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Temer: os ruídos do apocalipse gravado

 

Temer é chocante. Faltam sensibilidade e consciência mínima. Precisa de fazer um curso com Descartes e ouvir uns conselhos de Freud. Reclama das injustiças e quer ser visto como salvador. Uma figura que merecia uma ficção de terror. Assombra o Brasil, não sei se assusta Marcela. No entanto, possui parceiros estranhos. Penso no individualismo que toma conta desses políticos. Vivem um delírio cínico. Nunca leram Gramsci, Maquiavel, Rousseau. É difícil medir o tamanho da mediocridade. E os pronunciamentos pela imprensa tonta? Não quer acompanhar Maluf? Os pântanos não deixam de criar monstros. As gravações apresentam ruídos e a ética é sadia? Fico observando.

Já  se articulou uma grande campanha obrigatória contra corrupção? Será possível produzir uma vacina para tornar Maia e Temer menos incapazes? Eles persistem, porque sentem-se apoiados. Sentimos os abismos. Eles querem o conforto dos palácios, se envolvem com golpes, são frutos de epidemias. O Brasil convive com fragmentos. Ouviram o excelente vocabulário de Aécio? Tudo é inacreditável. O palavrão não é um mal, mas o Neves deve ser riscado.Convocaria uma Assembleia de anjos e demônios. Acordaria deus que dorme depois do pecado original. Acho que se desculpa pelas suas criações. Não é brincadeira.

Ficar na perplexidade não adianta. Querem eleições indiretas e já apresentam candidatos. FHC reaparece. Outra persona bastante ambígua. Temos saudade de quem antes desconfiávamos  ou achamos pouco eficientes: Leonel, Guimarães, Arraes, Tancredo. A escassez é grande. Eles não podem  ser comparados com a gangue do Congresso.Muitas passeatas nas ruas para animar o sonho. As saudades assanham autoritarismos dos mais brutos. Há quem fale de Castelo, Médici com um afeto enorme….O pessoal da boiada deu um show. Marcelo. o delator cheios de bossas, não entende nada sobre propina. Vestido de vaidades se encontra preso e roendo unhas. Não escapou das grades. Dorme na cidade de Moro.

É tudo surreal, mas Temer se agarrou com os peritos. Chora, abre os olhos, busca os ombros de Padilha, maldiz Janot. Como aliviar a poeira de tantos caminhos esburacados? A Constituição não é obra congelada. Merece respeito, mas o que resta da política? Essa agonia geral transtorna. Chove canivetes. Os jornais estão repetindo opiniões, a Globo admira a exclusividade, os escândalos são cotidianos, a censura persiste, a dubiedade marca as ações. Há vários Temer no pedaço. Cruel demais. Mas o Brasil procura limpar sua honra. Sempre a mistura do lixo com o luxo como mandamento central É urgente uma reforma nos presídios. Talvez as arenas da Copa possam receber tantos presos ilustres membros de uma máfia singular. Seria um ato interessante.

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Nietzsche: ansiedade, oportunismo, cultura

 

A história não requer confortos contínuos. Parece que é preciso que haja quedas. Elas se vinculam ao movimento de aprendizagem. A cultura traz invenções e toca nas sociabilidades mais permanentes. Isso significa dizer que há mudanças. Mas é preciso não confundi-las com progresso. Mire no século XIX. Observe as idas e vindas dos pensamentos, os delírios de Comte e o impacto da crítica de Marx. O capitalismo desenhava contradições. Nada de riqueza para todos. A história é campo de luta, de sonhos, de divergências, de labirintos sem fim..

Freud apontou paradigmas que chocaram os resistentes. Havia entusiasmo com as técnicas, com o domínio dos europeus, com o surgimento das ciências. Freud levanta a poeira. Lembra que somos animais, buscamos prazeres, enfrentamos competições. O amor, tão pregado pela religiões, se abala com as vinganças e a existência da mais-valia. O narcismo cega, envaidece, derruba. A história não cansa de mostrar que há curvas. O abismo é uma metáfora usada para assinalar o fim da ilusão. O conceito de decadência se choca com ideia de progresso.

