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A grana tumultua e desmonta a força dos clubes

Ninguém é ingênuo no mundo da bola. Todos sabem que manobras existem em todos os sentidos. Lamentações são feitas, pelos mais apaixonados. As torcidas padecem. São as primeiras vítimas. Pensam em disputas valorizadas pelo amor ao time. Gritam pelas suas cores. Vão aos estádios fervendo de emoção. Consagram ídolos. Ganham o dia com a vitória e uma grande ressaca com as derrotas. No entanto, os desmantelos dos jogadores têm mexido com muita gente.

Há reviravoltas impressionantes. Partidas sensacionais são acompanhadas, em seguida, por desastres surpreendentes. O jogo é escorregadio, mas os abalos deixam a desconfiança se estender. Sente-se uma falta de motivação, que age como uma epidemia. Os times despontam, ensaiam aventuras gratificantes, depois ficam lutando para não fugir do último lugar. Os atrasos salarias recebem comentários negativos e muitos jogadores transferem-se para outros clubes.

O polêmico Luxemburgo está, agora, no Flamengo. O seu coração bate mais alto. O rubro-negro merece, para ele, uma atenção especial. Promete mudanças, perspectivas diferentes e renovar. Mostra-se triste com os vícios que derrubam o entusiamo dos atletas. Não poupa palavras. Considera que os empresários dominam o pedaço do futebol, com uma presença desestruturante. São vistos como os donos informais do poder.

O que Luxa afirma não é novidade. As notícias correm e assinalam o valor da grana. O capitalismo não sobrevive sem negócios. Alguém desacredita nessa sede de lucros e de interesses? Deconhecer o vaivém do mundo só traz frustrações. Achar que aquelas camisas repletas de anúncios são inocentes, apenas ornamentos sem significados maiores, é fugir da realidade da luta, para acumular dividendos. Até nas eleições o capital entra com todo fôlego, o canto das mercadorias se torna sedutor, quando a ética deveria ser  soberana nos projetos  de cada candidato.

O desejo esvazia as reflexões. A morte da crítica é um perigo. Fica o império da fofoca, da futilidade sem preço, dos rótulos sem conteúdo. A contemporaneidade descarta tradições, mas faz valer sua ambições individualistas. Não pode fugir das travessuras do reino dos cartões de créditos ou das astúcias das crises fabricadas.Salvar a economia pela exarcebação do consumo é uma ameça. No futebol, o craque que surge, recebe contratos milionários e se sente poderoso, sem, nem ainda, ter tirado as fraldas.

Muito bom  que o  debate se espalhe. A transparência promove o esclarecimento. Os esconderijos evitam maior liberdade de informação. Os desencontros são propositais e as situações dos clubes revelam precariedade profunda. Amedrontam-se diante da pressões, pois suas administrações não se tocam com as armadilhas. Querem festas imediatas, mesmo que os escândalos tomem conta das manchentes, dias depois.

Sempre insistimos. Não adianta olhar a sociedade, como fragmentos soltos.Isso favorece a concentração de vaidades e de espertezas. Futebol, política, invenções, desenvolvimento, tudo  tem seus lados de convivência. Não há uma soltura ou uma irresponsabilidade enganada. Quando tecemos o manto que encobre os atos sociais, com um pequeno esforço, vemos como suas linhas são íntimas. Denunciar é uma saída. Mostrar como os negócios se costuram ativa a lucidez e o coletivo.

As vitórias do coletivo: o vôlei do Brasil e os mineiros do Chile

 

Ganhar traz, no geral, alegria e otimismo. Pode trazer enganos ou distrair avaliações negativas. Depende do momento e dos rumos tomados, pelos vencedores. A decisão acontece, mas suas repercussões se multiplicam. Seus atores principais não conseguem acompanhar todos os seus desdobramentos. Faz parte da artimanhas da cultura. Não faltam amadilhas, nem abismos profundos.

A seleção brasileira de vôlei jogou partidas extraoordinárias contra a Itália e Cuba. Foi uma dança fatal para seus adversários, perplexos com o domínio verde-amarelo. Astúcias nos saques, contra-ataques rápidos, raça no ânimo, técnica esmerada no passar da bola. A torcida da casa ficou sem ação. Esperava ver a Itália assumir a ponta, deslumbrar e intimidar o Brasil. O tiro saiu pela culatra. Teve que reconhecer nosso estado de graça.

