Latest Publications

História:A narrativa escorregadia do afeto

Resultado de imagem para afetividade

 

A historia  possui suas tradições seculares. Ela é contada seguindo certas regras que satisfazem os vencedores e distraem. Destacam-se as grande figuras, cheias de pompas e despreza o cotidiano. Assim se vestem os chamados livros didáticos. É claro que há exceções, porém os privilegiados são contemplados com elogios. Perdem-se momentos de rebeldia e se escondem lutas contra preconceitos. Portanto, a narrativa histórica não é neutra. Compõe tradições, busca apagar quem se sente aflito e deseja reinventar a sociabilidade. Congela e cultiva a palidez, porém deveria assombrar e promover dissonância.

Muitos ignoram os debates, ressaltam o pragmatismo, resistem às mudanças. Sabem do poder do convencimento. Não se domina, apenas, com armas. É importante desenhar situações e mostrar que minorias espertas querem ser donas da vida social.Interpretações são justificadas. Mas o interesse maior é o controle político. A narrativa funciona, então, como uma regra, se nega a eleger transformações. Existe para celebrar fatos que mantêm preconceitos. Até os espaços da violência ganham páginas especiais, desde que descrevam perseguições e genocídios nada solidários. Rememoram os imperialismos e colocam os lixos no canto dos quartos de dormir. A narrativa pesa. Esfumaça-se.

O sentimento nem é pensado. Tudo se monta em cima da produção e da quantidade. A narrativa não existe à toa, nem é uma ficção inútil para anular a vida. Ela dá respostas a uma ordem, materializa, omite, desmancha. Por isso, as narrativas não dispensam lacunas e disfarces. A sociedade se despedaça com  frustrações e desamparos, porém aparecem as reformas econômicas como senhoras salvadoras do apocalipse. Ambiguidades. O choque de ambições se revela e poderosos meios de comunicação reforçam quem já se encontra no centro da devaneio política.O trabalho  não liberta e a grana multiplica confortos, para escurecer  os vazios. O circo é de horrores e não, de risos.A morte do poeta é perda da beleza que redime e solta o ânimo.

As promessas de felicidade são vendidas. A narrativa da propaganda, das informações enganosas, as notícias falsificadas não desistem de impor suas versões. Para tudo, se formam especialistas, pois o desenvolvimento possui argumentos perversos que precisam ser fantasiados. O velho livro didático continua exaltando guerras, governos  ditatoriais, revoluções mambembes. Poucos percebem que naufragamos em valores que isolam a maioria e reproduzem comportamentos opressivos.  Olhar os esconderijos, desnudar  os vícios da dominação representam fôlego para que os afetos se estiquem e a sociedade não se afunde na acumulação de riquezas mesquinhas. Estamos doentes e batemos palmas. Alguém já imaginou as acrobacias da sua narrativa? Será que  palavra  se desfez  na  prisão das abreviaturas?

Os olhares ernestianos: quem se habilita?

 

Resultado de imagem para ernesto ministro das relações exteriores

 

O mundo contemporâneo produziu diversidades incríveis. O século XX foi pesado, pois a modernidade não abriu a porta para as utopias. Pensou o absoluto sombrio, não dispensou o totalitarismo. Lá estavam Stalin e Hitler, o genocídio atingindo milhões. Houve guerras e tenologias traiçoeiras.Foi um desencanto, apesar de 68, do movimento hippie, das teorias frankfurtianas com os olhares de Marcuse. Quebraram-se preconceitos, porém a capitalismo fortaleceu ditaduras e as possibilidades de democracia se enfraqueceram diante da grana monopolizadora e das articulações fascistas. Os senhores da censura se fizeram presentes com astúcias criminosas.

Há quem sinta saudade das violências. Nota-se uma constante desconstrução do passado. Querem sufocar memórias, colocar prisões nas rebeldias. Portanto, inventa-se. Arrumaram um lugar honroso para  o fascismo. Dizem que ele é de esquerda, deixando muita gente irritada. Giram as apostas de quem ocupa-se da política para pintar vitrines. Ernesto faz pronunciamentos, insiste em afirmar um caminho estranho para  os totalitarismos. Defende os militares de 1964, parece um seguidor servil de Bolsonaro. Não sei qual seu objetivo, como se inquieta sua reflexão. A sociedade se enche de psicopatas de cores pálidas, mas ativos e fatais.

