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O cotidiano do futebol e a fogueira das vaidades: o mercado cruel

As brilhantes vitórias do Brasil e do Internacional animam as expectativas de quem gosta de um futebol com técnica e sagacidade. Mas o mundo gira. As notícias são muitas e não podemos ficar nas comemorações. O fazer cotidiano nos alerta. O tempo come a vida, como disse Baudelaire.

Em Pernambuco, as disputas políticas ganham espaço. Não falo das eleições para governador. Estou destacando as relações conflitantes que habitam o cotidiano do Leão da Ilha. Querem derrubar o seu presidente. Além dos problemas com jogadores, alguns conselheiros do clube colocam mais lenha na fogueira.

É muita coisa. Cerezo saiu, no meio de versões diferentes e confusas. Chega Geninho, para melhorar a situação. Consegue um boa vitória e empolga a torcida. O Sport contrata Marcelinho Paraíba, com celebrações e discursos de alegria. Há ruídos no elenco, ciumeiras e notícias sobre as andanças de Eduardo Ramos. Está difícil segurar a estabilidade.

No futebol, não faltam boatos e vaidades soltas. O Náutico não foge do contexto. Seu técnico, Gallo, não se entende com a imprensa. Sente-se ofendido, com as perguntas, e exige respeito. A imprensa tem suas falhas, mas precisa de movimento, não pode silenciar diante dos problemas.

E o tricolor do Arruda? Deseja livrar-se do sufoco. Cada semana é uma aventura. Rezas, treinos, entrevistas otimistas, falatórios de Brasão, tristeza da torcida. O Santa Cruz necessita de uma vitória que derrube as desconfianças. No próximo domingo, uma goleada, sobre o Potiguar, seria ótima, para salvar a esperança.

Se o Santa fracassar, mais uma vez, não há como convencer seus admiradores a construir qualquer recuperação. Todo ano a conversa se repete. Chegam jogadores de toda parte, prometendo aliviar a angústia de permanecer na série D. A torcida vai ao estádio com garra, bandeiras e sonhos.Paciência tem limite.

Os times precisam mudar suas estratégias. Investir nas divisões de base. Formar craques, no sentido amplo do termo. Há uma mercado perigoso, dominado por empresários com interesses bem definidos. Querem grana, rapidez nas negociações. O caso dos meninos da Vila é um exemplo.São muitos euros que atiçam Neymar e Ganso.

Como mantê-los diante de tanta fortuna? A instabilidade é grande. Os times organizam-se, revelam jogadores, mas terminam se desmanchando, devido ao assédio do mercado. O Brasil é uma exportador de jogadores, não só de café e açúcar. Os tempos são outros. No capitalismo, tudo é mercadoria. A escravidão veste seus disfarces, sem puniçõe, com ajuda de poderosos.

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O feitiço da Libertadores e a virada do Internacional

Na Libertadores, há feitiço que atormenta os clubes brasileiros. Quem conhece bem essa história é o São Paulo. Não deixou de ganhar seus títulos, mas todo ano se prepara de maneira especial para ser campeão. Contrata craques famosos, reformula o elenco, movimenta sua torcida e não consegue seguir adiante, como projetava.

Sua moradia cavilosa foi a semifinal. Dessa vez, perdeu a vaga para o Internacional. O pior é que, às vezes, cai fora por detalhes. Fica a crise, as lamentações são imensas e  aposta  na disputa do Brasileirão. O tricolor do Morumbi precisa refazer seus planos, não permanecer tão focado numa só competição.

A Copa Libertadores começou em 1960. Hoje, tem o patrocínio milionário do Banco Santander. O vencedor é contemplado com prêmio que compensa os investimentos. Além disso, valoriza-se  e vai em busca do título do Mundial. Quem levou a última Copa foi o Estudiantes, numa disputa em que o Cruzeiro aparecia como favorito.

A  final de 2010 traz o duelo entre o Internacional e o Chivas Guadalajara. Esperava-se que a Universidad do Chile estivesse  na ponta, mas surpresas são comuns,  nesses confrontos, e uma parte da crônica esportiva falhou nos prognósticos. Estamos, sempre, esquecendo que o futebol é  jogo.

O Internacional já  foi campeão uma vez. Esquematizou-se para rever o título e tem um time articulado, com opções para fazer sucesso e alargar sua fama. Pretende terminar o ano consagrado, aumentar seu número de sócios e dá exemplo de ser, praticamente, uma empresa. Não sacode dinheiro fora à toa.

