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O pragmatismo fere a ética e elege o resultado

A hegemonia do capitalismo não é apenas econômica. Ela traz comportamentos e projetos culturais que se firmam. Como não existe capitalismo sem exploração, fica até inconcebível certas generosidades anunciadas pelos seus governos. Não se pode negar a força da tecnologia: muitas novidades na produção do conhecimento, agilidades incríveis nos meio de comunicação. Tudo tem um preço, para quem vive no mundo das mercadorias. As suspeitas rondam, portanto, os atos humanos e consolidam interesses pouco solidários.

A polêmica derrota do vôlei brasileiro, para a Bulgária, suscitou questões sobre o valor da ética, na sociedade contemporânea. As regras do campeonato mundial dão espaço para combinações de resultados, fragilizando as disputas e colocando, em dúvida, as articulações dos envolvidos. O Brasil perdeu, mas se beneficiou. Outros também podiam usufruir desse caminho. A seleção cumpriu o pragmatismo, não sem culpas. Acostumada a vencer, jogou constrangida e sem alma.

A transferência dos técnicos movem, também, opiniões e discórdias. Paulo César Carpegiani cumpria contrato com o Atlético do Paraná. Fazia uma boa campanha. No entanto, o São Paulo lhe ofertou uma grana atraente.Carpegiani mudou-se para o tricolor. Na sua entrevista, tocou na ferida. Disse que não houve falta de compromisso. Salientou que isso acontece em todas as profissões. Realmente, é o que vemos. Os acordos são rompidos em nome de mais salário e status. As regras morais se escondem  das negociações ou o mundo está noutro ritmo?

Não anunciou o fim dos tempos, porém configurou como andam as relações sociais num mundo fascinado pelos resultados. Essa discussão volta , sempre, o que mostra que há incômodos. Talvez, uma minoria sinta o desconcerto e perceba que a ausência de limites oferece perigos. Estamos nos transformando, em objetos, num mercado global complexo e astucioso. O trabalho tem custo variável, dependendo, muitas vezes, do sucesso e da divulgação da mídia. Trilhas cheias de escorregões e pedras, porém presentes nas andanças de cada um.

Na política, não é diferente. As coligações são feitas, numa imensa confusão de princípios.Pronunciar o nome ética, nessas transações, é cometer um desatino. O sistema partidário esvazia-se, pois só pensa no valor do voto. Perplexos assistimos às composições eleitorais . O peso da balança é ambicioso, vale empréstimos, acúmulos, e os valores nem são lembrados. Quem atina para os fundamentos, leva o título de ingênuo ou deslocado das necessidades modernas. Assegurar a vantagem é a glória. Amém…

Nesse segundo turno, a bola vai rolar, como diriam os locutores. Os dois candidatos desejam o apoio da Marina Silva, a ecológica. Os telefones não param de tocar. Esquecem que Marina não é aquela cantada por Dorival, o baiano das músicas belas. O jogo esquenta as conversas dúbias. Dilma e Serra sentem os corações nas mãos. A esperteza comanda cada passo. É difícil prever os acordos finais, porém não custa ressaltar que, quando esmagamos a ética, abalamos a sociabilidade. A eleição do resultado, como bem supremo, descortina  um futuro nebuloso. Quem viver, verá.

As expectativas no mundo das ansiedades diárias

    

Continuam as especulações políticas. As incertezas deixam os candidatos  receosos. A política tem muito do jogo, da negociação, da paciência. O melhor é que prevaleça o poder de persuasão. Resolver pela violência é a falência da democracia. Cada programa político tem suas soluções, mas também suas lacunas. Por isso, escutar é uma grande arte. Ir pelo caminho da arrogância é mesquinho.Gritar pela liberdade é uma coisa. Gritar para calar seu adversário é outra coisa.

A  corda bamba balança mostrando as indefinições. São importantes a saúde,  a educação, a qualidade de vida. A natureza precisa também respirar. Sua destruíção é quase um suicídio. O imediato não revela a complexidade da história. É preciso conjugar idéias, não ficar deslumbrado com os encantos das vitrines. De nada adianta encher a casa de objetos, se a ansiedade alimenta infortúnios e a corrida pelo dinheiro esconde afetos.

