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As moradias do sentimento

 

 

 

 

 

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                                            não brinque de amor sem possuir fôlego

                                                      nem jogue no lixo o perfume desconhecido.

                                                       cada travessia da vida possui curvas e

                                                      as retas não escondem os abismos inesperados.

                                                     não invente  a palavra que foge.

                                                    não invente a vida no corpo  torto e frio.

                                                    fale do mito que mora no anônimo

                                                    do narciso desmargurado com a beleza.

                                                  há no sentimento que a loucura elege,

                                                  mentiras e verdades confundidas e vadias.

                                                  é no desenho das linhas das mãos que

                                                  se riscam as ilusões das imagens desenganadas.

apague a luz que um dia foi sombra.

confie no espelho que feriu o rosto.

 

A morte desenha a finitiude

 

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O tempo passa. Não temos a medida exata da sua velocidade. Vemos a velhice, nos assustamos com as ruínas. Não  há como se livrar da história. Ela anuncia que tudo, um dia, se vai. Não acredito no destino, porém não tenho como contestar a finitude. Recebemos com tristeza a  morte  de amigos. A perplexidade nos desanima e atiça o inconformismo. Não há promessa de salvação que expulse a amargura do acaso. Fechamos o coração para se desfazer da dor. Longe estamos de qualquer magia. Resta a timidez diante das adversidades permanentes.

A morte derruba o corpo, destrói projetos, Talvez seja uma resposta para quem cultive a vida como uma aventura. Os deuses sempre assombram com ameaças. No entanto, temos defesas. Fabricamos a cultura. ela possui disfarces. Não é fácil inventar tanta coisa. As perguntas aguardam  que nos movimentemos. Somo ousados, mas temos limites, A arte nos sossega, nos traz transcendência. Nietzsche a enaltecia. Distrai, encanta, vivencia paraísos. Mas os artistas também caem, sepultam-se em melancolias e desatinos. Lembram-se de Rimbaud?

Quando a beleza invade nossa contemplação um certo alívio nos traz ilusões. Lendo, muita vezes, Calvino, Mia , Guimarães sentimos que há travessias que empurram a morte para uma suposta eternidade. Sarte, Joyce, Freud se foram. Quem não aprende com seus ensinamentos, com seus escritos desafiadores? Portanto, o fim da vida pode ser dia renegado, a ciência descobrir códigos de renascimento. Abandonar os mistérios é sempre um nó. Não dá para garantir futuros que se estendem com desejos inatacáveis. O nada é o  uma fluidez sem forma, um espelho sem dono.

Os outros são os outros. Nunca deciframos o mundo que nos cerca. Formulamos abstrações, brincamos de adivinhações, arquitetamos mitos espertos. Somos acrobatas. Há circos, malabaristas audazes, filmes de detetives, novelas românticas, imagens vermelhas. Tudo indica a multiplicidade.  A finitude não empurra, contudo, a fragilidade para o abismo. Ontem a alegria acolheu o corpo, amanhã o calendário testemunhará outros desenhos. Sacudir as palavras é um toque que assanha. A morte risca rastros. Algo se impõe: não há como desmanchar a saudade. mas o silêncio incomoda. O ponto final abraça-se com o deserto, mesmo que o poeta resista.

A violência onipotente e o jogo das notícias

 

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A insistência dói. Escrever sobre um cotidiano pintado pela violência me deixa triste. Não há como silenciar. As notícias se balançam, tocam no corpo, desencantam. Aqueles ideais iluministas vivem dias contados. Não dá para acreditar que o equilíbrio tomará um lugar especial na sociedade. Usam-se armas com uma estupidez desmedida. Não sei quais são os sinais que vingam do presente e acenam para outra atmosfera. Observo mortes e dificuldades de reinventar o mundo. As ruínas são avassaladoras. Celebrar o progresso é uma hipocrisia suja. Há buscas e não deixo de lado a rebeldia. Participo de muitos eventos, registros, alegrias, porém há também discursos fechados e traiçoeiros.

Não jogo fora as ambiguidades das história. Fico perplexo com as  danças das máscaras, os negócios ofensivos. Não vou consagrar a plenitude. Não sou ingênuo. As faltas compõem a vida e temos limites. O inesperado acompanha a história, mas há quem aposte no absoluto. Isso me choca. Tantos assassinatos, um machismo cheio de crueldades,governos negligentes, exilados ocupando lugares miseráveis. Porém,  a cena é modificado por discursos de esperanças vazias. Existem os que acreditam em messias, em quem ensaia planos maravilhosos e correm para sustentar aplausos. A cantiga do dólar é asfixiante.