Os cubanos haviam vencido na fase anterior. Possuem uma seleção nova, com uma força impressionante. É preciso cuidado, pois são arrasadores, quando pegam o eixo das articulações. Nada feito no domingo, diante da vontade brasileira. Todos merecem homenagens, pela coragem e concentração. Murilo, Rodrigão, Vissotto, Bruno extrapolaram, mas a dimensão coletiva é importante. O vôlei requer solidariedades constantes, agilidade no raciocínio, sensibilidade para entender o olhar do outro.

É muito diferente do futebol. No vôlei, não há espaço para o jogador se omitir. Custa caro querer ficar disperso, sem se ligar na força do conjunto. Quantas partidas assistimos de futebol com atletas alheios ao que se trama ? E o goleador que termina marcando seu tento, transformando a maldição em heroísmo? O acaso está mais presente e provoca controvérsias. As reclamações pontuam muito a fala dos times fracassados. Observem as entrevistas feitas e as respostas dadas pelos atletas.

No Brasil, o vôlei vem garantindo fãs , em todos os sentidos. Há renovação, os títulos se sucedem. Bernardo é uma liderança indiscutível, envolvido com sua equipe, no ritmo exaltado do coração. A seleção havia sofrido com a derrota contra a Bulgária. A ética foi para o mato. Consagrou-se a facilidade. Alguns se abateram. O desandar do comprtamento ameaçava trazer decepções. As suas  últimas atuações responderam, com firmeza, às dúvidas lançadas , pois o brio e a concentração se pontificaram.

 A sociedade possui  lugares, onde o exercício do coletivo é fundamental. No deserto de Atacama, norte do Chile, outras relações humanas se entrelaçam. As comemorações festejam o quase fim de uma odisséia. Nem tudo está resolvido, porém o caminho está aberto. Os familiares dos 33 mineiros já esboçam um sorriso. O trabalho é intenso. Desde o dia 3 de 8 de 20010, eles estão enterrados vivos.  A sonda T-130 completou a perfuração de um duto. Ela funcionará como a difícil trilha da liberdade. Não sem riscos.

Aventura sem igual. Muitas sutilezas técnicas exigem atenção. Os sobreviventes vivem tensões psicológicas agudas. A instabilidade flutua, entre a esperança e o desespero. A mineração é uma atividade, sempre, cheia de desequilíbrios. Compõe as situações de explorações que comandam as vivências capitalistas. Valeram a mobilização e a coragem.Têm um conteúdo especial para se pensar a política, longe dos debates superficiais.Fortalece a dimensão da alegria de socializar as vitórias.A cultura frutifica atitudes diversas e não apenas o individulismo da competição.

O mundo agitado das notícias e a circulação da bola

Fica difícil mergulhar no vaivém do cotidiano. Os meios de comunicação correm, numa velocidade descomunal. Que tempo temos para fazer uma reflexão, afagar uma notícia, avaliar seus impactos? Vale a sede da quantidade. Então, tudo vira uma grande mistura. O espaço da pausa sumiu, o raciocínio é um suspiro e a vida  se oferece de forma passageira. Parece que estamos entregues à visão da superfície. Somos educados para poucos alardes e uma docilidade improdutiva.

Silenciar não é o caminho. Prefiro cultivar voos rápidos do que naufragar nos restos de um copo d’água. Vejo os jogos na televisão e me pergunto se acontecem num estádio único. Os comentaristas não sabem no que inovar. Tudo fica por conta do poder da imagem, pois a palavra mostra exaustão.O detalhe é assumido, como o dono do pedaço. Portanto, a profundidade morre na primeira padaria comprando a sobra do pão francês.

Um pouco de  ruído assanha as lembranças recentes. O Timbu continua moribundo e o Sport perdeu mais uma chance.Não dá para explicar o que acontece. Profissionais estão mais deslumbrados com os contratos e transferências do que com o toque da bola. Assusta. A volúpia da propaganda desfaz o principal e atiça as instabilidades emocionais. Na onda da derrota, o Atlético Mineiro sofreu mais uma. Dorival que se cuide.