Quem não sabe das atrocidade cometidas pelas armadilhas do autoritarismo? Como negar a existência dos campos de concentração? Hitler e Mussoloni tinham planos satânicos. Foram feitos bombardeios na Espanha  e fabricaram uma tecnologia de morte. Muito sofrimentos, para que agora se negue a ferocidade de quem imagina a derrota todas as resistências. O fascismo é uma celebração do imperialismo, fecha o espaço do diálogo, conta com intelectuais pragmáticos, controladores de  experiências opressoras. Quem silencia diante de tantas ruínas?

A democracia ainda não conseguiu se firmar.Restam vozes articuladas e ressentidas que gritam contra  a solidariedade. Na crise atual, os delírios são imensos. Usa-se a distorção, criam-se líderes apaixonados pelas imagens bélicas. Ernesto se encontra com a política como um guru desatinado. Talvez, desconheça a ironia e perca na vulgaridade do deboche. Ofende para conseguir ser notícia.Contraria, mesmo que se isole. Conta com a escuta de outras figuras estranhas, acredita que receberá prêmios futuros. Em que profecia aposta seu nacionalismo? Os debates animam frustrações escondidos. Há quem o aplauda. Ele é um missionário do evangelho de Jair.

Todorov: o toque da beleza e da transcendência

Resultado de imagem para todorov

Todorov enfrentou um desafio. Quis, talvez, procurar o sentido das suas experiências e narrar o seu passado  entrelaçado nas aventuras da arte. Contemplou o mundo com um cuidado precioso. Não elegeu o lugar comum, nem sacralizou a imaginação. Buscou-se em vários  espelhos, observou a diversidade e a relação forte com a vida de cada um. Visitou a beleza sem cerimônia. O sangue corre pelas veias. Ele sabe. Wilde sofreu. Rilke  era tímido. Marina  guardava uma singularidade indescritível. Há uma estética que os une e os distancia. Entre o céu e terra existem incertezas e deuses embriagados com a eternidade. Nada garante que os bordados dos anjos suprimam a inutilidade  de pesadelos, nem que a aridez seja apenas uma palavra,

Se a beleza salvará o mundo, não sei. Não custa pensar que o mundo pode ser salvo. É difícil transcender, escapar da incompletude. Todorov revela, na sua escrita, que está longe de qualquer ingenuidade. Há o gosto da amargura.As utopias fascinam, porém elas  prometem o impossível.Wilde ficou atordoado. Rilke não conseguiu se compreender. Marina me deixou alucinado. Será que Todorov desejava ser acolhido pelos  delírios de seus  leitores? Sua escrita é incansável e insinuante. Não hesita, nomeia como um poeta. Talvez, ela desvele suas dores e mostre  seus sentimentos mais incômodos. Não nutre simpatias pela dureza do totalitarismo. Esse é um registro importante.Traz histórias sem se omitir das complexidades. Compreende que há idas e vindas.

Marina é possuidora de magias, Rilke se enlaça com as cartas, Wilde se desenha dentro de um imaginário desértico. A vida é um espetáculo para quem a veste de atrações inusitadas. Mas como fugir dos seus escorregões? Há  um labirinto no fim de cada estrada.  Só o poeta conhece a saída, pois ele existiu antes do mundo, brincou com o barro primitivo. Os filtros se poluíram e Todorov aponta a lama que inunda a modernidade. As promessas não vingaram, a liberdade abandonou-se, Charles Baudelaire parecia consagrar os demônios. Charles era desconfiado e depressivo. Nunca sossegou no divã de Freud, nem navegou nos mares lacanianos. Havia, para ele, ressacas de outros fantasmas, amantes de vinhos sublimes, drogas repletas de abismos. Foi profeta num tempo de gritos de decadência.