Se somos animais sociais e anulamos a solidariedade, caímos em buracos profundos. A fantasia não é um mal em si. Tenho atenção e cuidado. Não nego que as fabricações de tipos negam a espontaneidade. O sorriso enche as propagandas de felicidades e os rostos dos políticos de promessas. Será que tudo é suportável? Será que não há um grito parado no ar? Portanto, desconfio das modas. Quando a crítica se fragiliza e se busca o sucesso em cima dos ombros dos outros, algo está podre. Não adianta apenas olhar de longe e caminhar no sentido contrário. Por isso que as violências retornam para além de qualquer expectativa.

As tragédias gregas são importantes, para analisar a complexidade. A história não é um trem disparado. Ela tem horizontes, desastres, esconderijos. Quem conhece o drama de Édipo aprende com os acasos da vida. Ficar no limite do pecado original completa as artimanhas das religiões. O mundo não é lugar da paz. Não tem sido, embora teorias exaltem generosidades. Há gente com fome, bombas sofisticados, projetos egocêntricos. Penso que a imaginação se espreme entre os artifícios tecnológicos. O cansaço ajuda, muitas vezes, a inquietar. Não renego as leituras do mundo que identificam símbolos. Calar o incômodo é uma violência diante de tantos desencontros.

 

Você se lembra da história ou ela não existe?

 

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Há tantas polêmicas que surge a embriaguez de palavras. Todos possuem especializações em alguma coisa. Entrevistas são dadas, surgem fakes, o passado sofre ataques, inventam-se escândalos e agonias. As questões abundam e confundem, a sociedade se ver diante de uma eleição surpreendente. Não há como defini-la, valem a esperteza, o jogo da mentira,  a vontade de exercitar o deboche. Portanto, a reflexão desce, passeia nos pântanos, se esconde no abismo. Os conceitos rendem manchetes de leitores soltos na construção de desgovernos.

Não custa perguntar pela história. Ela está ameaçada. Não desejo legitimar uma única verdade. Isso leva ao totalitarismo. Interpretar traz a multiplicidade e mostra as diferenças. O pior é que se alertam para os comunismos, as agressividades fascistas, as astúcias do Estado, sem cuidado e com cinismo. É preciso denunciar, mas é preciso lembrar que não há neutralidade. Se falo de democracia, de que lado estou? Estou me referindo a Mandela ou vejo as lutas feitas na Espanha de Franco? Por que consideramos os Estado Unidos tão democráticos? O que esquecemos?

Controlar o discurso e transformá-lo numa verdade  é uma arma permanente. A sociedade fabrica ilusões. Nem tudo pode ser provado. Se registro episódios das guerras mundiais quem devo consultar? Há os extremos. Será que a versão de Stalin demonstra as manobras mais importantes? Será que Hitler escorregou nas suas estratégias? Não faltam divagações. Hitler sonhava dominar o mundo, tinha planos gigantescos. Stalin se atravessou no seu caminho, interrompeu suas megalomanias. No entanto, é sempre bom, colocar as versões, não anular os interesses. observar as semelhanças, não mistificar.

Uma história que não consulta a memória sucumbe em diagnósticos oportunistas. Quando a política pragmática toma a cena é necessário sacudir preconceitos e recordar que estamos numa sociedade cheia de buracos fatais. As eleições se dão numa sociedade que exalta a propaganda. Quem consegue viver sem consumir? Os negócios armam emboscadas. Portanto, dialogar com a história ajuda a esclarecer. Nada de declarar que há verdades insuperáveis. A desconfiança inquieta, a crítica é saudável. No momento, a política se ajusta com a religião. Por quê? Será que eu penso, logo existo, se foi? Luzes e sombras se amam em noites de luar.

 

Eu me refugio, nós nos refugiamos: despertencimentos

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A sociedade continua seu cotidiano com práticas que desmontam esperanças. As notícias deixam a melancolia flutuar e as pessoas correm para o trabalho sem saber o ponto final. Todos estamos procurando refúgio, num vaivém de exclusões contínuas. Fala-se em democracia, mas a memória lembra totalitarismos constantes. É claro que as máscaras são fabricadas com competência. Não é só a violência que se estabelece. Há muitos divertimentos e ilusões. A luta é desigual. Muitos dormem em bancos de praças, não podem esboçar um sinal de futuro.

O despertencimento é cruel quando os critérios de consumo prevalecem. As paisagem mudam, o tempo exige acrobacia, os trapézios caem na rede do circo. Visualizar um mundo cheio de luzes artificiais traz sofrimentos. Há muita coisa escondida e lugares estranhos produtores de armadilhas. Os contrapontos regem dissonâncias. Será que entramos no reino das sinfonias inacabadas? Não é que o passado seja o paraíso, porém há um presente  desamparado, há agonias sem espelhos, fugas precipitadas. Faz parte do dia a dia a incerteza do amanhã.