Quase não se fala sobre o desgaste físico dos jogadores, na maratona do Brasileirão. É preciso que haja espetáculo. Não se ressalta a exaustão do corpo. São muitas contusões que impedem melhoria do times. É uma alienação gigantesca, em nome dos negócios e das trocas. No final de semana, algumas vitórias alteraram a classificação. O Cruzeiro é lider; o Corinthians continua desconjutado, tendo a companhia do Fluminense, com problemas visíveis. Uma corda bamba inquietante: Botafogo empatou com o Palmeiras, mas São Paulo, Santos e Ceará venceram. Muitos impactos nas torcidas esperançosas.

Na outra margem do rio, a eleição ressuscita temas de fundo religioso. Será que isso? Não é uma concepção de política que se afaste muito do que vemos no futebol.  Reaviva-se o desejo inconciente de salvação. De repente, as igrejas  passam a definir votos. Gozam de uma força  inesperada nas alianças decisivas do resultado definitivo. Ninguém se recorda da democracia e dos debates sobre a sociedade e seus modelos de vida ?

 Os candidatos seguem o que clama seus eleitores. A pedagogia deixa de ser moradia da política. No fundo, todos querem livrar-se do pecado, nem que seja na urna eletrônica. Quando se pensa as várias arquiteturas do social, evitamos muitas banalidades. Há uma preguiça que adormece o impulso de ultrapassar limites. As responsabilidades sobre as coisas, mais pertinentes, se fantasiam.

A infantilização é avassaladora. Nada contra as crianças, nas suas idades tão poéticas. O sério é o que tempo se adianta e as pessoas não se ligam. Divertem-se na internet com assombrações e boatos medievais. Num mundo do virtual, o espelho da vida se torna uma nota de compra e a carência afetiva a trilha para farmácia da esquina. O barco da solidariedade medita sobre os fazeres da solidão.

O futebol na semana das orações e da maçã verde

    

A eleição foca os debates, mas o futebol não perde sua vez. O Brasileirão, série A, segue sua trajetória. As partidas ficam mais decisivas e todo cuidado é pouco. Alguns apreensivos, com o perigo de segurar a laterna, e outros organizados para não deixar o título fugir. Os jogadores parecem mais envolvidos, sabem o quanto vale uma boa classificação. Como a vontade de ver a moeda tinindo motiva, o investimento pessoal também ganha dimensões aceleradas. É claro que há outras questões que levam a busca de cada um. Ficar preso aos salários é muito mesquinho.

No entanto, as notícias são variadas. O caso Bruno continua se arrastando. O drama se agudiza  e os esclarecimentos são limitados. O goleiro vem apresentando-se depressivo, com a saúde abalada. A pressão é grande. Muito mistério que se prolonga, melancolicamente. O preço da fama é traiçoeiro. Da riqueza, aparentemente, poderosa, ao descaso público. Isso desmonta qualquer um, considerando os limites e as ambições individuais.

A luta pela conquista do título é acirrada. O Corinthians vive problemas de contusão constantes. Fica complicado armar o time, com sucessivas mudanças. As vitórias não acontecem, como antes. Ronaldo,  ainda no banco, cria polêmicas. Muitos esquecem que a função básica dele não é jogar, porém, chamar atenção para as propagandas e os negócios. Seu talento é imenso. Isso é inegável. Dentinho e Jorge Henrique estão, também,  afastados. Esses problemas médicos geraram desencontros entre as opiniões dos jogadores e o comentarista Casagrande. Clima tenso.

O Fluminense foi surpreendido, pela rapidez dos meninos da Vila. Muricy não se conforma. Poderia está folgado, na ponta da tabela, no entanto a equipe não dispara. A volta de Fred não foi bem sucedida. Outro problema físico a ser resolvido, atormentando o clube, devido à sequência de partidas. O futebol é um espetáculo de ritmo quase diário. Alimenta jornais e tvs com sua movimentação. Além disso, as torcidas adoram beliscar as fofocas, encher o ânimo de expectativas. Tudo atiça  sentimentos. Vamoo ver que o domingo nos reserva.