O lugar de transformar os desacertos requer entendimento, transparência e sabedoria. A verdade é transitória, merece cuidado, pois há os que a proclamam sem reflexão, movido a interesses. Observar o entrelaçamento dos tempos e das opiniões é uma saída. Pensar que os conflitos podem ser eliminados, magicamente, é brincar , sem criatividade. As diferenças persistem, porém existem meios de serem atenuadas. Um mundo homogêneo seria frustração e perda de ousadia.

Se as agitações caminham juntas com as escolhas eleitorais, elas não abandonam as outras estradas da vida. Violência urbana, excesso de máquinas nas ruas, coisificação acelerada do humano atrapalham a vontade de exercitar relações mais amistosas. A competição desenha cartografias que fragilizam as compreensões. Ela se estende pelo cotidiano, entra nas moradias, dá o tom dos anúncios e das manchentes. 

As repetições têm seu lugar.A torcida do Náutico está na onda de controlar a desesperança. Quer apostar no novo técnico, mas os desfalques, por contusão, enfraquecem a equipe.  Já o Sport não olha para atrás. Luta por vitórias, próximo da vaga para  série A. O Santa, longe das conquistas, prepara-se para sua eleição presidencial. Espaços abertos para dúvidas, no entantos desespero não resolve, apenas desmancha,  mais ainda, qualquer chance de redenção. Vamos ver se o marasmo não se aprofunda.

O São Paulo tomou atitude, usando uma expressão da moda. Contratou Paulo César Carpegiani. Não aguentou tantos insucessos. Baresi ficou no desejo. O tricolor tem estrutura grandiosa. Dizem que o salário do professor do Morumbi chega a 300 mil reais. O Flamengo também busca se acertar. Na Gávea, os problemas são maiores, pois há desencontros administrativos profundos e acabou de demitir Silas. Por outro lado, fofocam que Adílson Batista está em baixa. O futebol é campo de notícias e o Corinthians, sempre, na linha do tiro.

Pois é. As ansiedades diárias fazem parte da cultura contemporânea. Sempre há sobre o que falar, com estardalhaços ou com sutilezas venenosas. Não se poderia visualizar um mundo silencioso, com tantas opções e regras para medir. Quando as eleições terminarem, outras questões aparecerão. Freud que o diga. Olhar os outros é parte integrante das nossas contemplações. Arranhar os espelhos e ofuscar o brilho de certas imagens é desaquecer a convivência social.

Final de semana de resultados, cores e torcidas

Eleição direta, para presidente, faz a cidadania exultar. Quem se lembra dos tempos da ditadura militar, sabe o quanto era triste sem as campanhas políticas. A opressão era terrível. Quem não viveu, às vezes, subestima. É claro que existem as impaciências e as propagandas vazias.  O pior é restringir a liberdade, aprofundar a censura e usar a violência. O voto faz bem, gira as polêmicas e mostra que a luta pela democracia deve ser permanente. O aprendizado é para todos.

As pesquisas eleitorais causam expectativas variadas. A informatização agiliza os trabalhos e as ruas ficam cheias de papel. A boca de urna não existe. Está proibida. Mesmo assim, muita conversa anima o dia. Além do presidente, há a votação para senadores, deputados e governadores. Um dia de muitas cores, com o sol colaborando com seu calor e muito azul enfeitando o horizonte. Tensões, desejos, saudades, vitórias, derrotas. Romário, Tiririca, Tarso Genro, Jarbas Vasconcelos, Marina, sentimentos e pessoas envolvidas com a política no 3 de outubro.

Enquanto isso, o Brasileirão entrou em ritmo de urgência. Era preciso preservar o domingo. Muitos jogos, na sexta e no sábado, e algumas surpresas, como os empates do Corinthians e do Fluminense. A disputa, entre os dois, continua quente. Santos, São Paulo, Cruzeiro, Palmeiras, Botafogo, Flamengo foram outros que não se abraçaram com a vitória. O Atlético Mineiro deu uma respirada, porém se encontra numa situação difícil. Ronda o abismo. Já o Grêmio reage, com Renato no comando, e o Internacional não se afasta das primeiras posições.