Os argentinos se dão bem na Libertadores. O Independientes possui, por exemplo, sete conquistas. Aparecem e incomodam os clubes brasileiros. Nesse ano, houve quarenta participantes.  Os portenhos não despontaram. Quem se firmou foi o México. Com o interesse das grandes empresas, a Libertadores tornou-se valiosa e ambicionada.

A primeira partida é emoção pura, porque define certas expectativas. Quem a vence, garante conforto, às vezes, efêmero, para a segunda. O Internacional foi brilhante. Não se intimidou. Repetiu um futebol que prestigia o ataque, mas terminou perdendo a fase inicial por 1×0.

Não desanimou. Seu time era muito superior ao Chivas. A vitória, merecida, aconteceu. Com tentos de Giuliano e Bolívar, a virada dos gaúchos mostrou que tinha bons valores e técnica para assegurar a sua superioridade. O título está próximo. O importante é evitar hesitações e não achar que tudo se resolveu. O Chivas é perigoso.

As atuações da seleção, na terça-feira, e do Internacional, ontem, são bons sinais. Fica evidente que se pode ganhar com excelência nos passes e malabarismos inteligentes. Nada da truculência e da falta de criatividade, como saída para alcançar os títulos. A beleza tem feitiço maior, seduz até os adversários e  o gol é o caminho da redenção.

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A política, o futebol e o Superman: os entrelaçamentos

O ano de 2010 foi anunciado com muitas ansiedades. Era o ano da Copa de 2010 e das eleições para presidente do Brasil, só para lembrar algumas coisas. Lula continuava sua trajetória, mas as mudanças estavam por suceder. Restava esperar e a vida prometia, com suas andanças múltiplas.

Veio a Copa. A seleção manteve-se nas mãos de Dunga. Poucas surpresas na convocação. Brigas, teimosias, decepções. A equipe brasileira não chegou perto do título. Configuram-se transformações. Nada de querer o imediato. O planejamento se estrutura, longe das contradições anteriores, mas a seleção já ganhou o primeiro jogo, causando boa imprensão.

A perda da Copa mexe, sempre, com o público que gosta de futebol. Mas o Brasileirão traz outras histórias. Termina o passado sendo repensado. Teremos que nos preparar para 2014. A conquista não saiu da agenda e não desaprendemos a jogar.

O futebol está aprisionado pelas artimanhas do capitalismo. Tornou-se um investimento de muitos milhões. Os clubes ficam, sem campo de ação, para cuidar de seus elencos. Acabam sendo atiçados pelo mercado. Há jogadores que seguem, ainda, adolescentes para fazer sua formação na Europa.

Com todas as dificuldades, surgem novos craques e a emoção não desaparece. O futebol possui um espaço destacado na cultura, por isso deve ser melhor cuidado. Há os que o consideram uma alienação que distorce os fazeres da cidadania. Não podemos silenciar os insatisfeitos. Vale o debate.

A política e o futebol dialogam. Muitos clubes faliram por serem mal dirigidos. Houve interesses claros de fazê-los uma fábrica de votos. O clientelismo desmancha a autonomia das pessoas. Nos anos eleitorais, a  política não se cansa de fazer menção ao futebol e atrair seus seguidores.

Exemplos desfilam por aí. Romário tenta sua vaga na política partidária. Ninguém desconfia da sua popularidade. Será que vai realizar o seu sonho? Pode ser, porém as eleições são também um jogo. A zebra corre solta nos seus territórios.

Problemas sérios afetam a maioria da população. Ela se diverte, trabalha, protege suas famílias, sofre com os desajustes das gestões públicas. A situação poderia ser outra, se mais investimentos garantissem educação e saúde, com qualidade.

O voto é disputado. Os candidatos não se afastam das promessas. O atual presidente goza de prestígio, sem igual, junto aos cidadãos. Cabe lutar para que a política ganhe força e anime o país. A lucidez e compromisso compõem esta luta.

Não é tarefa para nenhum Superman modificar o cotidiano das desigualdades. A solidariedade firma os entrelaçamentos das virtudes. A vida não se resume às aventuras dos ídolos fabulosos. A política cresce, quando dá resposta à vontade coletiva e refaz a dignidade  social.

