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O tédio conta o tempo

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Fala-se de calendários fixos na parede.Lá estão os dias, as celebrações, as datas patrióticas. Isso inquieta. O capitalismo curte as comemorações. Vende, oferece ofertas, engana. As mercadorias se apossam das vitrines e os empregados dão expedientes. O salário é mínimo, o delírio é imenso, as ilusões aliviam tensões. Imagine que o calendário foi desmontado. O vírus apaga sonhos, desfaz famílias, coloca medíocres na política discutindo tolices.

Há tédios, as conversas não ganham animação. A quarta é uma quinta e estou escrevendo num domingo, olhando o azul, mas noto um peso que me deixa encurralado. Todos e todas perguntam e não compreendem. A confusão é ampla, embora Jair continue na cena, apoiado pela banalidade mais exemplar. Penso, sinto, espero, desespero. O tempo é mesmo uma esfinge.Será que a nostalgia é um presente da imaginação? Quem caminha pelas ruas e analisa o ruído desencantado?

A história não para, porém acede desejos, agora, impossíveis. Há fechamentos de lojas, os parques se tornam desertos, as crianças também reclamam, estranham uma solidão.Quem armou descontroles que ferem o coração? Vou e volto ao mesmo lugar. Sento, leio, existe muita coisa que me incomoda.Uso o telefone, ouço vozes amigas. Não nego que o suspense sacode certas apatias. Mas as andanças, os festejos, os gritos de protesto estão perdidos?

Escrever me traz um certo sossego.Dialogo. O sangue ferve, as memórias saltam.Quebro a monotonia e desenho as palavras. Não posso construir a história. A solidariedade sumiu? A generosidade é uma farsa para minimizar a culpa? O cristianismo apaga seus princípios e se mete na política com cargos trocados por vantagens para as minorias?O tamanho do tédio não é fácil de medir. Meu calendário é íntimo e a minha voz busca expressões inesperadas. Quem determina a passagem das frustrações?

Regina está na vitrine

O governo de Jair montou uma equipe esquisita.Ela muda com declarações debochadas, relembra ditaduras, gosta de ironizar. Existem tensões constantes com a imprensa e as agressões são comuns. Saiu Moro, tudo ficou nublado, os antigos irmãos se chocam. Quem tem razão? O processo se inicia com intrigas radicais. Não há sossego. Regina Duarte se mostra na vitrine, elogia Jair e nem sabe qual será seu caminho. Regina, a namoradinha do Brasil.

A sociedade recebe discursos com espanto. A memória não se cala. Regina se acha poderosa, porém os ressentimentos estão acesos. A epidemia não é brincadeira. Há descontroles, mortes, horrores. Cada cidade vive agonias. Não se trata só de morbidez. Jair tem parceiros, prepara visitas, sacode a poeira no olhas de quem quer lucidez. Não responde as perguntas, não possui planejamentos, vibra com suas plateias, adora cercadinhos.

Regina empolga-se.Fez sucesso. Era feiticeira da Globo. Hoje, traça política junto de figuras obscuras. Não observa o tamanho da desigualdade. A cultura se fragiliza, quando deveria ser uma cenário de polêmica e invenções. Compreender? Quem se compromete de livrar o Brasil de tantos abismos? Os tropeços de Regina marcam, seus êxitos se confundem, ela anda pisando na crítica e se colocando soberana. Qual o seu fôlego?

Se o caos continua firme, espera-se reação. Por que silêncios se a degradação é imensa? A contabilidade de mercadorias tenta anular as dissonâncias na saúde. Dói. Damares, Guedes, Regina desmontam o desejo de seguir por outras estradas.São delirantes. Estão numa vitrine, se exibem, expandem messianismos, Jair se torna profeta. Os pastores vendem milagres, desfiam o sagrado, inquietam com seus vazios enganadores e milionários.

Não se afogue

Cada tempo traz suas travessuras e malabarismos.

A vida passa sem saber que a estrada é longa e curva.

Há pântanos que não revelam seus perigos e afogam as estrela.

Não ame a certeza, tampouco crie seu discurso do método.

Voe com o pássaro que viaja no circo rindo com o palhaço.

Esgote as amarguras. desenhe seus renascimentos perdidos.

Deixe que o apocalipse se envolva com suas lágrimas vadias.

A história não conta com mil uma noites, dorme no tempo silenciosamente.

Um dia, o sol conhecerá todas a luzes, sem jamais abandonar o azul.