O Coritiba segue seu caminho. Parece imbatível. A Ponta Preta oscila, não se firma. Não mostra força para sair da série B. A complicação aumenta para o Náutico. Não superou o Ipatinga, deixou de ganhar pontos e vai em buca do tempo perdido. O Timbu ressente-se de grana. Seus atrasos salariais impedem melhor articulação da equipe. Muitos ficam apáticos, sem acreditar nas velhas promessas dos dirigentes. Há uma confusão que desmancha a fé numa reviravolta. O Náutico está até sem patrocínio nas camisas. Sinal de desleixo e erro fatal que atiçam a crítica da torcida.

O Sport mantém-se na trilha de Geninho. Arrumou-se e poderá classificar-se para série A. Soube investir, deu um nó nas intrigas e seguiu adiante. A reta final está aproximando-se, não há gordura para queimar. Os clubes conhecem os vaivéns dos campeonatos. Não dá inventar alternativas, em cima da hora. Por isso, o Leão da Ilha rugiu no tempo certo. Se ganhará espaços na elite é outra história. Jogo é jogo, profecia é profecia. O resultado traz transformações. Nunca é desprezível.

Vencer tem sabor especial. Pelo menos, no imediato da vida. As eleições também traçam trilhas de solidariedade. Não basta, apenas, ter milhões de votos. O Brasil necessita de reformulações, de desfazer preconceitos, de socializar conhecimentos e bens materias. A palavra desenvolvimento é dúbia. Quem usfrui com a quantidade, com o cinismo, com a falta de ética?  Dispensem as máscaras e continuem na disputa. Só espetáculos, no meio da desigualdade, são lições trágicas.

O Flamengo e seus dramas:paixões, discórdias, Zico

Surgem as discórdias. Onde?  No Flamengo, território especializado na fabricação de fofocas. Ele passa por fases de exaltações, acompanhadas por sua torcida apaixonada. Depois, acontecem crises, conflitos entre os grupos, falta de dinheiro e atritos inesperados. Outra situação difícil se concretiza. Zico se afasta do clube, magoado e e as reações são confusas.

Não é novidade que os clubes brasileiros sintam falta de administrações objetivas e estáveis. Poucos conseguem manter os salários em dia. Os seus profissionais, às vezes, reclamam ou mesmo os times caem de produção por falta de pagamento. Começam ganhando e despencam para o fim da classificação. O mesmo elenco tem atuações dissonantes. A perplexidade gera reflexões da imprensa. O público especula e a vida continua.

O Flamengo tem uma torcida vibrante e numerosa. Sua campanha, no Brasileirão de 2009, entusiasmou a galera. Apesar das travessuras de alguns, dos seus jogadores, o título chegou. Adriano e Love compuseram uma dupla infernal. Na vida privada, circulavam notícias, nada simpáticas. Todos lamentavam as ausências aos treinos, as farras anunciadas, mas as vitórias se sucediam e tudo terminou na euforia.

A ressaca chegou cedo. Adriano e Love se foram. Não havia grana para sustentá-los. O camandante Andrade deixou de ser o herói. Ficou um bom tempo desempregado. Bruno, o goleiro milagroso, está envolvido com as tramas do mundo do crime. O time dissolveu-se. Sumiu a vontade de rever a fama de campeão e disparar na lideranaç. Zico foi convidado para tentar salvar a situação. Sua moral é indiscutível. Patrícia Amorim prometeu limpar o clube da Gávea das sujeiras passadas.

O problema é o de sempre. Não havia possibilidade de investimentos  amplos que revigorassem a equipe. Zico tinha que lidar com a penúria e a torcida desacelerar a ansiedade. Silas foi chamado , sintonizado com a renovação desejada. O esquema foi montado. Com esperanças reanimadas e  contratações feitas, o Flamengo foi à luta, no sufoco dos  limites.

Por ser um clube de multidões, o rubro-negro recebe olhares de todos os lados. Qualquer fato, na sua direção, repercute intensamente.O time não convencia e Silas não fortaleceu as estratégias tão proclamadas. Os resultados intranquilizavam a todos, mesmo com os ruídos do público e seus cantos de paixão. Zico se atritou com outros grupos, recebeu acusações e não suportou. Pediu demissão.

