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Meninos do Flamengo, meninos e meninas do Brasil

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Uma série de tragédias vem dominando o cenário de 2019. Tudo muito pesado: Brumadinho, tempestade no Rio, intrigas políticas vazias. Há uma mostra cruel da desigualdade que nos acompanha. A gravidade é indiscutível. No entanto, o sensacionalismo ganha espaço, emociona, passa. Tudo é frágil e fugaz. Os lamentos revelam sinceridades, desesperos, falta de cuidado, desgovernos. A sociedade padece de contradições que ferem e intimidam. Elas se alastram, se repetem, denunciam monopólios. Não se trata de divertimento para estimular imagens coloridas. O desgaste nos coloca no fundo do poço,desanima.

O incêndio no CT do Flamengo assustou e acelerou o peso negativo de um ano desconcertante. Mortes de jovens que buscavam um lugar no mundo tão repleto de precariedades. Os milhões atraem e são repentinos. Correr o risco significa abandonar  a vida familiar e tentar ir para a magia dos euros, voar no sonho, fabricar suspenses. O entusiasmo está claro e possui suas razões, porém há descaminhos. Como os empresários se aproveitam dos talentos que surgem? As escritas da imprensa esportiva analisam esse mercado de exploração? Há modelos, delírios, sacrifícios: Quem os estimula?

Há riquezas, visivelmente, concentradas. Nem todos chegam ao cume do sucesso. Muitos se escondem em times inexpressivos. São poucos os que materializam suas ambições. O mercado é obscuro, traz menções de lavagem de dinheiro,  sacrifica e brinca com espertezas. Circulam patrocínios, festas gigantescas, charmes inesperados. Newmar tornou-se um ídolo. Esnoba, não se acanha com as críticas. A polêmica inquieta, pois a sociedade ,cheia de carência, convive com misérias profundas. No caso, a fuga lotérica enebria e gera celebrações perigosas.Os meninos e as meninas do Brasil estão cercados por dificuldades. Apostam. Os escorregões desenganam e os que devem ser punidos se afastam com cinismo de suas responsabilidades. Desculpam-se com máscaras prontas,

O futebol já foi um espetáculo mais solto, hoje obedece a um esquema de fortes interesses e corrupções lamentáveis. Os investimentos produzem disputas, o Brasil perde seus talentos, entra no leilão. Nada é feito com amadorismo ou ingenuidade. É importante levantar questões, não ficar no prazer das jogadas ensaiadas. As mortes provocam dores e  a  situação é de limites ferozes. A sociedade está na lama. Seus territórios minados pela pobreza. Parece que alguém ver o suicídio na janela do seu barraco e não se dá  conta que as saídas são, muitas vezes, armadilhas. Não se liga no passado, e deixa a memória se arruinar. O drama se espalha, avassalador.

Ler o mundo sem descuido

 

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Os livros ajudam a decifrar mistérios. No entanto, o importante é se centrar no cotidiano. Observar que o desequilíbrio contínuo se prolonga. Não há como se divertir com tantas tragédias e os descuidos do poder prevalecem. Estamos encurralados, cheios de medo, aflitos com a insegurança generalizada. Existem assaltos violentos, notícias, enganações políticas, milícias organizadas, Não faltam denúncias. Parece que há uma trama para arruinar as cidades, sacudir poeiras tóxicas , afugentar populações, consolidar desesperos. Alguém se responsabiliza?

O pior é a forma de justificar os desmandos ou as displicências: As verbas são escassas, a natureza é impiedosa. E o luxo dos tribunais, a curtição do cafezinho no Congresso, a corrupção solta que libera a licença para ajudar nas burlas?. Muitos se iludem, suplicam a graça divina e entram nas orações dos pastores milionários. A dominação é esperta. Organiza-se para vender e abastecer o cofre das instituições financeiras. Os juros mostram quem fica com a maior parte e você na torcida pelos parceiros do Big Brother, colocando suas máscaras nas madrugadas televisivas.

