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A culpa inquieta e pune: descontroles

 

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O sociedade sobrevive, mas continua espalhando ressentimentos. Sempre a busca do culpado, a tradição de punir e olhar o outro com desconfiança. Não há medida para observar as construções históricas. Soltam-se descontroles e ansiedades para se ficar no poder dando ordens e oprimindo. Portanto, o desequilíbrio se agiganta.Elege-se um atordoado pecado capital. Antes era o comunismo que ferveu o mundo. As discussões geravam guerras, quando havia interesses econômicos escondidos nas generosidades proclamadas. A fome não se vai, porém as grandess potência não pensam em políticas internacionais solidárias. Vale o pragmatismo.

A Venezuela se desmancha, Moçambique se arruína, o capitalismo quer lucros e ampliar as intrigas para vender armas. O mundo não se aquieta. Há protestos, porém as fomas de combatê-los termina fechando as postas. Ficamos presos nos limites. Os tempos históricos são duros. Não esqueça que já existiram muitas crueldades e excessos de concentração de poderes. Não é novidade o cinismo, nem as religiões vendendo salvações. Hitler, Pinochet, Sade, Nero e tantos outros aprontaram seus feitos destrutivos. Somos animais astuciosos e marcados por práticas individualistas.

É difícil aceitar que a sociabilidade  supere os egoísmos. Vivemos no limite. Montamos saídas. Os sonhos não se firmam. Há idas e vindas, com violências e indústrias de armas ativas. As milícias se infiltram nos governos, ganham espaços, ameaçam. Insiste-se em nomear culpados com rostos de fantasmas. A imprensa divulga análises superficiais. Como justificar certas sentenças do judiciário? Por que as reformas satisfazem as minorias? As perguntas profundas são jogadas no lixo. Agora, tudo está relacionado com os  desfazeres do passado recente. Celebram-se os ditos terríveis  de quem descuida da educação, permanecem horrores que pareciam extintos.

Alguns sentem que o balança das mercadorias, o jogo do aumento dos dólares, a manipulação dos dados oficiais atormentam e impedem qualquer clareza. Nota-se uma raiva, uma emoção vingativa, a repercussão perturbada de reflexões que dissecam  o sistema e se assustam Será que as instituições aguentam o utilitarismo azeitado para forçar o empobrecimento? Sobram dúvidas e medos. Há muita gente morando nas calçadas, muitos hospitais sem leitos, muitas omissões criminosas. Sacudir a culpa para o outro destrói e inibe as reações. Há quem curta não se comprometer e promover ruídos vazios. O espelho comprime a imagem.

 

As palavras soltas e a reflexão esvaziada

 

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Jair e seus parceiros gostam de falar sem controle, além de curtir a rede social. Sentem-se poderosos. Não economizam as críticas aos esquerdismos e lançam ideias para salvação da sociedade. São profetas ou se julgam senhores de  verdades absolutas? Muitos os denunciam como um delírio, uma loucura de entusiasmados pelos  ares de Brasília. Não sei. Penso que há estratégias para provocar transtornos. Não querem silêncios, mas ruídos que inquietem e incomodem os mais lúcidos. Não deixam de tumultuar, disfarçando suas intenções. Confundem, com intenções nada ingênuas, para minar resistências e desafios..

Não esqueça que as afirmações de Jair encontram ecos no mundo. Há quem o considere um conservador astucioso, porém há admiradores que fortalecem seus ressentimentos. Isso é ambíguo e preocupante. Ele teve milhões de  eleitores, possui intelectuais que o tratam de forma solene. A questão é complexa, pois a sociedade não consegue reler suas utopias. Cria-se uma messianismo danoso e rústico. A imaginação perde seu espaços. Jair não se limita a anular reflexões revolucionárias do passado.Ele insiste que vai livrar todos do mal, se infiltra em orações, se dá bem com pastores bem cotados, elege a sabedoria tonta de seus filhos.

Se as idiotices giram, ocupam lugares, é porque existe que as ouça. Sinal de alerta. Fora do Brasil surgem figuras que ressuscitam fascismos, degradam as críticas iluministas, sonegam qualquer projeto de socialização. O capitalismo se reforça. Os apagamentos não são neutros e invadem a opinião pública.Querem banir reflexões que desconfiem dos preconceitos e produzam criatividade. Jair promove a apatia com máscaras de humor. Não se engane com o riso fácil. Ele traz perversões, consolida o tosco, dilacera o cuidado, desmonta com cinismo.