Permanece e ferve o vulcão carioca. Quando um ídolo, é tocado, as reclamações se sucedem e as interpretações evidenciam discórdias e disputas. Os clubes mais populares enfrentam obstáculos, pois sofrem pressões de todos os lados. Quando estão bem, os adversários suspeitam de ajudas externas da CBF, quando entram no labirinto, desmontam os corações de muita gente.

Como a crise será resolvida ? É uma boa pergunta. O importante é não se focar apenas no momento. Não adianta soluções imediatas, mascaradas, para disfarçar a pancada. O futebol brasileiro tem suas oligarquias que se aliam com empresários interessados nas trocas do mercado. Isso causa misturas infernais. As frustrações de Zico tomam conta da cena e adormecem o otimismo de muitos. E o rubro-negro possui tapete mágico?

A cidadania pede passagem no jogo das eleições

Domingo é dia de eleições. O famoso jogo das urnas que incomoda muita gente. Algumas certezas, dúvidas imensas cercam os ambientes de votação. Infelizmente, a cidadania não é vivida, no cotidiano, com força e decisão. As campanhas eleitorais ganham importância magistral, porque a política se esquece de cuidar dos seus deveres fundamentais. Criam-se as expectativas de novas opções e a esperança nunca morre de vez.

Pouco sabemos dos objetivos dos candidatos principais. A política, como tudo, tornou-se um espetáculo, onde o cuidado com o charme e a aparência podem definir trajetórias. Brasil continua com carências visíveis. Há medidas paliativas, aumento do consumo, superficialidade nos debates. Os partidos querem espaços de poder, cargos, não se lançam, em polêmicas, sobre as crises ou a violência articulada com a miséria de muita gente.

A questão é ganhar o campeonato, não perder pontos e assegurar vantagens em cada detalhe. As bandeiras da modernidade desfiam, como também as utopias que almejavam refazer o paraíso. O mundo atônito, se sente quase sem referências. A quantidade fascina os indivíduos. Contam os cartões de crédito e planejam suas compras. A ida aos super-mercados transformou-se num passeio de final de semana. O feriado e o descanso se desfiguram, diante das astúcias das mercadorias.

O jogo é o espelho ou a realidade ? Quando Neymar exige atenção é apenas um gesto infantil ou ele traduz os princípios da sociedade em que vive? Quando Zico sai do Flamengo, mostra insatisfações passageiras ou percebe que o futebol está numa negociação sem fim? Sempre as perguntas e não devemos abandoná-las. A cidadania resiste no inconformismo. As desigualdades não desaparecem com as badaladas políticas de inclusão. As intenções dominantes de amenizar os confitos são evidentes.

A mulplicidade de cores, de ruídos de buzina, de construções meteóricas não significa a chegada de um novo tempo. Tudo é transitório, instável, efêmero, como os resultados do Brasileirão e as derrubadas dos técnicos. Lá está Roberto Fernandes no Náutico com um discurso de redenção. Gallo partiu, para onde ninguém sabe. Por sua vez, os candidatos não formam suas plataformas, preferem ter a ajuda de estrategistas. As campanhas são milionárias. Liberdade, igualdada e fraternidade sumiram do corre-corre e ocupam, com sossego, os livros.

Chico Buarque, num dos seus belos versos, diz que amanhã vai ser outro dia. Vamos torcer para a consagração das profecias otimistas. Ele falava de um tempo onde o autoritarismo e a censura imperavam. Era dureza a censura  organizada com eficiência. A história é a construção da possibilidade. O absoluto submerge diante das sinuosidades do mundo. O risco e a aventura compõem a vida.

Como tudo pede regime de urgência, segunda-feira a sociedade se encontrará com um outro humor. O futebol também não para. Muitas partidas, lutas para não curtir a amargura da desclassificação. Novidades não faltam. O São Paulo expressa vontade de contratar outro técnico. No Arrudas, as eleições prometem ânimo, apesar das ruínas. Enfim, as informações não permitem foco único. A dispersão é uma constante ameaça à consolidação da cidadania.