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A seleção recomeça: novas estrelas, novas luzes

Mano Menezes inicia seu trabalho com um jogo nos Estados Unidos. Escalou uma equipe jovem, diferente do time de Dunga. Criam-se expectativas, mas é preciso paciência. Não vamos desejar sucesso rápido e estrelas brilhando já no começo dessa trajetória.

As mudanças são saudáveis. Não dava para manter aqueles compromissos anteriores, aquela teimosia negativa e a ausência de diálogo com os torcedores. A seleção é nacional, tem seu técnico titular, porém não é propriedade privada de ninguém. Não custa ouvir e debater, sem histerismo.

Os famosos meninos da Vila terão sua oportunidade. É uma travessia. Lá, estão Neymar e Ganso buscando êxito. Não podemos esquecer que Robinho foi convocado. Um trio que, jogando com responsabilidade, trará bons resultados. Essa é a nossa torcida.

Mano procura assegurar a calma e não encher a imprensa de promessas. Sabe do labirinto que está metido. Há saídas, com cuidado e com empenho. Não falta elenco. As opções não são poucas. A questão é evitar os endeusamentos, consagrar a medida do equilíbrio.

No futebol, aparecem brihos imediatos, horizontes luminosos, mas também desmantelos inesperados e fracassos obscuros. As armadilhas são muitas, pois as intrigas atrapalham e tumultuam. Infelizmente, muita gente fica do lado da negatividade, maldizendo qualquer atropelo. Por isso, o cargo de Mano é cheio de sinuosidades.

A inveja contamina esperanças e provoca polêmicas vazias. Há aqueles que negam os méritos da seleção, só para compensar a sua vaidade mal resolvida. Fazem parte dos ofícios humanos, as lutas, as glórias, os azares e os desamores.

A seleção sonhada deve partir para o ataque, tratar a bola com carinho e não se esquecer das artes do futebol. Encher o campo de passes laterais, de apatias, de jogadas defensivas, não é o desejo que nos alimenta. Há lembranças de times fabulosos, com o feitiço da alegria.

Não vamos repetir aquelas táticas que se desenharam nos traços do  pragmatismo e da força física. A luz coletiva traz  a descoberta de novas trilhas. Experimentá-las é melhor do que reviver a Copa de 2010. Mas é, sempre, precioso recordar que luz, em excesso, cega.

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Os tricolores balançam-se nos trapézios, mas nem tudo é festa.

Hoje, é dia de falar dos tricolores. Não de todos, pois seria impossível. Mas há algo em comum, para animar o texto. São três tricolores, veja que sinfonia vocabular. Escolhi o Fluminense, o São Paulo e o Santa Cruz.

Cada um vivendo fases diferentes, lutando em campeonatos decisivos, querendo encontrar a boa sorte no domingo, 8 de agosto. Todos em busca de reafirmar posições e  abrir trilhas vitoriosas. Eles sabem os perigos que correm num mundo de tantas cores e de tantas formas.

O Fluminense organiza-se para conquistar o título do brasileiro. Está com Muricy no comando e tem feito contratações para fortalecer o elenco. Não dorme em berço esplêndido, deseja muito mais. Apresenta-se com disposição, sem igual, e sonha com suas tradições mais sedutoras.

O São Paulo não cumpriu as promessas tão divulgadas pelos seus dirigentes. O time naufragou, de forma melancólica, nas semifinais da Libertadores. Houve choro, Ricardo Gomes saiu e se  desenha uma reviravolta. Agora, o olhar se lança para outros espelhos. Não falta elenco.

O Santa Cruz tem, nos úlitmos anos, uma história de fracassos frequentes. Possui uma torcida apaixonada, renasce das cinzas, porém não derruba a parede do insucesso. Quando se julga salvo, voltam as quedas e as decepções. Amarga as dificuldades da série D e sofre com as gozações dos adversários.

Nas trilhas das disputas, o empenho do Fluminense se manteve. Pegou um adversário difícil, o Grêmio, e ganhou. Está na liderança do campeonato, perseguido pelo Corinthians. O tricolor do Rio tem enfrentado bem os jogos fora de casa. Isso é um bom sinal. Muricy mostra seu trabalho, depois da passagem negativa no Palmeiras.

O Santa Cruz não saiu do empate. Começou fazendo um gol, acedendo o fogo de uma disparada na classificação, mas, no segundo tempo, o Confiança empatou. Não fugiu, portanto, dos seus desequilíbrios. Nem tudo é desespero. Ficam mais dúvidas e expectativas. A cobra coral não escapou das tensões.

