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O jogo é profecia coletiva

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Quem fala de surpresas resume muita coisa da vida. No jogo, sortes e azares se comunicam e derrubam os que mergulham na exatidão. A Argentina conseguiu sair do sufoco com a ajuda de Messi. Parecia que o caos estava consolidado. O time usou os impulsos do desejo e superou-se. Maradona puxou o delírio. Não quer deixar de ser estrela, vive numa vitrine gigantesca. Houve vitória do imprevisível? Talvez. O mundo não tem proximidade com a contagem eterna. Portanto, não adianta chorar, nem se lastimar, Aconteceu.

Para completar, chegam os alemães com sofrimento agudo. Será que um desastre está escrito? A Coreia não se abateu, Fez dois nos germânicos. Desespero para quem se julgava dono do céu e da terra. Porém, o navio estava carregado de mercadoria podres. O México quase sucumbia. Consagrou-se no início, sentiu gostos amargos contra a Suécia. Assim, a Copa do Mundo desenha curvas magistrais. Os milhões são jogados para que haja lucros e o insperado anima os negócios.

A vez do Brasil trazia aflições. Neymar ganhou todas as páginas das fofocas e julgamentos. Tornou-se o senhor das especulações. Os franceses os chamaram de dramático. Sobraram dúvidas e suas empresa tentavam fechar o cerco, para não obscurecer os  anúncios e afugentar a fama. Muitas polêmicas, numa semana que o Supremo manteve seus rumos nada pacíficos. Tudo fervendo e o futebol cheio de inquietudes. E a eleição presidencial? A política está tomando Viagra ou precisa de ressuscitar as propinas? Perdeu espaço? Está no velório?

As agitações passearam pelas conversas e perturbaram as emoções. O Brasil poderia cair no abismo? O futebol entrava em todas as brechas, estimulava raivas e expectativas. Não esqueça das energias negativas, de quem pretende mudar a sociedade com seus sonhos melancólicos. Outros se mostram indiferentes, aquecendo suas teorias acadêmicas. Um juízo final, para alguns, uma oração repetida para quem espera uma cerveja em cada minuto. O Brasil venceu, segue, com mais paciência. O jogo não tem ponto final. Mexe.

Pertencimentos: amores, paixões, consumos

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Fala-se na rapidez. Nada permanece, tudo custa segundos. Não há como se segurar, pois as tempestades invisíveis ganham o mundo. Os intelectuais se lamentam  da fugacidade dos saberes. Como compreender  tanta complexidade e ainda exigir clareza das atitudes políticas?  Vivemos a falta de transparências ou ela nunca existiu ? Não me angustio. Os exageros tomam contas das manchetes, as bandeiras de lutas se multiplicam, mas as relações sociais banham-se com pragmatismos. Sempre considero o afeto. Não proclamo apostas, nem disciplinas pesadas. É preciso que a leveza consiga seu espaço, pois  o sonho distrai e o movimento afasta a preguiça.

A quem pertenço? Qual é a minha raiz? Boas perguntas, respostas confusas. Ficar preso na solidão desbotada nada traz. Sair para desfrutar as festividades produzidas com artificialidade , cansa o corpo. Portanto, busco uma conversa ajuda para costurar o tempo. Se não conseguimos nos escutar, o sinal vermelho nos coloca dificuldades. Saber a radicalidade de cada um é um desafio da vida. Como olhar o outro se eu me despedaço nas minhas agonias? Deixar a mesquinhez de lado ferve a alma; A frieza é um desencanto, um pacto com fim do mundo, uma festa de demônios sem fogo e danação.

O mundo da mercadoria pede consumo. O amor parece que se foi ou promove liquidações de sentimentos. Não podemos ser seduzidos por todas as fascinações. Porém. nada como o calor de outro corpo e a vida driblando seus infernos astrais. A paixão também agita. Ela gosta de delírios e se inquieta com a paciência. Imagina paraísos e solta-se para voar como um pássaro. A paixão possui descuidos, tem pressa, engana e nem sempre chega ao amor. Ela reverte expectativas e  resume, às vezes,e instantes de pouca clareza.  Formula tensões e especula sobre a perda. É preciso lembrar que desde os tempos mais remotos, a cultura se reinventa.