A leitura do mundo exige atenção. Há lutas sofisticadas pelo domínio das narrativas. Voltam os dizeres nazistas, elege-se figuras toscas, preocupadas em zelar pela sua mediocridade. Ser vítima não resolve. A sociedade representa os anseios de uma coletividade. A maioria ajuda, muitas vezes, a consagrar privilégios que não são seus, pedem desculpas, depois que os alicerces estão arruinados. Passam pelos conflitos sociais querendo usufruir do melhor beneficio, homenageando mitos, punindo quem não entra na sua toca. Portanto, o reino da ambiguidade se instala.

Tudo isso é agravado pela velocidade. Há tempo para olhar as vitrines, porém como formular a críticas, inquietar, remontar os estragos? A história não cultiva sossego. Os desafios crescem, as multidões andam de cabeça baixa, desconhecem os mapas dos territórios que habitam. Transformam os sonos em intervalos nada saudáveis. Preferem sonhar acordadas com as peripécias do carnaval. A alegria move sentimentos .Cabe vivê-los com autonomia e não embrigado contando as latinhas de cerveja, festejando patrocínios sonegadores. Quem se embala, apenas, com o som dos outros não é porta-bandeira da sua própria aventura. A folia distrai, mas tragédia sepulta. Cuidar faz bem.

 

O jogo do poder é malicioso

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A política se despediu da ética, faz tempo. Procura servir a senhores privilegiados. Não se assuste com os projetos contraditórios. Muitos negam princípios constitucionais e consagram desmandos. Não imagine que a violência se extinguirá com uma reflexão de Moro. O sistema continua marcado por desigualdades. A fome existe de forma radical.  Brumadinho  parece um evento de uma passado longínquo. As instituições se balançam, querem conservar, manter preconceitos. A covardia celebra a punição da maioria, trama a concentração da riqueza e alimenta conchavos dos empresários. Pune-se com ressentimento e seletividade articulada. A imagem da justiça causa sustos inesperados.

A desconfiança merece atuar, como também a rebeldia. As promessas de campanha trazem suspeitas. Há simulação de intrigas, brigas resolvidas com risadas em gabinetes. Infelizmente, Maquiavel tinha suas razões. Quem controla o poder espalha medo e felicidade programada. Não se nega a necessidade de mudar as regras da aposentadoria. ninguém é ingênuo, porém as distorções devem ser denunciadas. Que significa a capitalização? Por que a bolsa se empolga com as manobras do governo? O que querem os donos do capitalismo? Qual o enquadramento da segurança no país das milícias que contaminam a política?

Perguntar não cansa. O mundo se veste de armadilhas. O ser humano cultiva esconderijos para cercar os mais incautos. Não se trata de pessimismo. Quem acha que a exploração é invisível? Basta uma caminhado pela ruas, um olhar crítico nas manchetes dos jornais, uma análise do último discurso do presidente do Congresso. As conspirações acontecem nas madrugadas ou mesmo nas mesas dos restaurantes. Portanto, está tudo solto, com sofisticações bem conduzidas pelas verdades nada consistentes. Tudo respira, agitando os interesses.A suspeita se encontra em qualquer esquina. Não habita, apenas, nas sentenças que atrofiaram a liberdade de Lula. Ela se fixa nas relações sociais.

Não é de hoje que as utopia adoeceram, que a mediocridade banaliza o cotidiano. O mundo tem seus desfazes e cada época seus tropeços. Recorde-se das ditaduras de Videla e Pinochet, da fúria contra os refugiados, da escravidão nas empresas multinacionais, das agressões feitas pelos países imperialistas. A história não é voo num tapete mágico. Jair soube ocupar o espaço, usou  boatos e conseguiu simpatias. Mas as indas e vindas atingem planejamentos, nada é definitivo. As mercadorias desfilam preenchendo o desejo de quem se organiza para obtê-las. As vacilações funcionam como novelas trágicas. A história desafia quem a resume numa profecia. A lama sobrevive como um velório traiçoeiro. É o avesso girando sobre as nossas cabeças.

O jogo no Senado: a reflexão desfeita e esvaziada

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A reconceituação faz parte da luta dos saberes. Ela é vitrine política e não uma geometria carregada de neutralidades. Hoje, discute-se a violência das manobras stalinistas. Antes, ele era visto como grande exemplo de prática marxista. Há quem o defenda, pois muitos se salvam na agressividade e no ressentimento. As leituras se multiplicam e Marx era teórico que valorizava a criatividade do trabalho. Surgem outras metodologias. É precioso ampliar aquelas visões estreitas. Os diálogos mostram que as obras não se fazem sozinhas. Os saberes devem estimular diálogos, não negando seus princípios. As revisões acontecem, sufocam valores , no passado, inquestionáveis.