A exploração não é incomum, nem a falta de hierarquias opressoras. Sempre se firma o discurso da servidão voluntária. Cansa, acusa, sentir despreparos ou chantagens. Quem domina se cerca de teorias que justificam até o uso de armas. Não é à toa as milicias ganham espaço. O sagrado busca o profano, numa mistura que desengana. Não é ,sem agressividade, que se anula quem incomoda. Sacode-se a reflexão no lixo. É proibido atiçar rebeldias. Vale o que o dono impõe. Quem é dono? Fantasmas?

Depois da tantas celebrações. a sociedade se ressente de referências. As disputas intensas apagam as possibilidades de reação. Por isso, nos perdemos. Estamos na mesma rua de ontem, no entanto tudo se torna ruína. Os olhos se amedrontam, as moradias desparecem, se formam desertos. Existe conversa? Quem consegue pular o muro, esquecer que o cimento esquenta sua sombra? Lá está a multidão indo e voltando. Ela não dita suas escolhas. Sente seus espaços tomados. A cartografia da vida risca o desejo. consagra os mandos das minorias. Quem paga o espetáculo?

Albert Camus: o mito de Sísifo, o suicídio, o prédio gradeado

 

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Trabalho num prédio gradeado. São quinze andares. Fico numa sala confortável. Trata-se de uma instituição educacional, mas se torna, muitas vezes, uma fábrica de vaidades. Usa-se a palavra produção com insistência. Existem planos para futuro com tecnologias de ponta. Porém, as lacunas estão no presente. O prédio gradeado parece uma prisão com certas solturas e risos salteados. Será que o capitalismo convive bem com a pedagogia que a modernidade desejava?  Nesse prédio,aconteceram suicídios e busca-se prevenir outros. A instabilidade é uma marca no rosto das pessoas. Carregam pedras que se instalam no inconsciente. Desconhecem Sísifo e seu destino.

Observo que não se toca muito nos afetos. Os textos formulam a quantidade, desprezam os núcleos básicos da educação. Vivemos de sustos. As notícias são pesadas, a competição atrai sempre. Os rumos estão ganhando sentidos desiguais. Aposta-se no Quê? Não é a tristeza que invade os corredores, mas um desprezo pelo que se conquista. O público possui a máscara do privado, os elevadores se cansam de ser malditos. Novos conceitos abalam o cotidiano: transtornos de pânico e de ansiedade ganham um espaço incomum. Converso, escuto, olho. Alguns fogem e disfarçam. Uma instituição que devia celebrar o saber, se afunda em peripécias instrumentais. Assino tantas folhas que perco a conta. Afinal, sou vice-coordenador, sem simpatia por Temer

Lembro-me de Camus. O existencialismo foi uma leitura da minha adolescência. Mas volto. Não deixo a memória congelar. Gosto de rebeldia e repudio quem se acomoda num universo de títulos e pontuações. Camus atiça as questões, mostra as dificuldades, a incompletude. Entra na radicalidade. Escreve um livro onde discute o suicídio numa reflexão magistral. O livro é um grito de dor ou um alerta?  O sonho não deve morrer, nem a ilusão é algo abandonado. A história se extinguiria sem distrações, o sono se assombraria com a morte , se não houvesse o sonho. No entanto, o conformismo preconceituoso resiste. Sísifo foi esperto, embora tenha sido punido pelos deuses. Na sua época não existiam farmácias e as drogas pertenciam aos deuses. Houve alguma transformação?

Ando pelos corredores, há azul no céu e amarelo nas paredes. As dúvidas se aceleram e as aflições denunciam que as tecnologias podem nos condenar. Perceber que há pressas, que o dia não quer lentidão, que o fim de cada ciclo dá um frio na barriga. Os divãs acolhem, cada um conta sua história. Lacan e Freud ajudam a compreender que o mundo é ambíguo. Alguém esqueceu que somos animais? A gravidez é um pecado? Deixaram de ler Sófocles, se animam com os filmes da NET. A tragédia não é uma ficção tola. O suicídio anuncia que o sofrimento se estica, sacode as lágrimas para fora do corpo. A velocidade está globalizada. O mundo migra para um exílio que não carece de teorias acadêmicas. Camus morreu fisicamente num acidente. Consigo dialogar com suas reflexões. Ele não conhece o prédio gradeado. Octavio Paz não hesitou:” O homem é uma metáfora de si mesmo”.

 

Quem esvazia quem nas sombras políticas?

