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A memória veste a história e a escolha política

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A política fica presente no cotidiano. Há decisões. Apela-se para lucidez, evita-se o engano. Mas não sou infalível, nem existe o absoluto. Tenho concepções de mundo, decepções, entusiasmos, desistências. Não é fácil governar a subjetividade. Muitas informações atravessam as conversas e as mentiras se misturam com as possíveis verdades. A sociedade gosta de espetáculos, atritos, novelas. Está envolvida com o culto à violência. A política perde-se da ética e ganha as telas das televisões, nos debates com patrocínios milionários. Há suspense e convicções frágeis.

É a complexa vida da sociedade contemporânea com suas máquinas fabulosas. As eleições acontecem, depois de golpes tramados por muitas instituições. Lula está preso, Moro persegue, ninguém tem clareza do que sucedeu. Espaço para surgir especulações. Muitos esquecem a tradição autoritária que nos vigia. Fomos colonizados, exploramos os africanos, convivemos com ditaduras. Jair navega nessa tradição nefasta. Empolga multidões, difunde princípios fascistas, se entrelaça com grupos enrustidos e debochados.

Capitalistas admiram suas ideias, há fanáticos, adesão maciça de evangélicos e expectativas soltas. Está na frente das pesquisas diante de uma esquerda que teima em se fixar em detalhes. O anti-petismo se consolidou, trouxe inimizades, sacudiu ressentimentos, justificou atitudes. Jair aproveitou tudo, com rapidez e agilidade. Alguns o chamaram de louco. A história possui permanências. É preciso ativar a memória, colocar figuras agressivas na berlinda. Não se lembram de Médici, Pinochet, Hitler, das simpatias de Vargas, das ações do DOPS? A mídia se diverte com os boatos. Quer grana.

Há muito o que contar e reações aos desmandos não estão excluídas. Se o autoritarismo se articular com as reformas  do capital, sinto que aprofundaremos as desigualdades e as tensões.É estranho, porém, a política tem suas obscuridades que desafiam a razão. Muitos votam guiados pela fé, apostam em milagres, mendigam atenção. A sociedade brasileira, ou grande parte dela, desconhece o significado da reflexão histórica. Embarca no imediato, sem observar que a pressa oprime,quando se trata de política. Perigos, instabilidades, mitos desfilam numa aventura de desesperos e desencontros. O amanhã parece um navio pirata cheio de ratos.

A política dialoga com o medo e a incerteza

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Será chato repetir que não há sociedade sem incerteza. Mas não custa lembrar que não somos deuses. Gostamos de inventá-los, curtimos fantasias, sonhamos. Não sei explicar porque há tantas lacunas na história. Há quem procure fugir dos abismos e das curvas. Enganos trazem tropeços. Será que existe alguma sociedade definida por linhas retas? Não conheço. Ando vendo muitas pedras no meio do caminhos, sem falar dos corpos que se entregam ao calor dos asfaltos e dos ruídos que inquietam sem cessar.

O pior é medo. Ele aguça as incertezas, ameaça os sinais de esperança. Sua presença é massiva em determinados épocas. As agonias se multiplicam, as orações fazem ruídos, os quartos se enchem de depressivos. Estamos num momento perigoso. Não que a insegurança nos cerca. Porém, não esqueça que a euforia não se foi. Há pessoas que se encantam com um futuro de promessas que casam a religião com a política. Não tremem, lançam agressividades, exultam a descoberta de vingadores.

Sentem-se embriagados, visualizam mudanças, sem refletir sobre a história. Apostam no novo que cheira mal. Existe mudanças nos projetos políticos recentes? É uma boa pergunta. As referências de generosidade estão monopolizadas por discursos nada simpáticos ao bem. A transparência é um mito, as diferenças continuam e o desespero convoca disputas e perda senso crítico. Quando o deboche prevalece ou se reduz tudo a uma simplismo irônico é aviso que o caos cresce e ambição de minorias reforçam privilégios.