Não acredite na programação de uma história sem portas fechadas escancaradas. Há tropeços e esclarecimentos tardios. Toda vida requer agilidade e o começo de alguma contemplação. Hoje, sobrevive o império do virtual e das drogas sintéticas. Ninguém define o que se espera. As cartomantes jogam cartas com registros nas redes sociais. As armas circulam com esquizofrenias mortais.Fala-se na liquidez, no crédito, no desejo de descobrir a fórmula de eternidade. É preciso acrobacias para desmontar o feitiço da novidade. Quem não se pertence viaja num barco que não encontra a luz do cais. Consome-se, sem se observar as distâncias fatais entre a paixão e o amor. Pós modernos ou pós-orgânicos?

As travessias de Neymar: fabricações da fama

 

 

Neymar traçou um destino. Lançou-se numa aventura promissora.  A grana corre solta. Internacionaliza-se, busca vitrine e paixões globais. Aparecer é a palavra de ordem, mas a vida não é nada linear. Quando ele tropeça se lamenta e torna-se vítima. Não falta quem o julgue um gênio da boa. Não nego que joga muito. Lembro que Pelé estava em 1958 fazendo firulas, quando havia saído da adolescência. Houve mudanças. O futebol virou uma multinacional com circulação ampla de negócios. Lavagens de dinheiro, denúncias, máfias especializadas, dirigentes desequilibrados, imprensas desavisadas. Ainda bem que a história ousa estragar versões, apenas, superficiais. Há buracos e muros.

Os craques, de antes, não curtiram as vantagens de hoje. A esnobação atual cria muita antipatia. Neymar caiu nessa rede tão pantanosa e mesquinha, com privilegiados cercados de assessorias. Gosta de simulações, anda com companheiros da infância, não deixa de vestir-se na moda, costuma mover invejas,  sente-se Narciso. Seu caminho não [e fácil como deseja. Está sendo detonado, consegue chatear Galvão, porém encontra ampla proteção de Tite. Eles consagram-se com vendedores de produtos, desfilam nas propagandas, comungam certas parcerias. A mesmice atiça o vazio da mercadoria.

A Copa do Mundo sacode preconceitos e traz a opinião de culturas diferentes. Muitos interesses misturam razões e cobram comportamentos exemplares. Esquecem que os astros do futebol querem acumular famas, disputar espaços. no entanto há quem  se contamine mais que os outros. Messi não é Cristiano, Coutinho não é Harzard, Iniesta não é Otamendi. As medidas desenham geometrias infinitas e curvas flasificadas. Neymar não sossega. Talvez,  não perceba que a terra gira para todos os lados que provocam queda e constroem labirintos. Firma-se como simulador e atinge o cume das manchetes. Há um espelho arranhado em cada esquina que denuncia as imagens fabricadas.

O futebol me atrai, porém as vaidades me incomodam pelos excessos e hipocrisias. Pode-se ser uma craque, sem precisar de arrastar estrelas sombrias ou se banhar de perfumes. Nem conheço Neymar e sei que os encantos do luxo animam e enlouquecem. Quem chora fixa alguma dor, não observou o sinal tenso, conviveu com frustrações inesperadas. Torço pelo Brasil. Aprecio o futebol, a arte de tocar a bola sem menosprezar os outros. Futebol exige foco, mesmo com toda a festividade que existe. Os descontrole do mundo é geral. Há um trapézio sem rede que assusta e tumultua,um pacto da sorte e do azar num mundo profetizado pelo pecado original.

De onde vem a revolução?

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Os gregos aristotélicos não pensaram na revolução. Havia mitos e deuses com travessuras, mas nada de transformar radicalmente o mundo. A história passa. Nos tempos do iluminismo,a burguesia quis assegurar seu lugar político. Precisava tomar conta da sua riqueza, dá uma empurrada nas tradições da nobreza. Organizava-se para introduzir práticas diferentes, invadir a economia e colonizar. Não faltavam teorias e justificativas. Lá estavam  Montesquieu, Voltaire, Locke, Ricardo e tanto outros. O absolutismo vivia agonias e a proposta de movimentar a sociedade, fundar cidades, desenvolver, seduzia. Parecia que a luz acabaria com todas as sombras. O positivismo namorava com o liberalismo, fazia seus caminhos complexos.

