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O inesperado da vida

Não confunda o sonho com a permanência da vida.

O sonho pode ser um fantasmo perdido ou

uma desilusão disfarçada por uma perda cruel.

Não meça a vida, nem escolha caminhos retos,

a verdade é curva e as pedras não se foram do  mundo.

Cada um conta sua história sem saber o futuro,

com lembrança e nostalgias sem fim, lapidando palavras.

Não configure a certeza, nem assuste o pesadelo,

a vida não tem forma acabada, flutua como um pássaro,

desenha limites e foge para fantasias inesperadas.

Deixe o desespero cair no abismo, sem lágrimas, sem absolutos,

no meio das sombras que acolhem a leveza das luzes.

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Não se engane com o capitalismo

 

O campo da polêmica não deve ser esquecido. Muitos vivem distraidamente. São amigos da culpa, não se sentem responsáveis por nada. A infantilização não é rara. A sociedade atravessa por abismos e está sem conhecer o caminho mais favorável. Critica-se a corrupção, as besteiras de Temer, as injúrias de Trump. Mas o buraco está mais embaixo. O capitalismo se expande apesar das perturbações. Não sobrevive sem a exploração. Observe as reformas propostas pelo governo. Na reunião das potências, houve protestos. Não adianta ficar na fofoca , no exibicionismo, gritando por socorro. Há buscas de identidades que necessitam de luta e esclarecimento. Cuidado com as manipulações!

A desigualdade não se vai. As minorias, que comandam ,querem acumular e possuem assessores com argumentos poderosos. O mercado está aberto para delações, jogos no câmbio, intrigas partidárias. Tudo isso gera grana, bilhões, propinas. No Brasil, a concentração de riqueza é agressiva. No entanto, o discurso do progresso perdura e a canalhice brilha. É preciso esclarecer a razão de tantas diferenças, as ingenuidades disfarçadas. Alguém ganha. Não se trata, apenas, de ideias. Os interesses predominam, apagam reações, inventam propagandas, congelam inquietações.

O medo do socialismo é evidente. Há o fantasma de Stálin, as lembranças do fascismo., a guerra surda O socialismo não é a celebração do autoritarismo. Sua existência não admite concentração de riqueza. Para que ele funcione a democracia é fundamental. Não uma democracia de eleições combinadas. Sem a divisão do poder, da riqueza, a descentralização não temos o socialismo. Há toda um debate que amedronta, sacraliza a propriedade privada. Ficamos na superfície com a classe média se lamentando de ameaças, querendo manter seus privilégios. Se há excesso para uns, a maioria sufoca-se no cotidiano. A sociabilidade se retrai, o egocentrismo consulta Narciso.

As lembranças históricas merecem cuidados. As perguntas não podem ser escondidas. O que é mesmo o fascismo de Mussolini? Por que tanta opressão no capitalismo? O que as grandes corporações desejam? A logica de comportamento também influencia. Muito individualismo, arrogância, falta de solidariedade. Será que tudo  é manobra do acaso. Temer é uma peça. A engrenagem é bem montada. Se o capitalismo se mantém, não como desmontar as diferenças sociais. As lamúrias tomarão o lugar das rebeldias e as imagens continuarão iludindo. O medo estará desenhado nos nossos espelhos. As intrigas surgem nos grupos que parecem defender mudanças. As infantilizações perniciosas e lideranças embriagadas com o autoritarismo existem mesmo entre os ditos rebeldes.

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A literatura: o amor estica o mundo e canta as sereias

 

 

Há muitos excessos no mundo. Os gregos debatiam sobre o equilíbrio. Nada de exageros, a saída é buscar harmonias. Mas na vida tudo concorre para surpresas. Geometrias fixas não existem nem que Platão as idealize. É difícil definir a história, Lamentar as dores, brincar com o inesperado, sacudir as esperanças. Há muito o que fazer. Não é sem razão que os anjos e demônios passam pelo mundo. Podem ser fantasias. Seria importante perguntar sobre a existência da realidade? Lembro-me dos trapezistas dos circos. Deixavam-me perplexo. Assim é o mundo. Não tem tamanho, parece infinito, estranha as estrelas mortas e os ventos frios.