Portanto, não vamos celebrar crises radicais. O medo é humano e impede reações. Temos lutas que não saem do cotidiano. Os lugares das lutas se esticaram com a chegada das tecnologias sofisticadas. As perdas de afetos mostram que a aflição se opõe. Há declarações radicais que destroem qualquer aceno de dialogo. O sono se vai, as noites se tornam longas, sobram energias negativas.Uns se lamentam, outros se vestem de ressentimentos. O tempo nebuloso, concentrador de incerteza, carregador de ruínas,

Ocupar as ruas, refazer o lúdico, entender a diversidade

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As multidões ocupam as ruas não, apenas, visando desfazer propostas políticas. Há uma forma de se organizar, um grande encontro afetivo, muitas conversas, mudanças na formulação das estratégias. Anima, traz força, mostra a heterogeneidade. A movimentação é um registro da sociedade que vivemos. As imagens estão nas redes sociais, as pessoas gostam de marcar presenças e desfrutar da presença das tantas seduções. Portanto, a política ganha cores e fantasias. Diverte, inquieta, desenha suas vitrines. Um dia de sol, muito azul, protesto contra os abusos conversadores fazem um espetáculo que comove, mas há nuvens no ar que não podem ser banidas.

Imaginamos que as utopias podem ressurgir. mas tudo é muito efêmero. Há poucas reflexões e muitas individualistas buscando afirmações. Fica difícil dialogar. Nos debates, há dissidência por milímetros. Infelizmente, estamos subordinados à logica do consumo. Mesmo quem critica, não consegue ultrapassar certos limites. Observe o facebook. É uma fábrica de ambiguidades. É difícil escapar dos modelos. As passeatas repetem o que repercute, não acontecem na Lua, porém em cidades governadas por homens e mulheres. Não estamos soltos no infinito. Há alguém livre de qualquer contradição? Portanto, as vaidade acompanham e tripudiam sonhos.

A política ganha, assim, uma complexidade incomum. Muitas novidades descartáveis, desafios, apatias, cansaço e o reino dos celulares. Mais do que a luta, muitos preferem fantasias, exibições, motivos para festejar suas ações. Cada tempo com seu ritmos, não estamos em maio de 1968, nem passeando pelas ruas de Atenas. Apagar a rebeldia é um erro. Não vamos sacralizar o profano. Olhe os religiosos defendendo o fascismo! Quem esperava outra coisa nada entende? Não esqueça das artimanha dos pactos da Igreja Católica com a burguesia. Qualquer dúvida, assistam aos programas dos pastores. Vende-se tudo. Os interesses não se foram e nem irão

Ser ingênuo não resolve muita coisa. Rasgar a memória é um suicídio político. O importante é articular a consciência, dialogar, não cultivar perfeições ou purezas. Há desperdícios. As manipulações mudam e possuem ajuda da tecnologia. Vargas utilizava o rádio. Hitler explorou teorias científicas, Trump não perdeu de vista o ressentimento político. As relações de poder são escorregadias. No entanto, é preciso não se esconder. Quem se nega responsável, adormece, A história passa, pode assumir desenhos esquisitos e assustar. Somos seus sujeitos. O drama existe e a comédia também.

A sociedade adoece na mira da desconfiança política

 

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Se cada um se torna um inimigo em potencial, as relações se fragilizam rapidamente. A desconfiança pode aprofundar a instabilidade e criar um mapa aberto para violência. É claro que uma harmonia absoluta não existiu. Não conte uma história atravessando uma linha reta, num território cheio de anjos e paraísos. Estamos no mundo sem ter o seu controle, mas construindo sonhos. Resistimos aos desastres e nos levantamos quando caímos. Para quê? Não sei. A ciência quer apagar as dúvidas. Uma pretensão que sofre retornos e frustrações.

Não há um início e o fim que nos tragam uma paciência consolidada. Temos um movimento que nos cerca. Ele desconstrói energias ou mesmo isola quem se infiltra na arquitetura da violência. Escrevo sobre o que acontece, há metologias que insistem em defender verdades, porém circulam ilusões que destroçam calmarias. Portanto, conte sua história, sinta seus escorregões, olhe para seus espelhos e peça ajuda a seus vizinhos. Não invente que a política só tem canalhas, nem decrete que as paixões salvam os desenganados.