 

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Temos uma campanha eleitoral seguindo e muitas conversas. As redes de televisão promovem debates com muita pompa. Pouco se aproveita politicamente. Resgata-se o que foi engraçado, as valentias de alguns, as chamadas bíblicas. Os evangélicos resolveram investir . O Jair, o Cabo. a Marina são figuras ativas. Possuem perfis desiguais. Marina se encontra abatida, mas não deixou de sacudir sua defesa das mulheres. Jair se encontra em estágio de mutação, diante das histerias do Cabo. Teremos um presidente abençoado pela força divina?  Será que há algum ateu na disputa? Acredito que muitas orações propõem o fim de tanto vazio. O Refrotil fortalece sua marca.

As aprendizagens estão sendo raras. Muita gente foge dos debates. Escondem-se no travesseiro e vão sonhar com as dívidas. Mas há quem se divirta. Comédia de sucessivas afirmações curtas e leves. A política se despede das famosas ideologias radicais? Estamos numa sociedade que elogia o consumo. Fala de produção, lança novidades tecnológicas, porém adora comprar, mostrar da marca da moda. Os candidatos se tornam decorativos, modelos. Comportamento premeditado, vozes treinadas, plano para o futuro. Haverá um juízo ético de alguma coisa?

As redes sociais desfilam comentários. Montam cenas, criticam, sem grande entusiasmo. Os carros de som percorrem as ruas. Música, ruídos, falta de equilíbrio. Na minha rua, há um comitê, colorido, cheio de jovens, com um som terrível. Parece ser de um proponente do PSB, defensor de Paulo. Segundo os entendidos possui , de novo, possibilidades de ser deputado federal. Vamos ver. É uma eleição que tem estranhos procedimentos e máscaras avulsas. Não faltam pedidos de aumento no judiciário, com discursos de Temer tentando livrar-se do pesadelo.

Muito delírio, numa sociedade que se massifica aceleradamente, caminhando na globalização, sem deixar as guerras nem a escravidão. Promete-se uma onda radical de privatização, com uma obscuridade avassaladora. Muitas tensões trazem pessimismos. As questões urgentes são desprezadas, porque o poder do negócio, as licitações, os privilégios da minoria prevalecem. Não adianta chorar. É preciso não chutar a memória. As informações garantem o controle da imprensa. Sinta-se desconfortável num país repleto de miséria e exploração. Não apague a luz, mas desconfie das sombras.

Não esqueço das mil e uma noites, nem de amar Scherezade

 

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Estava triste, quando li as histórias de Scherezade. Ela não me tirou a tristeza, mas me dei um toque de que as coisas acontecem sem nunca se livrarem das fantasias. Estava vivendo uma partida que deixava sonhos ativos. Não queria dormir de vez, porém precisava de descanso. Fiquei imaginando e terminei buscando  algo. Senti o gosto da magia, a morte batia na porta da contadora de história. Ela não desanimava. Conhecia um mundo que não conhecia. Não custava se apaixonar por ela, como a historiadora do meu encanto.Nem posso adivinhar o perfume que a protege.

Sempre fui desconfiado com os racionalismos e o que é exato não me fascina.A embriaguez se veste da vida quando há despedida, move as batidas do coração. Não existe dificuldade em observar a heterogeneidade. Há quem se engane e se distraia com o princípio e o fim. Acho que tudo se toca, amanhã nem sempre sugere um dia de mudanças, porém o sol aparece e manda notícias. Nunca somos os mesmos, nem raízes absolutas de nada. O corpo nos acolhe. O sangue flui, as palavras investigam o nome das identidades sem rumos. É a possibilidade que oferece o limite e o descaminho.

Scherezade sentia que podia ultrapassar o extraordinário. Tinha a sedução que inventava deuses, duendes, ladrões, gênios. Não se impacientou, nem confundiu a noite com o dia. Sabia que as cores invadem todos os horizontes, a geometria das formas é uma gramática incomum. Portanto, nada de sustos, nem profecias. O amor aparece, se consolida, contudo não é escravo da eternidade. A beleza salva e a solidão possui suas armadilhas. Portanto, mantenho meu tapete voador e suspeito de quem não saiu do paraíso.

Assim, fui seguindo a história. Sou discípulo e amante de Scherezade. Não neguei a tristeza, porque há um poema que se guarde em cada tristeza. Naveguei, escutei, contemplei. O porto é também um lugar de chegada, mas podia mergulhar no mar e não me esconder das tempestades. Para que agitar o medo, se as sereias cantam e a luz não consegue disfarçar a sombra? Aprendi. Não invejo Ulisses e me lembro sempre de Camus. A rebeldia nos coloca no mundo, mas são as histórias que nos balançam e nos adormecem. A levitação desfaz a dor mesquinha. O lúdico se assanha, buscando aquecer quem fugiu do frio.

