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O professor da bola : instabilidades e glórias

Antes se chamava treinador. Há os que gostam da palavra técnico. As coisas já não são as mesmas. Os vocabulários acompanham a agitação das novidades e celebram o descartável. Não seria diferente nas atividades do futebol. O treinador mudou de referência. Ele, agora, é professor, com méritos. Os jogadores firmaram esse termo e se sentem na escola.

O mundo da bola é corrido. Exige sabedoria. As solicitações de vitória são constantes. Inquietam emoções, provocam desempregos, inventam modismos. O professor enfrenta dificuldades cotidianas.  São tarefas  múltiplas: dar conta da forma da sua equipe, arquitetar estratégias de jogo  e ouvir as conversas sinuosas dos dirigentes. 

Acabou a tranquilidade de outras eras. Há muita gente no mercado, esperando a vez. Não faltam boatos e tentativas de simular situações. A disputa é grande e a ética balança. Alguns conseguem brilhar rapidamente. São manchetes de jornais e seus times destacam-se. Mas é necessário cuidado, pois a segurança é mínima. Até um atraso de salário pode alterar o ritmo do sucesso.

Luxemburgo era o rei. Hoje, se encontra amargando a má campanha do Atlético. Cuca atravessou muitos territórios, suportou sufocos incríveis. Ricardo Gomes não aproveitou a chance do São Paulo. Felipão luta para voltar a ser estrela no Palmeiras. Givanildo deseja tirar o Santa do abismo. As histórias são muitas e as reviravoltas também.

A nossa seleção é ponto de polêmica. Dunga não foi exceção. Outros viveram dramas imensos que ameaçaram suas carreiras. É o caso de Falcão que terminou como cronista da Globo. Quem está esquecido dos choques de Leão com a cúpula da CBF? Nem Parreira, com sua diplomacia, teve sossego. Perdeu uma Copa orientando um elenco considerado fabuloso. No momento, Mano Menezes busca reorganizar e renovar a canarinha.

São sínteses para uma reflexão ligeira, porém importante para entender as tantas instabilidades existentes. O futebol é jogo, não devemos apagar isso da memória. Não estamos mais, na época, de suar a camisa por tudo. As condições de trabalho influenciam nos resultados de forma aguda. Sem falar, nos negócios, que podem gerar lucros e investimentos ou decepções e desesperos.

Por isso, o trabalho do professor sofre travessias inesperadas. Depois de um título magistral pode chegar a um ostracismo terrível. Citamos, em blog passado, o caso de Andrade. O Flamengo está se reconstruindo, nem parece que foi campeão em 2009. As mudanças ocorrem com a magia de uma cartola atômica. As glórias têm o desenho do efêmero.

Mais um exemplo: a trajetória de Celso Roth. Estava no Vasco da Gama, sem muita perspectiva. Recebia críticas, por suas opções defensivas. Outros o achavam antipático, sem boa relação com a  imprensa. Celso foi para o Internacional. Motivou o time e conquistou  a Libertadores.

Exaltações iluminam o seu feito. Saiu do desconforto. Deu sorte ou era pouco aceito pelos charmes da mídia? Ser ou não ser é uma reflexão de outro tempo. O nosso tempo é complexo e ardiloso. Gosta do perfume dos narcisismos espalhados pela aldeia global.

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Ronaldo na berlinda: saudades, despedidas, disfarces?

Ronaldo voltou. Está no Corinthians e promete fazer vibrar a torcida. Gols não irão faltar. O talento do craque mostrará que nada se perdeu. O tempo passou, mas ninguém desaprende com facilidade. Ronaldo causou espanto na Holanda,  na Itália, na Espanha. Foi premiado, com justiça, pelas suas jogadas espetaculares.

Saiu do Brasil, muito jovem, para deslumbrar os europeus. Transitou por times famosos e ganhou milhões. Está, de novo, nas paradas de sucesso, deliravam os mais exaltdos. Assim, a sua volta se concretizou e confirmou as profecias dos otimistas. Ele foi estrela de muitas partidas. No entanto, as dúvidas, sobre a sequência da sua carreira, não foram esquecidas.

Havia sido vítima de contusões graves. Ressuscitou, quando muitos decretavam o seu fim. Superou-se. Foi para Copa, no time de Felipão, e fechou a boca dos seus críticos. Vibrou com a sua reviravolta. Quem admira o bom futebol, não pode promover condenações vazias a um craque tão festejado. A contradição caminha com a história, dialoga com as nossas fragilidades.