Estamos na história. Os congelamentos são simulações e as intrigas sacodem os apáticos, porém também inquietam violências extremadas. Portanto, as palavras mudam seus significados, sem desprezar as ambiguidades. Na sociedade atual, a velocidade das informações elege a novidade como base dos debates. Como aprofundar se a notícia é negócio? A imprensa navega no superficial, promove o espetáculo. O que dá audiência? Os danos para a verdade são enormes. O teatro do absurdo ganha lugar privilegiado. Quem escreveria um conto sobre as irritações republicanas numa tarde de sábado?

As últimas eleições, no Senado, provocaram o inesperado. O jogo foi radicalizado. O ruído debochado da renovação guardava manipulações frequentes. Renan era o velho, carcomido. Muitos se exibiam como a novidade, a política que traria abalos. A disputa se deu, teve transmissões para o público. Não faltaram cenas de embates escancarados e de ironias teatrais. Denúncias, espertezas, vazios. O ambiente era conservador, porém as simulações evitavam revelar a face dos interesses. Renan perdeu ou abandonou a luta? Quem adivinha o que vai acontecer? Jair simpatiza com o resultado? E Flávio arma planos?

Frustrações, lamentos, celebrações. Nada que representassem rebeldia e satisfação para trazer perspectivas diferentes. Tudo se parecia, mas o importante era fabricar as diferenças. Os jornalistas descreviam as cenas, assustados ou aparentemente assustados.Nada que refletisse sobre o evento de forma mais densa. Bastariam as imagens. Renan é astucioso, mas não é dono de todo poder. Como se darão as relações políticas no Senado? Haverá benefícios para quem? Ganham os desgovernos de sempre. Quem é espectador termina se ferrando. Já pensou considerar o DEM como símbolo de travessias para o futuro?Trata-se de um neoliberalismo ou de um cinismo elaborado por especialistas? Há muitos gritos parados no ar.

 

O encanto e o desencontro: a sociedade ambígua

 

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O crescimento da tecnologia animou o capitalismo. A multiplicidade de invenções modifica hábitos. O mundo se abria para um consumo. No entanto, as desigualdade não se foram. O uso de armas atômicas continua assustando e promovendo choque violentos. As guerras são cotidianas atiçando perplexidades. Compra-se e, ainda, existe euforia. Muitos perguntam se a felicidade é uma dádiva, uma articulação das estratégias do capitalismo. Há quem acredite e nem observa que a exploração permanece globalizada. Fabricaram-se vacinas, antibióticos, vitaminas. Celebram a beleza do corpo. E os vazios? Será que haverá o surgimento de paraísos e a morte das hierarquias?

Quando as tragédias  assassinam, a gritaria é geral. As denúncias frequentes criam tensões. Muita saudade, perdas irreparáveis, porém há quem quem defenda as grande empresas. É preciso assinalar que o capitalismo contribui para fragilizar os valores de solidariedade. Se a disputa toma conta do mercado, como segurar a desconfiança? A riqueza se concentra nas mãos de uma minoria. Ela mantém seu poder político. Alicia, forma quadros especializados e seduz antigos adversários. Não se pode fechar o olhos e admitir que houve falhas superficiais, desprezando as perdas dos outros, destilando arrogância, indiferente aos descontroles dos governos.Há milícias espalhadas com limites tênues.

A história não é uma sucessão de misérias absolutas. Há ações que trazem renascimentos, indicam gratidões, desejos de firmar utopias. O importante é decifrar as ambiguidades, sentir que as manipulações garantem supremacias perversas. As idas e vindas mostram a complexidade das relações sociais. As religiões geram expectativas de salvação, se enche de promessas, apelam para a humildade. No entanto, surpreendem quando se aliam a projetos políticos nada generosas. Há traições constantes e mergulhos em fantasias que empurram para frustração. O sagrado se mistura com o profano e as mídias religiosas entram no fascínio do sucesso. O peso dos interesses desconecta as balanças e emudece a justiça. Vale o que vale.