Por outro lado, o São Paulo se deu bem com a presença de Carpegiani. Os elogios estão vindo de todos os lados. O Flamengo se ajustou, inicialmente, aos projetos de Luxemburgo. Ele revela seu encanto com o retorno a Gávea. Quer ressuscitar, ser manchete e não abandonou o plano de trilhar o caminho da seleção. Mano Menezes mantém-se,  já na segunda vitória. Mas Luxa é esperto, possui muitos admiradores e a simpatia de  Ricardo Teixeira. Nesse mundo do efêmero, acontece peripécias de todo tipo.

A discussão maior está na política. Como deveria ser sempre. Marina não se define. A sua palavra vale cores. Ela não quer sair esvaziada  da mídia. Controla-se para não cair nas armadilhas.  Boatos, invejas, preconceitos, tudo habita o mundo da política. Seria melhor que surgissem projetos sociais eficazes, mais cuidado com a solidariedade e o afeto. A virtude da política é o apego à cidadania. Esqueceram ou preferem o narcisismo dos cargos?  A guerra santa atua e a culpa sempre lembra o vermelho da maçã.

A saudade embala o tempo, a vida, a memória

Há pessoas que ficam. Criam seus pactos com a eternidade, de forma diferente, mas com uma força afetiva marcante. Outras desaparecem e morrem, sepultando lembranças e passados. Não basta formular pensamentos, divulgar invenções, organizar rebeldias. Os traços de cada um vão desenhando figuras que acompanham a vida. A memória acede o coração e nos move nos mistérios inusitados.

Hoje, Lennon faria setenta anos. Muitos diriam, uma idade redondíssima. Suas polêmicas estiveram, com densidade, presentes nos 1960. Tradições tremiam e os mais conservadores reagiam com violência. Lennon e os Beatles permanecem na agenda da contemporaneidade. Há muita lenda, exageros, mitificações. Isso compõe um mundo carregado pelas investidas da mídia. Não é novidade. O território está aberto para confusão contínua, entre verdades e mentiras, máscaras e éticas, solidariedades e hipocrisias.

Lennon meteu-se em muitas controvérsias. Sua música, junto com seus companheiros, provocava sintonias de outros sons. Expressava desconforto para os conformados, porém mexia naqueles que desejavam uma sensibilidade mais solta, sem preconceitos. O capitalismo se afirmou enchendo a sociedade de burocracias e coisificações. Com sua arte, Lennon desafiou, revelou que havia muitos caminhos.

Aliás, os chamados anos 6o ferveram, no campo da cultura. Era a busca de fixar a imaginação no poder. Houve choques incríveis. As religiões se abalaram e a velha política caiu no abismo. Não subestimemos, porém,os que se apegam às hierarquias e ao autoritarismo. As relações são complexas e muita gente fala em nome de Deus e da segurança. Quem esquece as atribulações do golpe de 1964 no Brasil ? E o conflito no Vietnã com os Estados Unidos ambicionando dominar tudo? Terminou sofrendo uma derrota histórica.

A vontade de mudar era motivo de expansão de hábitos renovadores. Lennon não foi estranho a tudo isso. Mesmo, quando os Beatles se separaram, manteve sua vida com sentidos de paz e influenciando seus admiradores. Seu assassinato foi um choque. As loucuras contemporâneas permitem esquisitices, nunca esperadas. Os ídolos são visados, pela adoração e pelo ódio escondido. O caso recente de Neymar assinala bem as dissidências. Alguns ídolos ameaçam e perturbam, outros estimulam correntes de sentimentos mais profundos, para os que se inquietam com a mesmice.

Muita coisa se foi ou se perdeu. Seus registros se esfumaçaram. O capitalismo continua esperto. Sua capacidade de esvaziar protestos e ornamentar as vitrines é incrível. Muitos que expressaram contestações viraram objetos de troca e venda. Lennon não escapou dessas armadilhas. O sistema é enganador e traiçoeiro. O que ele fez, recebeu, depois do sucesso,  uma valorização destacada do mercado, mesmo que condene seus contéudos consumistas.

