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Os delírios perigosos

A rapidez se espalha. Há uma confusão que inquieta e notícias que confundem. Os sustos são constantes.Falam no apocalipse , há fugas, crises globalizadas, conspirações. Jair continua andando nas estrada da vaidade. Possui seguidores que parecem enfeitiçados. Não há medida para suas declarações.Sente-se um mito numa onda de esquizofrenias. Desmonta.

É claro que existe pânico. Tudo acontece de forma delirante. As políticas divergem, pois não pensam em organizar a sociedade, mas em cantar ambições. Num mundo de ciência sofisticado, as mortes acontecem assombrando, os aviões cessam de fazer seu intercâmbios, a Itália tenta recuperar sua dignidade ao som de hinos musicais. No entanto, há quem insista em reunir multidões e e arruínam tentativas de evitar desastres

Os desafetos circulam , as intrigas não se vão, o isolamento surge como solução. Nada de abraços ou apertos de mãos. O medo patina, as portas se fecham, o outro se torna um inimigo, as farmácias se enchem de compradores aflitos. Ouvem-se risos, alguns não se ligam na solidariedade, as moedas adoecem. A história mostra a força do acaso, a memória guarda hecatombes, a aridez fragiliza a ilusão.

As conversas trazem os fantasmas. Todos voando em trapézio inseguros, não conseguem conhecer a extensão do tempo, se apavoram com as manchetes. Quem imaginava tantas dificuldades e desperdícios? Por que os escorregões históricos tão frequentes Quem prefere o abismo e elege o cinismo? O descontrole é um império que empurra cada um para seu recanto mais obscuro e tumultua a possibilidade de solução

Fatalidades tardias

não imagine uma história que pareça única

nem sonhe um amor desfeito no bar central.

conte as palavras riscando as pedras azuis

dos monumentos vazios e abandonados .

fuja como quem ri de uma hiena vadia.

sinta que o corpo pede uma abraço de lágrimas distraídas

e não quer ser tomado pelo vírus assassino.

escreva o íntimo se despedindo do que nunca viveu e

invente pássaros numa noite vermelha e desconfiada.

O espelho é o pânico

Contemplar o azul no horizonte toca no coração. O mundo se enche de luz quando se inquieta o sentimento que aquece a solidariedade. O azul chama o canto dos pássaros, nos faz pensar no infinito e na possibilidade de desenhar um avesso alegre para celebrar as convivências. Mas nem tudo é azul. Há turbulências de tempestades e os medos assombram com força global. O pior é que o pânico se espalha com rapidez. Os olhares se desviam, a instabilidade quebra espelhos de imagens serenas.

É difícil aceitar que é fantasia ou mentira preparada para atiçar o poder que sacode o cinismo e se veste de notícias estranhas. Não se trata de negar o riso, porém a sociedade não deve possuir senhores que usam ironias radicalizadas. A tensão se balança, o cansaço pesa na cabeça e os escândalos procuram garantir privilégios. A dúvida ajuda a sentir que os enganos e a mesquinhez não saem do cotidiano.

Será que vamos para um deserto, depois de pularmos abismos e navegar nos pântanos? Quem sabe? Há governantes que se assanham com as desgraças dos outros e nutrem o bélico. Portanto, não esqueça que o mapa não é o território. Existem metáforas e pessoas que se refugiam . O mundo gira, não para, deixa tonturas e não sinaliza com progressos. Apenas, produz representações não basta. Somos mesmo exóticos ou panos esfarrapados rasgados pelas incertezas?

Entre no circo, sem nostalgias. Lembre-se do voo do trapézio que o assustava na infância. Fotografe a tristeza do palhaço. Não se seja ingênuo. As ambiguidades andam apressadas querendo afirmar teorias. Nessas idas e vindas Platão foge da caverno, Napoleão deseja vencer todas as guerras, Gramsci aponta as desigualdades e se contrapõe a Mussolini. As escritas multiplicam cada ilusão, pinta paraísos antigos. Para alguns, o futuro anunciará a salvação. Mas quem será o messias?