O mercado e o jogo: as trocas festejam urgências

O mercado é uma instituição social fundante. Adão e Eva já faziam negociações para garantir a unidade do paraíso. De nada adiantaram, pois o fascínio da maçã foi mais forte e o discurso da serpente barrou todas as argumentações. Então, vem o pecado original e as condenações eternas. Muita culpa, desconcertos e regras para segurar os desejos. O que muda é o ritmo. Continuam as trocas materiais e simbólicas, dando fôlego ao capitalismo.

Poderia esperar-se outros comportamentos no mundo da bola? Insisto e não me canso de afirmar que, nas culturas, as relações se entrelaçam. Tudo se  toca num abraço, às vezes, invisível. No futebol, busca-se garantias para que haja bons espetáculos. O trânsito dos negócios criam urgências. Surgem estrelas valorizadas e outras se perdem no sucesso. Nem todos se preparam para dimensão da velocidade, nem se conformam com a grana que aparece e se desvia.

Os benifícios do mercado não são universais, nem tampouco namoram com a democracia. Há uma minoria que acumula com esperteza e inteligência. Está tudo muito profissionalizado. Montam-se escritórios. Os craques, em evidência, possuem suas assessorias. Não dizem nada, sem um conselho ou a possibilidade de colher vantagens. Mas os políticos são diferentes ? É claro  que há  exceções. O embarque, na nave dos grandes acordos, transforma rebeldias e acomoda desejos. De repente, alguém cai e outro sobe. E no vaivém das artes, nos esquemas das tvs, dos cinemas, das bolsas de valores?

O Brasileiro segue seu ritmo. Não escolhe solidão. O Luxemburgo saiu do Atlético. Seus inimigos cantavam seu velório.Calma. Uma crise no Flamengo acorda fantasmas. Talvez Silas seja demitido e Luxa encontre outro emprego. Por enquanto, muitos boatos, porém o mercado está atento, mesmo que Zico se aborreça. Existem continuidades. Joel permanece no Botafogo e Muricy, no Fluminense. Toninho Cecílio já andou por muitos caminhos.

Por aqui, Gallo deixa o Náutico numa morte anunciada. Muitas derrotas, poucas esperanças e elenco que não impressiona ninguém. Quantos jogadores já foram contratados pelo Timbu ? Quanto voltaram para os seus lugares? O Sport acertou depois de Geninho, gastando um dinheiro significativo com dispensas e vindas de promessa futebolísticas. O  Ceará deu cartão vermelho para Estevam Soares e Mário Sérgio, depois de ter sido abandonado por PCGusmão.

O campeonato não terminou, portanto as trocas não se interromperam. Ninguém quer ser desprezado pela torcida e os empresários dominam parte do movimento do clubes. É preciso analisar o futebol, não esquecendo o lugar em que se situa. Ele está sintonizado com o mundo do imediato. O  futebol é uma vitrine. As camisas representam valores comerciais. As tradições vacilam, diante da fúria dos patrocinadores.

Celso Roth conseguiu paz, com a vitória do Internacional na Libertadores. Isso indica certa paciência dos dirigentes. Se vencer a série A será quase deificado. Quarta, o Palmeiras fez um 1×0 no time gaúcho, para que Scolari suspirasse com mais soltura. Ninguém é inocente no tempo do descartável. Os técnicos e jogadores conhecem a força da instabilidade. Fazem suas denúncias. O paraíso partiu, porém, para outro universo.

As escritas, Picasso, o futebol, o inesperado, a vida

A escrita move o mundo. Ela consegue nos  levar para conversar com quem não conhecemos. Estamos na era das  pretensas comunicações, embora a multiplicidade de coisas e de relações tornem a existência, cada vez mais complexa. Nada se acomoda. A inquietação se apresenta em todos lugares: no trânsito, nos cinemas, nos encontros políticos, nos cafés, nos estádios de futebol. A calmaria ficou nos capítulos das grandes navegações.

Apesar da massificação e da mesmice disfarçada, a surpresa acontece e desnorteia. Dizem que a sociedade está administrada nos seus mínimos detalhes. Pode ser. O controle é grande, mas se mistura com rebeldias e  aborrecimentos. A escrita registra tudo isso, embora o universo das imagens seja quase soberano. A reflexão cansa, exige paciência e contemplação. A palavra de ordem é a pressa nas ações.