O amor é líquido ou está desamparado?

 

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São muitas as discussões sobre o sentido da vida. Difícil é fixá-lo e sentir as transparências, Será que temos um destino? Prefiro afirmar que temos história, não goste de fatalidades e cultivar tempos que aprisionam. Sei que a felicidade não é plena, talvez esteja num paraíso imaginado, porém é saudável não mergulharmos em ansiedades perenes. Tudo está sem rumo. isso não é escândalo. Buscam-se Messias, salvações, as farmácias estão cheias. Há dissonâncias criadoras de intrigas e de invejas. Se o mundo vele pela competição, estamos numa caça a uma solidariedade inexistente.

Não é sem razão que a sociedade adoece de forma avassaladora. A tarja preta tem um lugar especial. O amor é visto como algo que se perdeu ou que é parceiro de efêmero. Portanto, sobram vazios, faltam afetos. Se é o efêmero que domina, como aprofundar os sentimentos? A conversa é rápida, as redes sociais ditam as normas, as pessoas nutrem dores escondidas. Há uma falta de assunto, desde que não se façam negócios. A grana impera, os interesses interferem até em papos amistosos ou aparentemente amistosos.

Muita gente reclama. O olhar não é mais significativo? O que permanece é o medo e a solidão? Como se define a sexualidade? As dúvidas contaminam, porque a sensação de desemparo persiste. É visível a dificuldade de se tocar, a ampla violência que corrompe as relações. O mundo desconhece  o mundo e teorias se localizam nos debates acadêmicos, nem sempre decifram os desencontros da vida. Fala-se em educação à distância, em virtualidades, em palavras mesquinhas, em poemas oportunistas.

A sociedade , que não cura suas feridas, pode lamentar as crises contantes são ameaças. Se nada se consolida e as reflexões fogem , o amor fica confuso e se desfaz. Na sociedade da moda, tudo provoca equívocos. É preciso está atento, não temer as fragilidades, afinal as lacunas exigem ânimo para preenchê-las. Ter  tempos para contemplar, ampliar o encanto, não estimular o pragmatismo. O amor não é o fim da história, nem a porta aberta para salvação. Ela apenas avisa que outro divide, se aconchega, visita nosso corpo.

A mercadoria desfaz o sentido

 

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A sociedade está, inegavelmente, se colocando questões cruciais, porém com dificuldades de encontrar respostas. Não sejamos fatalistas, nem crucifiquemos o presente, As dúvidas sempre existiram e as culturas se fizeram buscando saídas. O sofrimento não é novo. A história não se renova, pois as repetições garantem que as aflições principais continuam. Muitas utopias e deuses forma criados, houve saberes planejados para exterminar as desigualdades. Prosseguem comportamentos violentos, a escravidão não se foi, os mitos se modificaram sem salvações.

A industrialização se juntou com a promessa de democracia para curtir a possibilidade do progresso. Os encantamentos se produziram com a vitória das revoluções liberais. A burguesia segue sua saga, nem todos perceberam que os anúncios do individualismo iriam sacrificar a maioria. Mesmo as revoluções socialistas naufragaram em autoritarismos sufocantes. Houve mudanças, contudo a exploração afirmou-se com metodologias sofisticadas. Alguns cantaram hinos otimistas, não olharam para os imperialismos. As ruínas se estabeleciam sem pressa.

As guerras não cessaram. A solidariedade é rara, todos correm para consumir as  novidades. As críticas não se anularam. Rebeldias, passeatas, guerrilhas, teorias pós-modernas. Mas a multiplicidade de mercadorias causa pânicos ou traz sonhos de confortos e sossegos. Portanto, os instrumentos de dominação fixam poderes, isolam a maiorias, criam meios de comunicação nada neutros. Não é a política que salva. Ela entra nos mundo das mercadorias de forma profunda. O desencantamento provoca depressões, enfraquece os mais entusiastas.

Não há como escapa de tantas manobras. Tudo isso gera pessimismos. Vivemos alegrias cercados de ameaça de perdas. a afetividade gira em torno de pequenos grupos. A colonização marca o mundo com opressões constantes. Não adianta acumular mercadorias, se não há como socializá-las. Não adiante militar na política se o cinismo se mete em todas as estratégias. Prometeu está na UTI? Os suicídios frequentes não assinalam dissabores ou sentidos deslocados? Os ideais têm preços, as poluições destroem os centros urbanos. A história nua grita por ajuda.