Ronaldo tornou-se, também, um fenômeno de mídia. Muito noticiado, conseguiu espaço para anunciar produtos das mais variadas utilidades. É  luxo tê-lo nas propagandas. Fala no celular sofisticado, bebe guaraná delicioso, veste Nike, para sempre, e não foge de cortejar uma certa cerveja geladíssima. Possui assessoria de imprensa eficaz. Não é, apenas, um artista da bola. Sabe transformar situações e conquistar o público.

Sua presença foi alvo das mais diferentes especulações. Ronaldo foi consagrado, mas também questionado. Há os que continuam desconfiados.  Percebem como ele se mantém nas manchetes, mesmo sem jogar, rendendo somas valiosas para seu clube. As ambiguidades são muitas. O passado mistura-se com o presente e desfia as possibilidades de futuro.

Nas suas entrevistas, o jogador não deixa de atiçar suspenses. Quando parece escondido, reconfigura-se  e agita as fofocas. Agora, cogita uma possível e precoce despedida. Sente-se cansado. Não quer destratar, porém, suas boas ligações com o timão paulista. Revela cuidados. Não deseja magoar ninguém com sua atitude.

A tristeza é um sentimento que assalta seu coração. Ronaldo medita sobre as trilhas que deve seguir. Ele não é ingênuo. Não há negar que ficou abalado com a não convocação para a Copa de 2010. Houve certa pressão para levá-lo no esquadrão de Dunga. Ele se animou, contudo teve que engolir seco. Ficou cabisbaixo, um tanto desanimado.

A sua demora, para recuperar a forma ideal, atinge um grau de tolerância que incomoda até os mais fanáticos boleiros. Mesmo fora dos gramados, Ronaldo não se acanha e  esquenta o mundo dos negócios corintianos. A sua simpatia consolidou-se, para muitos, e o ajuda a desmontar qualquer vestígio negativo. O sorriso é um disfarce poderoso.

Não está à toa na vida. Desfruta do seu prestígio social. Reafirma seu encanto pela profissão e se move bem quando assediado pela imprensa. A vida segue, novos capítulos serão escritos, talvez repetitivos, envolvidos nos suspiros do mercado e não nas tramas da bola na rede.

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A campanha eleitoral e a disputa da Libertadores: a multidão no espelho

A política e o futebol agitam o cenário. Iniciou-se a campanha eleitoral no rádio e na televisão. As tensões aumentam e os eufóricos exaltam seus otimismos. As últimas pesquisas dão uma boa vantagem para Dilma. Isso deixa muita gente cantando vitória, esquecendo-se de que a política possui suas semelhanças com o jogo. Não dá para ser profeta em terrenos tão escorregadios.

Os programas eleitorais não trazem novidades, mas estão repletos de promessas. Parece que estamos caminhando para o jardim das delícias. Tudo pode ser feito e retomado na sua excelência. O cansaço do discurso vazio altera até o humor dos mais quietos. É preciso refletir, conhecer a realidade dos projetos e não abandonar a desconfiança. O excesso merece, sempre, um olhar crítico.

A agitação política é  acompanhada, nos detalhes. Ela é exercíco de cidadania. Porém a sociedade, também, se comove com outros temas. Estamos na era das informações velozes e dos escândalos inusitados. O caso de Neymar,tão comentado, continua rolando, com sinais de que o Santos vai dançar. É um assunto que tem atraído muita gente, mesmo de fora do mundo da bola 

A Libertadores voltou ao noticiário, com toda força. Ontem, se disputou a final, em Porto Alegre. Os ingressos se esgotaram e as televisões passaram chamadas sobre a partida exaustivamente. O Internacional se preparou, com todas a suas energias, para não perder a oportunidade. Seria um desencanto para sua valiosa torcida.

O técnico Celso Roth apostou suas fichas na vitória do seu time. O Internacional já havia ganho a primeira partida da final. Derrubou o Chivas, lá no México, quando a dificuldade era bem maior. O problema era não exagerar na confiança, pois o futebol , como a política, anda de braços dados com as supresas. Quem não se recorda das frustrações que viveram as torcidas do Fluminense e do Cruzeiro?

