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Anjo azul: existências

Há uma anjo azul no telhado da esquina.

Sente-se abandonado, busca afeto de um paraíso esquecido.

Há pessoas perdidas na avenida central,

correm desesperadas com medo dos mendigos.

Há criança esfomeado na rua sem saídas,

desencontrada com a vida, pede brinquedos.

Há amores vazio, celebrados inutilmente,

com festas brilhantes no motel decadente.

Há mentira montada no pátio da casa principal

e juízes obscuros lamentando os privilégios.

Há um mundo envolvido em azares permanentes,

desfeitos pelas emboscadas dos cinismos cinzentos.

Há uma história contada na porta do inferno.

cheia de fantasmas fugido do cais iluminado.

Há um fim sem nome e uma profecia despertencida,

jogados num lixo que sobrou do luxo da minorias.

 

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A política: lugar de desgoverno sem fim?

A confusão se amplia. Muito choro, muitas velas. Não há como ser ausente às tantas idas e vindas da história. Existe quem exija objetividade e segue mandamentos cartesianos. A justiça se torna a letra exata, ditada pelas inteligências supremas. Desconfio. O que menos sobrevive é a certeza. A sociedade está dividida e repleta de análises paradoxais. Há ingênuos que ficam paralisados. Não olham o passado , não percebem com tudo vem sendo articulado. Mudam de opinião para garantir amizades ou de olho no voto.Ficaremos na corda bamba, trancados no quarto sem janelas? Ninguém responde, pois os privilégios continuam presos na ganância de uma minoria. E Aécio tem armaduras?

Temer está complicado, cercado de acusações, mas cultiva o cinismo. Possui companheiros que gostam do poder. Vive uma esquizofrenia desafiante. Talvez, seja o excesso de Viagra. Não dá para compreender a fogueira de vaidades. Os caminhos são tensos. Estão forrados com granas e ambições. Sinto uma atmosfera doentia. As indignações não se foram e os ruídos persistem. Adivinhar o futuro é coisa de feiticeiro bem sucedido. As análises mostram que o sistema competitivo queima afetos e legitimidades. Numa sociedade em que as vitrines são fundamentais, as desconfianças permanecem e suspeitas não são chutes. O que diriam Adão e Eva?

Há abatimento, frustrações, jogos. A política lembra crenças religiosas, falsificadas por interesses vazios. Muitos cultivam a fé fragmentada e elogiam perdões, fazem da vida uma corte aos mais poderosos, assumindo disfarces. Querem naturalizar o capitalismo. Não discutem sua lógica. Muitos dependem do movimento do mercado. Fabricam ingenuidades impossíveis.Não se engane. Há quem formule um discurso para cada momento. Sacodem a poeira, tocam fogo, depois se tornam pacientes e desaparecem. Por isso, o tempo linear e progressivo merece ser banido. A ética não é só sonho, sofre pesadelos, adoece.

O conhecimento intelectual serve também para ajustar argumentos. Provoca admirações e seguidores. As redes sociais não dispensam polêmicas. Existe quem não passe sem elas. O quebra-cabeça compõe-se de formas esquisitas. As palavras sempre acompanham os que se adornam com saberes. Ganham eleições internas, viram ídolos, se agrupam, visitam-se. A tecnologia trouxe novas medidas, uma mídia sofisticada e um deslumbramento com as mágicas velozes. As propagandas fazem as armadilhas. Estamos numa sociedade de consumo e muitos compram suas identidades. Não se tocam com a vergonha.

Quanto ganha Karnal por  cada palestra? É o novo sacerdote dos desamparados? Os naufrágios acontecem e as desistências ferem os ânimos. Nunca a imaginação está morta. Ela balança com as apatias e as noites mal dormidas. De onde vem a história, não sei. Qual o cenário dos deuses? É difícil decifrar.Não acredito numa sociedade de harmonias. O conflito não é novidade. As permanências lembram passados, testemunham ruínas. A intolerância faz estragos. Os risos reforçam o cinismo, se banham nas águas da contradição. Mas o coração bate, reconhece as dores. distingue os exilados, os covardes, os efêmeros. O mundo não tem uma só cor. Acorda com o barulhos das balas e dos boatos. Não é sem razão que se curva e se atormenta.