A travessia histórica não é linear. Os desencontros são arquitetados, as contradições não se vão, as vaidades se ampliam, Não há como fugir dos contrapontos. Se a coragem se move, há quem cultive a covardia e o servilismo. Não há história sem ambiguidades, sem vontades conflitantes. Jair e sua turma reproduzem dizeres e alicerçam projetos políticos. Representam minorias privilegiadas. Conseguem  adeptos. Combatê-los é fundamental, para que a solidariedade não morra. Não é fácil. Outros projetos devem ser discutidos. O pesadelo merece ser destruído urgentemente. O abismo é surpreendente e forma inutilidades perfumadas com perversões.

Incertezas contemporâneas:o lixo e o luxo se completam

 

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Muita gente enxerga um mundo desenhado por uma sucessão de ruínas. Uma rápida olhada nos jornais ou mesmo nas redes sociais mostra que há pessimismo exaustivo e pesadelo nas expectativas. As análises frequentes observam o momento tenso e incerto. Fatigam como nunca. Há disputas armadas  e invejas opressivas O que parecia ser o caminho da salvação tornou-se um lugar de cinismo feroz e desnutridos sentimentos. As religiões procuram lugares de poder privilegiados, não se envergonham de dividir os horrores. Francisco não é bem visto por defensores dos autoritarismos. Existem deboches constantes que esvaziam a crítica e confundem a clareza nas opções. Portanto. simulam-se interesses e soltam-se balões de ensaio. Infantiliza-se cada ato, para fragmentar o compromisso.

A insegurança invadiu o cotidiano. As verdades são fugazes ou mesmo produtos da contabilidade do mercado. Instáveis e pálidas.A busca é por incentivos materiais. Quem se engana?Que registra a coisificação ou a destruição dos afetos? A legitimidade está suja de dizeres curtos e rasos, dançando seus ritmos monótonos. Não é exagero.Há quem curta violências, estimule preconceitos, queira sufocar as maiorias. As ideias revolucionárias se sentem adoecidas. A lógica do capital agiganta a concentração de riqueza e anula a reflexão de quem duvida. Isso alicia, desmonta, açoita quem se abraça com a solidadriedade.

O futuro se balança. Ele sempre foi lugar de incertezas. O pragmatismo fechou a porta para o sonho e abriu o espaço para o utilitarismo. Ser um animal social encantado com o infortúnio do outro é dantesco. Sobram minorias lutando para denunciar e desnaturalizar violências assombrosas. Será que a exploração cabe apenas nos países marcados pela desigualdade? Quem domina escolhe suas vítimas e não se cansa de bordar máscaras para aumentar sua invisibilidade assassina. Não é à toa que vestimentas da insensatez se espalhem como modas para ações macabras. O lixo e o luxo estão em cada esquina e não cessam de costurar seus disfarces.

Quando Nietzsche anunciou a morte de Deus, a cultura ocidental ganhou uma nudez polêmica. Certos paradigmas caíram nos pântanos mais tenebrosos. As guerras,os fascismos, as bombas atômicas, os imperialismos deixaram uma suspeição permanente.Quem se beneficia? Quem trama? Quem se esconde? As incertezas povoam a sociedade acompanhadas de perversidades que empurram para o abismo. Não se faz um silêncio absoluto, porém a perplexidade se multiplica. O mundo das incertezas difere do mundo das utopias. Os deuses não conseguem teatralizar o juízo final. Sem a invenção de novas brechas continuaremos atormentados pelas travessuras das culpas e massacrados pelas incertezas.Escraviza-se com sofisticação e tecnologia acesa para o apocalipse.

A fragmentação desfaz a solidariedade

 

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Multiplicaram-se as culturas. As diferenças não cederam nem trouxeram possibilidades de trocas mais profundas.Há disputas frequentes, com violências doentias. Não se cura a inveja, tampouco se cuida de olhar os outros e verificar o aumento das suas necessidades. Não há negar que tecnologias ajudam a reinventar espaços e cortejar afetos. Mas as crueldades e os desprezos permanecem, apesar de todas as teorias salvadoras do mundo que teima em acumular lixos. A natureza mostra reações destruidoras, o terrorismo salta os territórios de calmarias, o narcisismo  quebra saídas e expande religiões cobertas de vinganças.