Fique na sua corda bamba. As visões do medonho aparecem, as luzes tremem algumas vezes, contudo, as sombras não são as soberanas do mundo. Como lidamos com ansiedades é difícil  ampliar a cartografia do sossego. O sentimento chega sem hora de terminar. A saudade possui tempos indeterminados e a raiva pode durar dez minutos. Não se lance como profeta, nem faça aliança com aqueles que se enturmam com os fantasmas antigos. Há quem admire testemunhar o refazer de vidas estranhas, mas há quem contemple a mansidão e agite a generosidade.

Nomeie o que passa. Não fique mudo, nem perca o significado das palavras. Não deslembre. Há gramáticas individuais e coletivas. Sua fala se interioriza, porém não tema que os outros a ouça. A timidez não é segredo ou garantia de que estamos livre de males. Tudo se movimenta, o ritmo é fundamental para cadência  de cada minutos. Os tangos de Gardel estimulam nostalgias, as dores dos poemas de Vinícius sacodem amores desfeitos, o acaso dos romances de Paul Auster desenha perplexidades. Um dia, a casa não cai e a lua se casa de vez com o sol.

Política: Luzes e sombras pertencem ao mundo?

 

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Tudo ferve no país tropical. Bolsonaro continua acenando para os mais raivosos. Atinge simpatizante com discursos em favor da família e da violência. Apresenta-se como salvador. Promete o paraíso. Não me convence. Há várias maneiras de encará-lo. Possui um carisma maluco, se faz e adepto da tradição e solta o verbo. Diz o que os enrustidos gostariam de dizer. Explora o lugar comum sem cerimônias. A imprensa dança tentando enquadrá-lo. Conta com o apoio de expressivas figuras do exército e elege sua carreira como especial. Lança-se.

Seus adversários o chamam de capeta. Ele se coloca como um perseguido injustamente. Suas mãos são limpas. Quer evitar a divisão, seduz que não admira os petistas. Consegue votos, embora difame as mulheres, os gays, as negros. Não se cansa, parece imbatível, possui filhos que entram na batalha, Será o mentor de uma guerra civil? Não sei, mas aguarde. O tempo está muito nublado, as bandeiras do Brasil vestem seus amigos, ele atrai quem se julga ameaçado pelo comunismo ou fanáticos religiosos. Uma travessia que não renega acidentes.

A história se inquieta. O imprevisível desafia, é quase impossível esclarecer o que acontece. Lula preso, Moro na tocaia, Ciro cheio de teorias, Haddad ganhando fôlego, o PSDB suspirando. Muitas energias soltas, armadilhas fabricadas, milícias  empoderadas. A sociedade nunca segue um ritmo que satisfaça a todos. Somos filhos do pecado original, de uma deus que balança as emoções. As certezas são poucas, o progresso é uma enganação e a busca da solidariedade se torna uma aventura. Curtimos uma incompletude que se arrasta, mascarada por aleluias modernas.

Nada será como antes, seja qual for o resultado das urnas. As tensões não serão expulsas. Haverá alianças surpreendentes e amizades cantarão perdões. Talvez, a corrupção assuma outros princípios. A crise está colada ao capitalismo, mas existem empresas de consultoria para desmentir qualquer ameaça aos privilégios da minoria. Sempre se muda a gramática e se insiste em teses desenvolvimentistas. Há quem feche olhos e se desligue. Entrega-se a desilusão  e foge da fogo da luta. Não adianta, ela vai  buscar você em casa.

A armadura da tristeza: nada será como antes

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A vida não é uma porta aberta. Temos que fazer peripécias para conseguir enganar suas armaduras. A multiplicidade de situações exige criatividade. A cultura responde e tenta ultrapassar limites. Mas a sociedade não deixa de conviver com as frustrações. A questão não é, apenas, a finitude. O mundo é um territória que adota uma complexidade que nos atormenta. Tudo acontece velozmente. As virtualidades distanciam gerações, corta empatias, torna o próximo estranho. Não se deixa de produzir teorias. O lado da sensibilidade está duramente afetado pela lógica do capitalismo.Ela é cruel e nos enche de ambições. No fim, dormimos com pesadelos.

