal se instalam, já começam a aprontar a despedida.

A situação do Sport não é desesperadora. Existem chances de alcançar a ponta da tabela. Assegurar a estabilidade garante o aumento da pontuação. O grupo ganha força, quando há sequência. Certas derrotas são sinais negativos. Espalham receios.Intimidam os mais desconfiados. Nada pior do que a vacilação e o desconforto da apatia. O empate de ontem evidencia que algo ainda não se firmou.

O timbu sofre com goleadas. Vence partidas heróicas, porém se desfia em jogos, aparentemente, fáceis. É uma maldição. Daí, seu saldo de gols ser uma obstáculo para seu avanço. Essas instabilidades desmotivam. A derrota contra Ponte foi mais um alerta.O técnico Gallo destila muita vaidade. Devia se preocupar mais com os descompassos. Muita dissonância perturba a harmonia.

Atualmente, os elencos dos clubes formam-se com muita rapidez. O vaivém domina. O mercado da bola regula-se por interesses desiguais, se nutre  de resultados imediatos. Quem tem dificuldade de grana padece. Os enganos, nas contratações, são muitos. Há jogadores que deslumbram durante 45 minutos. Depois, caixão e vela preta, partem no primeiro voo.

É o profissionalismo ou o desleixo ? Fica a dúvida. A responsabilidade faz parte de qualquer atividade. Não se justificam certos comportamentos. Há abusos e máscaras. A carreira do jogador é curta. A velocidade dos acontecimentos é inegável e  aprofunda o nervosismo.

Os interesses obscuros desqualificam certas atitudes de quem devia evitar os desequilíbrios. As torcidas merecem afeto e retorno, pelos seus esforços para erguer os clubes. Elas compõem suas transgressões, esquecem da necessidade dos limites, mas dão apoio, quando todos querem evitar as encruzilhadas.

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Os fantasmas das derrotas assustam as torcidas

No futebol, nada como uma vitória sossegada. Se possível com muitos gols e a vibração constante da torcida. Quando se joga bem é uma maravilha. A autoestima cresce, a bola rola com facilidade, o otimismo firma-se. A derrota não causa, algumas vezes, muito impacto. Depende da situação.Mas perder, quase sempre, nos tira o ânimo.  

O empate é de uma ambiguidade imensa. Muitos clubes tornam-se campeões com a conquista de uma magro 0x0. As comemorações sucedem-se. Faltaram o gosto da goleada, de ver a rede balançando e os gritos da galera entusiasmada. O futebol é um jogo, como muitos outros. Uma síntese das armadilhas da vida, como também das suas ousadias e dos seus dramas.

No Brasileirão, as emoções são diversas. Muitas equipes disputando pontos, enfrentando adversários de outras regiões ou encarando clássicos locais, onde a rivalidade é uma permanência. As torcidas acompanham o desenrolar das partidas, frequentam os estádios ou ficam acomodadas nas televisões. Há oscilações no público. Quem está na trilha do fracasso não investe muito, fica desconfiado, com raras e honrosas exceções.

Não custa apontar algumas surpresas que atingem a trajetória de clubes famosos. É uma reflexão, pois perder e ganhar desenham o enredo das ações humanas, desde as travessuras de Adão e Eva no paraíso. Nos campeonatos, tudo aparece mais visível, os jornais se enchem de notícias, as alegrias mudam de lugar. O inesperado não deixa de estar presente.

Há clubes conquistadores, equilibrados e com admiradores fiéis. Um deles, é o São Paulo, com amplas tradições. Citado como exemplo, em todos os sentidos, o tricolor desgovernou-se. Não que esteja abandonado, num labirinto, sem alternativas. Possui bons jogadores, mas as frustrações não se encerram. Vem de uma derrota para o Corinthians e a fofoca do descontrole corre solta. As especulações são de toda ordem.

Talvez, tenha havido vacilações na escolha do técnico. Ricardo Gomes não se mostrou capaz de segurar as barras. Para muitos, houve paciência, em excesso, com seus erros e o time foi se desmanchando. O turbilhão incomoda a diretoria vaidosa do São Paulo. Quem pode resolver esses impasses? Será preciso um novo líder, para fazer renascer o elenco?

Outro exemplo: o Atlético Mineiro gastou fortuna. Reformou seu time. Apostou na eficiência de Luxemburgo. Não deu certo. Está assustando sua torcida, com a perigosa sombra da desclassificação. As justificativas do seu técnico não convencem. O insucesso contagia e desagrega. No meio do caminho, tem mais pedras do que o poeta Drummond, mineiro de Itabira, pensava.

As possibilidades de reversão das tristezas devem ser alimentadas. Os fantasmas eternos só existem, quando o medo comanda nossas aventuras. No futebol, o sucesso pode se esvair com velocidade.  O mesmo pode suceder com as desorientações, com as más fases. O abismo é, apenas, um simples aviso. Mas é importante não aprofundar os sustos.

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