Parece que a história está abusando de contrariar as sociabilidades. Por isso, o canto das utopias se desmancham. Lembro-me de Rousseau com seu romantismo. Acreditava que os homem nascia bom e a sociedade  o corrompia. Via o avesso, mas nutria sonhos.Hoje, o desgoverno avança. A aridez seca, amplia desertos, fortalece trocas de espertezas indignas.É importante consultar memórias e não cair em armadilhas. Há continuidades. Insiste-se com tiranias, as celebrações fascistas não desapareceram e escravização  não está  morta. Celebra-se a escassez ousadias,

A história convive com permanências. Cultivar a ideologia do progresso é um engano tolo e assassino. Constrói vitrines que, apenas, iludem e empurram a sociedade de festividades fugazes. As relações de poder incentivam os privilégios. Exercitam manipulações, inquietam, desconfortam. Portanto, é preciso não menosprezar a complexidade. Os valores se fragmentam buscando consolidar as hierarquias. Elas  favorecem monopólios, se valem de deboches e retomam acontecimentos do passado para revisitá-los de forma cruel. O oportunismo acompanha os desejo de sepultar as rebeldias. As censuras voltam como assombrações contínuas.

Não esqueça das invisibilidades, do que se esconde, dos discursos populistas, do controle constante. As redes sociais espalham notícias com rapidez, facilitam as comunicações, são válvulas de escape. No entanto, nem tudo ajuda a procurar quem atiça a luta e denuncia o cinismo das elites. A ambiguidade exige olhos abertos para se enxergar os abismos, se livrar das imagens falsificadas. A história não é a negação da carência ou um projeto  para iluminar o mundo. Desde as suas lendas mais tradicionais, ela profetiza descontroles e impossibilidades. Qual é mesmo a novidade na atual desmontagem das ordens e dos afetos aconchegantes?

O inferno são os outros?

 

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A convivência é fundamental. Alimenta a  história, traz aprendizagens.Seria impossível haver uma solidão inatacável. A inquietude nos torna seres humanos envolvidos  por aventuras. Ficar escondido mostra que a covardia impede a invenção e o ânimo de criar as sociabilidades. Não dá para apagar os espelhos. Como deixar de olhar para os olhos dos outros? Como naufragar sem gritar por socorro e receber ajuda? A convivência não existe sem as dúvidas. Surgem as as dissonâncias, pois os conflitos e as diferenças não abandonaram a construção de cada época. Não é sem razão que existem inseguranças. Já se viu sem a embriaguez e dominado pela apatia?

As suspeições avisam que não somos seres acabados. Buscamos. Profetizamos. Desfazemos. A história não é resignação a destinos malditos. Sem o desejo de transformar, a desconfiança ganharia todos os espaços. Os outros nos ameaçam e podem nos expulsar de seus territórios. Mas a multiplicidades nos acena para as curvas, os abismos, as calmarias, os desapegos. Portanto, nomear tudo é impossível. A ambiguidade está presente, não é apenas um maniqueísmo tolo que nos sustenta. Acusamos, mostramos violências. Elas intimidam. Ficam na memória. Quem esquece dos deuses do Olimpo? As intrigas viajam, estão guardadas nas memórias.

Os outros possuem seus projetos. Por que negar as discordâncias? A cultura sofistica, transcende, porém não elimina comportamentos que habilitam invejas. Os fracassos se abraçam com as culpas e as identidades flutuam perdidas. Não é fácil arquitetar uma geometria sossegada, com visibilidade plena. Observe como Picasso desenhou, imaginou figuras, dançou com as cores e as formas. A convivência pede movimentos, apresenta pesadelos, daí os mitos, as fantasias, os infernos, os deuses enlouquecidos. Você sabe o que salvará o mundo?

Talvez, tudo seja um grande delírio. As lacunas não param de nos assombrar. Há quem desista de elaborar respostas e morram na agonia das perguntas. Temos que navegar. As idas e as vindas surpreendem. Nada está definido. O sempre é uma palavra que evita certos resgastes. O tempo é desafio. Treme, mascara-se, atiça. Os outros nos contemplam ou nos detestam? Parece estranho tantos quebra-cabeças. Lembre que as reações não são homogêneas. Imagine a sua ficção, o seu outro, seu abraço mais acolhedor. O caos e o cais formam um par eterno. Compreendê-lo é uma ousadia.

