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O fogo da palavra

a palavra cerca a vida e o corpo

nega que tudo tenha apenas um significado.

poderia multiplicar as cores e os traços

mas nada termina a vastidão da palavra.

quem inventou o mundo sabe

que a eternidade é uma abstração divina

e a palavra seu encanto indefinido.

o fogo do mundo se encerra no último adeus

que fechou a porta do paraíso.

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Karnal e Moro: a vitrine tem muitos donos

O país está muito dividido e cercado  de ressentimento por todo lado. A ilha Brasil se estende. Cada dia se planta uma árvore ou se organiza um escândalo. A população é grande. Há uma cultivo delirante da mídia e necessidade de ídolos. Muito desemparo, numa sociedade onde a morte acompanha a miséria. Celebra-se água, a ousadia de certos políticos, o dia da dona de casa, as danças do Faustão, as pegadinhas da justiça. A loja da corrupção renova seu estoque com facilidade, vende santos, promessas, templos, entrevistas. Quer delírios. São Francisco pede paternidade e os políticos estão indo para o cartório das transposição.

Karnal consegue análises irônicas que causam admiração da plateia. Mas que um professor é mesmo um pop-star. Derruba fascismos, fala mal de Temer, festeja a democracia. São falas superficiais, frases construídas com humor. Não há quem não note a aptidão para o sucesso. Ganha uma grana especial, porém não deixa de fazer sua generosidade. Compõe o pós-moderno. Não o conheço de perto, não sei a legitimidade de sua posição. É onipresente, gosta do charme, dá um ritmo ao espetáculo. Você acham que ele incomoda os poderosos ou acode os desamparados? Ou todos estão atentos e fortes, desfazendo os dramas da novela das 21 horas?

Não se tornem inimigos do Karnal. Ele curtiu uma noite com outro ídolo. Moro possui suas seduções. É uma dupla para além de qualquer definição. Eles encontram-se na mesa de uma restaurante, tiram fotografias, sacodem as redes sociais. Desejam espelhos e perplexidade. A viuvez dos carentes gera histeria. Que será da oposição sem as palavras sábias dos conferencistas das elites? Temos que observar a sociedade, o abuso da manipulação, selecionar as notícias, desconfiar de quem aparece. Um filme que reunisse Batman. Moro, Karnal, o Coringa seria sensacional.

Não mergulho nas vidas íntimas. Aprecio algumas astúcias de Karnal, porém não percebo sua genialidade. Movimenta, cria embaraços, promove boatos. Moro está na crista da onda. Acho ótimo derrubar a corrupção.  No entanto, Moro não me convence. Manobra muito e adora uma exposição. Considera-se um descendente de Zorro. Não é à toa que eles se encontraram. O espanto é grande, mais novidades, no meio da turbulência das denúncias. Será que a mídia é a autora do golpe cotidiano? Quem viver, verá ou verão. Não custa contar os dias. Já imaginou um Big Brother com Cunha, Temer, Moro, Karnal, Alexandre Garcia?

Vamos procurar na ilha Brasil um lugar com ventilação. A mesmice apenas muda a roupa. Contemple a careca brilhante de muitos intelectuais, na academia, em busca de perfumes. Esqueça Karnal ou se confesse na Igreja da esquina. Já assistiu ao filme italiano Investigação sobre um cidadão acima de qualquer suspeita? Não exija da sociedade, milagres. Cuide-se e não espere pelo outro. A necessidade de crença é sempre escorregadia. Segure sua autonomia e peça um água mineral com gás, desde que seja no boteco da avenida Central. Por que curtir fossas junto com Moro e Karnal? As pedras no caminho permanecem nos seus devidos espaços.

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O mundo das quadrilhas mirabolantes

A quantidade de bancos explodindo assusta. Uma devastação que nos deixa perplexos. Prendem trés, quatro, mas o suspense continua. Muita grana solta e as pessoas aflitas não sabem o que fazer. Cada cidade atacada é um terremoto. No meio de uma economia combalida, a segurança tornou-se um problema sem fim. Tudo feito com grande eficácia. Há participação de especialistas, cálculos, planejamentos e descuidos do governo. Daria um filme espetacular, com muita pipoca e gritos na plateia,vazios pantanosos e descontínuos.