A esquina do mundo confuso

A geometria ajuda a organizar a convivência dos objetos. Surgem desenhos, desafios, ousadias. É espaço de invenções, de assegurar as relações sociais e ampliar as histórias que atravessam o tempo. Mas a sociedade aumentou suas ambições, entrou nas armadilhas perversas, estimulou as disputas e as invejas. As geometrias ganharam formas estranhas e se misturam com os fazeres da tecnologia.

Não se sabe a localização das esquinas e as cidades se enchem de avenidas. Tudo é sinal de perigo. Não se olha para outro. Registram-se a pressa, a falta de cuidado. Será que existem tantas geometrias que o mundo se confunde e a esquizofrenia cria formas que atormentam? O corpo possui seus desenhos, porém não esqueça da sensibilidade, não cultive o sucesso como sinal de uma felicidade doentia.

Não subestimo as conquistas, no entanto contemplo encruzilhadas mórbidas e o medo traz quarentenas. Tudo se toca como uma ameaça. Há lugar de encontros? Conversa-se nas esquinas ou os fantasmas assustam? As sociabilidades não se se esticam e a solidão arruína afetos. É preciso dialogar, porém o lugar do cinismo, o jogo das palavras vazias espalham desconfianças.

Mudaram-se as formas, celebram-se ganhos isolados, desfazem-se culturas. A geometria se articula com a objetividades das bolsas de valores e não busca encantar o mundo. A esquina é o assalto e a política não se liga no coletivo. Mesmo que as tecnologias multipliquem suas forças, a sociedade não consegue acreditar nas solidariedades que aproximam as possibilidades das magias. Confusos, não medimos a dimensão da autonomia e os escândalos divertem com seus delírios. Para quê?

A epidemia da dor permanente

Há épocas acesas de projetos de felicidade, vestidas de discursos progressistas. Sente- se uma animação geral, surgem intelectuais com descrições de fantasias incríveis. Recordo-me dos iluministas, dos sonhos de democracias, de arquiteturas científicas repletas de fórmulas poderosas. Existe um renascer, uma expansão de um mundo que vai fechar as portas do mal e abrir o desejo de conviver com a sensatez.

Mas tudo isso não aconteceu. O século XX trouxe ruínas, estruturou danos autoritários com genocídios assombrosos. Continuam as desigualdades e as violências se sofisticam. A democracia não consegue superar as ambições das minorias. O progresso é um mito, a frustração consolida dores e a solidão arruína as possibilidades de estimular o fim das intrigas. A ciência não trouxe o saber que se esperava. A sociedade se assusta, os pânicos se espalham.

As religiões se envolvem com a política. Os milhões parecem atrair milagres, o cinismo se solta. Será que as doenças são fabricadas em laboratórios para tumultuar as andanças da economia? A globalização sinaliza com o medo? As bolsas de valores se instabilizam e os aeroportos se enchem da mascarados. Há o espanto do coronavírus, as quarentenas programadas e as dúvidas se firmam. A quem interessa tantos desfazeres?

O espetáculo das notícias traça verdades ou mentiras. O importante é inquietar. A sociedades não cessa de polemizar. As epidemias tomam o lugar daquelas utopias iluministas e capitalismo joga. O absurdo é uma face do pecado original? Quem inventou a história? Quem brinca? As perguntas nunca serão exterminadas e o dualismo se apresenta para promover sustos. A angústia do bem e do mal deixa um marca secreta. Temos um caminho e pedras ou um circo terminando seus malabarismos?