Não dá para negar as invenções. Procuramos caminhos. Existem também abismos. Há quem se salve dos perigos e consiga firmar o encantamento. Não sei o que não é esquisito. As riquezas materiais montam invejas. Porém, os afetos atraem, ajudam a sorrir. Ulisses sentia  que a cultura era complexa. Matou, desejou, construiu. No século XXI, vivemos cercados de amarguras e genocídios incríveis. Figuras medonhas povoam as cidades, se escondem nas esquinas. Na praças, os adolescentes se esquecem das regras. Espalham fumaças e fofocas. O cheiro forte se alia aos latidos dos cachorros. A praça se torna um lugar de fugas e de trocas escondidas.

Compreender é complexo. Expulsam-se perversidades, contudo a humanidade não se cansa de fabricar armas. O desmantelo é grande, pois as incertezas gostam de perturbar o sossego. Quem ama se encontra no paraíso? Será que o amor é um consolo? Já leram Valter Hugo Mãe? Ele desenha a vida com cores que desnorteiam. É a literatura esticando as possibilidade de reverter as angústias. Ela é um perfume dos deuses. Quem é testemunha da perfeição? Tudo anda solto, mas a teimosia puxa a coragem e conta as aventuras de felicidade. As palavras vestem desacertos e acenam com descobertas.

As metáforas são arquiteturas eternas. Não abandone o sertão de Guimarães, nem estrague as ruas de Macondo. Quem imagina está longe de se prender  à mesquinhez. A minha sensibilidade toca em todas as história se eu não ultrapasso os limites de uma desconfiança eterna. Costurar os dramas não é uma saída. Melhor é a navegação que seja ocupada por sereias. A nudez exige que um manto branco a proteja da violência. Não faltam distrações, nem ordem para desfazer as ruínas. Os saberes arrancam verdades. Não costumam, todavia, acabar com os excessos. Confundi-os. Estamos em busca de levitações que, infelizmente, explodem nos ares poluídos. Que fazer? A chuva namora sol que abandonou as estrelas.

 

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O corpo do universo

O corpo cai como uma estrela perdida na dor do universo.

As mortes anunciadas decretam o fim de  alguma coisa

solta nas emboscadas dos cinismos medonhos e traiçoeiros.

Há um desprezo pela história vivida, pela tradição arruinada,

o mundo se reparte em incertezas cotidianas e mesquinhas.

Trago-me como uma pergunta sem resposta definida,

sem acreditar que os pesadelos criam fantasmas eternos.

Não deixe seu grito parado no ar, nem desista do caminho de pedras,

há sempre ruídos que acordam e contemplam as luzes permanentes.

Desconfie da eternidade feita das fantasias dos deuses,

guarde seu último sonho na palavra nua e insistente..

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As voltas dos tempos históricos

Há sempre um debate incessante nos saberes acadêmicos sobre o tempo histórico, Visitamos o passado, corremos para os imaginários, não acreditamos nas previsões, mergulhamos nas tragédias gregas. Não adiantar fugir. Cada um julga sua temporalidade nos desenhos do corpo. O tempo é astucioso, não se deixa prender. Mas há quem diga que a história é mudança contínua. Sei que há muitas incertezas. Sigo as aventuras de Ulisses e contemplo suas espertezas. Ele tropeça, possui dúvidas e não deixa a perplexidade ir embora. Hitler pensou que ia conquistar o mundo. Delírios comuns nas travessias inoportunas. Nietzsche tergiversou, destruiu metafísicas e ainda assombra os teóricos. Não faltam exemplos.

Cada um tem sua vida. Mas as coisas não são de uma heterogeneidade absoluta. As diferenças contam limites, as tentativas de transcender as incompletudes não se foram. A vida se movimenta, porém as nostalgias não sossegam. Há quem aposte nas permanências e se deite no berço das tradições. É impossível esvaziar o mundo, vê-lo com uma única cor e forma. A socialização anuncia que a divisão é fundamental. No entanto, estamos cercados de egoísmos e de vaidades imensas. Parece que não existe punição, nem regras. Os contágios dos desfazeres podem riscar a história e pintá-la com a mediocridade. A rebeldia vale quando compõe a solidariedade.

A agonia com a acumulação se mostra na contemporaneidade. Ela não é só material. A produção é uma palavra quase mágica. Percorre espaços com velocidade. Os economistas lançam números e taxas. Os historiadores ressaltam a importância de resgatar o passado, de juntar as memórias, salvar a sociedade das agruras dos esquecimentos. Os relatos se espalham. A medida da riqueza é avassaladora. O peso do ter não se vai. Muitos contribuem para valorizar os que dão golpe, enganam, exportam bilhões e desencantam a ética. Não observam os outros. Banham-se em pântanos. Reforçam imagens inúteis.