Não adianta tecnologias sofisticadas, sem uma crítica aos valores que ela estimula. A história não é abstração. Ela construída por pessoas. Há regras e compromissos. Se o tilintar das moedas atrai é porque há privilégios sendo preservados e corrupções consumadas. Na política, as argumentos podem trazer desenganos e mascarar intenções. A riqueza não é coletiva, repartida em benefício de todos. Portanto, insistir na denúncia não é pecado capital, é escolher saídas, no meio de multiplicidade de opiniões que consagram o movimento das bolsas e as valorizações das ações. Quem simpatiza com capitalismo está adotando concepções de mundo muito longe de um projeto coletivo. Há outras alternativas para a história ou a convivência social possui a marca do individualismo?

Os farrapos da verdade e as máscaras ativadas: ” A Era Trump?”

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A política tem  frequentemente inquietado. O século XXI se apresenta com surpresas. A perplexidade traz desconsolo para muitos. No entanto, não custa buscar um olhar histórico e observar como as relações vão se constituindo. Trump não surgiu do nada, nem atende apenas aos delírios dos mais cínicos. Construiu uma figura que atende lacunas que se formaram nos Estados Unidos. Parece estar se divertindo. Não está. Responde a interesses. Seu país passou por dificuldades que minaram valores e encheram os corações de desperanças. A política ganhou outras expectativas e o deboche assumiu um lugar especial. Há quem escute Trump, o elogie, mesmo fora dos Estados Unidos. Quem se lembra das frustrações norte-americanas passadas? A guerra do Vietnã registrou perdas profundas. Os debates sobre o pós-modernismo sacudiram as universidades, transforam as elaborações culturais, criaram instabilidades. Os ruídos da subjetividade ampliaram seus territórios e as lutas promovem violências.

No Brasil, a onda antipetista pegou e a imprensa tocou fogo. Houve descuidos nas administrações e as mudanças se anunciaram para desmontar os  esquemas antigos. Ninguém esquece das tensões, das passeatas, do indefinível. Jair venceu. Seu discuso agressivo repercutiu, teve ajuda de quem se assusta com um socialismo que nunca existiu. O inesperado fechou seu campo, muita gente abraçou o liberalismo, embora haja confusões ideológicas e misturas emocionais. Falam-se de desencantos, as armas mostram-se, o salvacionismo atrai. Trump e Jair possuem semelhanças. É preciso, porém, assinalar que moram em nações diferentes, com poderes internacionais nada iguais. Valem os estímulos aos preconceitos e o jogo nas redes sociais. Outras linguagens se formam nu mundo da política.

A Europa vive também suas contradições. A Inglaterra não sabe o que escolher e o refugiados ocupam cidades. As vacilações são muitas. Na França, rebeldias indicam insatisfações. Qual o projeto social que consegue se consolidar? As dúvidas se expandem, pois as antigas utopias se sentem marginalizadas. As revoluções desistiram de insistir com seus contrapontos? Volta o racismo, condena-se a liberdade sexual, as religiões disputam mídias. Os ideais iluministas convivem com as ruínas e objetividade se ressente das desconfianças com a ciência. Não vamos fixar saudades dos tempos da neutralidade. Eles não existiram. Não dá para fazer a história escondido num labirinto sem saída. Há manipulações. As arrogâncias se mascaram, compram novas versões, se adaptam ao mercado das ilusões contemporâneas. As carências povoam velhos sonhos.

O capitalismo se reinventa, não tem pudores e gosta do tilintar da grana. Conseguiu fãs e desmontou mentes. Não é sem razão que surgem teorias reforçadas com análise lacanianas. Como decifrar tanta agonia e delírio?Há misturas, ecletismos, obscuras reflexões para os admiradores da dialética tão presente em outros tempos. O consumismo é gigante. A revolução industrial pertenceu a outras épocas. O capitalismo globalizado não perdoa. A Rússia firma estratégias de dominação e a China investe no futebol de forma avassaladoras. A solidariedade continua escassa, mas as milicias atuam e o crime organizado se especializa. Nem tudo são flores, pois há depressões, os bens materiais não representam garantias de felicidade. As lamas também ocupam os asfaltos e as intrigas estão na ordem do dia. Quem era progressista se incomoda. Não escutou que a compulsão a repetição não é uma ficção vazia. Os retornos acontecem com outras cores.