Assim, a burguesia tramou suas revoluções. Abalou, violentou, acumulou. Não deixou a exploração de lado e sempre invejou a nobreza. Prometia igualdade. Houve entusiamos e desconfianças. Napoleão acionou um império, fez reformas importantes para consolidar um mundo que fugia do feudalismo. Porém, a miséria não findou, os monopólios continuaram oprimindo, as minorias não se desfizeram de seus privilégios. A Europa se expandia, falava-se de uma liberdade que não existia. Os românticos se rebelaram, Marx lançou seus escritos, as utopias denunciavam as armadilhas capitalistas. Confrontos ferozes, lutas em cada esquina. repressão sempre organizada.

Muitas teorias, planejamentos, massificações, ambiguidades, ordens. O paraíso não se fixou. Surgiram fascismos, bombas atômicas, racismo, opressões. Aquela fantasia revolucionária enganou, pois a ausência de fraternidade permanecia. A burguesia se refinou. Montou um forte esquema para vender ilusões, exaltou o individualismo, a competição e não poupou a violência. Uma mistura que garantia sua dominação. Outras revoluções se redefiniram. Buscava-se acabar com as dissonâncias, trazer o coletivo para governar seus interesses, socializar as conquistas humanas. Surgiram outras lideranças: Lênin, Mao, Fidel, Stalin, Gramsci, Rosa… Novas tentativas que não alcançaram a dança da liberdade. A vitrine da revolução perdeu muito do seu fascínio; pedia reinvenção.

A sociedade se olha e não se encontra. Sofre. As maiorias não ganham o espaço esperado. As revoluções não sufocaram as desigualdades.Muitas sofisticaram o poder, consagraram genocídios e viveram criando fantasmas. Há um certo cansaço. As tecnologias avisam que as inteligências artificiais se tornam poderosas. A máquina ocupa lugares, afasta pessoas, atiça vaidades especialistas. Fica difícil se prever mudanças que retomem ideias de solidariedade. As distopias se esmeram, junto com um pessimismo insistente. As modas se cultivam, no vazio da reflexão, no mar do luxo e do lixo. Não é proibido sonhar. mas é preciso sentir que os desgastes modificam comportamentos e ampliam desamparos.

O machismo no espetáculo global

 

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Somos exportadores de machismo, atores de agitações inesperadas. É a nova revelação das redes sociais, indignadas com a ação de pessoas nada saudáveis.  Os vídeos circularam de forma provocante e vimos que há divisões. O machismo é um comportamento agressivo, mas cheio de adeptos. Não pense que houve uma grita geral.  Se existiu protesto, também apareceram os que falaram em tempestade em copo d’ água. É um alerta. Fala-se tanto em progresso, porém a ética continua minada. As comunicações balançam ensinamentos e a cultura escorrega quando se trata de exaltar a igualdade.

As permanências das relações entre novo e o velho continua fazendo misturas assustadoras. Estamos no século XXI, no entanto as práticas individualistas e insanas acompanham o ritmo da globalização. Os escândalos querem espetáculos coloridos, transmissões velozes, vitrines insuperáveis. Esperava-se a quebra de racismos, preconceitos, maior paz entre as culturas diferentes e multiplicidade de contatos que refizesse a comunidade internacional, O que se nota é o acirramento das disputas, os mercados desprezando os valores de solidariedade.

O machismo chama atenção, sobretudo, quando a luta das mulheres ganha corpo e espaço. Não é, apenas, produto nacional. Apesar das muitas revoluções políticas, o mundo não consegue superar certas concepções. Vale observar a situação opressiva  das mulheres , em muitos países, a existência de refugiados, as epidemias de fome, o crescente tráfico de drogas, os genocídios frequentes.Tudo isso revela que a história se ressente de ações conscientes e desejos que ampliem a proximidade afetiva. Conta-se a expansão do comércio, criam-se manipulações de dados, as revoluções não cumprem seus programas, sustentam fascismos e torturas.

A mediocridade tem sua cota, não há como impedi-la totalmente. A globalização assusta com sua rapidez, porém, há costumes que fixam hierarquias seculares. Os homens buscam manter privilégios, usam da violência e até mesmo de teorias ditas científicas. É claro que há reações. A mudez não é tão comum, pois o silêncio tem significados. Consagrar comportamentos degradantes desanima e afasta as possibilidades de transformar o cotidiano. Os eventos internacionais facilitam contatos e estimulam confrontos. É o lugar especial para se analisar as escolhas que a saciedade habilita. Moramos, ainda, numa história que gera incertezas que não prometem findar. A poluição é grande, o ar pesa e contamina.