O fogo é do mundo?

 

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A perplexidade assusta cotidianamente.  Circulam coisas doloridas e perversas. O sensacionalismo corta , muitas vezes, a crítica e a solidariedade. A miséria habita regiões imensas. Come-se barro, as epidemias  vão e voltam. A mídia, porém, seleciona as notícias com preciosismo que dê retorno aos investimentos. Os  jornais não estão numa situação agradável. Há falências e descontroles. Portanto, se aproveitam da internacionalização dos espetáculos. Numa sociedade repleta de desenganos, as armadilhas são constantes. Explorar  aquilo que mexe com os privilegiados é uma conquistas nas vendas. Criam-se amarguras e apagam os desastres que acontecem no Haiti, em Angola, em Moçambique.É preciso valorizar o charme industrializado.

São apostas na ingenuidade ou esperteza dos negócios? As perdas culturais não devem ser desprezadas. O que aconteceu em Notre-Dame representa  desgraças e desenganos. Não há como menosprezar. Ainda existem incêndios que desmontam feitos de tantos séculos! Cadê a tecnologia? No entanto, não se pode esconder os desequilíbrios. As desigualdades são jogadas no lixo. A educação se concentra em quem se enche de grana? Por que não imaginar saídas para quem vive empurrões da fome e das violências políticas? O capitalismo atrai. Não faltam defensores. E os excessos não  atingem as maiorias? Quem ganha?

Parece que a sociedade não cuida das rebeldias e não analisa a expansão dos desgovernos. O cinismo virou uma prática.  Há soberanias tortas que roubam qualquer possibilidade de diálogo. É um incêndio que queima as liberdades e aumenta as esquizofrenias sociais. Insistir que o mundo das mercadorias é duma crueldade sem limites revela que é preciso sair do sufoco. Como alimentam-se absurdos e cultivar apatias! As sociabilidades se desmancham quando os afetos tem preços. As relações de poder denunciam uma escassez na forma de olhar o outro e de procurar as portas abertas dos labirintos.

Sempre as incertezas retomam seus lugares.A história possui curvas e estradas acidentadas. Inventaram luzes, salvações, paraísos, porém as incompletudes permanecem. O disfarce dita presenta. O engano é constituinte das manipulações. Joga-se com habilidade. Existem técnicas e especializações sofisticados. A escravização não se transformou. Continua. A complexidade social nos coloca no limite. Muitas notícias, crescentes interesses narcísicos. O fogo nos aquece e nos consome.Faltam respostas, sobram desalentos. As  dores não desistem de firmar seus lugares.

As memórias assanham dores ou escondem trapaças?

 

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As interpretações históricas atiçam reflexões. Não são uniformes.  Multiplicam as fantasias ou requerem cuidados com a objetividade. Um debate complexo que nos remete a muitas armadilhas. Quem consegue abraçar os sentimentos que andam pelos nossos corações? Quem critica as ações totalitárias? Quem celebra as rebeldias como encantamentos superiores? Não há como definir as certezas e congelá-las. A busca da verdade incomoda, merece análise, inquieta e sacode a experiência. Hoje, vivemos cercados de dúvidas, porém mecanismos de manipulação existem, de forma quase opressiva. Produzem perplexidades, confundem lembranças, refazem enganos.

Atravessar a história sem observar as ambiguidades é um grande escorregão. Nada indica que houve sossegos perenes e dádivas indiscutíveis. Freud assustou-se com a violência humana, Marcuse tentou saídas para nos livrar da unidimensionalidade e Adorno se frustrou com os genocídios arrasadores. As mudanças esperadas não aconteceram,  facharam as portas da liberdade e inventaram censuras abrangentes. Fica a angústia de não compreender as razões de cinismos tão frequentes. Consulta-se a memória. As dores se formam e os pesadelos convergem para as distopias.

A história continua, com balas e governos de privilégios. Não há expectativa de desarrumar as violências, acabar com a miséria ou refazer as aventuras tristes dos refugiados. Temos que manter os afetos próximos, conversar, imaginar . Entregar-se ao desespero não resolve. O absurdo não se apaga.  Ha quem justifique a ação das milícias e quem se ache dono de poderes inacabáveis. Para isso, os disfarces sempre se ampliam. Observem como a imprensa se comporta, desfaçam os sensacionalismos e não apaguem a forca dos interesses. Há enigmas treinados e mesquinhos. Os desejos são múltiplos, nunca serão decifrados de forma absoluta. A incompletude é ninho que desampara.