Somos momentos e paisagens

O domínio sobre o tempo é algo escorregadio. Causa estranhamentos. Muitos sentem a rapidez, não conseguem conversar com a vida e fica agoniado com a pressa dos negócios. Não há como definir momentos homogêneos. Conhecemos os outros observando as diferenças e até mesmo a forma de caminhar. Compomos as paisagens. Temos cores e formas, somos companheiros de estradas longas e desafiadoras, não há escassez de dúvidas e as metafísicas estão moribundas..

Quando a história se mistura com intrigas e se desentende com as mudanças, os limites tomam espaço. Tudo está repleto de acasos e os vírus são onipresentes. Há uma inibição. As perguntas se multiplicam. Por que inventaram o pecado original? Freud decifrou desencantos ou apenas afirmou a complexidade do cotidiano? Os giros da sociedades nos deixam inquietos. Continuam as religiões incomodando a política e as ambições não cessam da agir. Crenças nada sagradas festejam os trapézios das bolsas de valores.

Tudo passa, mas as tristezas encontram obstáculos para superarem momentos que se eternizam. Portanto, não adianta firmar regras e evitar as surpresas. Somos também levados para os abismos, voltamos para nostalgias, respiramos e o sol queima lembranças no azul do horizonte. Nossos desenhos não têm fim. Basta olhar para as imagens no espelhos e analisar as fugas dos sorrisos ou o desejo de não bagunçar o tempo. Nunca somos para sempre. Somos inquietos ou estamos inquietos?

Falo dos sentimentos. Eles se confundem.Mas é importante escutar os silêncios e estruturar as sensibilidades. Olhamos as paisagens, os outros andam como se fossem senhores da rua, a vida faz pactos com a história. Ninguém avisa se o apocalipse se aproxima. Conhece alguns paraísos que apaguem culpabilidades? Se as relações sociais não se transformam em lugares de afetos, a escravidão do salário imprime mesquinhez. Monte sua cartografia com todas cores que existem na sua imaginação.

O amarelo que destroça

Não sei as intenções claras de Jair, mas provoca agitações e atiça sentimentos nada democráticos. Parece que há uma programação de eventos feitos para celebrar o autoritarismo. Jair sorri, abraça crianças.discursa com o senhor do mundo.Recebe críticas, é acusado de louco, não respeita as leis básicas. A pergunta é fundamental: quem aplaude seus atos?

Não está só.Existe o chamado gabinete do ódio. Isso é macabro. Será que surgirá uma ditadura? E as Forças Armadas estão prontas para assumir alguma posição? As dúvidas se avolumam. Jair é esperto, apesar das tonturas. Sua mediocridade política é evidente. Não esqueça que nem todos possuem lucidez. Ele é saudado por muitos que usam camisas amarelas e gostam de carreatas ruidosas. Chovem ressentimentos.

Uma inquietação no meio de uma pandemia que deixa a sociedade perplexa. Assusta a imprensa internacional. Quem conseguirá impedir tais cenas de violência? Há notas de esclarecimentos, intrigas entre os partidos, porém não punem ações milicianas. Até onde o discurso prevalecerá na política tentando amenizar o contexto? A divisão é grande e a falta de compromisso mostra o desgoverno.

Jair foi eleito, diziam que salvaria a sociedade dos desencantos. A sociedade se decepciona, pois a crise se agudiza. As incertezas levam para beira do abismo. Antigos amigos se tornam adversários. Não sei se é confusão planejada. A ética está moribunda e o vírus se espalha.Um cerco de pânicos, um descontrole administrativo. Jair se diverte? Trouxe traumas da infância? Banaliza como se fosse messias e depois inventa bombardeios.

Os caminhos dos surtos

Cuidar das diferenças faz parte da construção de uma sociedade que se confronta com descontroles. Nem todos sofrem a mesma dor, nem todos comem no mesmo prato, nem todos possuem a mesma moradia. Portanto, há intrigas que se estendem e grupos que assumem violências. A convivência se torna tensa e as culturas manipulam o jogo das mercadorias. A China não é o Brasil, nem a França é o Egito. Não há como fixar igualdades, numa sociedade que adota o capitalismo?

Se a história fosse homogênea, com datas invioláveis, a sociedade seria outra. Talvez, houvesse uma monotonia ou uma maior segurança. No entanto, as inconsequências são frequentes. Fala-se em planejamento. Existem imensas desarmonias e traições políticas que escandalizam. Moro não é Maia, Cunha não é Jair, Gilmar não é Collor. As teclas mudam, as cores variam, os argumentos querem se impor e a fraternidade voa sem conseguir sossego. A palavra é uma esconderijo que alguns desconhecem, mas aproveitam seus ecos e devaneios.