O São Paulo tinha uma partida fora do seu estádio. Era fundamental uma vitória , para espantar os desacertos do passado  recente. Mais uma vez, o time não superou suas dificuldades. Tomou um sufoco do Atlético do Paraná. Rogério fez defesas magistrais. Garantiu o 1×1.

 O resultado se tornou uma dádiva. Diminuiu um pouco  a pressão, porém a  ausência de confiança no tricolor do Morumbi, antes tão festejado,  continua atormentando a torcida. A paciência é uma necessidade no futebol. Há certos mistérios e incômodos, mas tudo passa.

Não foi um domingo muito feliz. Apenas, o Fluminense honrou as três cores. Está na ponta da tabela, pelos menos por um tempo. O espetáculo prossegue. Quem sabe o cenário mude e os tricolores tristes animem-se diante de outras possibilidades ? O jogo e o circo são diversões. Nelas, há lugar para encantos e frustrações.

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O futebol em Pernambuco: sobra rivalidade, falta dinheiro

A coisa não está fácil. Anúncios de atrasos salariais ocuparam a imprensa e causaram polêmicas pouco esclarecidas. O treinador do Náutico foi áspero na sua entrevista e  Givanildo, do Santa, mostrava-se perplexo com as dificuldades encontradas. Há complicações que perturbam o desempenho dos times em campo.

O Sport busca melhorar seu elenco, porém não consegue realizar suas contratações desejadas. Ninguém sabe direito o que está acontecendo e aparecem jogadores vindos dos mais diferentes lugares. As torcidas permanecem desconfiadas e insatisfeitas com o desempenho das equipes.

As rivalidades não diminuem e dão fogo às partidas. O Santa movimenta muita gente, apesar das frustrações constantes. A falta de planejamento se faz presente na organização do investimento. Não se sente firmeza nas escolhas dos contratados, pois não há garantia financeira. Todos vivem um risco mal calculado. A instabilidade é permanente.

O timbu e  o leão enfrentaram-se ontem. Havia muitas dúvidas sobre o resultado. O Náutico encontra-se numa situação mais tranquila, mas não há esperança de que o privilégio esteja garantido. O clássico tem, sempre, a marca da disputa indefinida.

Acontecem desfechos que surpreendem.As equipes atuais oscilam e desfilam na corda bamba. Continua a ausência de craques, de jogadas inesperadas. Há a velocidade, o empenho de alguns jogadores mais motivados. Há também a apatia de outros que desamina os otimistas. Os ídolos estão de férias.

O Náutico foi mais ativo, atuou procurando o gol,  no clássico de um sábado chuvoso.O jogo terminou empatado. O Sport teve sorte. O leão sofreu com a expulsão de  um jogador e lutou para evitar mais uma derrota. Vamos ver o que sucederá  na sequência dos encontros restantes.

Será que o Náutico se firmará na frente da tabela ?  O leão voltará a rugir? No futebol, as decisões são acompanhadas pelas armadilhas do tempo. O empate de 1×1 deixou mais dúvidas para curtir, num domingo de agosto, longe daqueles dias quentes do verão, mas com o sol dando o ar de sua graça.

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As distrações filosóficas: o futebol no fogo da dúvida

Construir um blog passa por muitas reflexões. Se elegemos o imediato, a urgência, as palavras fugidias, podemos mergulhar num efêmero improdutivo. Terminamos por produzir um texto com informações variadas, mas de pouca intimidade com os questionamentos. Um texto ligeiro e descartável, como quase tudo que rege a sociedade de consumo.

Minha paixão , pelo futebol, vem de longe, como também minhas relações com a literatura. Estive, sempre, atento às linguagens, acompanhando as suas transformações. Não adianta ficar adormecido em tradições. É preciso redefini-las ou mesmo desencontrar-se , com os paradigmas dominantes, para não firmar lugares comuns.

A minha iniciativa de entrar, na atmosfera do blog,  levou-me a dúvidas. Retomei leituras de cronistas como Armando Nogueira, João Saldanha, Paulo Mendes Campos e , dos recentes, mantive admiração com os escritos de Tostão. Não queria, apenas, trabalhar com a superfície do futebol. Busco entrelaçá-lo com as convivências da cultura.