Ninguém tinha bola de cristal, porém as tensões nunca deixaram de existir. O colonialismo estava firmando mercados e explorações. Nietzsche denunciava a crise de valores, desconfiava dos discursos exultantes da razão. Não esqueça que os românticos já colocaram reflexões importantes. A modernidade tinha sua nudez revelada. Não era a armação do paraíso como os fanáticos , ainda hoje, pensam. A sensibilidade exercita outras formas de ver o mundo, contraria a aridez do descartável das mercadorias.

Muito do que foi dito por Nietzsche está na atualidade. Suas suspeições confirmam-se. Numa sociedade guiada pelo pragmatismo, não faltam os que alimentam navegações oportunistas. Na época em que as crises se aprofundam, a cultura ensaia seus bailes de máscaras. As sombras ameaçam, mas há quem manipule, quem se abrace com os números e montem lojas de consultoria para livrar o sufoco. Não se trate de busca soluções coletivas. Prevalece as armaduras dos que concentram riquezas e debocham da miséria dos outros.

Nietzsche não se empolgava com os dogmas. Não fugiu das reflexões mais agudas que derrotavam a vaidade dos dominadores. O poder é cru quando se alicerça na vontade de reproduzir privilégios. As guerras mundiais aconteceram, o imperialismo empurrou os mais fracos, o nazismo assustou o mundo. Sofrimentos se espalharam. Não adiantam as lições? A razão é útil para oprimir e iluminar. Quem apagar a arte, a imaginação, censura a criação. O culto ao planejamento impede que o vício da ordem e do progresso se desmanche. A cultura possui infernos que cortam necessidades das maiorias. As dores do mundo são fortes, contudo a vida continua. O fôlego não morreu.

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Desmanches: a sociedade se reparte e adoece

 

Não há como evitar a existência do poder. Organizar a sociedade é fundamental. O importante é pensar que há muitas formas de escolher caminhos. Lembrem-se dos romanos desconsiderando os povos bárbaros, das fundações da democracia grega e moderna, das utopias do século XIX, da sede de conquista de Hitler. São sugestões de projetos diferentes. Há extravagâncias autoritárias, fraquezas na socialização, sonhos ditos impossíveis. Nunca faltaram vazios, nem insatisfações. Tudo tem um toque de instabilidade. Observe como foi o movimento de 1930 no Brasil, a ditadura de Stalin na União Soviética, a loucura de Nero na antiguidade, a opressão de Portugal no escravismo.

Cenário aberto para polêmicas que propagam. Há quem deseje a volta doa militares, outros torcem pela afirmação das práticas nazistas. A confusão é imensa. A democracia aparece como preciosa. Teríamos equilíbrio, liberdade de opinião, o coletivo agindo sem censura. Mas há questões inesquecíveis. Na sociedade moderna, as composições são efetivamente democráticas? As sociabilidades se modificam, as críticas se renovam. No entanto, as explorações se foram da história? As rivalidades morreram e a corrupção desapareceu? O silêncio é impossível diante de tantas perguntas.

A Revolução Industrial moveu a produção, introduziu o trabalho assalariado, criou mercados internacionais. Esperava-se o crescimento de lugares sem desigualdade. O Estado cuidaria de romper com o passado opressivo. E as mobilizações revolucionárias? O que houve com a Comuna de Paris? Por que colonizar a Ásia e a África? O que significou a China na época de Mao? A democracia virou pó, escondeu-se ou ainda se espera alguma coisa? O mundo se encontra numa tensão constante. A violência existe nos Estados Unidos, na Síria, na França, em todo canto. Não é excepcional, nem um fenômeno que abala apenas os tempos atuais. O que fazer? Não há como sentir sossego?

Mudam as astúcias, mas as disputas não dispensam massacres. Há uma corrida para se aperfeiçoar as armas. Portanto, nada de diálogo que fertilize a reflexão e combata os desacertos contínuos. O Brasil tem uma história marcada pelo autoritarismo. Getúlio Vargas instalou o Estado Novo, Médici persegui seus adversários usando a repressão, Dilma sofreu com as articulações que a derrubaram. Questiona-se a possibilidade de se compartilhar a vida, sem celebrar o individualismo e expandir as ambições. O pecado nos mete medo e nos condena a navegar no pântano? Deixemos as lendas de fora e  encaremos as incompletudes. O paraíso é um perfume da imaginação.