O ensino das histórias: finitudes e mesmices

 

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Não sei ensinar história sem pensar nas várias tramas didáticas que se divulgam. Há quem aposte numa cronologia do espetáculo. Escolhem guerras, elegem mitos, gostam da vaidades. Falta um debate ou uma reflexão sobre o significado do ser humano. O que queremos? Quais os nossos limites? Somos criadores ou criaturas? Perdidos, entre datas e nomes, facilitamos a memorização e congelamos as perguntas. Há espelhos e desejos de onipotência e pouca atenção para os significado da cultura. Inventamos palavras, nos angustiamos,traçamos utopias, não apenas somos festivos e alienados.

Os incômodos são muitos e compreendem necessidades. Há singularidades e comunhões. O que imagina quem mora numa sociedade marcada pela agressividade? O que imagina quem mora numa sociedade repleta de aridez? A cultura é construída. Buscamos alternativas para as incompletudes. Prometeu simboliza muito, como também Apolo, Zeus, Sísifo, Albert Camus, Neruda,Pelé, Noel, Clarice, Antígona, Nara… Não é possível decifrar cada enigma ou enquadrar cada pessoa num modelo fixo. Mas a procura existe e o limite nos cobre de medo. Não esqueça a rebeldia e o ânimo de destroçar as injustiças.

A complexidade da história é desafio, não cabe numa folha de papel. Uma sociedade sem polêmica não se estende, fica apática, esperando a morte chegar. O ensino da história se amplia quando não escondemos as dúvidas. É preciso fugir dos ritmos da causas e consequências. Há historiadores que se abandonam nos feitiços de documentos. Não observa a finitude, os desesperos, as idas e as vindas dos humanos. Quem se encanta com a mistificação do progresso se afoga na linearidade. A história se vive e se conta. Não deixa de produzir problemas e pede ousadias. Não há como se distanciar das aventuras que compõem a sociabilidade. Aniquilar a sensibilidade é tornar-se pedra.

O presente não é a garantia do futuro. O passado ressuscita anseios e mostra as permanências. Os vassalos da tecnologia anunciam eternidades e o fim dos desencanto. Há um apego às profecias. Sair da sala de aula com esquemas infalíveis é um pecado capital. Arquitetar uma felicidade para enfeitar as vitrinesdos sentimentos é perigoso. Há planícies e abismos, desfazeres e desamparos. No entanto, a reinvenção nos toca. Os poetas tocam o céu com as mãos. Quem não lê se sufoca na mesmice. Que escreve uma história como um conjunto de números se embriagou com a mesquinhez. A história é lugar de fantasias, mesmo que as magias nos surpreendem e desejemos fundar o inferno.

As nações existem ou se intimidaram?

 

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Ninguém discute que o capitalismo se expandiu. A globalização mostra que o mercado internacional se estreita e a cultura ganha uma massificação notável. Tudo gira na rapidez das comunicações, na ação das redes sociais, nas pressões constantes por novas tecnologias. O mundo entra na corrida, sem fim, para juntar capital, afirmar o reino das mercadorias. Ninguém, porém, nega que há resistências. Nem tudo testemunha o absoluto. Apesar das mudanças, há quem não veja com bons olhos os jogos diplomáticos e a sedução das propagandas avassaladoras. As agitações financeiras compreendem que a complexidade deve ser mantida, que a dúvida não se foi e atiça desejos.

E as culturas locais estão extintas? As identidades foram sepultadas? Há inúmeros tratados acadêmicos pesquisando o tema. Os refugiados circulam e lutam por lugares. A guerra simboliza a disputa pelo petróleo e a política aplica golpes tramados com sutileza. Muita coisa a ser decifrada, teorias soltas apostando nos azares das estatísticas econômicas. Não sou profeta das certezas. Quando aparecem os espetáculos gigantescos apela-se para que o amor à pátria seja retomado ou reanimado. Parece estranho. As grandes  multinacionais, incentivando particularidades, não perdem as articulações mais rendosas.