Foi uma opção feita com diálogos com Marcelo, meu filho mais novo. Ele é senhor das artimanhas do computador, conhece as expressões do mundo virtual. Mostra sabedoria. O importante é que nos aproximamos muito. Uma bela troca de experiências entre quem tem 58 anos com quem está chegando aos 15 anos. O afeto é uma invenção gostosa e fundamental.

Nesse aprendizado, consegui situar-me em muitas coisas. Uma delas é que, apesar do discurso da pressa, o mundo necessita de contemplar, para não abandonar a paciência e a profundidade. Muita informação gera um culto ao acúmulo e à perda crescente de qualidade. As mentes e os corações se esvaziam, gradativamente.

Daí, segui reformulando reflexões, não me deixando escravizar pelas novidades, tirando o futebol de muitas banalizações. Ele cria, dança, alegra. Não deve ser resumido aos milhões das negociações ou às fofocas sobre as noitadas dos jogadores. Ultrapassa visões individualistas.

Discutir, debater, falar das astúcias e dos malabarismos, da arte que marca os fazeres humanos abrem espaços para curtir outras perpectivas que o futebol nos coloca. Articular o texto traz  fogo para não celebrar, com excessos, o descartável e a soberania do agora.

Assim, o calor da dúvida anima a vida e sepulta verdades terminais. O silêncio possui significações, mas o grito também ajuda a mover certezas. A velocidade tem um lugar especial no mundo atual. Não temos, porém, obrigação de repetir, de ser o eco. É saudável arriscar e acreditar em tapetes mágicos.

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A conquista e a renovação: o futebol segue adiante

Pelé surgiu cedo para fama. Tornou-se campeão do mundo, em 1958, jogando numa seleção preciosa. Lá estavam Djalma Santos, Didi, Zito, Garrincha, Nílton Santos e tantos outros. Não faltavam craques. Foi um entusisamo geral. Até os adversários ficaram perplexos e maravilhados com a capacidade de invenção do time do técnico  Vicente Feola.

Hoje, lamentamos a ausência de talentos. São raros e tentados pelos milhões dos clubes europeus. Vão e voltam. O caso de Robinho é uma marca dessa instabilidade. O futebol brasileiro não vive um momento grandioso, mas também não necessita fechar para balanço.

O Santos venceu a Copa do Brasil. Um título ambicionado e valioso para animar os meninos da Vila. Pelé viveu, muitos anos, vestindo a camisa do Santos e não deixou da fazer parte da sua torcida. Ninguém pode negar as boas revelações que o time da Vila Belmiro vem consagrando. É um sinal de otimismo.

Agora, aparece uma outra geração, onde se destacam Paulo Henrique e Neymar. Podiam ter ido para o Mundial de 2010. Não foram.  Houve resistências, já muito discutidas. Continuam fazendo seus malabarismos, entusiasmando a torcida e a imprensa. A conquista da Copa do Brasil reforça seus lugares de craques.

O Santos vai lutar para segurar sua equipe e viver uma era de celebrações. O momento do São Paulo é outro. Conseguiu vencer o Internacional, mas não o suficiente para efetivar o caminho tão desejado. Tentou ser ser ofensivo, realizar o sonho de um público vibrante e ficou só na esperança.

Agora, Ricardo Gomes está desconsolado de vez. O time não engrenou, decepcionando. Sobraram  contratações, no entanto o mistério ronda o Morumbi. O Chivas , do México, enfrenta o Internacional e decidem a Libertadores. Talvez, os gaúchos se afirmem como campeões. Resta torcer, pois o futebol apronta sempre. A surpresa nunca sai de cena.

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O futebol e a fórmula 1: o esporte sob pressão

No mundo atual, a mulitplicidade é visível.  As transformações, ocorridas nas últimas décadas, tiveram uma velocidade marcante. As chamadas revoluções tecnológicas tumultuam o cotidiano. Cada invenção traz o surgimento de novos hábitos, novos alfabetos, novos consumos.

O esporte não foge dessas mudanças. Se antes tudo dependia da habilidade humana, hoje as máquinas assumem lugar de destaque. Muita gente  delicia-se com as performances técnicas e as magias da ciência. Não se fixa mais nos antes charmosos esportes tradicionais.

A fórmula 1 tem um lugar especial na pós-modernidade. Suas corridas são disputadas com automóveis movidos por sofisticações que, sempre, se renovam. Há um público grande que não perde suas competições.É um esporte que atinge mais uma torcida mais abastada, mas suas transmissões atraem todos. 