A equipe gaúcha se compuha, com cuidado, e sem deprezar a possibilidade de  vencer o título pela segunda vez. Seu feito tinha repercussões para o futebol brasileiro. Quem ficou contra deve ser admirador do Grêmio. No Rio Grande do Sul, a rivalidade entre os dois clubes é histórica, está entrelaçada  a perdas e conquistas de tempos vividos com emoção cega.

As multidões fazem parte dos cenários da política e do futebol. Elas se apaixonam e se mobilizam, pois confundem e brincam, muitas vezes, com as certezas da razão. Desfazem mitos, reinventam desejos, trituram planejamentos. A história recebe seus movimentos e  se anima com a suas rebeldias. Os políticos e os times de futebol sabem disso.

O lendário Getúlio Vargas era mestre na convivência com o povo. Seus discursos empolgavam e alicerçavam, ainda hoje, polêmicas identidades.O Internacional confirmou o seu favoritismo e derrotou o Chivas por 3×2, jogando como um grande campeão. Fez o povo dançar e cantar, soltando a alegria e a tensão. O vermelho e o branco vestiram os sonhos da multidão.

PS: Visite  As Sugestões de Leituras, há uma bibliografia sobre futebol, com livros que consagram a boa escrita.

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O futebol e o social: desperdícios e carências

O futebol tem noticiário garantido na imprensa brasileira. Nem sempre, se penetra nos seus esconderijos, nem se visualiza as suas contradições. Destacam-se suas fofocas e a vida pessoal dos seus craques. O futebol precisa de um olhar mais agudo, para que seus admiradores percebam sua inserção na cultura e nas escolhas sociais.

O mercado da bola está fervilhando. Temos, pouca clareza, sobre seus investimentos, pois o capital financeiro entra no seu espaço, com armadilhas espertas. São ofertas fabulosas. Somas de dinheiro que provocam enriquecimentos rápidos e traiçoeiros. A Inglaterra tornou-se o paraíso de incríveis negócios. Os clubes são empresas de grande poder e autonomia.

A profissionalização reorganizou as ações esportivas e as transformou em espetáculos,muitas vezes, caros. Privatizou, mais ainda, uma diversão que atraía um público com dificuldades de comprar ingressos. Basta lembrar-se da última Copa de 2010. Estádios suntuosos, convivendo com a miséria de grupos excluídos historicamente.

Houve mudanças radicais. Não podemos classificá-las de negativas, em todos os sentidos. É importante ter acesso a espaços decentes e com boa tecnologia. Mas não devemos esquecer-nos de perguntar: quem pode ter, efetivamente, esse direito,  ou ele pertence, apenas, a uma minoria privilegiada ?

Os interesses promovem uma disputa sofisticada entre os grupos internacionais. Milhões de euros desfilam pela sociedade e entontecem os  que pensam em usufruí-los. Os jogos da  Copa devem ser realizados em estádios monumentais, segundo exigência da FIFA. Alíás, o vocabulário se renova. São chamados, agora, de arenas esportivas.

O Brasil se estrutura para Copa de 2014. Notícia, por demais, conhecida. Seguem os desencontros sobre as possibilidades de concretizar-se um planejamento bem articulado. As críticas continuam alertando para os perigos do desperdício. A transparência é menosprezada em nome do lucro e das monobras. Os constrastes não serão diferentes, se os governos não acordarem para os buracos da saúde, da educação e dos transportes.

O capitalismo sobrevive da sua força de convencimento, não ,  exclusivamente, das artimanhas da economia e do sucesso dos seus administradores. Cria-se uma mentalidade que valoriza a vaidade desmesurada, alicerçada na propriedades dos bens materiais. Não há sinais de outras alternativas.

A informatização ganha espaço e os celulares tocam sem cessar. A máquina do dinheiro tem pressa, não se  comove com as instabilidades emocionais. O que vale é o modelo mais brilhante, o luxo de possuí-lo e esnobá-lo.

O futebol está  envolvido com as estratégias das grande marcas. O segredo do negócio não nos pertence. Para isso, existem diversas indústrias dando conta das ansiedades humanas. Não faltam consultorias e especialistas. Muitos clubes acompanham os negócios e já crescem como bolsa de valores.

No entanto, as carências são muitas. A maioria dos jogadores sofrem, com atrasos salariais, e vivem, na aventura, de não saber como será o outro dia. Ronaldo, Ronaldinho, Kaká, entre outros, fazem parte de uma nobreza, cheia de intenções filantrópicas e de mente construída no amém da ordem.