Afirmar que o destino nos aprisiona não traz fôlego. Não há destino, porém possibilidades. Somos construtores de tempos, para além das datas oficiais. Estamos marcados com subjetividades. Inventamos. Há algo que nos faz próximos dos outros, que provoca afetividades e medos. Nem tudo é emboscada. Nos tempos não arquitetamos, apenas, descontinuidades. Os olhares se tocam, as empatias permanecem fustigando as sociabilidades. Significamos e transformamos significações.Reduzir tudo ao instante é mesquinho. O tempo é uma grande conversa. Há momentos que destroem lembranças e pedem novidades. A vida está suspensa. O tempo gosta de acrobacias.

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Quem funda o mundo e a poesia?

Octavio Paz escreve com um fôlego admirável. É o tempo que ele tece ou ele é tecido pelo tempo? Fico deslumbrado. As palavras voam, adormecem, encantam. De onde elas surgem? Estão guardadas no coração do poeta? Sempre desconfiei que o mundo nunca será decifrado. Observo que os mistérios se confundem com as magias. O que dizer? Os saberes buscam verdades, assombram academias, aliviam dúvidas. Octávio Paz parece não se entendiar com as perguntas. Borda com paciência. Suas palavras não se perdem. Elas se encontram nas curvas, reconhecem que a arte é a saída para minorar a incompletude. Transcendem.

Nunca nego que os poetas são fundadores. Não dá para ficar celebrando deuses ou mergulhando nas religiões interessadas pelo pecado. Pedir perdão cansa. Muitas cerimônias vazias com pessoas que militam numa convivência social formal. Prefiro o desafio dos poetas. Eles possuem audácias. Não querem arrogâncias. Sabem que as magias não invenções tolas. Nomear, multiplicar as identidades, armar seduções. Se a vida fica no tédio das tecnologias, o abismo se enche de melancolias. Portanto, provoque o diálogo das permanências com as mudanças. Não se agonie com a complexidade.

O contemporâneo cultiva o descartável. Não gosta de profundidades. Octavio Paz nos remete para nostalgias. Não entra na apologia dos progressos. A história existe e o poeta não está fora dela. Ele caminha pela sensibilidade, não se restringe a fazer cálculos e eleger razões congelada. Livra-se das incertezas é uma fantasia que agrada. Mas como fugir das perguntas, dos escorregões? Quando entrelaçamos o ritmo das palavras a dança da vida se torna mais leve. As hierarquias incomodam, porém é preciso que haja comunicação. Não se impressione com a velocidade.

Falar com o outro, escutar o outro. Dizer o tempo, para que não haja sustos repentinos. Se os retornos existem, é fundamental compreendê-los. Não tropece nas explicações cartesianas. Procure contemplar. Não faça de tudo um espelho. Octavio não esconde que a história não se veste de uma definição fixa. A palavra que mora em apenas um significado não dimensiona a força do arco e da lira. Desprezar os poetas é jogar pó na imaginação. Aqueles que acreditam no poder da razão instrumental estão enlouquecidos com as máquinas. Lembram calendários de propagandas. Estão aprisionados pelas distâncias que nunca serão percorridas.Fecham os olhos despidos de fantasias.

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O deus pecador

Encerre o tempo da mentira vadia e cínica.

Destrave porta que se fechou para os amores

e caminhe para a janela do quarto escuro.

Não acredite que a vida se esgota,

nem confie no visível da casa escura.

Há sempre algo escondido, tropego,

na mitologia que veste o nu do cotidiano.

Os fantasmas andam sem ritmos e riem nas escadas,

existe um deus pecador e brincalhão esperando o juízo final.

Mas é no toque da palavra que o ritmo da vida se define e

o horizonte traça sua geometria misteriosa.

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Julgar: o poder opressor da notícia veloz

 

Vivemos contando a nossa vida e falando da vida dos outros. Há inúmeros meios de comunicação. A tecnologia abriu espaço para velocidade. Todos querem novidades. Sentem-se motivados pelas fofocas gerais. Há uma certa perversão em escutar insucessos, em curtir escândalos, em vibrar com tragédias alheias. A generosidade nunca existiu de maneira plena. Somos animais que gostam de emboscadas e cultivamos invejas. O crescimento das redes sociais trouxe outras intrigas. É saudável encontrar amigos, rever passados. Mas não faltam ansiedades, grupos vingativos, solidões destorcidas, desejos de fluir com fantasias obscuras. A complexidade é comum.