O surto é grande, pois os desencontros afetivos aumentam as inimizades. Não há como nomear um Deus, numa história tão cheia de tempos estranhos. Como acreditar na linearidade? Como escolher anjos milagrosos? Quem se sente confortável se as ameaças de guerras acompanham as epidemias e os governantes alardeiam suas soberanias? Há loucuras e mentes tomadas pela invejas e desperdiçadoras de justiças. Os comportamentos traçam interesses narcisistas.Quem é advogado de quem?

Difícil se situar. O medo não está longe do surto e a saúde recebe atenção mínima. Querem morar em Vênus? E a falta de leitos nos hospitais? Querem os shoppings abertos para passeios banais? Perdeu-se a ideia de genocídio. A sociedade se autodestrói. Não observa que a natureza se despedace. O surto é geral, porque as mentiras se espalham e se entrosam com o poder político. Quem é criatura e quem é criador? Tudo parece uma roleta de apostas desagradáveis. Apontar salvadores significar desfazer as ingenuidades.

A aridez do desgoverno

A política não se faz sem compromissos. Não é um divertimento vazio. A preocupação com a solidariedade devia seguir seus passos.Mas Brasil numa fase macabra. Palavra forte. Observe o que diz Bolsonaro, a falta de generosidades, seus risos cínicos.Possui uma plateia que o aplaude como um artista. Inventaram saudações, para animar suas falas. Elegeram a cor amarela e se juntaram em espaços inconvenientes para afirmar as certeza do mito. Muitos enganos e perversidade.

A desigualdade é subestimada. Há gritarias que lembram o carnaval. Jair não sossega, não articula um plano de governo e responde à imprensa com ironias de baixo nível. Talvez, não compreenda a extensão do seu poder ou não saiba a razão das suas escolhas.Acredito que sofreu traumas e preparou vinganças. Para quem? Para a celebração de da morte, para diminuir a população?

As repercussões são grandes. Nota-se uma frustração geral entre aqueles que condenam o desleixo do presidente. Mal assessorado, prefere ouvir os conselhos dos filhos, bastante influenciados pelas milícias. Como tudo isso via terminar? As esperanças estão trôpegas e cada dia aumenta certa fobia contra sua palavras nada decentes.Seus antigos eleitores ainda curten um fanatismo doentio. Jair é um mito?

Os desfazer mostram que a globalização massacra certas culturas. Trump não se cansa de provocar desprezos. Pouco liga para as nações mais pobres, apesar dos milhões que transitam pela sociedade norte-americana. A pobreza não exclusiva do Brasil. O capitalismo busca reafirmar suas estratégias. Quem sabe uma escravidão mais disfarçada? Sobram senhores da grana que se engrandecem nas bolsas de valores? A aridez nos deixa com medo de uma solidão incontornável.

Sem açúcar e sem afeto

A história anda pelas esquinas perigosas e gosta das encruzilhadas. Parece brincar com as travessias com estradas de ferro e saltar procurando abismos pequenos e traiçoeiros. Não há planejamentos, mas acasos tão bem escritos pelos romancistas. Seguimos um tempo, com curvas. Nada de especular sobre a terra plana. Viver é desafio ou para alguns um divertimento malicioso.

Observo a amargura que se estende pelos comentários do facebook. Existe uma atmosfera de perda e talvez de apocalipse cruel. Deus está suspenso com cartão vermelho. Muitos desconfiam das suas intenções. Para que tanta violência, bactérias assassinas, jogos de culpabilidades? Sinto que os estranhamentos são imensos e a perplexidade assusta. De onde vem o vírus que invadiu o globo de forma rápida? A ciência se descuidou ou a desumanização é crescente?

Desistiu de pensar nas razões ou me escondi das reflexões de Descartes? A situação de desamparo é contínua e as intrigas políticas surgem para esquentar as dúvidas. Hoje é quinta, porém poderia ser outro dia. A quarentena traz enclausuramento e multiplica as neuroses. As soluções estão nos laboratórios, dizem os saberes formais. Outros não repeitam nada e se lançam na construção de deboches.