O diálogo atiça a obra. Todorov não está na solidão. É imodesto nas suas fantasias. Quem não acredita nas transcendências não toca na beleza. Sacudir fora os desenganos esconde os delírios do ser humano. Há as tentativas, as vítimas, as culpabilidades. Não se necessita conhecer o inferno, para se esticar nas reflexões sobre a maldade. A luta não é uma ficção vazia e as vitrines nos mostram os exibicionismos neuróticos. Marina, Rilke e Wilde não publicaram dúvidas e  encantos nas redes sociais. O mundo era outro.Havia mensagens com geometrias  curvas e nuas. A pressa estava presa, pois o poema pedia uma inquietação descurtida e descompartilhada, mas profunda e enigmática.  Todorov se descobriu  pacientemente. Reafirmou certos passados com sensibilidade, nas travessias de citações relativizadas. Soltou pássaros e não historiografias arquivadas fora do coração. (Des)identificou-se sem desvarios.

1964:Nas polêmicas ditatoriais

Resultado de imagem para golpe de 64

 

A memória é construção. Todos sabem? Alguns não. Surge um espaço para as invenções que contaminam a história. Há quem proponha rever os acontecimentos,apagar os erros e salvar ordens opressivas. Querem celebrar 1964? Parece que sim ou Jair deixou de lado sua audaciosa ideia? O golpe trouxe prejuízos políticos imensos, desorganizou instituições, empurrou o país para a indignidade da tortura.Existem muitas provas, depoimentos, vítimas. De repente, valem o oportunismo, as fabricações de mentiras, o sensacionalismo de quem vende notícias e desmonta a credibilidade. A confusão inquieta, desqualifica, desvaloriza rebeldias.

A ditadura não foi fácil. Acusou, destruiu famílias, criou ondas de perseguições. Cantou o desenvolvimentismo apoiando um nacionalismo militarista. Empurrou intelectuais para  o sombrio, desfez partidos, fechou sindicatos, impediu diálogos, beneficiou bajuladores. Não precisa muito esforço  para buscar as histórias de tantas agressividades. Quem desconhece as repressões da época de Médici? Nunca ouviram falar das mortes de lideranças políticas, dos exílios? Basta ler os jornais da época para observar a sucessão de arbitrariedades. Será  que tudo isso foi um nazismo de esquerda? As tolices desfilam na embriaguez do vazio  político.

O governo de Jair que refundar conceitos, destroçando recordações dolorosas, elogiando os Estados Unidos que tramaram para que o golpe ocorresse. Nega que houve reações e respostas violentas. Não se viveu o sossego, nem uma aventura de sonhos. A  ditadura se firmou por muitos anos, trazendo medos e fantasmas. Os fatos existiram,mas teimam em máscara-los. O jogo é de quem lança um silêncio desmobilizador, justifica revisões, inibe críticas, comete desmandos se utilizando da velocidade das redes sociais. Novas formas de dominação,nada saudáveis, com tecnologias espertas e abraçadas com um mercado cheio de disputas e traições. Impõe-se uma maneira predatória de dirigir o social.

A história tem idas e vindas. Quem consegue firmar interpretações se mostra vitorioso. As manipulações convencem, ajudam a se pensar no conservadorismo de uma sociedade pouco acostumada com a abertura para invenção. Há colonizados permanentes, entusiasmados com os bens materiais, sempre atentos às vantagens e aos  lucros. Quem se importa com a desigualdade? Muitos apossam-se também dos saberes, consagram impunidades. O que mais estarrece é que as mentiras não andam sozinhas. Elas se fecham numa articulação para promover os enganos e possuem aliados e fanáticos pelo autoritarismo. São inocentes ou expulsaram a consciência para os pântanos? Não é sem razão que  alguns exaltam a censura permanente.