As quadrilhas não perdem tempo. A mais sofisticada se espalha pelo Brasil. As delações mostram que bilhões circularam para seduzir e organizar partidos. Todos querem o poder, embora se lamentem da crise. Quem está perdendo? Há uma lista enorme.Marcelo não se cansa de depor e as construtores parecem linha de montagem de corrupções anunciadas. É manipulação astuciosa com ajuda da mídia. Todos buscam novidades e os advogados famosos não sabem como resolver tantas questões. Há uma tabela de preços generosa. A crise tem seus ídolos.

É uma epidemia? Que tal fazer uma campanha pela ética? É possível. Não acho. O antigo e respeitado Supremo se encontra na UTI. Não merece confiança. Surpreende. Há uma articulação imensa entre os donos dos privilégios. Não consigo visualizar herói. O situação está desafiando os mais ingênuos. Visite a história. Observe a atuação do catolicismo, dos evangélicos, da Reforma Protestante e companhia limitada. Existe quem proclame a solidariedade, porém não ultrapasse a teoria e a vitrine. Sentem-se bem expostos na mídia.O capitalismo viaja entre orações, com pragmatismo cheio de emboscadas.

Temos um comércio viciado. Vendem-me armas e drogas. Explora-se o trabalho infantil. Tudo isso ganha rumos globalizados. Você acredita que nos Estados Unidos reina a democracia? Você admira os serviços secretos? Quem se sente animado com Trump? Perguntas tolas, no entanto o mundo vive contaminações frequentes. A minoria é feroz e dá espaço para acabar com desigualdade. É incrível. Os sonhos se desmancham, com as passeatas. Ficar parado é pior. As saídas flutuam. Esperar pela eleições? Janot está de férias? Temer esqueceu do seu amigo Cunha?

Quero empurrar otimismo, mas não encontro lugar. Detesto rezar missa de sétimo dia. A sociedade é tomada pelos arrogantes e cínicos. A produtividade e corrupção ampliam-se embriagadas com os lucros. As dúvidas científicas servem a quem? Não há neutralidade e sim escassez de sentimentos. Não é proibido imaginar anjos e paraísos. Quem mergulha na alienação, talvez consiga sorrir sem culpa. Não sei. Sinto amarguras, preconceitos, violência guardada. A bomba atômica continua fazendo vítimas. Não há como negar que o mundo pesa e que há uma balança defeituosa em cada canto.

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O desejo da vida

Leia um conto de Borges que festeja o desejo

e jogue  fora a melancolia da vida sem feridas.

Não caminhe com os demônios ensandecidos,

desvie-se dos deuses vendedores de perdões.

Há travessias curvas, com pedras e abismos,

há corpos quentes distraídos com o tempo.

Seja o mínimo para quem desfila com arrogância,

pense no sentimento tosco dos corações vaidosos.

Feche a porta da moradia abandonada e suspire,

                                                              mergulhando nas histórias  escutadas na noite da paixão.

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Gabriel e a solidão que se torna perene

 

Li Gabriel García Márquez cedo. Dei conta de boa parte de seus livros com alegria e encantamento. Quando li Cem anos de solidão fiquei levitando. Nunca tinha navegando por mares tão belos. Há dois livros que me empolgam e não canso de celebrar suas palavras: As cidades invisíveis e Cem anos de solidão. A literatura me anima, atiça a sensibilidade, faz sonhar. Macondo é a síntese da história do mundo. A imaginação de Gabriel é extraordinária. Alguns gostam de detratá-lo. Misturavam a política com a inveja e tramavam. Poucos tiveram o fôlego de Gabriel. Admiro Calvino, Kundera, Mia Couto, Paul Auster e muitos outros. Não nego, porém, meus deslumbramentos fortes.

Gabriel se foi, mas está presente para sempre. Quem nunca leu ? Acho difícil alguém não se contagiar com suas histórias. Lembro-me dos seus livros com saudades de um tempo em que a discussões literárias eram frequente. Lá estavam Pablo Neruda, Miguel Scorza, Vargas Llosa, Júlio Cortázar. Cada leitura era uma abertura para imaginação. Aprender a escrever exige contato com quem brinca com as palavras. Não se trata de uma travessura, mas uma intimidade preciosa, uma dádiva dos arcanjos. Quem despreza Jorge Luís Borges, Octavio Paz, Agualuza, Hugo Mãe? Pragmatismo pode ser um vírus temeroso.