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A corrida para conquistar o Brasileirão: disparadas e decepções

A disputa , por ponto corridos, deu outra vida ao Brasileirão. Muita gente é contra, mas as partidas são mais valorizadas e a torcida se sente contemplada de forma mais justa. Recentemente, tivemos uma parada, na competição, que trouxe expectativas. Clubes que estavam, lá atrás, se acederam com a possibilidade de novas contratações e construir a reviravolta.

Falta muito para a decisão. O Fluminense, porém, deu uma disparada boa. Formou um elenco respeitável, conta com a liderança de Muricy e segue equilibrado nas suas atuações. Distanciou-se até do segundo lugar, deixando os corintianos chateados. Eles perderam para o Avaí, apesar da luta nos minutos finais e ajudaram o Flu a se fixar na liderança.

Há equipes que estão afastadas, dos primeiros, e surpreendem pelo futebol de baixo nível. Um exemplo é o Grêmio. Talvez, Renato possa levantar a esperança, com seu discurso do afeto e do compromisso. Ganhou do Goiás que também se encontra numa situação difícil. Leão que o diga. Junto, com o Atlético de Luxemburgo, buscam sair do naufrágio total.

Quem se animou, com as últimas vitórias, foi o Botafogo. Seu ataque é veloz, possui reservas motivados e pode chegar na ponta da tabela. O mesmo não ocorre com o Flamengo. Vive uma instabilidade incrível. Suas vitórias são sofridas e parece que esqueceu que foi campeão em 2009. Os escândalos mexeram com a alma do time da Gávea. Não é brincadeira.

O vaivém do futebol é veloz. O Santos pousava como a maravilha do mundo, deslumbrando e andando de sapato alto. No entanto, embriagou-se demais. Seus jogadores ficaram atônitos com tanto sucesso. Manobram para jogar na Europa. É um sonho avassalador. Controlar os meninos da Vila é tarefa ingrata e educativa.

Os desencontros merecem especial escuta. Felipão voltou, falando grosso, como redentor do Palmeiras. Prometia diluir o presente, tão cheio de derrotas, e crescer retomando as glórias do passado. Não aconteceu como esperava. Precisa de um elenco mais hábil. Reconhece as dificuldades, mas se mostra irritado.

Cada um com suas tormentas. O São Paulo tem feitiço, pois não deslancha. Iniciou, domingo passado, marcando gol contra o Cruzeiro. Não sustentou o placar. Para seu consolo deu empate de 2×2. Para onde vai o tricolor depois de tantos investimentos? Que bruxa anda pelo Morumbi?

A grande surpresa é o Avaí. Não se atemoriza com os chamados grandes e faz  a festa. O Ceará estava numa boa jornada, mas se contamina, negativamente, com a ausência de um time, com elenco consistente, e as mudanças de técnico. Os clubes impacientam-se diante de qualquer fracasso. Querem milagres e culpam os treinadores. Uma história repetitiva e um grave sinal de incompetência.

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Os ídolos buscam espaços e a redenção na vitória

A situação do Santa Cruz não agrada a ninguém. Mesmo seus opositores pernambucanos ficam na torcida, para reverter os resultados. Há quase um desespero. O Náutico segue fazendo uma boa campanha e o Sport busca retomar os tempos de glórias. Podem representar o futebol da terra, com mais fôlego e dignidade.

No meio dos sofrimentos tricolores, alguns jogadores resolveram balançar o contexto e reforçar as promessas de vitória. Brasão, muito querido pela torcida, é esperto. Distribuiu ingressos, falou da sua paixão pelo time e comoveu muitos. Além disso, ganhou um espaço na mídia nacional. Foi notícia durante dias. Quem não conhece Brasão e suas ideias?

Não deixa de ser interessante toda essa movimentação. Traz novidades, consegue emoções e coloca fogo no noticiário da imprensa. Está presente, no cotidiano do futebol, a existência de ídolos. Eles são estímulos para aumentar o público dos estádios. Criam, também, uma quebra na frieza do profissionalismo.

No mercado da bola, os jogadores mudam de clubes com uma rapidez incrível. Terminam conhecendo lugares do mundo, nunca imaginados por eles. Passam anos, em países ricos, buscando juntar dinheiro para assegurar um futuro tranquilo. Nem se tocam para outras dificuldades. A grana tem uma atração indiscutível.