As dores e as manipulações: Moçambique e outros desgovernos

Resultado de imagem para mocambique tragedia

Discute-se. Muitos se acham injustiçados com as aposentadorias. Outros querem reajustes, condenam luxos alheios, se alimentam das desgraças de quem está sufocado. Não faltam controvérsias. A vizinhança se aborrece  com as buzinas dos carros, as padarias se enchem de fregueses pouco educados. O cotidiano corre,  as aflições não se esgotam, pois há tempestades violentas. A sociedade  se abastece com as competições e as farsas são constantes. Quase não se fala, nas secas, nos desequilíbrios ecológicos, nos exílios  dos refugiados. Há escapes, seduções, magazines incentivando o desperdício.

Acontecem desastres,  verdadeiros genocídios. Lembram-se das barragens da Vale? A falta de compromisso com a saúde e a educação é visível. Não se trata de acaso.São estratégias políticas montadas para desfazer resistências  ou fabricar impossibilidades. Não se domina sem uma concepção de mundo, sem buscar convencimentos. A modernização promete paraísos e atiça a especulação imobiliária. Consegue adeptos, fanatiza grupos, contrata especialistas em manipulação. A  profissionalização atinge a sociedade e traz também perversões. As solidariedades se apagam, cortam-se as ameças de rebeldia, querem uma ordem congelada.

As discriminações continuam ativando argumentos. Israel bombardeia a Palestina, Moçambique agoniza. Mourão opina sobre o salário mínimo. Há protestos, mas se selecionam as notícias. Minimizam certos absurdos, pois o desmoronamento de qualquer igualdade parece ser comum. Guedes tripudia da miséria e Moro é contraditório com sutilezas. Uma grande rede de comunicação alimenta os disfarces e constrói máscaras. Fala-se do supérfluo, as dívidas das empresas não são questionadas. Manipula-se com insistentes novelas e manchetes articuladas para enganar.Há quem vibre com as lembranças de 1964, Uma parte expressiva da população busca salvar ídolos, curte o passado, mergulhada numa aguda falta de lucidez.

Para aonde vai  uma sociedade que se não se toca  com as agressões , nem olha para sofrimentos do outros, apenas contempla o núcleo do seu individualismo. Não é discurso de lamentação, porém é precioso ter cuidado. Tudo não foge do caos por acaso. Demolir o passado traz angústias que podem demorar a aparecer. Muitos nomeiam culpados, não se observam como sujeitos. Querem vitrine e lutam para não deixá-la. O preço da contradição é alto, a mais-valia dos cargos é sedutora. Quando surgem as eleições as hipocrisias se denunciam e muitos lamentam o vazio  que a vaidade alimentou para garantir seus poderes. O oportunismo não descansa. engana.

A fragmentação sedimenta ruínas

Resultado de imagem para ruinas

Quando todas as instituições gritam e noticiam desesperos; é a preparação para o vulcão explodir. Busca-se uma razão soberana que  massacre  qualquer diálogo. Morrem as possibilidade de pensar a cultura como conversas, reflexões, apostar nos sonhos, no convívio afetivo. Ouve-se o deboche. Há  uma sucessão de ruídos assustadores.As palavras se chocam porque mergulham no vazio. São respostas a perguntas estranhas feitas para acumular confusões. O Brasil parece  estar com pontes distraídas ou destruídas. Queriam soluções, mas não previram os fracassos. Querem superar desastres brincando com a comunicação. O apodrecimento cria consternações e sustos constantes. Nada supera o que já foi posto.

Nega-se que o capitalismo passa por um sufoco imenso. As reformas visam, no entanto, livrá-lo do pior. Custam fortunas as instabilidades do mercado. Não é à toa que as acusações se espalham. Esquecem vestígios obscuros do passado. Há corrupções na lata do lixo, porém  o oportunismo comanda as ações. A briga de poder atinge o judiciário de togas desgastadas.Governa seus próprios erros? Teme os militares ou se apaixona pelas imagens da Tv? Moro detesta Gilmar, que detesta Raquel, que detesta Lula….E assim vai, com fantasias e máscaras desbotadas, com raivas cheias de cosméticos saturados, especulações…

Somos animais que cultivam a sociabilidade. Ela não  garante o sossego, pois muda com a história. Se antes o discurso da razão prometia liberdades, hoje a tecnologia das rede sociais mostra a perplexidade dos ataques pessoais e a força do individualismo. A sociabilidade não firma o afeto, nem a solidariedade. A sua estrada possui curvas e não estimula éticas. Há emboscadas, lágrimas fabricadas, horizontes nublados. O futuro  existirá não se sabe como. Talvez, uma sociedade cercada de controles, com minorias ditando normas, derrubando  rebeldias. As instituições  sacodem fumaças tóxicas.  Nem a imaginação respira com paciência.