A vida se complica. As tensões multiplicam-se. Os governos disputam migalhas, ensaiam golpes cotidianos, usam propagandas tendenciosas. Não é, contudo, novidade insistir nas desavenças e explorações. Jogar-se nas aventuras de Macondo, nas suas narrativas, é se mirar em espelhos demasiadamente humanos. Proclamamos que somos animais sociais e continuamos analisando os outros como suspeitos. as guerras permanecem com seus ruídos, a inveja arma traições, as paixões se dissolvem antes que o amor aconteça, os ídolos existem para criar fantasias divinas.

Quem inventou o mundo não esqueceu do exílio. Será que estava depressivo ou ansioso ? Será que não havia lexotan naquela época?  Macondo é um mundo que nos deixa perplexo. Não pense que Gabriel, apenas, se divertia. Fertilizava um sensibilidade singular, avisava que a vida não é linear, que a agressividade não é incomum, que a solidão não é um lapso freudiano. Somos indefiníveis, os tempos nos acodem, porém nos perturbam. Gabriel escrevia fazendo um ponte entre sua interioridade e as coisas lá de fora. A magia está na possibilidade do diálogo e temos dificuldade de compreender. Ficção e realidade se tocam com mistérios e memórias.

O inesgotável nos acompanha. É preciso não desprezar o afeto, nem inverter os preconceitos. Gabriel conhecia segredos do mundo que a maioria despreza. Ele os revelou, com um ritmo envolvente. A arte abraça vida mesmo com os dissabores. Ninguém se salva dos contratempos. Gabriel não se congelou, socializava suas ideias, desenhava esperanças e pesadelos com bordados inesquecíveis. Não custa viajar pela imaginação, esticar a paciências e o humor. A minha solidão tem nome e nunca quis fazer dela um abismo. Há escolhas. Não naturalizos a história.

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As culturas, os pertencimentos, as modas, os vazios

A incompletude não é uma invenção vadia. Estamos longe da onipotência e os deuses descansam dos pecados que também cometeram. A sociedade roda. Os conflitos aparecem com frequência. Nunca se consagraram tantos medos e tantas inseguranças. Cada aventura significa uma ameaça sem definição. As polêmicas renascem, a memória se aquece, os preconceitos se agitam. Será que modas exclusivas surgirão de acordo com as cores de cada um? Não sei. Vejo que tudo é motivo de luta ou de aborrecimento. Parece mesmo que as utopias viajaram para o deserto.

Fico, às vezes, desconfiado quando me visto. Será que o azul é perigoso para quem defende o socialismo? Cunha gostava de usar gravatas? Como posso ser original e evitar desentendimentos? A complexidade nos acompanha. Temos restaurantes vendendo comidas diferentes. Há quem goste de pizza, outros de tempero peruano. O mercado é imenso. Portanto, as escolhas estão soltas no mundo globalizado. A China se tornou o lugar do futebol. E o carnaval passa por mudanças ou continua cercado pelas marcas de cerveja? Há a autenticidade inabalável?

Os usos e os abusos custam estudos antropológicos e rivalidades incríveis. Quem esnoba é agredido ou marginalizado. A cultura lembra etnocentrismos e colonizações. Há atitudes ofensivas, desprezos, excessos. Muitos fazem da moda uma forma de marginalizar o outro ou esvaziar manifestações de pertencimento. Sou brasileiro e gosto de jazz. Conheço pessoas que não suportam samba e não comem feijoada. Coisas da vida. Quando o desrespeito se concretiza é bom saber a razão da sua existência, mas a diversidade impera e confunde. As respostas fertilizam dúvidas e as redes sociais dançam com palavras agressivas. Será que o virtual não é uma desculpa?

Não é difícil ver que as fofocas flutuam e os escândalos estremecem as redes sociais. Há um culto à inutilidade e a falta de reflexão. O efêmero manda mensagens. A política está desgastada, a justiça tonta e esperta, Freire é ministro, Gilmar ironiza com a máscara do Supremo. É preciso está atento às trocas culturais, entender os desvarios, entrelaçar a moda com os anseios capitalistas. A raiva deixa marcas nas relações sociais. Há artigos nos jornais que buscam idiotizar e elogiam figuras corruptas. Muita gente arrependida do seu passado não se conhece e risca agendas. Conheço uma menina bonita que alimenta desencantos. Que carga! O avesso gira e cogita salvações. A beleza não é tudo e a raiva é um ironia feroz. Há palcos no cotidiano.