Convivem com diferenças nos costumes, idiomas, regras, religiões que cercam suas vidas, mas não se intimidam. Muitos voltam, para o Brasil, só para curtir as férias e contar vantagens. É claro que o êxito não é geral. Há obstáculos, desmantelos, decepções. Mas a esperança faz o coração se agitar e enfrentar as tormentas.

A odisséia de Brasão não é tão espetacular. Não estamos nos referindo a um craque consagrado e celebrado pelos euros feiticeiros. Fez sua fama, como era possível, e não se  acanha com os limites. Viu a chance de alargar seu prestígio. O Santa é um clube popular. Sua torcida, em grande parte, carece do básico para morar, divertir-se, comer…

A vitória do Santa, na partida do domingo, trouxe uma renovação nos ares, arrancou a pesada caveira de burro que atrasava a redenção do time. A cobrinha precisava fumar, como dizem os mais antigos. Brasão não errou na montagem da sua cartografia de ação. Ele é um dos goleadores da equipe, porém falhou na cobrança de um pênalti.

Com a vitória consolidada, o tricolor segue com cores vivas para reta da decisão. O Confiança não se deu bem contra o CSA. O Santa Cruz fica mais solto. No próximo domingo, voltará a novela. É preciso não relaxar e concretizar a ascensão. Chega de alimentar o azar e a tristeza. Que o sol permaneça firme, iluminando, sobretudo, os atacantes corais ! É muito gol perdido.

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A grana cara-pálida: o assédio, o Chelsea e Neymar

Os escândalos sexuais dominavam as páginas de jornais especializados em movimentar fofocas. Nomes de artistas, princesas, reis, políticos famosos faziam o delírio do noticiário. O assédio tinha outros tons e objetivos. O corpo era o alvo. A nudez ganhava espaço em imagens clandestinas e comentadas até a exaustão.

Mas os tempos mudam. A grana  prossegue  nas mãos de uma minoria. Vive-se um império dissimulado em eleições democráticas, onde a propaganda possui lugar de destaque. O mundo gira em torno de patrocínios, de charmes programados, de discursos da euforia vazia, de poderosos como Abramovich, dono do Chelsea. O futebol não está ausente da agitação geral.

O mercado não cessa de procurar bons negócios. Com a riqueza concentrada, a pobreza ainda globalizada, o valor de troca expande-se sem medida. O jogador de futebol vale milhões, quando se visualiza sua excelência na condução da bola e sua capacidade de ser diferente. Não importa a sua idade. Os euros não têm preconceitos. O assédio faz parte do negócio.

Tornou-se um grande investimento adquirir os direitos sobre um craque. Há interesses que se associam para aprofundar a circulação das mercadorias. As pessoas são configuradas em dinheiro e fascinadas pela oportunidade de construir fortunas. O apelo é sedutor. No mundo do capital, quem não quer uma mansão, um carro esportivo vermelho, uma cobertura no edifício mais badalado ?

Os desejos não sossegam. O Santos passa por momentos exemplares. Revelou vários jogadores que merecem elogios e exibem arte valiosa. Os milhões parecem sedentos, pressionando para não perder as chances. Os clubes de futebol ricos são comandados por indivíduos prestigiados, pela facilidade com que promovem a circulação da grana. Não se questionam, com profundidade, as origens de tanta especulação. 

Hoje, Neymar vive a situação de avistar um oceano de moedas, na sua frente, e ser cercado por negociadores com argumentos espertos . Deve ficar com o ego repleto de sonhos. Nem pensa que, um dia, a fonte pode secar, que  nem tudo é para sempre. A pouca experiência de vida estimula, mais ainda, a fantasia.

A navegação é longa, porque Neymar representa, apenas, um segundo dessa quase eternidade especulativa. A sociedade montou-se para fabricar máquinas e transformar as pessoas em máquinas. O sentimento atrapalha, a trilha da objetividade acena com sucesso e conforto. Mesmo em plena adolescência, a fama firma-se e invade territórios.

As mansões e os iates esperam os afortunados. Depois de poucos anos, a acumulação de bens se concretiza. Se não houver desperdício ou descontrole emocional, só resta estabelecer-se como ídolo festejado nos recantos da aldeia global.

A reflexão fica para outras ocasiões. O paraíso é uma celebração, não existe para todos. É melhor sentir-se um escolhido. O futuro está distante e talvez nem aconteça. O assédio é feito para desfazer todas as resistências. O olhar crítico morre diante da força do cara-pálida.