A história tem muitas definições. Não é,apenas, o olhar do passado, nem o estudo dos arquivos repletos de poeiras. Ela constrói possibilidades, sorte e azares. É também lugar de desesperos e de profecias que nos condenam. Portanto, as incertezas se agitam, para que as instituições se renovem ou evitem a celebração de ruínas. O ritmo da história não se liberta de agonias, convive com suspeitas, se envolve com desejos de paz. Não subestime a força da incompletude, nem as artimanhas das arrogâncias. As possibilidades inquietam uns, para apaziguar outros. São ambiguidades, parceiras de tantos pesadelos, que testemunham ruir das utopias.

Ler a notícia, desmontar a máscara

Resultado de imagem para noticia

 

Não estranhe  sua perplexidade. O tempo veloz ensina pouco, cria dubiedades. As pessoas mudam, a política se estraga, a ingenuidade se fragiliza. É incomum um cotidiano sossegado. As tempestades se anunciam e as manhãs já se tornam nubladas. Muitas prisões, ataques ferozes, discursos vazios. Ficamos flutuando  em expectativas medonhas e preventivas. Quem são os culpados? Incertezas são vendidas em  manchetes dos jornais,Temer jura inocência, não cuidou de suas falcatruas de forma discreta. A lava-jato quer espaço. Estimula muitas intrigas. Temer sente-se maltratado. A novela é complexa.Lula amarga processos imensos, recebe solidariedade, mas a confusão continua e a corda bamba não se vai.  Os choques queimam qualquer fio de esperança e o lixo monta sua paisagem.

A sociedade não toma rumos saudáveis e prefere viver carnavais  de desmontagens. Não dá para confiar, nem produzir ídolos ou defender revolucionários puros. Os compromissos são suspeitos. Os juízes brigam, simulam ser vítimas, embora tenham sua grana garantida. Explodem com sentenças como hienas famintas  Há muita simulação e a história se apresenta como um espetáculo de disputas. Pense que  houve utopias, que se  celebraram liberdades.  Abram as portas dos quartos escuros, talvez as luzes ajudem a expulsar os desenganos. As brechas devem nos ajudar a sacudir fora as poeiras tóxicas. Por que se tornar escravo do fugaz?

Observar que a inquietude envolve,sempre,as conversas, traz incômodos e pesadelos. O mundo é um mercado e os ruídos anunciam preços exorbitantes.A busca é pela mínima  dignidade como se houvesse uma falência geral de valores e as religiões declinassem apunhaladas por gurus assombrados. Portanto,as aflições perturbam as possibilidades de reinventar algumas coisa. Mas qual  seria o exemplo?  Existem uma rua  sem esquinas,  uma convivência sem mesquinhez, o sorriso solto, o deus de bom humor? Tudo isso  provoca instabilidades e abraça com melancolias intermináveis os sentimentos mais cotidianos.

A vida não se constrói  sem escolhas. Quem governa optou por empurrar os controles ou os fingimentos  para aumentar a dominação.Possui adeptos e forma-se um batalhão de covardias que se balança no oportunismo. A história se lança  para um futuro que pode morar em continuidades e servidões. Há movimentos de manutenção. A mesmice aprisionou a criatividade. Acompanha-se a mudança com a novidade mecânica,  arrastando-se na imagem que o celular que o filho de Jair divulga. Portanto, a coisificação se espalha como repressora de qualquer ousadia. O desgaste não deixa de ocupar um lugar temeroso. As notícias escondem o cansaço, porém se aprimoram em desenhar o inútil e firmar medos.Não se mascare com uma identidade morta pela apatia.