Vellhice, agora, é chamada de terceira idade. Entra no custo e gera seus benefícios. Tudo tem um drama e uma trama Os boatos animam, mas provocam desconfianças. No futebol, as fofocas não cessam. Mesmo passada a Copa de 2010, ainda se fala que o Brasil não tinha espaço para ser campeão. A argumentação não toca Dunga, nem seus parceiros. A Copa estava programada para os europeus, como a próxima está para seleção canarinha.E o Flamengo, soberano no ano passado, com imprensa exaltando Andrade? Ele terminou no Brasiliense. Até quando?

Vivemos a expectativa das eleições. Programas nas tvs, debates nos jornais, ruas repletas de cartazes de mau gosto, pesquisas feitas para desenvolver profecias.Mas a incerteza não fugiu da cabeça dos candidatos. Esperam temerosos o resultado final.  Enquanto isso, dissimulam. No futebol, o Santos goleia o Cruzeiro, porém não segura o Vasco. O Sport vence fora de casa, depois de perder para o Bahia. O que é pior: o Icasa foi lá e fez a festa, tirando pontos de quem havia desmontado o Leão. O Corinthians se atrapalha, e distancia-se do Fluminense.

Com a dominação tecnológica, consultamos detalhes no google e temos respostas imediatas. É o retrato da ansiedade bem respondida, articulada com informações que nos salvam de situações difíceis. Por mais que o caminho esteja desenhado, com cores definidas, há vazios esperando astúcias e desmantelos. O poeta já anunciara: Mundo, vasto mundo, mais vasto é meu coração.  Picasso desafiou heranças acadêmicas. Encontrou saídas e construiu perplexidades, criou outras cartografias da vida e da sensibilidade.

O ir e vir fazem a escrita buscar fôlego.Não dá para captar, exaustivamente, o cosmos, nem cercá-lo de grades  instransponíveis. As notícias são tão descartáveis como certas mercadorias. A história  tem dúvidas, sobre a  moradia mais sedutora da memória. Garrincha encantou o jogo da bola, com dribles nunca vistos. Simples, extraordinário, alegre, inesquecível.

Hitler enganou milhões, com promessas de um império que não vingou. O ritmo do texto mede  o quanto as palavras revelam e escondem os tempos e suas travessias. O blog é pequeno para tantas especulações e grande para quem prefere os telegramas. Nem tudo permite a redenção, mas atrai a atenção da escrita. Desmanchá-la seria um ato de um inesperado enlouquecido. A vida não quer a brancura desértica das páginas flutuantes.

 

As pequenas grandes tardes dos tricolores no Arruda

 

Criou-se o hábito de contar as histórias, priorizando o extraordinário. Exaltam-se as guerras mundiais, as derrubadas de impérios, as renovações tecnológicas. O cotidiano é menosprezado. As pequenas coisas jogadas no lixo. O importante é brilhar, ocupar espaços, parecer um gigante. Os livros estão cheios de aventuras ditas maravilhosas, feitas por uma minoria de pessoas escolhidas pelo destino.

Nem tudo permanece. Mesmo nas histórias, mais acadêmicas, os rumos são outros. Não é mais a grande política que tem lugar inquestionável.O antes banal passou para outras páginas e pessoas, consideradas simples, colocam suas lutas e conquistas. Cabem o sonho e as rebeldias. A cultura não é símbolo da erudição de privilegiados. É o agir, o sentir, o fazer dos indivíduos de todas as épocas.

Tudo isso, para lembrar os tricolores. Não todos,evidentemente. A referência, aqui, é a torcida do Santa Cruz, cheia de sofrimentos, porém com a alma se balaçando para reverter sua situação-limite, como diria o filósofo Sartre. Quem esquece os mais de 50 mil espectadores presentes no 4×3 contra o Guarany de Sobral? Foi um espetáculo marcante, incorporado às memórias da cidade. Um dia com registros de muita emoção e encantamento.

Infelizmente, o time não deu uma resposta merecida. As esperanças quebraram-se com rapidez. A Cobral Coral não saiu do seu buraco, mas mostrou o que possui de mais valioso: sua torcida corajosa e sem desespero. Domingo passado, aconteceu outra partida também histórica. Não havia a tensão anterior. Não se tratava da maldita série D, nem tampouco uma multidão invadiu o Arruda. Ninguém é de ferro, nem a grana anda solta pelos botecos e pelas esquinas.