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Octavio Paz: a palavra é nua

 

Num país em que o presidente sofre pressões inusitadas, os políticos são denunciados, o cinismo ganha corpo no cotidiano, a negligência assume lugar de destaque ficamos tontos com os sensacionalismos contínuos. As dificuldades financeiras da imprensa tornam os escândalos o cerne do noticiário. Fermenta-se um jogo infernal de poderes malditos. As controvérsias se multiplicam e os traficantes de drogas impõem normas violentas. Há um esvaziamento crescente e fatal dos partidos políticos. A lógica da suspeita merece atenção, não podemos fertilizar inocências e burocracias. O que se salva?

Há uma queda dos valores ou uma confusão generalizada. Onde fica a verdade? Ela sumiu ou naufragou em inúmeras versões. Cada um guarda ressentimentos, agiliza armadilhas, a desconfiança constrói um mapa ardiloso. As palavras mascaram emboscadas. Octavio Paz afirma que a crise se manifesta, com profundidade, no mal uso das palavras. Precisamos repensar o mundo, inclusive como existe a possibilidade de renomeá-lo. A dimensão estética perdeu-se na mediocridade das propagandas consumistas.

A literatura traz um outro olhar. O mundo está invadido pelas imagens. Não se iluda. A  fragilização da poesia e da capacidade de inventar deprime. Se a repetição assume a monotonia de costurar a vida, a melancolia dissolve a convivência social. As sentenças dos juízes se vestem de contradições. As espertezas envolvem cada ato, como  se  buscassem o menor esforço, a teoria do engano. Octavio faz outra busca,desenha as palavras nunca desprezando o encantamento.  Contrapõe, nos tira do descartável. As palavras têm ritmos. Fundam prazeres,  redefinem sentimentos, tocam os tangos  de Piazzola.

N’ O arco e a lira, de Octavio, existe a construção de caminhos de leveza, sem mistificar salvações. Ele mostra que a palavra é instituinte e incomoda quem a acolhe como uma mercadoria. A história não foge do seu lugar, nem do seu tempo. Ninguém escreve solto, sem compromisso. Conversar com o mundo é mover os significados , não firmar apatias. Quem se mira  no espelho dos últimos labirintos sacraliza imagens,  propaga o pecado original e a culpa. Não esqueça que a rebeldia garante a instituição da vida. Ela morre com palavras inúteis.

A sociedade do herói fabricado anuncia espetáculos. Tudo tem sabor de acaso que o planejamento termina destruindo. Se não há surpresas, se a máquina reina, a queda é frequente e as energias entrelaçam desespero. A literatura borda traços inusitados.  Ela contraria, desmonta o definido. Viver a consagração de verdades que cegam e emudecem empurra a história para dança dos demônios. Talvez, nem possuam a força do desengano, mas assustam e compõem um medo sem fim. O império da fantasia não se foi.

Todo escritor formula sua arquitetura. Auster é lúdico , misterioso, Calvino transcende o lugar de  curvas e retas transitórias, Octavio tem veias vermelhas brilhantes, com eternidades míticas animadas. Não confunda as escritas, nem as isole. Não pense que a verdade é quieta e a ciência segura as vacilações. Há quem escreva sem perder o fôlego. Pamuk gosta de minúcias e tensões, Kundera é um mestre que enfeitiça o leitor. Escrever é respirar, pertencer ao mundo, sem desistir ou se abalar com as invejas persistentes. Mas não delire: o homem não é o rei dos animais. Ele desconhece o maior segredo.

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Tempo de levitação

Guardo os mistérios dos amores perdidos,

como os anjos cuidam dos segredos dos deuses.

Há tempos escondidos na vida corrida,

há nostalgias desprezadas pelas amarguras.

Conto a história envolvida com o paraíso,

como um delírio que descobriu um encanto.

Há mitos apaixonados pela beleza de Vênus

há não-lugares quietos no inferno das ilusões.

Não revele o espelho da imagem do eterno vadio,

deixa a palavra vestir-se com a magia do adeus,

iluminando o cais esquecido das navegações de Ulisses.

 

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As leituras da história: tolerâncias e dogmas

O mundo do conhecimento pode não ter muros. As portas se abrem, Há diversidades juntas com concorrências. Não vamos desenhar ingenuidades. A ciência continua produzindo poderes, alguns arrogantes e cheios de dogmas. Parece estranho, mas as controvérsias não deveriam causar intrigas. Seria interessante que elas abrissem diálogos. Não somos torres inabaláveis, nem a solidariedade é companhia permanente. Queremos decifrar desencontros, renovar a cultura, desfazer paradigmas. Tudo isso custa inquietudes.Há quem se vista com a arrogância. A ciência se torna a doutrina, para evitar que as inseguranças sejam reveladas.