A aflição aperta corações e mentes. Não há como trazer magias insuperáveis. Tudo lembra desafio. Freud definiu a força do inconsciente. Não é só o corpo que adoece com frequência. E as psicopatias, a negação do outro, as bombas mortais, a ciência aliada à tecnologia da destruição? Construir a ideia de progresso é uma falácia. Há recomeços, desistências, fracassos. A memória traça desenhos de profundos desastres e genocídios assombrosos. Por isso que os cansaços aparecem, os salvadores inventam mitos, a sociedade se reparte em grupos hostis. Não é sem razão que os sentimentos podem enlouquecer e os sentidos se transformarem em esqueletos horrendos.

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Quem tem medo da narrativa do capitalismo?

 

Não há mistério. O território do capitalismo está aberto para exploração contínua. Não é novidade. As desigualdades existem de forma brutal e a miséria mora em muitos lugares. Não é acontecimento recente, mas as sofisticações acompanham a história. Cada época inventa suas medidas. Pensar o capitalismo sem corrupção é uma ingenuidade. Onde há hierarquias não pode haver harmonias. Sempre as desconfianças, suspeitas, covardias permanecem imprimindo opressões. Portanto, temos sequências que amedrontam e ampliam a violência. Os celulares tocam marchas do século XIX. Retomaram a escravidão dita moderna?

É claro que o capitalismo possui defensores. Não faltam teorias. Questiona-se a sociabilidade generosa. Precisamos dos outros, guiados por interesses. A solidariedade é rara. Como pensar, então, na generosidade? Como construir utopias? A disputa está solta, angústia dói no coração. Os desmanches culturais não foram evitados pela globalização. Basta observar o que se passa na África. É incontável o número de refugiados. As colonizações crucificaram costumes e incentivaram guerras. Tudo protegido por racionalizações e por tecnologias. As narrativas se sucedem, juntem as manchetes e os editoriais dos jornais. Não durmam. Olhem-se.

O Brasil não está longe dos desencontros, deteriora-se aceleradamente. Os valores de despedem, as notícias mudam, os poderosos não cessam de armar emboscadas. Procura-se manter a exploração e torná-la mais profunda. Isso ganha camuflamentos. Façam uma leitura das reformas, da agonia de Temer, das sentenças dos juízes. Há golpes constantes em nome dos lucros. Marx já previa os desacertos. As regras favorecem as minorias e são quase impostas pelas políticas. Brasília é incansável ou incurável? Fabrica surpresas e distribui melancolias. Possui as agitações de prostituições medonhas que assombram a dignidade. Quanto vale cada discurso? Quantas lágrimas seguram o desgosto da hipocrisia?

Será que estamos condenados? Será que não há alternativas? Os sonhos sentem-se pesados. As religiões fazem parcerias com a política. Quebram-se compromissos sem cerimônias. O mundo vive da palavra vazia, das celebrações sem sentido. O capitalismo canta o descartável, sacode os bancos para curtir euforias, recorda-se das jogadas fascistas. Estamos em esquinas cheias de ruídos e com planejamentos de assaltos de todo tipo. Não há semblantes generosos, contudo há espelhos com imagens desfiguradas. Não é sem razão que as epidemias circulam sem pressões. A vacinação encheria prisões inexistentes.

A memória nunca deixa de ensinar. Não adianta desnaturalizar no vazio.  É importante observar as diferenças nos desenhos da coisas. Existem amores, mas mudam seus hábitos. Existem desejos de vingança, mas renovam seus objetivos. A história se movimenta, não dispensa, porém, a permanência. Os disfarces não desapareceram. Eles nutrem as falcatruas, simula inocências, adoram festividades  inúteis. Estamos cercados por ambiguidade imensas. As portas estão escancaradas, as túnicas desbotadas, os títulos fragmentados. Achar que, no capitalismo, vivermos mares calmos é uma fantasia mergulhada no pântano. O futuro despertence como um predador abandonado.

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Antonio Cândido: a generosidade tem nome

 

Vivemos no meio de ataques constantes. A aridez contagia, a ironia se expande. O Brasil está doente, não sabe o tamanho da sua aflição. Nunca vi tanta raiva acumulada. Difícil dialogar. Há pessoas que não percebem que há corrupções próximas e familiares, mas preferem jogar para a plateia, pintar imagens histéricas.  Quem soube roubar com sutileza, fica escondido, como se fosse um anjo. O fogo queima e o inferno está por aqui. Fico meio perdido, pois não curto agressividades, nem cinismos. As questões são profundas e estruturais. A metralhadora dispara com fúria avassaladora. A guerra tem muitos nomes, balançam os complexos de cada um.