A história constrói o inesperado

 

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Os mistérios que cercam nossa vida nos incomodam. É uma afirmação talvez absoluta e pouco crítica. Há quem não se ligue nas dúvidas e sorria diante das questões. Os que acreditam ,numa vida eternam possuem outra respiração. Há sempre o que dizer, pois a história não se esgota. O diferente aparece, uns observam outros preferem se esconder. A massificação invade a cultura contemporânea com a ajuda dos meios de comunicação. A mesmice banaliza e idiotiza. No entanto, as surpresas são frequentes. Há quem esperte, sinta as dificuldade e pule do seu abismo. as teorias não dão conta de tantas acrobacia. Os saberes dialogam com ânimo diante de lacunas. Frustram-se, buscam movimento, empolgam acadêmicos, mas a sociedade não se cansa de visualizar ambiguidades.

Quando viajamos pela literatura há um certo deslumbramento. Convivemos com a imaginação. Não esqueçam Italo Calvino, Paz, Kafka, Baudelaire… Muitos se adiantam, formulam profecias, anunciam desastres e almejam realizar sonhos. O peso da incompletude traz possibilidades de não se fixar numa vida medíocre. A cultura é invenção, temos que soltar as amarras das neuroses cotidianas. Porém, é preciso não desconhecer as fragilidades, A razão não é senhora da verdade e a história não foge das permanências.Narciso ficou perplexo com sua beleza. É um mito. Será que não podemos encontrá-lo no comício de políticos salvadores da pátria? Quem será?

Os historiadores procuram acervos, sacodem a poeira, consultam pronunciamentos, cartas, discursos oficiais, provocam polêmicas. Os recursos tecnológicos abalaram certezas, no entanto abriram espaço para interpretações inusitados. As experiências se modificam. Existiram Marx e Freud. Foucault consegue atrair debates fundamentais. Lacan desmontou reflexões, antes, consolidadas. Muitos abalos convivendo com manipulações profundas. Alegrias e tristezas, violências e afetividades, ambições e desgovernos. O mundo não tem uma forma definida e a história não é escrava do juízo final. Voltamos ao passado, notamos semelhanças. Festejamos as descobertas, lamentamos as ruínas. A sensibilidade anda  pela história desfiando quem celebra o lugar comum.

É preciso fôlego e cuidado com as idolatrias. As ciências prometem longas existências. Há quem se solte nas magias e se sinta um deus de carne e osso. A história é o território do inesperado Quem para é atropelado. Surgirão novas teorias, fases niilistas assumiram controles, ameaças de genocídios são constantes. Não uma fórmula para encerrar a aventura humana. As portas estão abertas, contudo os desmantelos não se foram. Luzes e sombras dançam nas atmosferas. Há instantes de sentimentos admiráveis e outros de armadilhas lamacentas. Escrever desenha geometrias para compreender as curvas dos mistérios. É um divertimento ou uma alucinação? As relações respondem carências e espantam dores profundas. No entanto, elas possuem o vírus da ambiguidade. O inacabado nos abraça e atiça o imaginário.

A tragédia não é incomum

 

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Há sempre sensacionalismo no jogo da mídia. Ela gosta de imagens inquietantes. Manipula bem os desejos da sociedade que não cessa de buscar novidades. Muitas notícias atraem e provocam expectativas. Será que o pecado é um produto humano? A natureza está arruinada? A tecnologia é uma dádiva? Quem acredita no compromisso dos governos? Não faltam temas. No entanto, a desgraça dos outros toca e gera debates. Tudo é muito rápido e passa deixando sofrimentos que são escondidos. Portanto, é preciso leitores ávidos por detalhes, trazer os apáticos para frente das telas, enfeitiçar para manter a audiência. Tudo é mercadoria, garante patrocínio, celebra sucesso..