Não há como analisar a interpretação com conceitos definitivos. Os tempos se balançam, Comte trouxe suas contribuições, Nietzsche incomodou seus contemporâneos, Benjamin não abandonou a sensibilidade. É importante assinalar os entrelaçamentos, as fragilidades, os conflitos. No entanto, cristalizar verdades para interpretar a história cria suspeitas. Não há autores que dê conta das mil aventuras humanas. Há retornos, diálogos, ainda hoje assistimos às tragédias gregas. Não escutar os outros, desaconselhar quando é preciso cuidar dos escorregões, fermenta disputas vaidosas e traiçoeiras. Quebram-se possibilidades coletivas e atraentes. Traça-se a arquitetura do pesadelo.

A homogeneidade não adormece, ela traz mesmices. A violência desestabiliza. Anular o outro é prática fascista que o mundo do conhecimento poderia desmantelar. Restam muitas perguntas e as respostas possuem suas vacilações. Como jogar fora as estratégias de competição do capitalismo? Como derrotá-las e mudar o ânimo para ampliar as convivências mais cotidianas? Dizem que nada é para sempre. Quem apaga as ruínas, quem define a memória, quem mantém os afetos? Se o reino das vendas e trocas não se vai, a contaminação é geral. O conhecimento termina fixando seu preço e as histórias seus valores. Explodem as pontes e os abraços mostram o peso dos negócios.Os corpos envelhecem escrevendo marcas que denunciam suas amarguras, desinventam a mudez das formas..

A sociedade não se firma sem linguagens. Elas atormentam, aliviam, aprisionam ambições. Somos metáforas, sintetizamos hábitos. Estamos nas travessias de despedidas e encontros. Como disse Guimarães Rosa o sertão está em toda. Portanto, a aridez dos lugares indica que alguém quer respirar e calar o medo de pedir ajuda. Os sentimentos recebem nomes, variam, transitam pelas histórias. Se o outro representa um incômodo, interrogações se consolidam: Como anular a dissonância? Como abrir as portas da indiferença? A guerra não se faz apenas com armas mecânicas. Ela denuncia afetos mal resolvidos, próximos, silenciosos. As garantias somem destruídas pela falsa profecia do eterno.

 

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Doria: a cracolândia, a política, a controvérsia

 

As notícias ganham espaços movidas pelas curiosidades. Nem todos se ligam ao seu conteúdo. Apostam no sensacionalismo. Surgem os preconceitos, as violências, as amarguras. Observe a questão da cracolândia. Um inferno, na capital mais rica do Brasil, que assusta e comove. Ela não é só movimentada pela pobreza ou astúcia dos traficantes. Mostra que a sociedade se despedaça. A droga, citada, estraçalha. Traz a dependência quase fatal, A ameaça se generaliza, pois há apatias que apagam ânimos. Existem suicídios em plena luz do dia, denunciando a miséria humana e os valores esfarrapados. A questão não se resume a proibi-la de forma abrupta. A profundidade da questão nos fere, pois as reflexões são contraditórias, giram em torno de lutas políticas e a tensão estica a corda da dúvida. Não é fácil argumentar onde a dor aporta e confunde.

Se o desequilíbrio social traz problemas, os abandonos afetivos também arrasam futuros. A droga aparece, muitas vezes, como um consolo que tumultua e alimenta escapes. Solta ilusões que se fragmentam e adoecem. O pior é visualizar soluções. Isso é explorado pelo sistema que fermenta o lucro. Por detrás do comércio de drogas existem interesses que sacodem instituições. O problema não é apenas nosso. O mundo vive de trocas sujas que enriquecem minorias. As distopias avançam, porque o pessimismo se agiganta diante dos vazios. Como escolher? O prazer sobrevive? E solidariedade está presa e incomunicável? Não há histórias que são indeterminadas?