De repente, cada país assume uma máscara antiga. Ressuscitam-se hábitos e tradições. Será que a camisa amarela do Brasil não está contaminada? Como torcer se a corrupção habita em todos os negócios? Os jogadores  naturalizam-se. Os brasileiros querem  a bola, não importa o território da sua localização. Os hinos são tocados, os chamados trajes típicos vendidos. O mercado se acende para outros campos de exploração. Navega. Contempla tradições, observa os sentimentos, a busca história esquecidas. As invenções se multiplicam, porque é preciso que esconderijos disfarcem as emboscadas. O delírio faz parte das idas e vindas e a lojas se ornamentam para encantar clientes..

Volto e reafirmo que o capitalismo altera suas viagens, mas não perde seu ritmo. O futebol está colorindo o ritmo do divertimento. Não deixo de torcer pelo Brasil. Sempre andei atrás do futebol, sei que ele é objeto de lavagem de dinheiro. Há pausas para se curar raivas ou fermentar outras. O país se confunde nas artimanhas, cresce na forma de criar ilusões e sufocar a maioria. Infelizmente, o capitalismo não se intimida. Passa pelas academias críticas, desafia intelectuais que deliram com acumulação dos seus conhecimentos. A vitrine da vaidade não se resume aos espetáculos luxuosos. Há quem receba uma grana expressiva para relativizar as ações monopolistas e sacodem suas depressões para as farmácias da esquinas. Será que o Brasil é apenas Cunha, Cabral, Vargas, Jarbas, Collor? E nós?

Não desconte a sua história, abandone seu pecado

 

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Se é preciso contar sua história, não se envergonhe, Há  também maneiras de se esconder e fugir do que acontece. A história está cercada de mistérios, Isso não justifica mistificações, nem aproveitamento de tecnologias de sedução. O poder não se solta da coerção. A violência está globalizada. No entanto, a história não constrói um destino, ela estabelece possibilidades. Estimular a reflexão é,sobretudo, observar que as mudanças acontecem, porque a vida não está programada para uma única travessia. Assista ao filme Blade Runner e converse com seus cenários e  replicantes. Não deixe de admirar Rachel.

Muitas ficções científicas anunciaram que haveria um controle absoluto, uma mandamento único imposto por tiranias tecnológicas. Não estamos longe disso. Se a mudez prevalece, se o contraponto não acompanhar a história, seu movimento se desfaz. Conservar nem sempre é negativo. Há, contudo, repetições estranhas e abusivas, falecimentos. A escravidão não se desmanchou, a servidão voluntária atrai, o excesso de conforto cativa. A história contada não é um espelho, possui suas linhas tortas e não é um fechamento para se manter o diálogo.

A sociedade ferve quando não usa apenas monossílabos ou códigos comuns. Quando a criatividade fotografa a forma e despreza o conteúdo, algo se intimida, se minimiza. A estetização do mundo-capital é uma persuasão que produz trocas impossíveis. Olhar o outro, vê-lo exercitar a transcendência não significa a consolidação da inveja. O outro estende a liberdade. Basta duvidar do limite, não escrever a mesma regra e se lembrar de Scherezade, A fábula viaja pela história, atravessando os sonhos que ousam viajar em tapetes mágicos.

Localize sua verdade e sua mentira. Ninguém se conhece ou se esgota definitivamente. As travessuras da histórias se encontram no escorregão do fingimento. Contar é consagrar um pacto. sair pelo mundo, atiçar o passado, se olhar na multiplicidade. Italo Calvino redesenhou a literatura, quando escreveu Se um viajante numa noite de inverno. Kafka desmascarou seu tempo, quando passeou pela animalidade. Garcia Marquéz sintetizou a força da convivência, quando trouxe Macondo, cidade da solidão. Cada um não estava blefando com a vida, mas mostrado os bordados que cabem na história. Risque o rosto com o batom vermelho do pecado.

Os namoros do consumo de Narciso

 

 

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Quem é lúcido não deve ficar atrás de verdades absolutas. A sociedade exige que as convivências se multipliquem e surjam surpresas. Não dá para formular regras definitivas. A história caminha com vacilações. Muitos aprendem com os deuses , outros ficam envolvidos com a arte. Há quem siga as travessuras dos demônios. Ficar extático causa desgovernos interiores, Não acredite em fantasias que são vendidas como dogmas. Inventa-se tudo, inclusive dias das mães, das secretárias, dos amigos. O afeto se transforma num calendário comercial. Há quem delire, perplexo.