Ulisses, a Sereia, a Cultura

A Sereia narrou as aventuras de Ulisses nas cavernas escuras do oceano.Ulisses as escutou com cuidado e encantamento. Descobriu as formas das palavras, fixou sua identidade, inventou a Culturas. Não houve pecado original. Ulisses desenhou o mundo, localizou o cais da imaginação, sentiu-se o historiador. É travessia da esperteza, da audácia, da rebeldia.E o sonho entendeu que a vida é companheira de uma acaso anônimo.Eis a navegação que nos leva para os significados múltiplos e inacabados. Celebra-se então a vestimenta sedutora e incompleta. O fogo e água firmam as cartografias dos espelhos e a viagem que não tem fim,

Prometeu: a rebeldia insistente

Não me canso de celebrar Prometeu. Quando leio a tragédia de Ésquilo sempre me comovo. Os diálogos são ensinamentos, mostram que a cultura duvida e cria novos caminhos. Prometeu desafia os deuses, provoca as profecias, inventa possibilidade de redefinir o mundo e expandir as leituras. Não deixo de ler e assinalar como as hierarquias se formam e imaginar que os nomes trazem configurações que atiçam desejos.

Os diálogos históricos são fundamentais.Eles sacodem as rebeldias. Analise os paradigmas da filosofia grega, as pretensões vaidosas dos iluministas, as promessas dos revolucionários do século XIX. Prometeu ameaçava. Conhecia as fragilidades dos deuses, não se enganava com o absoluto.Na era das máquinas o fetiche da mercadoria tumultua. Consolida-se o efêmeros, constroem tempos que vendem e compram uma fé esfarrapada.

A rebeldia não desapareceu. Há quem se inquiete, quem critique, quem observe o espelho das farsas fabricadas. Estamos cheios de complexidades, atordoados com as necessidades que se multiplicam para desenhar a mais-valia que traz a poeira da ambição. Prometeu se lançava no futuro, incomodava, irritava quem se sentia dono dos destinos. Cantou a liberdade, abriu as portas dos labirintos, acedeu a luz da gramática, desaprisionou. A mesmice não merece atenção. Olhe o fogo e se banhe nas águas inesperadas.

Se, atualmente, a sociedade se locupleta de fantasias de riquezas desiguais, as rebeldias podem mergulhar nos abismos das mediocridades. Tudo tem um preço que agita e ilude. Perder o espaço da utopia é sepultar a memória da tragédia e esquecer que a incompletude é o alimento da cultura. Não olhe de lado, nem atravesse a esquina da homogeneidade. Desfaça, desaliene, emagreça as jogadas dos que se julgam promotores da verdades. Prometeu não é um fantasma, mas a veia vermelha da história. O trapézio do voo quebra as correntes e aquece a sensibilidade.

O vírus do capitalismo

Há quem incorpore o capitalismo de forma radical. Não acredita na socialização e considera a disputa o eixo da convivência. Tudo pela intriga, pelo cinismo, pela acumulação. A falsidade dispara e se intromete na história. A ciência existe para salvar ou confunde-se com escândalos? Para que serve a indústria farmacêutica? Quem esconde a contabilidade ou se joga na complexidade das drogas?

O lucro seduz e inventa situações de caos. Observe os noticiários. Dizem que está sendo preparada uma crise que desmantelará as relações sociais. Alguns estimulam os pânicos. Quanto vale o dólar diante das máscaras cirúrgicas? Um carnaval fora de época parece invadir cada avenida e as apostas se ampliam. Por que o medo? Por que as grandes corporações não investem para abrir as portas dos descontroles? Para que fantasmas delirantes nas capas dos jornais?

Vestir-se do mal para assombrar o bem vale o poder do descaso. O importante, para alguns, é segurar a desigualdades, desfazer o comportamento ético e multiplicar os dízimos dos pastores com rebanhos cercados de interesses. Portanto, decreta- se a morte das utopias e se expulsa o sonho para que a mercadoria pulse e gire o mundo pelo avesso. O capitalismo se diverte com o vírus da exploração e contrabando do sentimento..