Marx refletiu, com arte, sobre as astúcias do valor de troca. O mercado delira, joga com abstrações, precisa de bruxas. Lembro-me das histórias infantis, do espelho da rainha perversa. Os sete anões salvaram Branca de Neve, o príncipe amou a Bela Adormecida e Lobo fez estragos em Chapeuzinho Vermelho. São histórias que possuem versões. Tudo depende de interpretar o que significa os símbolos. Quem era o escravo no Brasil do século XVII, quem eram os trabalhadores nas fábricas inglesas do século XIX? O capitalismo não se montou sem ilusões. A modernidade apresentou-se iluminada, prometeu revoluções, ensaiou democracias. Agoniza.

Hoje, olhamos os medos fazerem pactos com a solidão, os amores despedaçados pelas urgências, os esconderijos sendo ocupados pelo desespero. Existem regras, ordens, lutas, eliminações. A fragmentação do mundo gera impedimentos, porém surgem cientistas que prometem transformar o corpo humanos e vencer a morte. São tantas as questões. as sombras derrubando as luzes, que o conhecimento namora com uma dimensão lúdica. Será que não é preciso reinventar os circos, mudar os palcos das academias com saberes mais leves?

Não sou muito vidrado nas máquinas. tenho, porém, minhas admirações. Gosto de caminhar e de conversar com meus sentimentos. Sei que existe rivotril, que uma noite de sono traz sossego. Sei também também que há desencontros, que a beleza se confunde com a tristeza, que minhas angústia podem ser caluniadas pelas invejas. A cultura não se constrói sem armaduras. Cada rosto desenha uma expressão. Somos decifradores. Somos senhores de alguma coisa. Não há como se desfazer das falas, nem jogar os dados para algum lugar no lixo do acaso. A porta fechada chama para atos de coragem, mesmo que custe lágrimas. A tristeza é uma parceira, tem poesia.

O machismo se fantasia de fascismo: perturbações nada carnavalescas

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Nas eleições, soltam-se raivas e vinganças. São disputas que inquietam. Elas não definem a sociedade para sempre, mas podem atiçar desencontros e amarguras. A ansiedade cresce num mundo já repleto de tecnologias aceleradas. Portanto, é um equívoco se celebrar transparências. Tudo fica tenso, o vizinho ao lado torna-se um enigma. No Brasil, depois de corrupções amplas, as extremidades estão feridas. Ataques não faltam e as redes sociais fazem pactos com anjos e demônios. As sombras se enchem de fantasmas e de pavores. As agressões se instalam.

Muita gente desconhece como foi o passado e mostra-se denunciador do que não existiu. O fascismo virou um nome gritado pelos que se dizem amigos da democracia. A intolerância é um perigo. Nada de abraçá-la. Os que defendem a violência se colocam na vitrine d “salvação”. Rolam mentiras, o mito de Prometeu é esquecido. Por isso que o nível do debate é mesquinho. Temos uma cultura que convive com um autoritarismo secular. Não observo experiências democráticas. Vargas é chamado de pai dos podres, o homem que não dispensou a censura e o controle. A aridez, aqui, não é novidade, porém as solidariedades são escassas.

O machismo nunca se foi. Estava nos latifúndios e continua nos centros urbanos. Ele toca e seduz os imperadores do cotidiano cruel. Há quem se estime superior e funde seu lugar de forma impositiva. Não pense que os assassinatos de mulheres se dão  apenas em favelas. O temor é geral. Há crimes sofisticados. Há quem use disfarces e contrate advogados famosos. Leia o jornal ou escute os noticiários. Será que o machista é também fascista? Boa pergunta. Os que determinam a inferioridade das mulheres, que subestimam o trabalho manual são figuras traiçoeiras. Zombam, debocham e ainda se exaltam como donos da segurança. Quebram corpos como quebram objetos inúteis.