O jogo da memória é ousado. Quem o domina não deixa vazio para criar argumentos que empurram para um abismo sofisticado. Mesmo que a obscuridade permaneça, quem domina sabe da importância de controlar as emoções. O sistema de propaganda e anúncios é gigantesco, adoece as memórias. Chegam as depressões, as bipolaridades, o medo de enfrentar uma noite na rua. Refletir não significa que a moradia da história é um lixo, mas lançar suspeitas, não fixar regras inabaláveis. Perpetuar espertezas? Fragilizar sonhos? Nunca se atrapalhe, pois as perguntas não cessam. A construção da história é inquieta como a rebeldia de Prometeu. Não anula as esquizofrenias soltas no mundo.

A sensibilidade encurralada

 

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Tudo se explica.  Muitas informações correm soltas, trazendo novidades. Não importa o que elas conseguem dizer. As conversas inquietam, mas mostram pouco afeição pela solidariedade. Portanto, os argumentos vazio nos deixam perplexos, quando reagimos diante de tantos desenganos. Mas é preciso não sacudir tudo em cima de pessoas. Temos que  construir uma leitura da sociedade que nos mostre as relações. Há clara intenções de perturbar a lucidez. Por que, então, se divertir com o sensacionalismos? As armas matam e servem aos desmandos fascistas. Reproduzem atmosferas milicianas.

As relações sociais estão contaminadas pela desigualdade. Somos diferentes, nem todos gostam do azul.A questão é que há fome, desemprego, salários infames. No entanto, os especialistas no mercado nem olham para o coletivo. Gostam de cálculos objetivos, criam ilusões que silenciam até os desfavorecidos. Parece uma ficção mal escrita. Dê uma olhada olhada no facebook. Há apelos, lamentações, tristeza.Seja cuidadoso. Há falas autoritárias que lembram Pinochet e riem dos sofrimentos alheios. Há os treinados em provocar escândalos, para ocultar dissabores.

A razão é instrumentalizada. Justifica desastres ecológicos, desfazares dos governantes, interesses predatórios dos políticos. Há quem se empolgue e grite que a vida é  mesmo ambiguidades. Chegam a elogiar racismos ou curtir preconceito antigos. Lembrem-se da lutas civis nos Estados Unidos e dos sonhos de 68. Há brechas, imaginações coloridas. A sociedade busca organizações opressoras.Encurrala a sensibilidade. Não se trata de ignorâncias. Existem doutores que formulam teorias que mereciam desconfianças gerais..

O mundo polarizado sofre e convive com delírios. Esquizofrenias andantes e assustadoras. Um abraço pode ser um assédio, a fragmentação arruína a solidariedade. Sempre, insisto que a sedução pela quantidade esvazia o sentimento. Quem é o outro? É possível um paixão ou o oportunismo dos negócios garante ganhos na bolsa? A travessia complica-se, pois o massacre das informações é tirana. Não há fôlego para animação e muita covardia se esconde por reclamações, aparentemente, afetivas. Os compromissos estão num ar poluídos. Somos imprudentemente arquitetos de relações que celebram dores, em nome dos certificados de competência. E você já tomou seu cafezinho ou curte falar do vizinho que veste um velha camisa vermelha?

As escritas das histórias, os ritmos do impossível

 

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A escrita tem um ritmo. Não pense que a palavra não dança. Imagine. Ela está sempre viva, depende  dos diálogos de quem a lê. É preciso  não celebrar apatias quando as histórias estão sendo contadas. Quem se esconde, apaga o fogo da palavra. Portanto, é um erro desprezar seu movimento coletivo. Visitar Calvino, Mia, Paz, Drummond  ajuda a compor seus ritmos. Um texto linear arruína o ânimo. A escrita se expande quando seu sentido coletivo cria recepções constantes. As leituras nunca devem ser únicas e solitárias.São incansáveis quando as palavras testemunham o inesperado da vida e a abertura da porta anuncia a possibilidade de não desfazer a coragem.