O fracasso das políticas e as corrupções se espalham. A desconfiança é um perigo. Joga-se com a descrença ou se mantém a população envolvida com suspenses. Encontrar o caminho num mundo cheio de mercadoria é difícil. A pressa de viver não esconde as agonias. O tempo imprime ansiedades. Todos querem um conforto para amenizar seus desencontros. Armam-se escândalos, pois eles atraem. A cracolândia é um dos retratos dos descontroles. Possui um simbolismo cruel e apavorante. Quem quer se ver envolvido por tantos infortúnios? Mas não é com violência que se rebate a situação. Observe a história e as tramas dos divertimentos e aventuras humanas, as rebeldias, a necessidade de burlar as instituições. Mas não esqueça as variedades múltiplas. Nem toda droga atinge como o crack.

As ações de Doria mostram desacertos. Quem pensa na coletividade? O perigoso é que ele é apontado como modelo. Muitos se fascinam. Querem higienes opressoras. Estamos numa sociedade marcada pela propriedade privada. Dória não assumiu o poder para vender bilhetes de loteria. Possui planos, não é dominado pela generosidade anônima. No entanto, surgem admiradores, eles difundem a luta do bem contra o mal, tão comum em missões religiosas. A política está tonta, faz tempo. Submersa nas espertezas do capitalismo gosta de vender. Os mercados abrem suas portas. Cada território tem seu valor e assombra quem acha que a ingenuidade abraça os ditos salvadores. Os mecanismos da mídia merecem atenção, pois invertem saídas muitas vezes com intenções nada saudáveis. Travam.

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A água, o mundo, o vazio

As águas correm fazendo caminhos,

e não há certezas de sonhos, mas dúvidas que navegam soltas.

O mundo parece viver um delírio fechado,

como uma esquizofrenia derrotada e sem fim.

A vida não se alimenta, está faminta e sufocada.

Cada deus escolhe sua verdade e chora seus desacertos.

Há demônios cínicos que se guardam em labirintos,

temendo o julgamento final dos anjos rebeldes.

A fundação das palavras pouco diz da paisagem muda.

O silêncio não consegue ver suas imagens no espelho,

num vazio de profecias e de desenhos transcendentes.

O ponto final anuncia o cansaço das ilusões desfiguradas.

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Os deuses e os anjos: desejos, dúvidas, crenças

Não tenho intimidade com os deuses. Olho as crenças de longe. Respeito quem crê, mas suspeito bastante do caráter de quem finge crer. Sou partidário de uma história indefinida. Não sei quem é a criatura, nem quem é o criador. Os deuses existem para preencher nossos vazios, estimular obediências, exaltar o sagrado. Sou ético, solidário, afetivo. Não sinto necessidade de orações submissas. Observo que as religiões se encontram num sufoco imenso. O papa Francisco tem abalado os conservadores com suas declarações. Ele toca em assuntos antes proibidos. Causa arrepios. Desmonta grupos articulados com uma fé desbotada.

Cristo foi um revolucionário, porém não se fala nisso. Há muitos negócios nas religiões envolvendo políticos, meios de comunicação e práticas capitalistas. Dê uma circulada no facebook, acompanhe as notícias nos jornais.  analise as opiniões de certas figuras. Esquecem o passado. Não se lembram que Cristo defendeu a igualdade e foi contra a ordem dominante. Hoje, são raros os quem divulgam a palavra efetiva do novo testamento. Simulam que defendem a pátria e os valores da família. Há uma cinismo avassalador, muito bem guardado na alienação dos fiéis.

Portanto, desconfio dos que se meterem no catolicismo ou se aliaram aos discursos de exploração. Fragilizaram o cristianismo de raiz. A teologia da prosperidade não possui a minha simpatia. Vejo  os rituais coordenados por vozes que fazem proposta de venda de mercadoria e prometem salvação com barganhas. Não entendo como se justificam. Esvaziaram as lutas, querem gravatas e pessoas consumistas. É interessante como houve coincidências como os momentos históricos do Brasil, o orgulho de ter crédito e fazer parte de uma sociedade mais requintada. Tudo bem. Nada contra as mudanças sociais, desde que haja repartição e não concentração de riqueza.

Cultivar Malafaia, de forma  direta ou indireta, fazer apologia do vazio de Dória, como estimulante da assepsia social e se afirmar com companheiro de Cristo me parece estranho. A modernidade alterou crenças, Weber refletiu sobre a ética protestante, muitos padres duvidaram da Igreja congelada. Neutralidade não existe. Muitos morreram, mostraram-se rebeldes. Hoje, se quer plateia e votos. Constroem tempos valiosos. Não dá para acreditar que os anjos abençoem quem se coloque ao lado dos desejos e privilégios das minorias. A ascensão social é confundida com a generosidade.