Nesse sentido, os méritos democráticos das televisões devem ser salientados. Nem tudo está perdido. A velocidade comanda o espetáculo. O risco de acidente valoriza a ousadia. Valem o cuidado e a atenção, porém  a aventura é majestosa. Esquentar os motores  acede a vontade de seguir adiante e cria condições para afirmar façanhas admiráveis. 

Os esportes dizem muito do tempo, dos mitos humanos, dos seu sonhos. Antes, o destaque era o atletismo, o esforço individual, a preparação física exemplar.  Mantêm-se o desejo de vitória e a responsabilidade com o corpo, porém a velocidade exerce um fascínio singular.

Mesmo no futebol, há outra forma de pensar o jogo. A cadência, os dribles, os passes mais artísticos foram , muitas vezes, substituídos pela necessidade de fazer a bola andar, com uma pressa sufocante. A preparação física rigorosa toma conta da formação dos elencos.

A beleza tomou outro destino. O gol não tem o gosto das tabelinhas de antigamente. Agora, é bola na área, pique nos contra-ataques e defesas bem fechadas. As pessoas parecem máquinas. Uma confusão se configura nas identidades.

Há polêmicas sobre o melhor caminho. Há os que negam que a fórmula 1 seja um esporte. Compara-se velocidade à pressa e alguns antipatizam com os requintes técnicos. Os argumentos se tornam complexos, com tons filosóficos. A ordem  e  transgressão, construindo os saberes e as armadilhas do tempo.

O importante é observar a incompletude do humano. O novo assusta, mas também redefine alternativas.A escolha é um sinal de que o equilíbrio pode  acompanhar a vida. A multiplicidade é uma conquista. A harmonia do barco  com o  oceano  compõe a sinfonia de cada ato. Não consagremos um mundo de um único ritmo.

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As disputas e as intrigas: a inquietude, a ética e o cuidado

Muitos jogos, muitas decisões e muitos descontroles. Os noticiários estão repletos de fatos que mostram a diversidade da vida futebolística. Os clássicos , do final de semana passado, receberam atenção especial. O jogo atrai, sobretudo, quando retrata tradições e confrontos ferrenhos.

O Atlético continua sua trajetória de fracassos. Luxemburgo está sem saída. O Cruzeiro fez a festa, deixou sua marca. O elenco do Atlético passa por momentos desestimulantes. Há discordâncias, entre os jogadores, que dificultam mais ainda a recuperação. A torcida está indócil e não entende tanto gasto, para atuações tão desencontradas.

O Palmeira manteve sua sequência de empates. Felipão incomoda-se. Exige reforços urgentes, com qualidade comprovada. Afinal, não quer correr riscos. Nada como reafirmar sua história de campeão, de estrategista ímpar. Já o Corinthians segue perto da ponta da tabela, tendo o Fluminense na frente, por uma diferença mínima.

O Internacional aguarda o São Paulo. Segurou o Grêmio, com um resultado de zero a zero. Confia muito na sua força, para conquistar a Libertadores. A parada é dura, pois os tricolores do Morumbi venceram o Ceará e podem fazer uma reviravolta. Tudo é possível na quinta-feira, dia 5 de 8.

Outras notícias abalam os mais ordeiros. Alguns jogadores do Santos aprontaram, mostrando falta de formação ética e ameaçando a disciplina do elenco. É preciso observar bem esses comportamentos. Eles servem de exemplo e contagiam.Não se deve esquecer que o Santos está na disputa da Copa do Brasil.

Qualquer descontrole desfaz o trabalho e o desejo de obter o título. Não adianta, apenas, bom preparo físico e malabarismos sedutores. Os clubes necessitam pensar na formação dos seus jogadores, tirá-los de  mediocridades e contribuir para  amadurecê-los.

Já afirmei, muitas vezes, que o futebol se entrelaça, de forma singular, com a nossa cultura. Não é uma diversão qualquer, manipulada para distrair multidões. A crítica faz bem a sua estrutura de ação e evita desmandos.

Tudo que mexe com a cultura merece cuidado e encontros profundos com a ética. Mesmo cercados por um mundo de negócios, não sejamos tentados a abandonar o respeito pelos outros. Não vamos desprezar a cidadania.

As justificativas, para algumas atitudes, são vazias e representam carência aguda de formação.  É preciso sair da sombra, dos enconderijos e voar, sem medo de olhar o infinito. O futebol anda junto com a vida.

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