A história narra a possibilidade assustada

Resultado de imagem para terrores urbanos

Os impasses estão no mundo. Os muros são derrubados, mas não falta quem os busquem outros lugares e sonhem com arquiteturas opressoras. No meio da multiplicidade, a história flui  sem firmar garantias. Mudam-se expectativas e as políticas erguem incertezas constantes. Certo dia, se tramava contra os petistas, agora alguns se frustram diante de Jair. É incrível. Será oportunismo ou necessidade? Os mecanismos de controle não conseguem ser absolutos. Há  portas entreabertas e possibilidade de renegar a fatalidade. Cabe narrar as controvérsias, cuidar das instabilidades e desconfiar de imposições.Fabricam-se  labirintos e não estradas lineares. Os nomes flutuam:Temer, Gilmar, Aécio, Eduardo, Ernesto…

Os tiroteios são incessantes e ousados. Possuem formas satânicas. Parece que  se treina para subestimar o outro ou exercer loucuras epidêmicas.Há  fúrias, destruições,  anseios  nada coletivos. As relações sociais não fogem das tensões. Observem o que acontece. Não se trata, apenas, de misérias econômicas, de fake news. Os preconceitos e as armas se sofisticam. Por que o ódio? Ninguém compreende que há escassez de afeto justificada pela busca de condições de  riqueza?  Portanto, sobram teorias, porém o cotidiano traz  surpresas, as imagens assassinas invadem as telas e as redes sociais se enchem de mensagens. A violência mora na história, desmonta qualquer sensatez.

Contando a história, saindo da subjetividade, analisamos confrontos em nações que se afirmam defensoras da liberdade. Quem está atento não deixa de olhar que o desejo de colonizar não é recente. O comportamento dos animais não abandona as perseguições e nós nos consideramos animais racionais. Qual a medida do pensar na aridez imperialista  dos saberes? As solidariedades encontram dificuldades. Querem colocar a sociedade numa corda bamba contínua, impulsionando a produção de bens, ampliando os caminhos  da vaidade, inventando jogos de matar.  O espelho  é o mesmo do quarto de Trump.

O terror quebra as possibilidades e mistura-se com cores. O perigo está em toda parte, no silêncio do templo, nas brincadeiras de criança na praça pública. Alguém narra sua perversão numa velocidade desmedida. Sua pulsão de morte incendeia sua agonia como se estivesse alertando apocalipses repentinos. Será que o anônimo encontra o delírio do sucesso? Será uma resposta a algum incômodo infantil? Se a  dita evolução não mostra o fim das fúrias esquisitas, a história não  esconde que divindades afastadas desistem  de ouvir apelos. Há muita coisa podre e risos cínicos soltos como fantasmas.  A fragilidade do humano talvez os empurre para um juízo final.

A sociedade não foge das divisões

 

Resultado de imagem para sociedade

 

A intriga não é novidade, nem a bala perdida no asfalto uma boa diversão. Elas estão no cotidiano. A sociedade vive temerosa de novas  tempestades. São aflições doentias. Há um crescimento populacional que assusta. Não se divide os recursos materiais, não se tenta dá conta da miséria dos refugiados, mas se busca, nos governos, soluções para manter a concentração de riquezas. Pouco se ousar em  analisar com profundidade as reformas. Elas são vistas como urgentes. Portanto, os debates ficam restritos ao jogo político. Explica-se com propagandas, imagens confusas e apelos messiânicos.

As utopias nos lembram que há sonhos. Muitas revoluções lutaram pela igualdade social. Porém, o fracasso contamina projetos que cuidam de redefinir as relações sociais. As revoluções não seguem seus impulsos e  caem no lugar comum. Não à toa que as utopias se abalem. Nas redes sociais, as palavras estão soltas, reforçam maniqueísmos, armam argumentos que bestializam muita gente. As discordâncias animam a existência de certas brechas. Não estamos no reino do mal, nem afundamos de vez. A história  não tem fim e parece persistir.