Antonio Cândido se foi. Não tenho condições de mergulhar na sua obra e fazer um texto para consagrar sua colaboração acadêmica. Minhas leituras sobre ele não permitem grandes voos. Admiro Antonio Cândido pelo que representa como exemplo de generosidade. Esteve sempre  com as lutas coletivas, não se encantou com os elogios, tinha uma inteligência solidária. Numa sociedade, marcada pela inveja e desejo de aparecer como gênio, ele se torna um exemplo incomum. Além de abrir um espaço para renovação intelectual, não se descuidou dos amigos, criticou as injustiças sociais. A sabedoria não se submete às injeções da egolatria.

É fundamental lembrar-se de personagens que não se fixaram nos feitos acadêmicos. Fugir dos espantos da produtividade, ser mestre sem temer os discípulos merece saudações. A sociedade não se abastece apenas de intrigas políticas partidárias. Ela se afunda, porque perdeu valores e se corrompeu com o fascínio do poder. A grana atrai, faz crescer os ódios, cria inimizades, tumultua a justiça, nos coloca numa crise radical. Quem consegue respirar, olhar a possibilidade de sonhar? Há uma epidemia de mentiras e intransigências que impossibilitam o afeto. Ela nutre debates, congela projetos, estica hipocrisias, assusta.

Antonio Cândido não entrou na dança do trivial. Mostrou dissonâncias, estudou sem eleger privilégios, escreveu sobre Guimarães, Drummond entre tantos outros. Cercou-se de apuros literários, conseguiu articular paradigmas. Não me canso de participar de bancas onde ele é citado. Sua metodologia permanece , não se obscurece com as polêmicas. É uma memória cheia de vida, de dialéticas que embriagam. Os intelectuais que afastam as pedras que existem no meio do caminho são raros. Muitos gostam de vibrar com a tecnologia, se disfarçam , mas assumem consultorias para guardar o capital. Fogem das aulas, da formação, tornam-se os senhores das conferências.

Antonio Cândido não baniu o sonho do socialismo. Não mistificou. Existem dificuldades imensas. Pensar um  mundo sem desigualdade nos chama para o desafio. No entanto, as contradições continuam, as traições firmam armadilhas, as desesperanças não se vão. Ele nunca negou os obstáculos. Mas se jogarmos fora o sonho não será pior? O pesadelo não será constante? Essa é uma questão que deveria nos abraçar. Celebro, aqui, a generosidade. A reflexão é importante quando está acompanhada da sensibilidade. Para que eleger conhecimento e  navegar no mar do individualismo? O sofrimento do mundo é visível, a indiferença é uma crueldade. Não sabemos dividir. Queremos a roupa da rei.

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Sustos, políticas,divisões: os caminhos de Lula e Moro

 

A sociedade se enfeitiça com os espetáculos. Ela não nega sua vocação para consagrar a mídia. Os boatos, as cenas, os gritos, as cores criam expectativas imensas. Tudo se inventa. A política se mistura com a religião. Há atos de fé, salvações desejadas, deuses enebriados pelas falas sedutoras. Vivemos uma semana de agitação constante. Não faltaram profecias. A luta do bem contra o mal fixou seu lugar de sempre. Ela personaliza, atrai, supre a solidão dos desconfiados. E aqueles que se fazem de ingênuos, que garantem estar em cima do muro? É a sociedade dançando sua dissonância, usando as vitrines do facebook, curtindo hipocrisias, jurando crenças., compartilhando o dualismo.

Lula e Moro são alvos de opiniões. A intriga gera emoções. Muitos tremem, outros usam vinganças. O desencontro é grande. Não sabemos o que anda escondido. Muita confusão, a justiça submersa, as esfinges querendo espaço, os corruptos buscando armadilhas. O que poderia ser algo formal, viralizou, se espalhou pelas redes sociais. O Brasil num embate com vários estardalhaços, as pessoas aflitas, a espera por jogos sem bolas, mas com maldades indescritíveis. A quarta-feira foi inquieta. Os descaminhos cruzam as esquinas e as avenidas.O labirinto da história não é homogêneo, enfeita-se com máscaras satânicas.