As eleições sacodem pesadelos. Não julgue pelas aparências. O saber acadêmico tem seus pecados e suas justificativas. Há teorias que defendem o eurocentrismo. Criam antagonismos vis. A violência não é apenas produto da miséria. Não esqueça a exploração, as drogas, as bombas, o racismo. A contaminação atinge uma maioria que se envolve com egoísmos e despreza o outro. Desfila, como santidades messiânicas. O fascismo veste-se de fantasias que aterrorizam. Tornou-se uma prática política que fragiliza a convivência. Procura a exclusão. Impõe regras. Os machistas cantam suas proezas, porque se sentem senhores indomáveis. Destroem-se ao sepultar o afeto e balançar a discórdia. A história não para. Mora num porto que tem idas e vindas. Assusta e redime.

Histórias: A praça é do povo e moradia das carências

 

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Pode parecer estranho, mas nem tudo permanece com era antes.  Os ritmos se distanciam. São as famosas mudanças que inquietam e trazem expectativas. Fala-se que o movimento da história é progressivo. É a navegação no mar das mentiras. Conto porque vi. Tomei um susto, mesmo sabendo que não falta miséria na nossa pátria amada. Passava apressado por uma praça bela. Um lugar que provoca encanto. Durante o dia, recebe muitas pessoas, animais domésticos e serve de estacionamento de carros. Antes, era tranquila, hoje ponto de drogas e conversas suspeitas. Não perde, no entanto, o seu charme. Merece cuidado. A história a pune de forma arbitrária.

Seguia. Era noite e observei os bancos da praça. Fiquei surpreso. Estavam todos ocupados. As pessoas dormiam ou tentavam se conciliar com a escassez de sonhos. O sombrio prevalecia, as lâmpadas vacilavam. Na nudez das lacunas sociais, tudo ganha outro sentido. Haja criatividade. Criam-se moradias. Improvisa-se. Não há como fugir de tantos desamparos, apesar das promessas dos políticos. A cidade é também moradia de ruínas, mostra que há desmantelos e cidadania cheia de buracos. O cinismo engorda, nem ousa fazer dietas. Escute as dissonância, não fique mudo.

Lamenta-se a irresponsabilidade dos governantes. Não basta a praça. o quadro é assustador. Não vou além. Lembro-me que brincava com minhas meninas  mais velhas, sem problemas e aproveitando a vegetação. Burle Max tremeria com o desprezo que existe. O que era lugar para esticar as pernas, dialogar, soltar fofocas, virou um laboratório de melancolias. Sigo apressado. Não tenho medo.Sei que a barra pesa e não há como estabelecer equilíbrio numa desordem que favorece privilégios. Não é incomum.As minorias curtem suas acumulações e a maioria busca sobreviver. Até quando?

A cidade  forma um cartografia de desajustes. Assombra quem se recolhe em casa, para meditar sobre os desencontros da vida. Guarda-se. Cada dia uma violência, um descaso, um sofrimento, um risco na utopia. A sociedade estraga-se, porque o capitalismo quer se revitalizar. Passa por desafios. Sobram máscaras. Há quem arquitete revoluções fantasiosas, quem intensifique o comércio de armas, quem se vista de generosidade. As multidões andam nas ruas como zumbis. O ônibus demora, as escolas têm grades, a polícia pede aumento, os médicos entram  em greve. A praça é do povo ou o povo é da praça? Na esquina uma farmácia concentra luzes.

Você conhece Hitler?

 

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A história possui um movimento que desafia. Há contradições, lamentos, dissidências. Mas somos sujeitos da história. Há quem fuja, se diga neutro e busque navegar em riqueza individualista. Não podemos querer uniformidades. Existem escolhas. O importante é não perder as memórias das violências que retornam e ameaçam o cotidiano. Viver o aqui e agora é fundamental. No entanto, os tempos dialogam. Ficar isolado cria estranhezas. Portanto, a cultura é construída com aventuras. As complexidades pedem envolvimento e não, ausências. A política é responsabilidade e não, apatia. Não adianta usar máscaras e cantar orações.