A crise política aguçada é pródiga em desenganos. A notícia vale grana, as imagens se reproduzem, as discussões se alimentam de delações. Estamos no fundo do poço. A ética entrou em estado de coma e até os juízes não merecem crédito. Mente-se com um cinismo exemplar. Observe Temer. Parece que não possui limites.Junta-se com outros também entusiasmados com o poder. Seja atento. As fisionomias dizem muitos dos projetos de cada um. Portanto, não se convença com os discursos. Há atitudes confusas e escandalosas. O cenário está repleto. Os valores se misturam conturbando sociabilidades e arruinando alegrias. Há muito pó nas brancuras artificiais.

Tudo agita. As festas juninas estão estilizadas. É mais uma  mercadoria para se lavar dinheiro, com espetáculos suntuosos num sociedade esfomeada. O forró tem carimbo e nota fiscal. As polêmicas alimentam o facebook. Muitos escorregam, navegam nos excessos. Os artistas são vistos como figuras públicas. Sofrem com assédios. Não deixam de cativar a imprensa ou se incomodar com suas coberturas. Fabio Assunção passou por um drama nada agradável. Não conseguiu completar a euforia da estreia do seu filme. Envolveu-se num situação limite, caiu nos braços da instabilidade, visitou o inferno, afundou no pântano dos dissabores. A vitrine do desespero é feroz. Despreza a lucidez. Os predadores não ficam apanas nas selvas. Atacam no asfalto molhado.

A divulgação do que aconteceu com Fábio foi desastrosa. Aproveitaram-se de tudo. Ele ficou preso, foi punido, arrastou olhares negativos, Dividiu e globalizou.O tumulto alterou julgamentos, crucificaram Fábio. Não se teve clareza do que, efetivamente, houve em Arcoverde, porém as condenações se ampliaram de forma amarga. Ele se desculpou, mostrou-se perplexo. A fama se inverteu, os inimigos aparecem, o dia vira noite. Não é algo inédito. Todos possuem suas extravagâncias, a sociedade não é ingênua. As polêmicas acendem a ambiguidade que rege a cultura. O céu nem sempre é azul. A sociedade não vai se cansar de jogar seus venenos. Eles são destrutivos. A cultura não é inimiga da crueldade. Ela vive de sobressaltos, com silêncios desconfiáveis.

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Descole-se: os anjos usam motos velozes

Confiar nas utopias se tornou uma crença, pois os lutadores estão caindo na lona. Proclamaram-se revoluções, refizeram-se liberdades, esconderam-se violências. A chave da porta principal está perdida. A sociedade aumenta sua população sem encontrar regências harmoniosas para sua administração. Sacudiram os sentimentos no ar, em nome de razões ditas esclarecedoras. Os sistemas se implantaram buscando o escudo das palavras indiscutíveis. Mas se vive no balanço do trapézio no circo obscuro da hipocrisia. Temos destinos ou possibilidades de desmanchar os estragos? A rebeldia não se foi, mas se fragiliza.

Observe como as lideranças cínicas mudam suas armaduras. É importante não cair na ordem e no progresso. O século XIX produziu críticas aos valores decadentes. Não esqueça, porém, que o capitalismo se fortalecia e o utilitarismo ampliava seus espaço. A contradição não é uma exceção, nem mora em tempos remotos e tardios. Prometeu desafiou os deuses, os operários são explorados, os políticos renegam a ética, a imprensa abusa do sensacionalismo. As serpentes habitam o mundo com esperteza.

Ver a história com uma escada que leva ao céu é uma mistificação vendida e consagrada pelos que desprezam o humano. As quedas acontecem, os sonhos não se largam, os gritos registram agonias. Mesmo que os impasses empurrem para o abismo, há planícies que não foram conquistadas. Há Doria, Moro, FHC, Suplicy, Cunha e tantos outros. A multiplicidade é um sinal de insegurança. Nem todos estão no barco do conformismo,  nem inventam reformas opressoras. No entanto, o discurso de felicidade é traiçoeiro e convence.

A incompletude mostra que a cultura agiliza soluções para superá-la com velocidade. Não há homogeneidade que  garanta  projetos de mudanças efetivas na sociabilidade. Tudo está com uma imagem de ruínas. Ande pelas ruas, veja os programas de TV, escute as falas dos governadores, analise a presença da polícia no combate às drogas. Você tem escolhas, a liberdade brinca, mas com cercos permanentes. A incompletude sinaliza que o absoluto é uma lenda sinistra. Aprisiona a imaginação e protege militâncias atormentadas.