As lutas políticas estão entrelaçadas com as religiosas. Observe os Estados Unidos e suas conspirações internacionais. Não despreze as ações do terrorismo, nem a violência que se propaga pelo Oriente. A queda dos valores afeta os acordos de paz e estimula a venda de armas. Estamos cercados por golpes constantes contra a liberdade e a utopia. Eles se globalizaram. Nada como uma visita à memória para relembrar muitos desenganos.Mussolini fez pacto com os católicos, Franco não foi diferente. No Brasil, há exemplos visíveis e polêmicos. Bolsanaro é ídolo. Há os fanáticos pelas suas manifestações. O pior são os que se escondem e abraçam àas fantasias mais enganosas. Os deuses e os anjos tremem diante dos seguidores oportunistas.

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Paulo Maluf, a politica tonta, a tensão de Brasília

As manchetes estão na onda tonta. Quem curte novidades não se cansa. O delírio entre a verdade e a mentira é incomum. Não é fim do mundo, mas as fantasias se encontram levantando a imaginação. Maluf foi condenado. Sua rede de advogados não consegui mantê-lo no reino da ingenuidade. Nunca pensei que ele caísse. Parecia invulnerável. Irônico, não esquecia o ar de prepotente. Já li muitas acusações contra ele. Faz tempo. Firmava sempre sua posição  como político de valor. Não se abalava com as denúncias. Conhecia os caminhos das construções curvas e concretos pesados. Curtia viadutos imensos e sujos. Era admirado pelos taxistas que rodavam em São Paulo. Ná [é síntese, mas professor de magias impróprias.

As profecias falham e a história desafia. O ar está pesado e a umidade causa agonia. Aécio também dançou. O grande amigo de Gilmar pede perdão, trata-se de um garoto minado, boêmio, mentiroso. Maluf era campeão da impunidade. Fugia das denúncias com habilidade. Chegou a pousar com Lula. Nunca temia polêmicas. Não sabia que a situação está tão desconfortável. Acordou-se num pesadelo. Com 85 anos assustou-se. Será que voará de novo? Possui fôlego? Vamos ver. Nada se torna estranho nas sentenças supremas e na pose armada de Raul.  É fogo sem água ardente! Raul é figura carimbada, manobra como um motoqueiro no final de tarde. Gosta de capacetes e de esconderijos jurídicos.

Ninguém sabe a trilha do Brasil. Messi foi punido na Espanha.No mundo do capitalismo as suspeitas não cessam. Tudo depende das cifras. A Copa do Mundo foi um exemplo de propinas fantásticas. Passou. A ressaca, no entanto, chegou. Os governadores mostraram poderes para abrir espaços e as corporações não vacilaram. Imagine Maluf no meio de uma transação dessa. O Brasil perdeu em tudo. O circuito da ambição ampliou-se. Observe o que aconteceu no Rio de Janeiro. Sérgio Cabral desfilou com negociatas imensas.Não faltam políticos  que abusam com fraldas descartáveis. Os patos de plástico escondem monstros da corrupção. Desvios renascem com força e fatalidade. Está proibido consultar cartomantes em Brasília.

O dinheiro encheu malas, fabricou sorrisos, estimulou mesquinhez. Há delações que lembram o tempo das histórias de Ali Babá. Impera o reino do mal? Não sei. Os astros devem brigar para que as situações se esclareçam. Júpiter não entende mais nada. Talvez, necessite de uma ajuda de Prometeu. A carne é fraca, porém quem a vende é forte. Correm pelo mundo iates e belezas milionárias. Quem descobriu o Brasil não foi Pedro Álvares Cabral, no entanto se balança no túmulo depois de tantos séculos Há pessoas que tremem quando o telefone toca. Compram passagens para Vênus ou se escondem no boteco da esquina. As minas explodem. Não conte vantagens. Assuste-se, porem não  tropece na calçada esburacada. Pertença-se para firmar o que resta da afetividade efêmera.

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As aventuras e os amores

Desenhe os caminhos escondidos da vida,

não trema, nem vacile, medite com ânimo.

Siga o caminho com mais curvas,

evite a reta, o sentimento despojado.

Ande sem temer o fantasma do eterno,

deixe os anjos levitarem anônimos.

O amor não se encontra na esquina,

nem se faz na solidão do banco da praça.

O amor é ilusão de felicidade enlouquecida,

mora no desejo que despreza a história curta.

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