Lula possui uma vida surpreendente. Não se descola da política, não é inimigo do risco. Segue adiante, construindo sua trajetória, ouvindo e respondendo.  Tornou-se, para muitos, um Messias. Moro é esperto, se mexe com muitas articulações, se coloca como guardião da higiene jurídica. Possui adeptos e adeptas apaixonados. É uma aventura ou tudo está programado? Surgem os julgamentos. Há especialistas, notas, medidas, sensacionalismo. Quem conhece o dia de amanhã? Todos se entrelaçam. A perplexidade traz vestígios de novelas antigas. Os sinais têm formas místicas e profanas. Os intelectuais escrevem teses, as instituições não se renovam, o instituinte se desgarrou. Fantasmas assustam os medrosos.

Não pesquiso sobre provas jurídicas. Fico extático quando alguém descreve os fatos com segurança.  Lembram-se do pecado original? Imagino as incertezas que abalam cada um. Sei que elas são múltiplas. O campo da subjetividade se veste de fantasias. Lula atravessa caminhos, Moro não se cansa de animar querelas. Conseguem mobilizar. Multidões se aglomeram esperando o juízo final. As controvérsias gostam de ressentimentos. Estamos num buraco. Atira-se sem observar o objeto. Difícil desenhar o futuro. A sociedade se sacode no meio de sombras e luzes, de coragens e covardias. As interrogações não se vão. O sangue ferve.

O Brasil desconhece a convivência com o socialismo e a democracia. Há, porém, sonhos majestosos. Mas quem pode negar as frustrações? Não esqueçamos as outras sociedades. Quem sofreu com o fascismo, franquismo, terrorismo, stalinismo, guerras, preconceitos raciais, imperialismos? O mundo globalizado expõe os obstáculos de se montar a divisão do poder, das riquezas, da cultura. Valem os interesses das armas e das drogas. As minorias tomam conta dos valores de forma cínica. Estamos cercados de mercadorias . Não é à-toa que já inventaram a pós-verdade, o pós-humano, a pós-história. Os anjos e demônios sentem agonias inusitadas. É proibido dizer amém?

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FHC, Dória e Huck : o novo é o descartável?

Estamos sem saber como cantam os pássaros. As paisagens parecem cinzentas e a praça desabitada. Muito movimento nas ruas em busca de mercadorias. Ninguém se toca, mas não deixa de lado o celular. As famílias formam instituições diferentes. Programa-se uma criação de cães minados; Filhos podem trazer complexidades. As palavras voam, batem em panelas, adormecem no desencanto. Fale-se de violência. A sociedade se desmancha, as revoluções morreram, os oportunistas ganham lugares privilegiados. Penso que, em Brasília, o consumo de viagra e revotril é assustador. Todos sacodem o pó do privilégio do poucos, com risos de hiena.Há quem sinta saudade da destruição e se congratule com as ruínas, assistindo as generosidades festivas da Globo.

As leituras do mundo servem aos senhores dos poderes maldosos.Surgem admirações. O desespero provoca a buscas de novidades. Há quem deseje a salvação eterna vendendo perdões no horário nobre da Tv. O fá delira nas histórias dos pastores que cultivam os valores eletrônicos. Fico assustado. Tudo se inventa e Kafka estático sente que a metamorfose é delirante. Renan se reúne com os sindicalistas. São feitas alianças para tomar conta da capital federal. Não se preocupe com o dia de amanhã. Quem sabe Cunha desfile numa escola de samba, as leis se desfaçam com o sopro fugaz. A droga se espalha com sabores e ilusões nuas. Nada-se em turbulências escuras, sem sombras, sem paixões.

Dória é modelo. Possui grandes fãs. Declarações são colocadas no facebook, com carinho especial. Tornou-se o espelhos dos que  gostam de diluir memórias. Querem assassinar a política, sepultar o sonho final. Estou distante desses fantasmas. Não me recuso, contudo, a me  vestir com uma perplexidade quase insuperável. Por que as escolhas estão nos levando para um abismo? Nunca pensei que o capitalismo tivesse tanto fôlego, nem gurus com FHC. Há pessoas que sabem distinguir passados, que confundem fascismos com socialismo, não compreendem as dimensões de sensibilidade.