Cada desenho da escrita revela as saídas possíveis dos labirintos. Cabem escolhas  para que as portas se abram. Os labirintos não possuem desenhos comuns. Lembram impasses, escuridões, mas as luzes podem aparecer. Nada é definitivo, as adivinhações espantam monotonias. O ritmo pede, às vezes, pressa. Há tristezas, olhares  atentos. As palavras são múltiplas nos seus significados. Nem todos conseguem compreendê-las. Muitos se perdem, menosprezas as ficções. Ditam exatidões que amortecem o desejo de ampliar espaços e viajar em tapetes mágicos

Quem silencia nem sempre está ausente da escrita. Ela também faz suas moradias em lugares imprevisíveis. Nos sonhos , as escritas se reinventam, se vestem com alegorias. Ficam dúvidas. Não há escrita que esgote as história da vida. Surgem mundos que pareciam terminados ou mortos. Quem sente que as palavras não abandonam suas ousadias, transforma-se. Cada minuto diz alguma coisa diferente e o passado não sepultou todas suas lembranças. Não há quem decrete o juízo final com certezas. As instabilidades são grandes, elas movem fatalidades e empurram o lixo para os abismos.

As brincadeiras retomam os mitos. Há sempre uma origem cogitada, um inconformismo que inquieta. Não é sem razão que as religiões não cessam de buscar o sagrado. Estão tontas diante de tecnologias que emudecem lendas e destronam deuses. A arte também sofre com as manipulações do mercado. Tudo se vende e se destroça. As escritas contabilizam números, inutilizam encantos, caem num ritmo mecânico. Não esqueça, porém, das brechas. Somos aventureiros do absoluto, com fragilidades inesgotáveis. Não sonegue o sangue que corre nas veias e se abraça com as palavras. Assim, a escrita foge dos pântanos e seus bordados arquitetarão os desenhos do circo que não se afundou para homenagear as alegrias. A metáfora torna a vida uma ilusão inexplicável.

As disputas acirradas: tensões e deboches

 

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Quem acenava com uma sociedade organizada com cuidados solidários, deve estar frustrado. Aqueles ideais iluministas, aquelas críticas aos genocídios, as utopias tão cantadas  por suas generosidades se encontram em estágio terminal. Os elogios ao desenvolvimento tecnológico não compensam os desencontros e os deboches permanentes. Planeja-se o desmanche. A abertura  para o diálogo é mínimo. A referência é o desgaste dos argumentos e a eficácia dos ruídos. Há descompromisso visível que coloca todos e todas nas moradias da perplexidade.  O medo dá ritmo a sons enfeitiçados.

Parece que a opção por uma populismo messiânico vingou. Não se comenta com discernimentos.O objetivo é o riso solto, as ruínas escancaradas, as propostas sempre patrocinadas. Muitas denúncias, pouca ação para desvendar tantas corrupções. Criam-se fantasias ou a sociedade está se afundando? Com meios de comunicação acelerados as disputas  se acirram com manchetes sensacionalistas. O pior: os desmentidos desfazem o que se mostrava verdadeiro e as razões se escondem no primeiro abismo.

Nenhuma ficção previu as agonias atuais. Kafka descreveu absurdos burocráticos, Camus exaltou as dificuldade de se fugir do absurdo, mas as relações sociais se globalizam produzindo tensões inesperadas. Se no Brasil se busca uma reforma favorável ao capital, na Europa está difícil acordos e o número de refugiados aumenta. As contradições explodem. O inesperado assusta. Uns querem a volta da monarquia, simpatizam com o holocausto, outros escolhem salvadores, messias iluminados. Não faltam análises que denunciem a lucidez fragilizada, porém o descompromisso ganha espaço.

O tempo histórico se contrai  e se estica com fugacidade. Quem fica encantando com narcisismos consumistas? Quem deseja a volta de costumes preconceituosos? Quem acredita que os investimentos na educação são vazios? As ambiguidades não assombrosas, pois se aposta num caos. Como será o futuro? E as sobrevivências? A desigualdade se multiplica, a violência fabrica sutilezas, propõe-se uma revisão sombria da história. O descontrole é soberano. Tudo solto, com profetas totalmente tomados  pelos ressentimentos. Celebra-se a possibilidade de  oprimir o outro. As portas se fecham, pois a suspeição anda nos cantos mais remotos de cada estrada.