Vivemos cercados de desmantelos. As hierarquias sufocam e deprimem, mas a necessidade de exibir um grande números de descuidos é importante. Distrai alguns. Ontem falaram de Davos, criaram-se especulações sobre as andanças do presidente. Surge um tema que desloca todas as atenções. As empresas de mineração parecem não gostar do meio ambiente. Mortes anunciadas, denúncias retomadas, rios destroçados. O escândalo prospera por uns dias. Há indignação, levantam-se dados, observa-se a precariedade geral. O suspense é grande, as milícias silenciam, as pessoas se reúnem na sala de jantar curiosas e traumatizadas. Momento de aflição fabricado, porém há lamentações firmes e profundas. Há quem não se iluda com os malabarismos. Desconfia e sente atmosfera suja.

Quem  analisa as pequenas tragédias? Há refugiados, analfabetismo, desemprego, crime organizado. Isso faz parte do cotidiano. É tragédia, porém quanto vale? Que imagens temos da miséria? A fome faz parte do sistema? Que sonhos podem ser imaginados se não há espaço para igualdade? Dói ver as falcatruas das mineradoras. Não são punidas e há quem tenha pena do prejuízo das empresas. E as pessoas que estão embaixo da lama? Conhece Itabira, terra de Drummond e feudo das artimanhas da Vale do Rio Doce? A riqueza encobre os desgovernos e protege privilégios. Quem controla a verdade e se salva  com louvores? E as ações na bolsa ferem o ritmo do capitalismo?

Somos mortais. Para certas religiões, somos eternos devedores. Merecemos perdão ou o fogo do inferno? A incompletude mostra que a perfeição inexiste. O trágico é uma invenção da cultura ? Lembram-se das obras de Sófocles, da aridez das perseguições políticas, das chacinas racistas? O trágico inventa e possui muitas formas Não faltam memórias arruinadas. Elas incomodam e a sociedade quer espetáculo. Se não houver crítica e rebeldia os registros se vão e morrem as revoltas. Convivemos com tragédias,  resta saber o que aprendemos com elas. Muitas perguntas tensionam as emoções, muitas vezes, de forma superficial. Cuidamos pouco da solidariedade. Desligamos, conectamos, ampliamos acontecimentos. Que fazer? A pulsão de morte não abandona a história.Mortais e predatórios, é o que somos.

Quem compra a vida e não mede a dor?

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Aceitar as fragilidades é desafio. Queremos fixar memórias cheias de glória. Criam-se discursos que não dispensam as mentiras e buscam inventar ilusões. Desde as lendas do paraíso que a história não é, apenas, travessia linear, mas fugas de dificuldades crescentes. A capacidade de trabalhar, de formular sociedade com ordens estabelecidas não cessam de formar as lacunas. No entanto, não se ousa compreendê-las. É mais fácil mostrar heroísmos, esconder limites. A ficção nos atrai, os mitos existem e são poderosos. Portanto, a dor é negada, o narcismo se expande com o ruído dos cartões de crédito. Ter é um mandamento. A posição privilegiada deslumbra, embriaga, futiliza.

Se Freud analisou tantas pulsões, atos falhos, infantilizações, outros procuram argumentos salvadores e mergulham nos mares da vaidade. Permanecem os que manobram com as fraquezas, trazendo a vida para as idas e vindas dos consumos. O cerco é grande, pois não há como se desfazer de tantos desenganos. A guerra não se explicita, apenas, no culto às armas. Observe o jogo da imprensa, o interesse em ficar na vitrine, as colunas sociais, a venda de produtos inúteis, a cabeça baixa enfeitiçada pelo zap. A marca da novidade é festejada, a precariedade fica perdida nos labirintos.  Édipo não deixou seu reino e Zeus se encontra nos quartos palacianos. Quem usa a palavra que desmonta? Apolo fechou sua moradia iluminada pelos excessos, saudoso das criatividades das sombras dançantes.

A pequisa histórica busca esclarecimentos. Surgem as interpretações. Os acervos se multiplicam com a expansão dos feitos culturais. Os historiadores perguntam, dialogam, exibem saberes. As dúvidas não são eliminadas. Porém, há quem sossegue e aposte nas saídas individuais. A economia traz debates e os liberais estão na crista da onda. Derrubam passados, reclamam das irresponsabilidades de governos ideológicas. A mistura se faz com objetivos de gera tumultos. A guerra dos conceitos é uma ameaça. Muitos a subestimam. Já vi conceitos arrepiantes. Os ataques ao comunismo são confusos, revelam má intenção, contudo possuem seus seguidores. Quem assume a responsabilidade de repensar o mundo? Muitos preferem às telas e não os olhos dos outros. Banalizam-se.