Querem vitrines, luxos, assepsias.Ninguém se articula sem lutas inesperadas. Não confunda o Brasil com a França, nem se faça de inocente útil. Há pessoas que desfilam com jóias raras da ironia perversa. Como se disfarçam!O etnocentrismo é cruel. O tempo se movimenta, mas termina consolidando prepotência. Dória é mesmo o novo? O varredor de ruas da lacoste, cheio de enganos e publicidade? Há muito o que analisar. A solidariedade está em farrapos, as flores no chão e comentam que a pós-verdade é fantástica. A política tornou-se a moradia dos medíocres?Os pobres devem ir para o lixo?

Os conservadores não negam raivas e orações. Outros disfarçam se construindo com máscaras sutis. Há quem chore, quem deposite lágrimas no cadáver das utopias. Assim vamos. Sempre se celebrou covardias e coragens. Demônios e anjos se agoniam, mas estão nos calendários universais. Há quebras imensas e epidemias perturbadoras. Os cínicos tomam contam dos impérios preciosos. Observem como atuam nas redes sociais. O incrível Huck e a delicada Angélica é um casal celebrado. Quem conta vantagem junta-se com as hienas, imagina-se o imperador da sorte fatal.FHC desiste dos  leitores com desprezo. Não conhece a tática de Tite.

 

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Quem precisa de um herói no Brasil fabricado?

 

O Brasil sonha com infernos e paraísos. Um governo cheio de atribulações onde parece que todos tomaram uma dose excessiva de Viagra nos visita cotidianamente. Há desrespeitos contínuos. Temer  abraça a impopularidade. Sente-se uma pessoa incomum. Sempre me pergunto a quem ele serve. Não penso que tenha autonomia. As inúmeras delações podem ser ficções, porém demonstram dissonâncias e vazios. Vivemos um arranjo de máfias especiais e empresas que adoram liberar propinas. Um desafio para Maquiavel ressuscitar suas reflexões e FHC construir suas meditações incríveis. Tempo assustador, inseguro e longe de previsões…

Nem tudo termina com os ministros do STF, figuras que traçam desenhos cheios de curvas. Observe as opiniões de Gilmar Mendes e seus desafetos de Curitiba. Quem pode subestimar a psicopatia de alguns ou a vaidade de outros? Renan marca sua presença desde os tempos de Collor. Fez política com Lula e Dilma. Não sai da cena. Lamenta-se das injustiças, mostra que é astucioso e ameaça destroçar o Senado. Não faltam artistas para um drama tão trágico, repleto de atos violentos, armado de granas volumosas. E Sérgio Cabral e sua dama de ouro, o mais fino representante de jóias da política carioca? Há empresas que devem a previdência. Quem discute?

Mas nem tudo é lugar de frustração. Há quem não viva sem ídolos. Levantam-se grupos justiceiros ou dúbios. Não há culpados ou inocentes de forma absoluta. Querem um novo Capitão América com sede de vingança e amizades comprometidas. Moro aparece com distinção. Comanda um operação com higiene jurídica ímpar. Ganha imagens nos jornais, faz tremer afetos e carências. Acusa sem temer. Derruba leis, intimida, constrói um fã-clube. Nada contra incendiar a corrupção, mas fundar idolatrias é sempre perigoso.  Moro se encontra em choque com as decisões do Supremo ou estamos encenando uma comédia?

Se há grande protetores da nação, existem pecadores. O fogo está aceso. Tudo vem do PT, Lula recebe energia negativa da imprensa e de intelectuais que se dizem impolutos. O ressentimento é amplo. Há quem se sinta traído e crie argumentos sensacionais. Um espetáculo com movimentos imensos. Não se trata de fazer do PT um exemplo de governo. As dúvidas não se foram, os descuidos existem, as manipulações massacram. A questão é a ideia de justiça, são os perfumes de fascismo alimentados com cinismo. O Brasil envolve-se com desacertos históricos. Desconhece solidariedades amplas, faz um jogo que solta o pó da vergonha.

No meio do caos, é difícil se eleger o deus da honestidade. Por que Cunha tramou sem ser perseguido e hoje está na cadeia? Não estamos vivendo uma crise superficial. O dualismo não convence. Todos estão encurralados. Como Aécio se livrará das acusações? O que representa Rodrigo Maia? Os caminhos estão escuros, as luzes desaparecem. Não considero Moro um herói. No mínimo cumpre suas funções, contudo se estiver envolvido com os descompassos? Por que a necessidade de amparo? É a mídia que seduz? Observe que a história não está definida. Suspeite. Estamos necessitando de um fio de Ariane. A grana é quem comanda tudo?