Há mistérios. Por que  o mito do paraíso? Por que  há quem se sinta dono da verdade e se proclame mestre  do equilíbrio? Se a desigualdade não se afasta, se os argumentos  fascistas atraem, torna-se  complexo compreender  o lado que defende a solidariedade e a denuncia  as manipulações. Um olhar nas andanças do passado visualiza que as disputas não são recentes. Os terrorismos aliam-se com fundamentalismos. A ciência não destruiu o dogma, a generosidade, na prática, não cumpriu os mandamentos das religiões. As ambiguidades se fixaram e não desistem.

A multiplicidade não é  uma fantasia.  Por que não compreendê-la como espaço  do diálogo? Mas a agressividade é fortalecida com inquietações de quem segura o poder com ferocidades. Fecham-se portas para evitar que as luzes  iluminem a imaginação. Há quem mude  suas reflexões  justificando  posturas objetivas e maduras. Ganham idolatrias e explodem no fanatismo dos zaps da vida. Já se afirmou  que próximo merece amor. Foi uma atitude de coragem. As crucificações, no entanto, continuam. As indústrias  produzem mercadorias que danificam o corpo e a sociedade observa que o lixo se amplia com omissões  mascaradas. E  as apatias  como andam?

 

Tempos:os extremos nos cercam

 

Resultado de imagem para futuro

Muitos não observam que a tensão  está no cotidiano. Um mundo com tantas misérias não poderia ter sossego. Não se trata apenas do uso de armas. As   relações  sociais estão  contaminadas por disputas. As intrigas fervem, atiçadas por preconceitos. Portanto, os racismos se acirram sem  cerimônia. Deixaram as máscaras. Agora,  há quem se sinta honrado em ser fascista. Preparam-se discursos nada otimistas. O que vale é concentrar poderes, promover escândalos e empurrar a maioria para o abismo. Os genocídios procuram justificativas, atacam os refugiados, fazem apologia de quem é branco e expandem o ódio.

Sempre lembro que a calmaria nunca ocupou absolutamente o mar da  história. É impossível quantificar os números de guerras, as astúcias criminosas dos governantes, os desesperos de chefes religiosos arruinados. Mas a história segue, nem tudo pode ser aceito com o coração aberto. Nem todos se acostumam com as turbulências, outros buscam se dar bem. Não há querer absoluto, uma sociedade homogênea, solidária. Desde o paraíso que os horrores se mostram. Não esqueçam que Caim matou Abel e existiram deuses vingativos.São mitos permanentes  no imaginário social.  Negá-los é fechar cortinas  de palcos  importantes e eleger generosidades inexistentes.

As relações sociais se vestem de muitas cores. As clarezas nem sempre persistem e a aridez quebra sonhos rapidamente. Tenho receio da aceleração do tempo.Tudo é fugaz de forma  radical.Não há  como aprofundar, localizar os pontos  principais, soltar-se . As ficções  tentam adivinhar o futuro, mas termino visitando o passado. Quanta imaginação nos saberes do século XIX ! Recordem-se das utopias, do iluminismo freudiano, das críticas de Marx, das aventuras e  das criatividades românticas. Já falavam em decadência, ruínas estavam presentes  como os ataques colonialistas violentos. Portanto, a diversidade se fixava, com ideologias cercadas pelo progresso e manobras capitalistas assombrando o planeta.

Se a história não consegue marcar sua data final, desencontros se armam com tecnologias sofisticadas. a paz é reclamada, porém cresce o desamparo no meio de multidões enganadas por espetáculos ambíguos. Quanto vale o divertimento? O sorriso  tem um preço, a dor chega cedo, o sono não foge do pesadelo. A escrita não registra  detalhes perversos, apenas especula. É uma forma  de ressuscitar diálogos, reinventar brechas, não sucumbir diante da melancolia. Ninguém destroça  memórias sem acumular culpas. Os salvacionismos iludem.Trazem fantoches. a sociedade, contudo pede crenças e ainda acredita nas orações sagradas. Há um voo cego e torto  que desalenta.