Na sociedade dos milhões, dos espetáculos passageiros, dos milicianos ajudados por políticos, teme-se a sombra que mora no banco da praça. Tudo será permitido? Ninguém sabe. Os destinos são comparados com as histórias e as possibilidades se entregam a um fatalismo que constrói o abismo. O lugar dos privilégios é comprado pelas fantasias das minoria. A desconfiança não anda sozinha. Quem pune aprisiona, espalha o fingimento, se mistura com a carne podre dos predadores.

Globalização labiríntica

Ninguém toma conta da história, Há momento que tudo parece rígido, o destino programado. Mas se trata de um engano. Não faltam frustrações, desde os tempos que Adão e Eva andavam pelo paraíso. A invenção do mundo é algo misterioso. Não se engane, nem aposte em saberes que definirão futuros. A incerteza mora na história, gosta de trapézios e escandaliza para quebrar as monotonias.

Passam carnavais, as religiões brigam pelas redes de poder, o capitalismo não se cansa de jogar, os vírus acedem pânicos. Cada dia se transforma num cotidiano que assusta e aproxima. Tudo globalizado tem a geometria de labirintos, cheios de armadilhas, com fantasmas cibernéticos. Os messias não deixam de surgir, as estradas são curvas e pertencem a uma multidão de refugiados. A China lembra o Brasil. a Jamaica lembra o Peru,o Japão lembra a França.Brincadeiras ou passagens surrealistas?

Sacudir as palavras é malabarismo da cultura. Elas tornam possível certas aventuras. Não imagine o fim, mas desenhe o impossível. O acaso e o absurdo ajudam ad ivertir. Não esqueça de Camus, das peripécias de Cem Anos de Solidão, das estranhezas de Kaffa. Não abandono a literatura. O rio possui margens e pássaros voam para encantar. Não se arrependem das tonturas .

Cada ano se inquieta com assombrações Tudo se estreita, Portanto, resta seguir. Quando haverá o juízo final não é pergunta que se faça. Trump mete medo Jair gosta de risos medonhos,as doenças se vestem de ameaças que se expandem. Escrevo. Nem sei o caminho do certo e do errado. As palavras se lançam.Também vivo turbulências e me traço com segredos. Por que não estimula a conversa e ver o mundo de todas as formas?

A política está no cotidiano

Não precisa celebrar projetos salvadores, nem afirmar que o mundo se arrumará quando certos partidos estiverem no poder. Há muita farsa no jogo das notícias e muito entusiasmo em possuir privilégios. Os cenários das relações sociais tendem a ganhar uma obscuridade e um cinismo abrangente. É claro que há delírios, sinto que as doenças mascaram situações precários e consolida lideranças que fazem da mentira seu alimento maior.

Não faltam discursos, nem fanatismos. As redes sociais convocam para assistir pronunciamentos, atiçam intrigas, as acusações fecham instituições, porém as tensões não cessam e as armadilhas crescem. A política não sobrevive por causa dos partidos. Eles agonizam, estimulam escândalos, se afirmam como condutores. A multiplicação dos enganos deixa vestígios de frustrações.

A politica dever ser articulada no cotidiano e não nas abstrações das teorias. Quem está próximo merece cuidado. Para que insistir nos planejamentos feitos para burlar os inocentes? Se os milicianos se apossam dos núcleos de poder a guerra civil se aguça? Quem pensa que a sociedade respira e consegue se livra das poluições? Quem não observa que o dualismo persiste e transforma a luta do bem contra o mal numa encenação frequente?

Se a política elege figuras fixadas pelas concentrações de riqueza e os preconceitos racistas o caos seguirá sendo companhia de todos. Para além das grandes instituições, existe o dia que busca o amanhã e se cansa de escutar homens e mulheres com vestes escuras e comprometidos com as minorias. Não abaixe a cabeça, nem sacuda fora a dignidade. O messias é sempre perigoso e gosta de gritar para fortalecer ilusões.