 

 

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Macondo: a solidão da história

Pintei o acaso na aventura do vermelho de Dalí,

deixei que a arte enlouquecesse com  cem traições repentinas.

Envolvi-me com as sombras e as luzes do eterno retorno

e  não segui a trilha covarde das armadilhas fabricadas.

Escutei os cantos dos pássaros azuis no ninho do quarto,

desfiz o paraíso que se escondia nas sementes da maçã pecadora.

Não sei se há terra, fogo, ar, água e assombrações,

vejo apenas ruínas medonhas e estranhas,

adormecidas entre o antigo e o moderno da cidade nua.

Imagino Macondo, me enfeitiço com Remédios, a bela,

e abraço Melquíades, o profeta do saber , espelho de Gabriel.

Converso com os fantasmas de Úrsula, assustados e febris,

não há dor que a solidão despreze, não há dança para deuses vadios.

O  Mundo existe para que conte minha história no meio das coisas,

das pedras, dos livros abandonados nas estantes moribundas.

A vida funda-se na embriaguez do belo, consolidando rebeldias

que ousam silenciar  os ruídos dos cinismos cotidianos

 ferindo o ventre das minorias  tatuadas

pelo vazio das palavras verdes e  da ordem desenganada.

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Literatura e História: bordando diálogos e palavras

 

O império da ciência é forte. Muitas instituições lutam para manter uma razão soberana, com traços positivistas. Nada contra a razão, nem a capacidade de organizar ideias e costurar concepções. Há uma complexidade geral. É preciso ter cuidado e pensar o mundo. Péssimo é eleger verdades e não admitir contrapontos. No debate, um santuário não traz esclarecimentos, mas quebra criações e nega as possibilidades de ir adiante.Releva o chamado  peso das argumentações, seus entrelaçamentos com a seriedade acadêmica. Portanto, não ficar num caminho único é desafio e gera preconceitos. Somos animais que se inquietam sem cessar, pois as certezas se balançam com fugas e enganos.

Há autores com reflexões fundamentais. Quem pode esquecer Freud, Nietzsche, Foucault, Ricoeur, Castoriadis e tantos outros? São construções de conceitos que facilitam a observação. Nada está cristalizado. As análises se chocam, as diferenças mostram as indefinições. A sociedade se movimenta, solta-se para o passado, busca torna-se transparente. Mas as luzes e as sombras não deixam de existir. Não há  como apagar as divergências, nem se desfazer das encruzilhadas dos labirintos. Razão e sensibilidade possuem lugares que se complementam. Instrumentalizá-las é danoso. E as relatividades, as curvas, os espantos?

A literatura inventa uma escrita. Para alguns, elabora o reino da fantasia. É apenas uma visita ao divertimento, não tem compromissos com o real. Surge a velha afirmação de que a ficção não adianta para resolver os mistério da história. Muitos não querem ver como os tempos se misturam , como linearidade não se mete nas astúcias do tempo. O escritor trabalha com experiências e imaginações. Borda palavras, acende olhares, usa metáforas, não esgota no lugar comum. A sua sedução é uma trilha para entender que a vida tem idas e voltas, não é uma falha cogitar nas permanências, nem aprender com a beleza.Escorregadio é fixar hierarquias inacabáveis e riscar o deslumbramento.

Como negar a incompletude,os desejos de superar lacunas? A cultura mostra que a insatisfação atravessa a história. Descartes fortaleceu o racionalismo. Sartre mergulhou na existência. Foucault redefiniu estudo tradicionais. A heterogeneidade é um encanto e não a consolidação de uma brincadeira mesquinha. Faulkner, Flaubert, Manoel de Barros, Guimarães produzem diálogos fabulosos com magias que tanto nos intrigam. No vasto mundo, esconder-se do acaso é uma tentativa de morte da reflexão. Há uma manto longo e estranho. Lembra a Odisseia. Somos nós que temos de bordá-lo, com escritas diversas, fragilizando vaidades, multiplicando espelhos. Temos que ouvir o canto das sereias, sonhar como uma pluma sem ponto marcado.

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