A história não pode se desfazer dos limites. Eles trazem as regras. Elas dependem da nossa s ações. Hannah não deixa de ressaltar a condição humana, de saltar impasses.Os conflitos agudizam perdas. Visite o passado: os romanos dominaram o mundo, o Vietnam derrotou os Estados Unidos, as religiões promoveram guerras, o terrorismo mata inocentes. Quem se encontra com a verdade? Pensar uma história com uma paz firmada, sem hesitações, seria sair da órbita. A luta cotidiana ajuda a diminuir as dores. O sempre e o nunca são palavras perigosas num mundo de suspeitas e de profecias. Descole-se, peça carona nas motos dos anjos.

 

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Freud: memórias,lembranças,esquecimentos

Lembro-me de tanta coisa que seria impossível nomeá-las. Tenho recordações preciosas que alimentam minha vontade de viver. Há época em que o riso é solto, tudo corre para o mar, sem constrangimentos. Mas não esqueçamos dos infortúnios. Nos momentos mais eufóricos aparecem, às vezes, descontroles. Não dá construir a vida sem contradições. O erro não sossega. Pensamos que temos forças consagradoras, porem escorregamos na primeira esquina. As tristezas não se esconderam e as distopias arrastam sonhos. Os ruídos da melancolia fazem com que as farmácias estejam cheias de trajas pretas e psicanálise continue buscando saídas.

Freud foi um observador minucioso. Percebeu o poder do reino das fantasias e os desajustes que nos assaltam. As tragédias gregas já nos alertavam para as incompletudes. A cultura ganha complexidade. Muita tecnologia, saberes, academias, conquistas. O mundo se enche de multidões, ousadias, refugiados, combates, devaneios. O equilíbrio é instável e quase não existe. Somos animais sociais, não estamos livre das aventuras que comprometem a saúde, com violência ferozes. Os espelhos quebrados mostram o desespero que, inesperadamente. assalta o cotidiano. Não simulemos um mundo de harmonias, nem permanências fixas. A gangorra está sempre montada.

As memórias nos acompanham. Sacodem poeiras. Quantos atos falhos cometemos? E o desejo montando arrependimentos? Lembrar e esquecer. Sem o passado e a reconstrução constante do passado, o que seríamos? Nem Freud gostaria de aprofundar essa questão? A história é sempre um releitura. A memória é inquieta, não adianta congelá-la, nem sufocá-la com teorias. O conhecimento traz também angústia e nunca esgota as idas e vindas do mundo. Sei que as distopias se espalham e a sociedade chora a mesquinhez de governantes. Não me esqueço da década de 1960, nem dos absurdos de Stalin, Hitler e cia. Nada é linear. As curvas possuem desenhos estranhos.

O diálogo com a memória é obrigatório. O presente nos impõe regras. Elas surgem repentinamente? Quantas coisas foram ditas por Rousseu, Locke, Équilo, Platão, pelos poetas das feiras que estão guardadas na subjetividades? A história se balança entre a arte e a ciência. A verdade atrai, a beleza seduz. Temos muitas escolhas, pois a vida possui formas, cores, dissonâncias, histerias. As palavras se encontram na invenção de cada dia. Compõem acasos, esclarecimentos, paradoxos. Não jogue sua gramática fora, nem fique colado nas novidades. Não se desfaça dos desafios do lembrar e do esquecer. Não somos soberanos indiscutíveis. As memórias casam-se com as histórias.

Os intelectuais desfilam pelos caminhos acadêmicos. Não são senhores das metodologias absolutas. Sofrem também tropeços, santificam-se, arquitetam alianças. Freud visitou ordens familiares, desfez tradições, reconheceu seus limites. Há muito de religião na ciência, de modas descartáveis. Ser crítico é importante, para evitar o fanatismo. O perigo é sempre se envolver com as verdades e considerá-las inatacáveis. Quem as ensina, quem as escreve, que as divulga possuem seus desenganos. As arrogâncias testemunham inseguranças. Os deuses humanos estão no mundo. Transformá-los na porta de saída do labirinto é mistificá-los. Consulte sua memória. Freud tinha vaidades que o confundia. E nós? Somos companheiros de mistérios soltos e traiçoeiros.

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