É sempre bom não deixar a crítica de lado. A dominação não perdoa quem   desconfia dos seus modelos. Lennon sabia disso. Sua obras mostram  insatisfações. Hoje, vivemos essas questões: nos confrontos políticos, nos histerismos religiosos, nas avaliações narcísicas. Não faltam os que denunciam, sem compromissos, com uma gratuidade cínica.Não custa ressaltar que embalos dos tempos se misturam. A disputa é contínua. O sociedade, infelizmente, fortaleceu e sacralizou ações mesquinhas.

O perfume, o charme, a travessura, o jogo da vida

O perfume da vida não tem apenas lugar no corpo. Ele se espalha, nas esquinas e  na contramão da avenida principal. Não acredita ? Acampanhe essa história. Na programação dos filmes da semana, anúncios de muitos mistérios. Fui assistir Igor e Coco Chanel, mas fiquei de olho no sorriso de Julia Roberts. Ele deslumbra as estrelas do firmamento, inverte as ordens do coração. Interessei-me, porém, pelo casal e suas possíveis aventuras.

Chanel desfila, não anda. Inunda a tela, com um charme de quem passeia num tapete mágico. Não se limita às travessuras da beleza. Não mascara seu pragmatismo. Igor treme nas bases. Desmantela-se. Compõe para aguentar a sedução. Chanel quer o perfume que se mantém. Mercadoria rara, mas fascinante. Joga com a vida, não se importando com a mágoa dos outros. Estende-se para o futuro.

Igor, o compositor, suspira. Consegue que A Sagração da Primavera seja aceita. Supera o fracasso da estreia. Sua música assustou os comportados. Cortava a linha do tempo. Tinha parceria com as figuras de Picasso. Era de um mundo de guerras e de revoluções. Começava o século. A desvastação se pronunciava como um juízo final. O capitalismo queria novas colônias. Os artistas desmontavam regras . Os discursos das vanguardas se sucediam.

O cinema traz o diálogo com o passado. Possui suas sintonias, com o tempo, e revela suas permanências. O desejo de mudar não se desfez. Saímos das imagens, para o mundo, com sensações parecidas. Será o perfume das ontologias ou a ressureição dos deuses do Olimpo? É difícil ocultar relações com as mesmas vestimentas. Chanel e Igor vivem uma paixão inventada ou reproduzem o que se alarga pelos cantos de cada escada e de cada quarto?

O jogo da vida não permite interrupções. Talvez, a morte seja um descanso premeditado, pela astúcia de um Grande Mágico. Ganham-se espaços, mas os espelhos não conseguem fotografá-los O cinema se mistura com o que se passa no palácio do rei da antiga Pérsia. A continuada trilha de lamentos de quem, um dia, perdeu o paraíso. A dissonância de Igor Stravinsky se choca com a harmonia de Mozart ? O charme de Coco Chanel some diante do sorriso de Julia Roberts? Por anda a sutileza?

Não faltam objetos diferentes, cheiros de todas as flores, memórias de todas as alcovas. A televisão repete cenas exaustivamente. Vemos um gol,quantas vezes a vontade admitir. A repetição é tão intensa que achamos, em cada imagem, um detalhe especial. Salve-se quem puder entrar na ficção e  na virtualidade. Os fundamentos distraem os reflexivos e testemunham a fé na eternidade. A relatividade do absoluto está no cofre da Bolsas de Valores.

Eis uma questão da existência humana que confunde a travessia de todos: por que pensamos na transformação se nos apegamos à essência do perfume da mesmice ? Compro Chanel número 5 na importadora do shopping, ouço A Sagração da Primavera no home theater da sala, assisto aos jogos de futebol  nas telas enormes das LCDs. O charme, eu invento com as palavras que sonham no papel, como o beija- flor se encanta com  a rosa vermelha do jardim.

Os ídolos e o passado envolvem o tempo e as paixões

Os  ruídos compõem a sinfonia da história. A dissonância não é inimiga da cultura, como também os silêncios e as carícias das brisas. Pensar na harmonia não é uma loucura. Ela é, porém, presença rara na sociedade contemporânea. Na pressa da convivência, as soluções clamam por urgência, nem sempre, por bom senso. Temos que criar modelos de comportamento. Existem os mitos, as crenças religiosas, os ídolos profanos, os mantras da salvação.