Era a estreia do Santa, na Copa de Pernambuco, uma competição doméstica e sem eco nacional algum. Lá estavam 550 vibradores, felizes com os quatro gols feitos pela equipe. Todos ligados na possibilidade de ganhar mais título e não guardar a tristeza no coração como emblema. É isso. Vale o envolvimento.Falta o estímulo de outras épocas, quando o estádio era o lugar das comemorações grandiosas. O desconforto e a desconfiança permanecem, mesmo com uma nova eleição anunciada e promessas de candidatos.

O Santa Cruz necessita livrar-se dos seus profetas. Cair no concreto da responsabilidade. Dificuldades rondam o futebol brasileiro. O Flamengo foi campeão, o ano passado, do Brasileirão e se encontra ameaçado, em 2010, de afundar de vez. São contradições que aumentam as perplexidades e assinalam mistérios e suspeitas. O Juventude do Rio Grande do Sul enfrenta travessias sinuosas. Sobram exemplos.

Cada um constrói sua trajetória. Os planejamentos não conseguem se firmar. Inventa-se um diálogo de sorte e azar. Os clubes não são propriedades privadas de grupos inquestionáveis. São patrimônios coletivos. A manipulação persiste. Falências são anunciadas e muitos dirigentes recebem críticas pelo uso desnorteado das  verbas das contratações.A ruina dói no coração de muita gente que se integra na dança das três cores. O Arrudão não foi feito para passar os domingos vazios. É cenário de festa e solidariedade.

Por onde caminham as referências e o futebol ?

           

A velocidade é costumeira no mundo contemporâneo. Toda movimentação vem se acelerando com a consolidação da modernidade. São renovações intensas na tecnologia. O capitalismo superou muitos impasses. Consegue esconder-se de crises mais abrangentes. Há sustos  demorados, medos manipulados, mas não faltam agilidades. Aparecem novas fórmulas e ele mantem sua hegemonia.

Não é só da fabricação de objetos, da valorização de bens de consumo que vivemos. A sociedade tem uma multiplicidade de afazeres. Fica até difícil falar de um cotidiano. As tradições são, rapidamente, esquecidas. A política entra na onda do espetáculo, não se preocupa com seus deveres éticos e sociais. Tudo está muito confuso. Já se foi o tempo de se travar debates, sem fim, sobre os caminhos da ideologia. O pragmatismo lembra que não se deve perder minutos preciosos. Produzir é a palavra mágica.

O futebol não poderia fugir de tantas mudanças. Seria uma nostalgia enorme alimentar estruturas passadas, quando tudo está no campo da mercadoria. Na Europa, as relações capitalistas invadiram os esportes de forma decisiva. É claro que os negócios se inquietam. O futebol não é uma ilha de fantasia, cheia de atletas amadores e apaixonados por uma bandeira. O sucesso promove privilégios, funda  hierarquias e seduz de forma avassaladora.

Pelé surgiu, no século passado. Disputou, muito jovem, a Copa de 1958. Consagrou-se. Não era época da mídia acesa, como atualmente. Mas ele se segurou. Quando abandonou sua carreira, procurando outras atividades, muitos o condenaram. Acharam precipitação. Pelé não hesitou. A gritaria não era alta como nos tempos informatizados  aldeia global. Ele seguiu adiante. Evitou desgastes, sofreu adversidades. Ninguém nega a sua qualidade de craque único. É conhecido no mundo inteiro.

Hoje, qualquer risco se transforma num abismo. Há uma pressa colossal na construção e na destruição. As invenções surpreendem e ocupam as vitrines. Todos querem grana para mergulhar no consumo desenfreado. Narciso ficaria tonto dentro de um shopping center de luxo. Quando algum craque desponta a imprensa não sossega. A vida privada se desmancha e a fofoca ganha espaços. A coisificação é violenta. Altera a identidade dos sujeitos, o coloca nas manchetes, tumultua sua vida familiar.