Os momentos políticos inquietam, quando sacodem questões inesperadas. Estamos abraçados pelos extremos. As eleições se aproximam e a perplexidade aumenta. Hoje, as pesquisa balançam corações. Soltam-se denúncias e os ressentimentos voam. Ninguém sabe como caminharemos depois de tanta tempestade. A política possui ninho de surpresas. Analise o passado. Napoleão tornou-se imperador, Vargas era um ídolo autoritário. Fidel conseguiu derrotar Batista. Porém, não deixem de lado a figura de Hitler.

Foi escolhido para salvar a Alemanha das depressões quase absolutas. Surgiu do nada, com dizem alguns. Tinha muitas pretensões. Não era tolo. Pensava, tinha uma assessoria atuante. Imperialista e cheio de argumentos, convenceu muita gente. Admirava Paris, gostava de arte, proclamava o valor da ciência. Provocou entusiasmos. Era militarista, não poupou os países invadidos. Causou estragos impressionantes. Não estava só. Dialogou com Mussolini, com Stalin, espalhou ideias pelo mundo. Quem não se lembra dos integralistas? Nada de muito simples em sociedades desencontradas pelas misérias.

Na história, nem tudo vai para a lata do lixo. Houve genocídios. Hitler não ficou nas especulações. Como as permanências existem e incomodam! Há grupos de neonazistas retomando seus gritos e ódios. No Brasil, há quem siga as trilhas preconceituosas e reclame contra o excesso de paz. Prometem vinganças. Nem conhecem direito como o nazismo desfez culturas e cortou sonhos. O perigo é o apoio coletivo, a massificação, a mídia vacilante, a falta de reflexão. É preciso se olhar no espelho do tempo. Somos frágeis e desiguais numa sociedade repleta de ambiguidades. Quem se omite se entrega a uma covardia feroz.

O descaso com a história

 

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Há um certo desprezo pelo história. Sente-se uma preguiça , um desconforto em falar de suas próprias histórias. Os meios de comunicação gostam de escândalos e denúncias. Não aprofundam. Promovem viagens curtas que não dialogam com a memória. É preciso criar contrapontos. Quando se deixa o passado de lado e vive-se o agora com muito entusiasmo, existe algo de torto no mundo. O imediato não deve ser sacralizado. Apagar as tradições é um erro. Elas merecem debates e conexões com os acontecimentos recentes.

Portanto, a história pede reflexão. Não é uma acumulação de fatos. Quem não a conhece, corre o risco de cair num abismo escuro e ficar fora das compreensões que ajudam a mudar o mundo. O excesso de tecnologia encanta, fermenta o consumo. Não seria importante saber a razão de tantos louvores aos celulares, computadores, carros? Seguir a trilha construída traz esclarecimento, modifica a sensibilidade, descongela teorias. O historiador desconfia, busca confrontos entre as fontes, socializa caminhos, aumenta a capacidade de visualizar o múltiplo.

Quando se esconde alguma coisa, a política se tensiona. A história não é neutra. As relações poder atuam, articulam controvérsias. Não é necessário ser  acadêmico para contar a história. Assista ao filme de Tim Burton, Peixe Grande,  e observe as fantasias, os sonhos, os movimentos dos afetos. Tudo isso é história. Não fique paralisado. Inútil é a apatia, a falta de motivação, a escolha por um pessimismo avassalador. Nunca teremos um paraíso. Evitar certos descontroles é possível. Nascemos incompletos, porém inventamos a cultura e a rebeldia.

Apagar a história é uma tragédia. Há exemplos práticos na imprensa, nas universidades, nos confrontos familiares. A história nos acompanha. Somos seres que desejam, que se enganam, que perdem a lucidez, contudo cada ato tem sua forma de se apresentar. Ninguém escapa das diferenças. Não aposte numa melancolia sem saída. Quem conta sua história inquieta os outros, assombra quem se nega a esticar suas aspirações.Afastar-se de si mesmo é uma renúncia perigosa.