Se a sociedade não avalia as incompletudes, ela se prepara para mergulhar num abismo sem fim. As singularidades não são propriedades privadas. O crescimento se dá, quando as diferenças não agridem. As aprendizagens nos fazem mais próximos e as hierarquias são perigosas. Sinto que há esquizofrenias perambulando e policiais angustiados com suas profissões. Quem  está tranquilo? O caos se mexe com vigor e a verdade assiste ao seu velório. O mundo se nega a construir um outro no espelho.Quem compra? Quem vende? Quem está solto na angústia de ser humano? O buscar-se, ainda, corre pelo mundo. E a fantasia desbota.

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A ressaca do mundo

Ouve o ruído de quem tem ressentimento e se cansa da alegria,

carregando o corpo como uma pedra angustiada com a lei da gravidade.

Olha as elites soltas, pulando os lixos e abraçando os privilégios,

acusando os tropeços das corrupções, invadindo direitos e criando violências.

Desconfie de quem se declara sempre prejudicado e tem gosto de amargura,

pense que o mundo está além de cada um e se desfaz com tormentas inúteis.

Há quem reclame de tudo e se esconda por detrás de preconceitos,

há quem não suporte se imaginar no desenho do espelho sujo,

apressa-se para não curtir  o riso e riscar a culpa anônima do desprezo coletivo.

Não aprisione o ritmo dos anjos, descondene-se como o vermelho dos pecados,

busque-se na ilha  solitária dos inocentes, cercada pelo  azul desconhecido.

Memorize  a paixão fugidia do seu último beijo apressado

e o desgoverno do desejo que partiu como um pássaro perdido.

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O carnaval: as andanças embriagadas da vida

Os ruídos não se ausentam. O carnaval passa, mas os ouvidos escutam ressonâncias e esperam. A festa do desejo é incansável. Deixa saudades, porque há sinais de que o mundo vai ganhar outro ritmo. O tempo redefine os trabalhos e aumenta os problemas. O carnaval anunciou, para muito, um paraíso. Há uma febre contagiante e uma embriaguez solta. Nada como as fantasias, as loucuras do corpo, as trajetórias das mãos carentes. Tudo é possível, dentro de um efêmero tonto e vadio. A diversão produzida possui seus perigos, esconde sua amarguras, transforma as ruas em cartazes. Quem escapa da ruína não consegue traçar sua história.

A alegria não se espalha como um cometa. Há lugares onde as guerras acontecem, onde as pessoas se suicidam, onde os ladrões tramam, onde os perdões se desfazem. Quem pensa, apenas, no visível se envolve com os delírios. Existem inquietações dentro de cada de um, sentimentos de perdas e angústias se balançam nas nostalgias mal esclarecidas. Temos vidas, temos escorregões, temos acidentes. Um mundo sem ousadias é um mundo sem fantasmas. É preciso  que haja complexidade para que tudo se mova e o azul peça socorro ao vermelho. O susto é ponte do renascimento. Cuidado e não se engane: não existe festa democrática na sociedade capitalista.

Tudo poderia começar com um frevo solene, um bloco esfuziante, uma cerveja gelada. Mas as descontinuidades marcam, desconstroem, acinzentam. Portanto, na imagem cabe tudo, ela não nos livra dos desperdício da dor. Organizar as lembranças do passado traz desenhos esquisitos. Nunca saberemos qual o lugar mais sossegado, qual o instante da fatalidade. O controle é uma miragem. A ordem é uma desordem que empalidece.A escassez da reflexão trai quem pinta as saídas dos labirintos. É melhor não buscar sentido, apostar na travessura inventada.

O tocador quer beber, o folião quer fugir. O carnaval é um quebra-cabeça. Não há diferenças radicais nas brincadeiras coletivas. Os gritos não ficam parados no ar, as máscaras tornam o deboche permitido, as religiões se enchem de pecados. Os deuses dançam e torcem como se fossem imperfeitos. Estão cansados do mundo que arquitetaram. Descuidaram-se dos retoques finais. As navegações da vida fabricam turbulências, porém as calmarias chegam para aquietar as ondas. Tudo se guarda, não há como expulsar as melancolias.O transitórios habita em todos os territórios.