O caso de Neymar mostra a contaminação da fama. Quais são as referências e os limites? Quem sabe responder a uma questão tão melindrosa, se o empresário comanda a leitura das regras. Ter paciência para desfiar os fios não é comum. Por isso, as ruínas convivem com as descobertas suntuosas. O mundo é pleno de ambiguidades que não cessam. Bruno era um goleiro de grande aceitação pelos flameguistas. Está, agora, nas páginas policiais, cercado de acusações e, segundo alguns, bastante deprimido.

E a gangorra dos técnicos? Bastam algumas derrotas, para os times se desfazerem dos seus professores. Quando estão invictos, tornam-se os sábios do universo. Luxemburgo já foi idolatrado. Leão é, no momento, quase um desconhecido.Esfumaçam-se as inteligências e o desemprego chega junto com o esquecimento. Tudo tem que está grávido do imediato. E nós para onde vamos na velocidade do descartável ? Nas conversas, a expressão está ligado domina. A flutuação acabou com a lei da gravidade.

A quietude não é para todos

    

No final de semana, o mundo do futebol se agita. Aquele mundo dos estádios, das torcidas nas ruas, das camisas dos clubes, das expectativas nervosas, assume ruas, bares e conversas soltas. O Brasileirão, nas séries A e B, atravessa regiões. As rivalidades não cessam, pois o jogo chama as controvérsias e esquenta a paixão. Os resultados nem sempre satisfazem, mesmo onde o favoritismo é evidente. Há espaço aberto para decepções inesperadas, ressacas medonhas e reclamações constantes.

O sábado deixou as torcidas do Náutico e do Sport desamparadas. Duas derrotas no momento de disparar na tabela. O Bahia fez a festa em cima dos descuidos do Leão. Armou bem sua estratégia. O Timbu navega na turbulência. Não consegue firmar-se. Gallo suspira diante da falhas primárias de seus jogadores. Foram muitas contratações e nada que vingasse com êxito.

O São Paulo não se encontra. Talvez, esteja partindo para uma refomulação geral. A derrota para o Goiás construiu uma melancolia de rasgar qualquer coração. Se tudo vai mudar, ainda há certo consolo. A frustração acompanha os tricolores acostumados com conquistas.  Já o Santos redimiu-se e goleou o Cruzeiro. O time de Minas não correspondeu, depois de ser apontado como provável campeão. A oscilação marca o Brasileirão. A Ponte Preta não avançou na tabela da série B, perdendo, mais uma vez, em casa. Sinal de que nada está seguro.

A situação está labiríntica para muitos. O Flamengo não se apruma, para o azar de Zico. O Atlético de Minas busca reanimar-se. A passagem de Luxemburgo, pelo seu comando, foi um tiro de misericórdia. O Galo não curtiu as sapiências do tão aclamado e vaidoso professor. Por outro lado, Coritiba e Figueirense seguram suas travessias. Desejam a série A e evitam quedas cruciais.

Fluminense e Corinthians estão na crista da onda. O Timão com mais folga e brilho. Pensa que, no ano de 2010. consolidará feitos inesquecíveis. Seu presidente não cansa de se exaltar. Seu inimigo maior é o tricolor do Morumbi. Muita inveja e descortesia existem na relação dos dois. O Corinthians perdeu, na última rodada, em um jogo sensacional contra o Internacional. Balançou sua sorte, porém sobra vontade para retomar a vitória.

O Fluminense manteve a linha. Venceu o Vitória da Bahia.  Entra num novo embalo e afasta os olhos do grande do azar. Possui um elenco precioso e um técnico acostumado a ser campeão. Resta ter cuidado e conseguir um goleiro mais eficiente. Talvez, isso dê a segurança, traga equilíbrio para não titubear no momento final. O jogo surpreende e resultados se redefinem quando tudo parecia sossegado. Os infortúnios acontecem. Eles descontrolam e mexem com a confiança.

Fica difícil assegurar quem são os favoritos. Mas o bom são essas idas e vindas. Elas estão no âmago do lúdico. Um campeonato decidido, com emoções controladas, torna-se monótono. No futebol, mais do que a vitória, vale o espetáculo. Quem gosta sabe disso. Mesmo que o coração se entristeça com as derrotas, uma partida, com craques com todo fogo, passes e malabarismo articulados, é uma sinfonia inesquecível.