As sociedades tradicionais não se afastaram do ritmo das fantasias. Elas tinham outras configurações.Mas quem viveu sem adorações, sem inventar santos e heróis? Redesenham-se as linhas de ligação com o sagrado. Se, hoje, persiste o consumo, não significa que as preferências por certos mistérios findaram. Não há um progesso inevitável. Tudo se mistura. A nostalgia não fugiu da ficção e o passado pesa nas curvas  do corpo.

Os ídolos estão por aí. Soltos no mercado e nas mentes humanas. O cinema fabrica os seus, o futebol não sai da cena e a política reafirma seus ideais. Cada época constrói seu altar e seus ornamentos. As orações variam de acordo com o tamanho da idolatria. As torcidas levam cartazes, cantam gritos de guerras, aproveitam a vida e suas cadências. Há fracassos, insistências, fenômenos, fazeres ocultos.

Romário e Bebeto voltam a formar uma dupla de ataque. Nem todos conseguem, porém, o feito de Tiririca. Simone não teve cacife para transformar sua caminhada, nem tampouco o polêmico Vampeta. No entanto, a ida para política não atrai a grande maioria. Alguns preferem manter-se no seu lugar, cultivar a prudência. Temem descortinar insucessos. O risco possui rostos estranhos.

Lembro-me dos anos 1960. O golpe militar desfigurou as utopias, porém não apagou os ídolos. Os protestos se fizeram atuantes na música, na literatura, nas reuniões clandestinas. Lá fora, em muitos lugares, explodiram rebeliões contra a mesmice e proclamando o valor da imaginação. Acompanhava os protestos e os sentimentos. Beatles traziam mudanças nas sintonias, Woodstock abalou os alicerces cansados das  tradições. Os desejos ferviam na pele do universo.

A dureza da censura não impediu que as conspirações se prolongassem. Ninguém pode se fechar, sacudir a chave fora e dizer que a esperança desapareceu. A cultura é, também, um jogo. Não há garantia de permanência nas regras, porque a instabilidade não deixa decretar o fim das inquietações. Morrem ídolos, aparecem outros. Nietzsche, no século XIX, era um desconhecido. Agora, sacode as reflexões pós-modernas. Desadormece conceitos e interpretações.

Muitos ainda se movem como vivos ou mais do que os vivos. Elvis Presley encanta fãs de épocas diferentes. Marx serve de base para críticas ferrenhas ao capitalismo. Chaplin e Felinni guardam seu lugar no cinema. Sentam-se na primeira fila. Quem não se deleita com os acordes de Mahler, o jazz de Mile Davis, as audácias musicais soberanas de Piazzolla? Apagar certos ídolos ou não perceber que, na vida, pulsa transcendência, é diminuir o sonho. O sol cabe na mão de quem toca o mundo com os olhos. Mantenha-os abertos.

O pragmatismo fere a ética e elege o resultado

A hegemonia do capitalismo não é apenas econômica. Ela traz comportamentos e projetos culturais que se firmam. Como não existe capitalismo sem exploração, fica até inconcebível certas generosidades anunciadas pelos seus governos. Não se pode negar a força da tecnologia: muitas novidades na produção do conhecimento, agilidades incríveis nos meio de comunicação. Tudo tem um preço, para quem vive no mundo das mercadorias. As suspeitas rondam, portanto, os atos humanos e consolidam interesses pouco solidários.

A polêmica derrota do vôlei brasileiro, para a Bulgária, suscitou questões sobre o valor da ética, na sociedade contemporânea. As regras do campeonato mundial dão espaço para combinações de resultados, fragilizando as disputas e colocando, em dúvida, as articulações dos envolvidos. O Brasil perdeu, mas se beneficiou. Outros também podiam usufruir desse caminho. A seleção cumpriu o pragmatismo, não sem culpas. Acostumada a vencer, jogou constrangida e sem alma.

A transferência dos técnicos movem, também, opiniões e discórdias. Paulo César Carpegiani cumpria contrato com o Atlético do Paraná. Fazia uma boa campanha. No entanto, o São Paulo lhe ofertou uma grana atraente.Carpegiani mudou-se para o tricolor. Na sua entrevista, tocou na ferida. Disse que não houve falta de compromisso. Salientou que isso acontece em todas as profissões. Realmente, é o que vemos. Os acordos são rompidos em nome de mais salário e status. As regras morais se escondem  das negociações ou o mundo está noutro ritmo?