As artificialidades tomam conta do cotidiano. Buscam seduções, na sua maioria, passageiras. Corre-se com presentes coloridos e dívidas pesadas. Trata-se de uma estratégia para aliviar os desenganos. A solidão também agita e incomoda. Os festivais dos afetos fabricados não cessam e animam. Tudo depende do sucesso. Estamos na sociedade do desempenho. Quem não quer ganhar loteria ou ser diretor de uma multinacional? Os desejos são alucinações. Poucos resistem e acompanham as rebeldias. A grana enfeitiça.

Não é sem motivo que as depressões se ampliam e invadem moradias subjetivas. Os desconsolos existem quando se pensa que a felicidade se ganha num paraíso de compras. Quem não reflete se frustra, joga fora a sensibilidade e faz do outro um objeto flexível. Portanto, não mergulhe nos pântanos escondidos e nas emoções conquistadas com cartões de crédito. Compreenda que o mundo gira, sem certezas de que, um dia, haverá uma harmonia. Os labirintos são construídos com arquiteturas frágeis. Balançam-se e não garantem nada.

Feche-se contra as artimanhas do sucesso. O afeto é desenhado na sinceridade, com perdas e encontros. Os calendários programados são traiçoeiros, mascaram, deixam espantos. Lembre-se dos mitos. Narciso não conseguiu superar-se. A sociedade do consumo atrai sensações que, apenas, sopram instantes e celebrações. Não se abrace com os anúncios e as mensagens que nada falam das suas emoções. Os limites podem nos tornar sábios e os excessos, bestializados. Olhe-se, não seja um embrulho esquecido na avenida central.

Futebol: mercadorias na vitrine

 

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A Copa tem data marcada. A histeria começa a se ampliar. A mídia cuida de sacralizar algumas figuras. Tite se torna um pensador, divulgador de universidade e mentor do Itaú. O civismo ganha um corpo especial. Os tempos  mudam, não estamos na época de Garrincha. As mercadorias valorizam os artilheiros ou os artilheiros são ídolos de gerações entusiasmadas com um sucesso gigante ? Gosto de futebol. Não vejo como não torcer pela seleção. Sinto, contudo uma certa nostalgia e fico perplexo com a agilidade do capitalismo. Aqui, há muita ligação com a bola, ela distrai , faz esquecer desavenças e misérias.

As ameaças de um mundo cercado de vitrines comprometem a lucidez. Neymar mora em palácios, segue uma assessoria milionária. Possui o vírus do seu tempo. Ela não é o único. A Copa é espetáculo que inquieta multidões e transforma o calendário. O governo carimba sua fatura. Os feriados mostram que o ritual não se foi. É preciso quo mundo tenha alguns encantos, que a vida fuja da monotonia. O futebol é festa, hipnotiza muita gente. Na Europa, os estádios se enchem, a lavagem de dinheiro garante disputas, deixa a imprensa acelerada. Falam de uma modernidade esportiva , de uma globalização assustadora. A televisão se torna um altar.

Não sacudamos o peso no Brasil. Passamo por crises constantes, uma sucessão de quadrilhas bem montadas dirigem nossa economia. Há decepções quase fatais. Difícil compreender como a história se constrói com tantos conflitos e dissabores. Mas a camisa amarela provoca alegria. É um símbolo, apesar do uso fascista que alguns grupos fizeram. Há quem desista de vesti-la diante das amarguras políticas. Tudo amplia sentimentos, distorce valores, arruína tradições. Uma mistura diferente denuncia que a sociedade salva objetos e aniquila pessoas. Sem exageros, as identidades flutuam como tapetes nada mágicos.

Não jogo fora os entrelaçamentos históricos. O presente se mexe, porém o passado possui seus movimentos. Quem rejeita a história, procura fadas e bruxas. O futebol está na história. Significou angústias e celebrações. O manto da política é perverso. Em 1970, a Copa foi ganha em plena época da ditadura militar. A ambiguidade desfilou e estragou corações. Hoje, as temeridades são outras. Gilmar ataca as dúvidas jurídicas, Sérgio Cabral lamenta seus erros. Ciro parece um acadêmico em campanha. As eleições se aproximam com pesquisas e incertezas. Muita emoção para poucos lugares. As questões ousam perturbar os espetáculos. Quem perde, quem vibra, quem se descaminha? A farsa da paz é um reflexo de uma grana avassaladora. Ela nem existe nos tiros de cada dia.