Os mapas foram rasgados. Siga os desvios e adormeça nas esquinas. O adeus não significa o fim, porém causa arrepios. Ninguém adivinhar o dia de amanhã que pode nem se efetivar. Cada um borda seus sonhos, empara os sonhos dos outros, ou desiste de bater em portas fechadas. A história não está no bolso da calça do prefeitos, nem no cofre do governador. Ela é resultado das ações coletivas, embora esteja repleta de desigualdades e de passados obscuros. As escritas do tempos são traços velozes. Pouco. elucidam. O pior é contemplar o mundo, como um descompromissado. Levantar a poeira garante movimentos.

 

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A vida dos outros, as aventuras não vividas

Ninguém nega que o individualismo cresce e se globaliza. Todo mundo adora uma contemplação no espelho. Os cremes de beleza atraem e custam caro, mas a classe média delira com a possibilidade de tê-lo. As cerimônias de higiene são complexas. Nada como um bom perfume, daquele que seduz. Portanto, o encontro matinal está repleto de fantasias. O bom dia é reforçado, com uma pergunta: estou bem alegre e simpático? O outro é quem julga. Temos preferências, precisamos de apoios. Assim, sobrevive a sociedade de consumo, sempre ligada numa fofoca e na vaidade atormentada.

A política continua desmantelada, Há ídolos. Moro possui fãs. Mas há divergências. Temer fica no canto, namorando com Marcela, sem saber o que significa sair do sufoco. As prisões estão tensas. No entanto, o mundo das fofocas provoca sensações. O que será que o Jornal Nacional apresentará como novidade? Lembra-se de Chico Anísio? E Regina Duarte é conservadora? O público gosta de casamentos desfeitos, de sexualidades mal resolvidas, de salários extraordinários. A vida ganha cores. Poucos se importam com as escolas decadentes, a droga nas praças, o trânsito infernizando.

Esse olhar se amplia. Cai a responsabilidade social. A corrida é pelo sucesso. Ninguém consegue esclarecer o apego pelas novelas mesquinhas e pelos maores fabricados. O mundo não se desfaz das sua esfinges, desde o tempos dos faraós. As famílias para pescar as imagens da TV. Não se discute, não se conhece, não admira. Há sempre exceções; As sociabilidades estão se complicando. É difícil compreender as inúmeras linguagens e as as tonturas das legalidades. É incrível como tudo muda, porém as curiosidades perversas se conservam. Já que a história não tem um sentido definido, há momentos crus e culpas pesadas.

A relação com o outros se torna-se uma aventura. Andamos, muitas vezes, de cabeça baixa, nem contemplamos as paisagens. O outro vira um número de celular. A paisagem se enche que concretos, desarmando a natureza. O alimento é a  manchete, o time de futebol, o discurso do Faustão. Vestimos a roupa de espectadores. Não importa que a revolução não venha, que os governos nos estraguem, que os milhões fiquem com Eike. A sociedade se afasta da solidariedade. Não está longe o dia em que alguém dirá que o homem não é uma animal.

Buscamos. Ninguém ficou mundo. Mas quem deseja ouvir o que o outro afirmou? Cada dia surge uma teoria sobre sentimento, o esticar do corpo, a depressão repentina.Muita informação custa muita confusão. Um gosto de amargura já poluiu a pasta de dente. O caminho não tem retas, nem asfaltos. Ficamos apontando para cada construção nova e nem observamos as ruínas. Sem adivinhar o futuro, solto na nostalgia, pouco aprendemos. O mundo deveria ser dos poetas, porém há uma fuga da beleza e uma mesmice que cansa a imaginação. Deixaram de inventar sonhos, para liquidar o vizinho incômdo.

 

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O mundo freudiano

Desfaça a alegria fabricada e a insensatez

dos juízes ensandecidos.

Descobra o manto que escondeu o tempo

e a vida que se foi para o abismo.

O mundo se perde no pequeno caos da arrogância,

deixa-se levar pelas formas das mercadorias.

Não grite por ninguém,  apague a luz da lâmpada azul

e espere os anjos que estão voltando do paraíso.

No quarto estreito Freud arma seu divã cinza,

há padecimentos e tonturas no corpo que envelhece.

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