Não anunciou o fim dos tempos, porém configurou como andam as relações sociais num mundo fascinado pelos resultados. Essa discussão volta , sempre, o que mostra que há incômodos. Talvez, uma minoria sinta o desconcerto e perceba que a ausência de limites oferece perigos. Estamos nos transformando, em objetos, num mercado global complexo e astucioso. O trabalho tem custo variável, dependendo, muitas vezes, do sucesso e da divulgação da mídia. Trilhas cheias de escorregões e pedras, porém presentes nas andanças de cada um.

Na política, não é diferente. As coligações são feitas, numa imensa confusão de princípios.Pronunciar o nome ética, nessas transações, é cometer um desatino. O sistema partidário esvazia-se, pois só pensa no valor do voto. Perplexos assistimos às composições eleitorais . O peso da balança é ambicioso, vale empréstimos, acúmulos, e os valores nem são lembrados. Quem atina para os fundamentos, leva o título de ingênuo ou deslocado das necessidades modernas. Assegurar a vantagem é a glória. Amém…

Nesse segundo turno, a bola vai rolar, como diriam os locutores. Os dois candidatos desejam o apoio da Marina Silva, a ecológica. Os telefones não param de tocar. Esquecem que Marina não é aquela cantada por Dorival, o baiano das músicas belas. O jogo esquenta as conversas dúbias. Dilma e Serra sentem os corações nas mãos. A esperteza comanda cada passo. É difícil prever os acordos finais, porém não custa ressaltar que, quando esmagamos a ética, abalamos a sociabilidade. A eleição do resultado, como bem supremo, descortina  um futuro nebuloso. Quem viver, verá.

As expectativas no mundo das ansiedades diárias

    

Continuam as especulações políticas. As incertezas deixam os candidatos  receosos. A política tem muito do jogo, da negociação, da paciência. O melhor é que prevaleça o poder de persuasão. Resolver pela violência é a falência da democracia. Cada programa político tem suas soluções, mas também suas lacunas. Por isso, escutar é uma grande arte. Ir pelo caminho da arrogância é mesquinho.Gritar pela liberdade é uma coisa. Gritar para calar seu adversário é outra coisa.

A  corda bamba balança mostrando as indefinições. São importantes a saúde,  a educação, a qualidade de vida. A natureza precisa também respirar. Sua destruíção é quase um suicídio. O imediato não revela a complexidade da história. É preciso conjugar idéias, não ficar deslumbrado com os encantos das vitrines. De nada adianta encher a casa de objetos, se a ansiedade alimenta infortúnios e a corrida pelo dinheiro esconde afetos.

O lugar de transformar os desacertos requer entendimento, transparência e sabedoria. A verdade é transitória, merece cuidado, pois há os que a proclamam sem reflexão, movido a interesses. Observar o entrelaçamento dos tempos e das opiniões é uma saída. Pensar que os conflitos podem ser eliminados, magicamente, é brincar , sem criatividade. As diferenças persistem, porém existem meios de serem atenuadas. Um mundo homogêneo seria frustração e perda de ousadia.

Se as agitações caminham juntas com as escolhas eleitorais, elas não abandonam as outras estradas da vida. Violência urbana, excesso de máquinas nas ruas, coisificação acelerada do humano atrapalham a vontade de exercitar relações mais amistosas. A competição desenha cartografias que fragilizam as compreensões. Ela se estende pelo cotidiano, entra nas moradias, dá o tom dos anúncios e das manchentes. 

As repetições têm seu lugar.A torcida do Náutico está na onda de controlar a desesperança. Quer apostar no novo técnico, mas os desfalques, por contusão, enfraquecem a equipe.  Já o Sport não olha para atrás. Luta por vitórias, próximo da vaga para  série A. O Santa, longe das conquistas, prepara-se para sua eleição presidencial. Espaços abertos para dúvidas, no entantos desespero não resolve, apenas desmancha,  mais ainda, qualquer chance de redenção. Vamos ver se o marasmo não se aprofunda.