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O futebol e o vazio da fama: as queixas de Andrade

O homem é um animal social. A sociabilidade exige ritos, ordens, regras, festas, afetividades. Viver é conviver, já disse o poeta Drummond. Não longe dos conflitos, da troca de favores, dos prazeres extasiantes, das antipatias mal resolvidas. Perdemos. Ganhamos. As mudanças nem acontecem como queremos.

O capitalismo acirra as disputas e incentiva a competição. Há um individualismo marcante nos desejos da contemporaneidade. A necessidade de exibir-se faz parte frequente do cotidiano. Não se cultiva a solidariedade, mas a desigualdade e os sonhos materiais.

Discussões existem, com os mais variados e estranhos argumentos, sobre os amores e os desequilíbrios da humanidade. Isso não basta. Aumentam as incertezas e consolidam a incompletude. No entanto, a complexidade do social não é sinal de redenção, nem de um desespero sem fim.

O  inesperado nos ajuda a conviver com a invenção. É importante não sermos parceiros da superficialidade. A mesmice  impera, atrai, inferniza. As contradições são muitas, em todos os lugares, na tristeza e na alegria.

Interessam-me as opiniões das pessoas e os registros das histórias. Nesta semana, assisti a um programa de esportes, apresentando uma entrevista que me deixou perplexo. A figura, em foco, era Andrade, ex-técnico e jogador do Flamengo. Fiquei concentrado na sua fala de lamentações. As razões eram muitas. Não parecia irritado, mas preocupado.

Ele não entendia certas dificuldades que estava atravessando. O tom era dramático. Conseguiu ser campeão brasileiro,  articulou o controvertido elenco do Flamengo e, agora, enfrentava o ostracismo. Queria voltar a trabalhar, mas não encontrava onde. Caminho sem volta?

Os desencontros de Andrade fazem parte do mundo do  futebol. A fama é fugaz, ilude. Seu feito não o consagrou como planejava. Dirigiu uma equipe cheia de intrigas e ciúmes. Lá estavam Bruno, Vagner Love, Adriano e tantos outros. O sucesso foi visível, sua habilidade impressionante. Tudo passou, porém, com uma velocidade incrível.

Andrade é uma pessoa simples, não mostra arrogância e, sim, vontade de continuar sua carreira. Jogou muito futebol, junto com outros craques do passado. Está ligado ao clube da Gávea e aberto a retornar às jornadas anteriores. Encontra-se isolado.

Percebe-se o vazio que o angustia. É vítima dos êxitos, sem profundidade, tão comuns no futebol. Não é um exemplo raro. Ele tem coragem de denunciar e se expor. Muitos se escondem ou morrem de vergonha. São escravos da fama e embriagam-se com o perfume das manchetes.

Não compreendem a dimensão ilusória que encobre tanto as astúcias do mundo dos interesses. Quem não se entrega aos seus dramas? A convivência possui múltiplos ritmos. Um bom maestro a conduz com harmonia. Escapa das dissonâncias e busca sons impossíveis, com as cores das borboletas soltas num jardim de rosas vermelhas.

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O cotidiano do futebol e a fogueira das vaidades: o mercado cruel

As brilhantes vitórias do Brasil e do Internacional animam as expectativas de quem gosta de um futebol com técnica e sagacidade. Mas o mundo gira. As notícias são muitas e não podemos ficar nas comemorações. O fazer cotidiano nos alerta. O tempo come a vida, como disse Baudelaire.

Em Pernambuco, as disputas políticas ganham espaço. Não falo das eleições para governador. Estou destacando as relações conflitantes que habitam o cotidiano do Leão da Ilha. Querem derrubar o seu presidente. Além dos problemas com jogadores, alguns conselheiros do clube colocam mais lenha na fogueira.

É muita coisa. Cerezo saiu, no meio de versões diferentes e confusas. Chega Geninho, para melhorar a situação. Consegue um boa vitória e empolga a torcida. O Sport contrata Marcelinho Paraíba, com celebrações e discursos de alegria. Há ruídos no elenco, ciumeiras e notícias sobre as andanças de Eduardo Ramos. Está difícil segurar a estabilidade.

No futebol, não faltam boatos e vaidades soltas. O Náutico não foge do contexto. Seu técnico, Gallo, não se entende com a imprensa. Sente-se ofendido, com as perguntas, e exige respeito. A imprensa tem suas falhas, mas precisa de movimento, não pode silenciar diante dos problemas.