É muita ousadia acreditar na fraternidade, quando há um destroçamento geral e as mentiras circulam pelas instituições ditas solenes. A justiça é conceito e os juízes pouco enfrentam seus problemas. Poder é saber e os enganos são preparados para derrubar inimigos que , antes, eram parceiros. Quem estica as mentiras mais mascaradas ganha a corrida para se vingar do outro e estabelecer suas milícias. As inquietudes acenam para extermínios.

E Deus? Morreu ou descansa?

Pensar a eternidade é um desafio.Não sei quando a história começou ou se existe a possibilidade de se estabelecer o acaso. A magia não sai da história, apesar das desconfianças. Ela atrai e se mistura com as objetividades frias de alguns. Há quem não suporte a adivinhação e se entregue aos rigores da ciência. Não ri, nem dança. Elogia a seriedade e se guarda isolado com medo de alguma traição. Daí, a fé desmedida de certos protegidos por suas orações, vestidos de santidades definitivas. É o lugar do messianismo e de se colocar ao lado da salvação.Será que ela existe?

Deus é uma invenção fabulosa. uma tentativa de buscar uma saída para tantas ambiguidades. Há muita fantasia, paraísos perdidos. Não faltam nostalgias. Não esqueçam de Octavio Paz. Seu texto final no Labirinto da Solidão é uma preciosidade. Os mitos são valores poéticos, nos chamam para os sonhos, assanham desejos, assim Paz nos avisa que é preciso soltar a imaginação. A solidão é um passo para criação ou quem sabe um desamparo surpreendente e destruidor. Há deuses vingadores e incomodados com os humanos. Conhece a tragédia grega?

A cultura traz espaços para suprir as incompletudes. Porém, as lacunas são importantes e estimulam ousadias. Deus seria a eternidade. Depois das mudanças provocadas pela modernidade o sagrado viveu afogamentos.Nietzsche mostrou que os valores se diluem, desfazem-se.Era fundamental construir uma outra cultura, transformar, ir além. Não cabe apenas um materialismo seco. E a arte, a sensibilidade, o raro, o invisível? Apagando os cinismos nos livramos da mesquinhez e de soberanias impositivas e determinantes. E o relativismo não toca suas sinfonias?

O desejo da utopia inquieta. Não dá para desprezar as transcendências. Um fazer uniforme pode gerar um autoritarismo religioso ou celebrado por fascistas. O perigo é a servidão, é arquitetar privilégios. Castoriadis citava a autonomia como base. Nada mais significativo. O imaginário é uma construção coletiva anônima. Quem sente a escravidão não contribui para desfazer tradições avarentas. Deus é, para alguns, energia, ânimo. Para outros o silêncio da submissão. Fortalecer a solidariedade talvez seja uma estrada que ajude a emudecer as incertezas. Sera que a dialética se casa com um ponto final? Ou passearemos pelo mundo voando nos trapézios?

Incertezas nunca ausentes

No meio do mundo, existem muitas histórias. Seria impossível contá-las sem perder o fôlego, Estamos soltos, como pássaros que nunca saíram da gaiola. Não adiantaram planejamentos, nem teorias que desfizeram tradições. Condenamos religiões, agitamos novos hábitos, denunciamos violências. A sociedade se movimenta, mas se cerca de incertezas, volta ao passado, como se desenhasse saídas e buscasse recuperar os desencantos.

Apesar dos racionalismos, não faltam intrigas que estimulam preconceitos.Os saberes se chocam, os cartesianos lastimam, os fanáticos insistem que a terra é plana e o capitalismo continua nas suas alianças obscuras com as religiões. Atice a memória. Lembre-se de Calvino, das guerras insistentes, das escravidões acompanhadas pelo colonialismo.

Ficam as dúvidas. Há conhecimentos que provocam as imaginações, tentam construir transformações que apaguem as desigualdade. No entanto, a ciência não é ingênua. Não despreza pactos. Serve para fabricar bombas e negociar vírus. O território da incerteza se espalha, surpreende, atravessa os corações amedrontados. O medo não é incomum. mas o excesso de medo expande pânicos. Os desemparos empurram para o fundo do poço.

A política não se cansa de cortejar as minorias. Modifica leis, para não deixar a bolsa de valores se afundar. Uns defendem torturas, querem ressuscitar o autoritarismo. Parece que o reino da mercadoria substitui os sentimentos. As vitrines nostálgicas mostram que há ídolos. Lá estão Pinochet, Franco, Stalin que perseguiram e praticaram egocentrismos em nome de utopias. Há quem os consagre, fragilizando e confundindo as estradas da solidariedade.