O São Paulo tomou atitude, usando uma expressão da moda. Contratou Paulo César Carpegiani. Não aguentou tantos insucessos. Baresi ficou no desejo. O tricolor tem estrutura grandiosa. Dizem que o salário do professor do Morumbi chega a 300 mil reais. O Flamengo também busca se acertar. Na Gávea, os problemas são maiores, pois há desencontros administrativos profundos e acabou de demitir Silas. Por outro lado, fofocam que Adílson Batista está em baixa. O futebol é campo de notícias e o Corinthians, sempre, na linha do tiro.

Pois é. As ansiedades diárias fazem parte da cultura contemporânea. Sempre há sobre o que falar, com estardalhaços ou com sutilezas venenosas. Não se poderia visualizar um mundo silencioso, com tantas opções e regras para medir. Quando as eleições terminarem, outras questões aparecerão. Freud que o diga. Olhar os outros é parte integrante das nossas contemplações. Arranhar os espelhos e ofuscar o brilho de certas imagens é desaquecer a convivência social.

Final de semana de resultados, cores e torcidas

Eleição direta, para presidente, faz a cidadania exultar. Quem se lembra dos tempos da ditadura militar, sabe o quanto era triste sem as campanhas políticas. A opressão era terrível. Quem não viveu, às vezes, subestima. É claro que existem as impaciências e as propagandas vazias.  O pior é restringir a liberdade, aprofundar a censura e usar a violência. O voto faz bem, gira as polêmicas e mostra que a luta pela democracia deve ser permanente. O aprendizado é para todos.

As pesquisas eleitorais causam expectativas variadas. A informatização agiliza os trabalhos e as ruas ficam cheias de papel. A boca de urna não existe. Está proibida. Mesmo assim, muita conversa anima o dia. Além do presidente, há a votação para senadores, deputados e governadores. Um dia de muitas cores, com o sol colaborando com seu calor e muito azul enfeitando o horizonte. Tensões, desejos, saudades, vitórias, derrotas. Romário, Tiririca, Tarso Genro, Jarbas Vasconcelos, Marina, sentimentos e pessoas envolvidas com a política no 3 de outubro.

Enquanto isso, o Brasileirão entrou em ritmo de urgência. Era preciso preservar o domingo. Muitos jogos, na sexta e no sábado, e algumas surpresas, como os empates do Corinthians e do Fluminense. A disputa, entre os dois, continua quente. Santos, São Paulo, Cruzeiro, Palmeiras, Botafogo, Flamengo foram outros que não se abraçaram com a vitória. O Atlético Mineiro deu uma respirada, porém se encontra numa situação difícil. Ronda o abismo. Já o Grêmio reage, com Renato no comando, e o Internacional não se afasta das primeiras posições.

O Coritiba segue seu caminho. Parece imbatível. A Ponta Preta oscila, não se firma. Não mostra força para sair da série B. A complicação aumenta para o Náutico. Não superou o Ipatinga, deixou de ganhar pontos e vai em buca do tempo perdido. O Timbu ressente-se de grana. Seus atrasos salariais impedem melhor articulação da equipe. Muitos ficam apáticos, sem acreditar nas velhas promessas dos dirigentes. Há uma confusão que desmancha a fé numa reviravolta. O Náutico está até sem patrocínio nas camisas. Sinal de desleixo e erro fatal que atiçam a crítica da torcida.

O Sport mantém-se na trilha de Geninho. Arrumou-se e poderá classificar-se para série A. Soube investir, deu um nó nas intrigas e seguiu adiante. A reta final está aproximando-se, não há gordura para queimar. Os clubes conhecem os vaivéns dos campeonatos. Não dá inventar alternativas, em cima da hora. Por isso, o Leão da Ilha rugiu no tempo certo. Se ganhará espaços na elite é outra história. Jogo é jogo, profecia é profecia. O resultado traz transformações. Nunca é desprezível.

Vencer tem sabor especial. Pelo menos, no imediato da vida. As eleições também traçam trilhas de solidariedade. Não basta, apenas, ter milhões de votos. O Brasil necessita de reformulações, de desfazer preconceitos, de socializar conhecimentos e bens materias. A palavra desenvolvimento é dúbia. Quem usfrui com a quantidade, com o cinismo, com a falta de ética?  Dispensem as máscaras e continuem na disputa. Só espetáculos, no meio da desigualdade, são lições trágicas.