É interessante como capitalismo se veste de todas as cores. Veja a China, explorando, sepultando seus antigos ideais. Será que Mao estremece com sua alma repleta de pecados ou ele abriu espaços para que a China entrasse numa contemporaneidade obscura? Tudo virou um amontoado de disputas. A lógica do capitalismo prevalece. Os historiadores tentam outros caminhos. Por que tantas ambiguidade? As fontes não decifram certos mistérios. Deus está morto? O mal estar é permanente? A grana agrada aos desejos humanos de forma definitiva? Estuda-se a subjetividade, consulta-se Sarte, Deleuze, Lacan, Certeau e os argumentos inquietos não conseguem ultrapassar as angústias. Há limites.Eles passam e retornam. A cultura devasta?  Quem a sente se incomoda com as suas feridas?

As narrativas da violência, do sufoco, da ilusão

 

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A disputa não foge da história. Não há períodos de sossegos profundos. As inquietações mostram que o descontrole  é comum. Não é à toa que se inventaram as utopias. Houve épocas de otimismo ou de ilusões com relação ao futuro. A construção da cultura acena com conquistas. No entanto, as ambiguidades continuam imensas. Asseguram-se direitos, as tecnologias trazem mudanças, as esperanças acendem crenças religiosas. Mas permanecem incertezas. Vivemos em busca de alternativas que afugentem perigos, desfaçam conflitos, consolidem convivências afetivas. Sempre, há as polêmicas sobre a natureza do bem e do mal. A história não é uma espelho de imagens mudas. Portanto, não custa observar as dissonâncias, No mundo atual, práticas agressivas e uso da coerção ganham lugares especiais.

As relações de poder não cansam de tramar a existência de privilégios. Tudo isso não existe sem disfarces. É difícil denunciar, apontar os vestígios de atos escravistas ou racismos justificados por acadêmicos. Quem cuida da centralização do poder se alia com monopólios e gosta de cantar elogios aos seus projetos. Muitos jogam com estratégias que aprofundam as desigualdades. Querem diminuir a violência com a propagação do uso das armas de fogo. Confundem os totalitarismos com as ideias de Marx e prometem vencer a corrupção dentro do capitalismo. Não faltam acrobacias. Quem possui o controle político segue espalhando delírios. Encontram admiradores, refazem utopias e encobrem as armadilhas da dominação. Vendem-se planejamentos com discursos bem articulados e promessas de felicidade.

Se alguns decretam a morte de Deus, outros o ressuscitam. Antes as religiões criavam cultos de perdões, com força, para tornar a sociedade submissa. Enalteciam- se a compaixão e  a humildade. Hoje, as religiões se estruturam de formas midiáticas. Entram no mercado de consumo, constroem templos religiosos, formam líderes milionários e envolventes. Apesar dos saberes científicos, a dependência emocional sacode as franquezas e não se ultrapassam vazios. Existem as inúmeras síndromes que debilitam e aumentam as depressões. O mundo cheio de chips, com imagens fascinantes, sem contudo se livrar da violência. A própria linguagem mantém transtornos, simboliza desenganos, distrai para congelar insatisfações e perpetuar privilégios.

Não há como firmar profecias, porém é preciso multiplicar os encantos . Quem está atento? Há controvérsias, protestos, ataques. A cultura nos tirou de subordinações, inventando outras. As ruínas expõem as dificuldades. Narrar as aventuras é um ofício escorregadio. As interpretações envolvem sentimentos, sedimentam valores. As narrativas ganham complexidade e são indispensáveis. Elas movem lutas, apresentam-se suaves ou desenham ficções. É necessário divertir para esquecer. Tudo tem seu preço.  É impossível se visualizar a felicidades num mundo  cercado de explorações. Mas quem não deixa isso de lado para fixar suas ambições? A história se veste de movimentos, sons, cores. Os deslumbramentos cooptam  aqueles que sufocados ,pelo cotidiano ,sonham com o prêmio da loteria. As narrativas testemunham também acasos e absurdos. Como desmontá-las? E a memória será apenas esquecimento?