E o tricolor do Arruda? Deseja livrar-se do sufoco. Cada semana é uma aventura. Rezas, treinos, entrevistas otimistas, falatórios de Brasão, tristeza da torcida. O Santa Cruz necessita de uma vitória que derrube as desconfianças. No próximo domingo, uma goleada, sobre o Potiguar, seria ótima, para salvar a esperança.

Se o Santa fracassar, mais uma vez, não há como convencer seus admiradores a construir qualquer recuperação. Todo ano a conversa se repete. Chegam jogadores de toda parte, prometendo aliviar a angústia de permanecer na série D. A torcida vai ao estádio com garra, bandeiras e sonhos.Paciência tem limite.

Os times precisam mudar suas estratégias. Investir nas divisões de base. Formar craques, no sentido amplo do termo. Há uma mercado perigoso, dominado por empresários com interesses bem definidos. Querem grana, rapidez nas negociações. O caso dos meninos da Vila é um exemplo.São muitos euros que atiçam Neymar e Ganso.

Como mantê-los diante de tanta fortuna? A instabilidade é grande. Os times organizam-se, revelam jogadores, mas terminam se desmanchando, devido ao assédio do mercado. O Brasil é uma exportador de jogadores, não só de café e açúcar. Os tempos são outros. No capitalismo, tudo é mercadoria. A escravidão veste seus disfarces, sem puniçõe, com ajuda de poderosos.

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O feitiço da Libertadores e a virada do Internacional

Na Libertadores, há feitiço que atormenta os clubes brasileiros. Quem conhece bem essa história é o São Paulo. Não deixou de ganhar seus títulos, mas todo ano se prepara de maneira especial para ser campeão. Contrata craques famosos, reformula o elenco, movimenta sua torcida e não consegue seguir adiante, como projetava.

Sua moradia cavilosa foi a semifinal. Dessa vez, perdeu a vaga para o Internacional. O pior é que, às vezes, cai fora por detalhes. Fica a crise, as lamentações são imensas e  aposta  na disputa do Brasileirão. O tricolor do Morumbi precisa refazer seus planos, não permanecer tão focado numa só competição.

A Copa Libertadores começou em 1960. Hoje, tem o patrocínio milionário do Banco Santander. O vencedor é contemplado com prêmio que compensa os investimentos. Além disso, valoriza-se  e vai em busca do título do Mundial. Quem levou a última Copa foi o Estudiantes, numa disputa em que o Cruzeiro aparecia como favorito.

A  final de 2010 traz o duelo entre o Internacional e o Chivas Guadalajara. Esperava-se que a Universidad do Chile estivesse  na ponta, mas surpresas são comuns,  nesses confrontos, e uma parte da crônica esportiva falhou nos prognósticos. Estamos, sempre, esquecendo que o futebol é  jogo.

O Internacional já  foi campeão uma vez. Esquematizou-se para rever o título e tem um time articulado, com opções para fazer sucesso e alargar sua fama. Pretende terminar o ano consagrado, aumentar seu número de sócios e dá exemplo de ser, praticamente, uma empresa. Não sacode dinheiro fora à toa.

Os argentinos se dão bem na Libertadores. O Independientes possui, por exemplo, sete conquistas. Aparecem e incomodam os clubes brasileiros. Nesse ano, houve quarenta participantes.  Os portenhos não despontaram. Quem se firmou foi o México. Com o interesse das grandes empresas, a Libertadores tornou-se valiosa e ambicionada.

A primeira partida é emoção pura, porque define certas expectativas. Quem a vence, garante conforto, às vezes, efêmero, para a segunda. O Internacional foi brilhante. Não se intimidou. Repetiu um futebol que prestigia o ataque, mas terminou perdendo a fase inicial por 1×0.

Não desanimou. Seu time era muito superior ao Chivas. A vitória, merecida, aconteceu. Com tentos de Giuliano e Bolívar, a virada dos gaúchos mostrou que tinha bons valores e técnica para assegurar a sua superioridade. O título está próximo. O importante é evitar hesitações e não achar que tudo se resolveu. O Chivas é perigoso.

As atuações da seleção, na terça-feira, e do Internacional, ontem, são bons sinais. Fica evidente que se pode ganhar com excelência nos passes e malabarismos inteligentes. Nada da truculência e da falta de criatividade, como saída para alcançar os títulos. A beleza tem feitiço maior, seduz até os adversários e  o gol é o caminho da redenção.

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